Procuro em Amor que ainda Nao Encontrei
O SONHO DA LAGARTA
A lagarta tinha um sonho
Ela dizia que um dia
Ainda iria voar
Todos dela se riam
Pelos cantos a caçoar
Voar essa lagarta?
Coitada!
Do chão não vai passar
Mas as borboletas
De longe
Ficavam a observar
Pois elas bem sabiam
Em sonhos acreditar...
A NOITE
Noite, onde estava?
Ansiava sua companhia. Ainda bem que trouxe contigo a Lua, pois não a vi despindo-se da nuvem escura.
Aqui estou a te esperar junto ao vento e as estrelas, que brilham em constelações, que só em partes consigo olhar.
Ah noite! Como és bela!
Quero te contemplar.
Placilene Rabelo.
Na COP30, a coxinha custa R$ 45,00, água R$ 25,00 e ainda querem salvar o planeta, matando os turistas climáticos de fome.
Benê Morais
Na COP30, a coxinha custas 45 reais, a água 20 e ainda querem querem salvar o planeta vendendo luxo em papel reciclado.
Benê Morais
Até aquele dia
Até aquele dia,
eu ainda te escrevia.
Dezenove, meu coração dizia,
ainda te amava,
ainda te esperava.
Guardava você
num canto quieto,
onde o tempo não passava
ou eu fingia que não.
Hoje já não mais.
Estranho o coração
ter que aceitar o que já era.
O que acabou há tanto tempo
e eu só agora percebo.
Hoje te deixo livre pra viver,
não que tenhas sido preso em mim,
mas porque enfim
aprendi a viver
sem te guardar no coração.
Me extirparam o filósofo romântico de mim
Ainda ontem, menino, eu era porreta.
Questionava tudo!
Arremessava pedra contra o infinito, certo de que acertaria o impossível.
Apaixonava-me por qualquer menina que cruzasse meu olhar.
Tocava a campainha e voava, sem jamais olhar para trás.
Rasgava o dedão ao chutar bola descalço,
chorava o desprezo do dia,
perdia o sono por causa do “não” da menina que eu gostava.
Hoje, me cobro por não ser (e por não poder mais ser) aquele menino que outrora fui.
Como se tivessem extraído de mim
o filósofo romântico que acreditava no eterno,
na poesia ingênua das pequenas coisas
e na possibilidade de mudar o mundo com um gesto.
Ainda ontem, menino, eu era porreta. Arremessava pedra no infinito, certo de que acertaria o impossível. Me encantava por qualquer menina que cruzasse meu olhar.Tocava campainha e voava, sem jamais olhar para trás.Rasgava o dedão ao chutar bola descalço,chorava o desprezo do dia,perdia o sono por causa do “não” da menina que eu gostava.Hoje, me cobro por não ser e por não poder mais ser “aquele menino” que outro fui!
Hoje, o Sol entrou novamente pela janela. Ela, ainda fria pela madrugada. Ele, porém, já trazendo calor e vigor para minhas células famintas. Desde o início de tudo é assim. Ele não esquece de surgir. Não perde a hora. Não se atrasa. Mesmo, às vezes, obscurecido por nuvens passageiras, ele está lá. Para todos. Britanicamente. Assiduamente.
SORVETE DE CAFÉ E DESTINO
Dois que se encontraram no tempo errado, mas ainda acreditam que o tempo pode-se redimir.
Um domingo qualquer, um convite, um encontro e um sorvete de café. Com eles vieram as mãos tremendo, a ansiedade, um olhar, um sorriso e um beijo. As mãos tocaram a nuca, e uma boca chegou até aquela curva, selando ali uma intenção. Os olhos dele percorreram o corpo dela, sentindo cada centímetro da alma. Os olhos dela revelaram tudo o que ele queria saber, e os dele mostraram o quanto aquele momento era importante. O instante foi valioso para ambos, uma mistura de querer mais e respeitar o que viria depois.
Pessoas intensas tendem a sentir tudo ao extremo. Não medem sentidos, desejos ou vontades, não se importam em temer, apenas mergulham. Vão ao fundo sem precisar cavar e sentem… Sentem a vida explodindo por entre os poros. É sensorial, é tato, é gosto. É a língua passando pelos lábios, a boca ficando seca, a voz embargada tentando expressar o que a alma já gritou em silêncio, o encontro de tudo o que já existia em algum universo.
Os corpos se encaixam, sentem as mãos tocando cada pedaço possível e extraindo reações. A mente viaja nas possibilidades vindouras. Essas almas pareciam buscar-se há uma eternidade. A consciência de que não devem ficar longe transcende qualquer universo. Mas o tempo é implacável e dita as regras, define a hora, onde e até quando.
