Professor Carlos Drumond de Andrade

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Os moços de juízo honram-se em parecer velhos, mas os velhos sem juízo procuram figurar como moços.

Todos se queixam, uns dos males que padecem, outros da insuficiência, incerteza, ou limitação dos bens de que gozam.

Os que não sabem aproveitar o tempo dissipam o seu, e fazem perder o alheio.

A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.

Em vão procuramos a verdadeira felicidade fora de nós, se não possuímos a sua fonte dentro de nós mesmos.

A maior parte dos males e misérias dos homens provêm, não da falta de liberdade, mas do seu abuso e demasia.

As opiniões de um século causam riso ou lástima em outros séculos.

A democracia é como a tesoura do jardineiro, que decota para igualar; a mediocridade é o seu elemento.

A impaciência, quando não remedeia os nossos males, agrava-os.

Quando desejamos pomo-nos à disposição de quem esperamos.

O muito juízo é um grande tirano pessoal.

Se eu conhecesse alguma coisa que fosse útil à minha pátria, mas prejudicial à Europa, ou que fosse útil à Europa, mas prejudicial ao gênero humano, considerá-la-ia um crime.

Pintar significa sofrer, mas sofrer significa conhecer.

A criatividade de uma nação está ligada à capacidade de pensar e teorizar, o que requer uma boa educação e, daí, partir para o inventar e, depois, ir até as últimas consequências no fazer.

Disse algum mal de ti? Não o digas tu dele, quanto mais não seja para que a ele não te assemelhes, imitando-o.

Afinal de contas, atribui-se preço bem alto às suas conjecturas quando se cozinha um homem vivo por causa delas.

Quando os tiranos caem, os povos levantam-se.

A virtude é coisa deveras inútil e frívola, caso apenas tenha a recomendá-la a glória.

O homem de juízo aproveita, o tolo desaproveita a experiência própria.

Não há poder. Há um abuso do poder, nada mais.