Promessa
Sou Israel em busca da promessa, anseio a terra guardada aos que perseveram, que meu nome se firme no Livro da Vida, para estar com Abraão, Isaque e Jacó, entre os escolhidos que herdam o descanso eterno.
Quando o mundo parece ruína, lanço sementes de promessa nas fendas do concreto. Não me contento com o “menos-mal” trabalho para que o bem floresça realmente.
Minhas palavras são pontes, não muros, para que o outro encontre abrigo e seja visto. A cada gesto, reivindico a grandeza que habita no simples, um olhar, um toque, uma ponte. No silêncio que resiste, descubro a força de quem escolhe erguer, em vez de apenas sobreviver.
Chão rachado guarda sementes, o que parecia fim, tornou-se promessa de fecundidade. Hoje eu sou esse chão.
O amor amadurece quando a presença vence a promessa, ser todos os dias vale mais que palavra vazia, o compromisso diário constrói confiança, presença é prova que o amor permanece.
O vale repete o nome daquilo que se perdeu. Mas o eco não é lamento, é promessa que cresceu. Toda distância é caminho pra quem ama e não esqueceu.
A vida presente é o prelúdio de um encontro glorioso e definitivo. Que a promessa da volta e do lar eterno me infunda a esperança necessária para caminhar com propósito e leveza. Viver o hoje com o coração vigilante e a alma preparada, é a única forma de honrar a certeza inabalável do amanhã.
A maior aspiração e o foco supremo não são as conquistas efêmeras, mas a promessa de contemplar a Tua Santa Face em um lar sem fim. É essa visão gloriosa que deve alimentar a minha alegria presente, transformando o cansaço em júbilo e motivando a perseverança. Que cada passo aqui seja dado na direção desse sublime e eterno encontro.
Eu não dou marcha à ré. Minha determinação é forjada pela promessa eterna do Seu cuidado, que carrego como um manto de força.
Deus não tem a promessa de anular o obstáculo, mas de fortalecer a articulação que se dobra em busca de socorro.
Quem atravessa a noite com os olhos abertos aprende que a aurora não é escolha, é promessa escrita nas frestas da madrugada.
O silêncio da manhã tem gosto de promessa adiada. Bebo o café e conto os minutos que ainda podem mudar. Há um desejo subterrâneo que insiste em florir. Mas a rotina é jardineira rígida, poda tudo com mãos frias. Mesmo assim, algo nasce, teimoso, entre as pedras.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
