Professor Carlos Drumond de Andrade

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Na admissão de uma opinião ou doutrina, os homens consultam primeiramente o seu interesse, e depois a razão ou a justiça, se lhes sobeja tempo.

A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.

Os que não sabem aproveitar o tempo dissipam o seu, e fazem perder o alheio.

O que vulgarmente faz que um pensamento seja grande é dizer-se uma coisa que nos conduz a muitas outras.

Nada devemos fazer que não seja razoável; mas nada também de fazermos todas as coisas que o são.

A modéstia doura os talentos, a vaidade os deslustra.

Ordem social é limitação de liberdade; desordem, liberdade ilimitada.

Aprovamos algumas vezes em público por medo, interesse ou civilidade, o que internamente reprovamos por dever, consciência ou razão.

Perante um auditório de tolos, os velhacos tornam-se fecundos, e os doutos silenciosos.

Não poder suportar todos os maus carácteres de que a sociedade está cheia não revela bom carácter: e isso é indispensável no comércio das peças de ouro e da moeda.

É falta de habilidade governar com tirania.

Quando moços, contamos tantos amigos quantos conhecidos; porém maduros pela experiência, não achamos um homem de cuja probidade fiemos a execução do nosso testamento.

Somos tão responsáveis por amar sempre como o somos por nunca amar.

Os homens, para não desagradarem aos maus de quem se temem, abandonam muitas vezes os bons, a quem respeitam.

O homem não pode de forma alguma impedir de ter pela mulher um desejo que a aborrece; a mulher não pode de forma alguma ter pelo homem uma ternura que o aborrece.

A ambição individual é uma paixão infantil..

Não pode haver graça onde não há discrição.

É, por vezes, mais difícil governar um só homem do que um grande povo.

Raramente nos consolamos das grandes humilhações; esquecemo-las.

O amor começa pelo amor; não se pode passar de uma forte amizade senão para um amor fraco.