Professor Carlos Drumond de Andrade
Poema: O poeta e a paixão
Não basta só existir, nem apenas sobreviver é preciso viver.
Ser lembrado no coração ou na alma, fixado na mente ou no coração.
Ainda que haja ódio ou dor, tudo isso foi por amor, ou por falta dele.
Tudo existiu por um acaso, talvez não seja o nosso caso, porém existiu.
Foi assim , foi assado, algo movimentado, não planejado, mas bem executado.
O combinado aconteceu, alguém viu e correu, talvez até correu demais, sem mesmo olhar para trás, mas ele sabe o que faz.
Faz menção da sua loucura, bizarrice ou ternura, não se emenda, talvez você nunca o entenda.
O que ele não quiz foi contenda, como diz a lenda, quem é ligeiro sabe a hora de armar a sua tenda.
Por favor, me entenda.
Ás vezes, a vida só nos proporciona escrever novas histórias, somente quando temos coragem de encerrar histórias antigas.
Talvez tenha tido a ilusão de conduzir o país como quem conduz um automóvel, talvez tenha pensado que poderia fazer o mundo a seu modo. Talvez já tenha perdido a esperança. Agora seus braços pendem, longos, ao longo do tronco. Parece estar indicando que o veículo se dirige por si mesmo e todos os presentes são meros passageiros.
Uma história construída com aventuras faz parte da dramaturgia individual onde espectadores vibram, outros ambicionam e muitos invejam.
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