É ele quem determina o nascimento, a morte, as vitórias e as derrotas. O tempo mede tudo, e apenas ele sabe quanto durará o percurso. Há, contudo, um tempo de espera. Esse tempo dirá se tudo será vivido nesta vida ou na próxima. O amanhã é incerto, mas carrega a esperança. Dizem que, quando se quer algo profundamente, o tempo caminha a favor, ou te desafia a provar o quanto está disposto a ter, e se esse “ter” vale a tua determinação.
Quanto se aguenta esperar? Até aquele momento havia apenas a ideia, mas ao provar a realidade, uma teia de acontecimentos se moveu no universo, colocando o tempo em alerta. É fato: eles querem e precisam. Mas o tempo aplaca o desejo e o testa. O tempo exige espera, e nessa espera as provas virão. Testarão o quanto desse sentimento sobreviverá, o quanto o desejo resistirá, o quanto de maturidade será exigido. Quantos monstros precisarão matar para viver o desejo real que anseiam?
É preciso cultivar, amadurecer, fortalecer, e se, ou quando, isso acontecer, será eterno. Precisam passar pelas provações que virão. E só assim, depois de vencidas todas as etapas, poderão sentir que valeu a pena e que era exatamente como imaginavam. Ou… só o tempo ganha.
Segundo a mitologia grega, existem quatro formas de amor: o romântico e passional, o fraterno, o familiar e o incondicional. Ainda segundo os mitos, amadurecemos ao viver um amor ao alcance das mãos , mas que nem sempre pode ser tocado ou visto.
Assim como no mito de Eros e Psique, que simboliza, segundo Jung, o processo de individuação, a jornada da alma rumo à totalidade. As tarefas de Psique representam provas internas que desenvolvem discernimento, coragem e autoconhecimento.
A união final entre Eros e Psique expressa a integração entre consciente e inconsciente, masculino e feminino, resultando em uma consciência mais plena e em um amor verdadeiro.
Em síntese, o mito mostra que o amadurecimento da alma ocorre por meio do amor, da dor e da integração dos opostos, caminho essencial para uma vida mais consciente e autêntica.
Caso contrário, a alma se entrega à melancolia e à depressão.
A melancolia reflete a perda do objeto de amor e a dificuldade de criar vínculos afetivos. O melancólico vive um luto constante e precisa amadurecer por meio de relações verdadeiras que fortaleçam o ego.
A depressão representa o vazio interior e a falta de profundidade no contato consigo mesmo. O depressivo precisa voltar- se para dentro e reencontrar o sentido da própria alma.
Ambos podem se curar através do amor maduro: o melancólico ao doar-se, e o depressivo ao amar-se.
Resta, então, a esperança de que, no final de toda a jornada, eles vençam o tempo e possam, enfim, ser imortalizados no amor.
Ana Cláudia Oliver- 27/10/2025
Por favor, chore! Ainda há tempo.
Muitas pessoas cresceram e principalmente os meninos ouvindo frases equivocadas como: "engole esse choro", "pessoas fortes não choram", "chorar só piora as coisas", "lágrimas são sinal de fraqueza". Com isso, muitas estão emocionalmente doentes, tristes e magoadas. As lágrimas que não caíram e os sentimentos que não foram expressos se acumularam internamente, fermentando e se transformando em angústia, revolta e depressão.
Por favor, chore! Pelo bem da sua alma. Desabafe, alivie-se, permita-se, sentir e manifestar e falar dos seus sentimentos e das suas emoções. Não com revolta ou rancor, mas com bons afetos, sentimentos e amor.
Daniel Francisco da Costa
Chega uma hora que você sabe que o ciclo já se encerrou, porém você ainda tem esperança de que ainda dá para alimentar aquela chama, ou acha que precisa ficar!
Não é porque aquele fogo um dia te aqueceu que você deve se agarrar as brasas que só te queimam, você deve solta-las e mesmo que sofra irá se curar e um dia o que outrora era brasa estará novamente aquecendo alguém, assim como você também será aquecido por uma nova chama.
RETROSPECTATIVA (Escrito na pandemia, ainda atual)
Intolerância, distorção, infância...
Lançamento, cancelamento, entretenimento...
Opinião, censura, ignorância...
Globalização, privilégio, poder...
Cassação, corrupção, vacina...
Copiar, colar, saber...
Neutralidade, menino, menina...
Pólvora, gatilho, pavio...
Bombardeio, transmissão, sem fio...
Homo, hétero, gênio...
Inocente, culpado, refutado...
Esquerda, direita, centrado...
Protestando, em silêncio, errado!
Pensado, falado, calado...
Errado, errado, cancelado!
Cristiane de Assis
