Procuro em Amor que ainda Nao Encontrei
A tristeza tem territórios que eu ainda não visitei. Vou a pé, com uma lanterna de medo e coragem. Algumas ruas são estranhas e pedem licença para entrar. Outras me reconhecem e me oferecem cadeiras antigas. Sento-me e descubro que conversar com a dor é arte.
Continuo. Não porque seja fácil, mas porque a vida, em toda sua dor e beleza, ainda merece a minha presença.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
Não ostento força, ostento permanência. Com tudo o que já me convidou ao fim, o fato de eu ainda estar aqui é meu maior feito.
Não uso a dor como tema, uso como tinta. É a partir dela que desenho os contornos do que ainda resta de mim.
O vazio não é ausência, é presença sem significado, é estar cercado de tudo e ainda assim não encontrar sentido, e talvez seja isso que mais desgasta, não a dor em si, mas a falta de razão para ela existir.
Ser forte nunca foi sobre não cair, mas sobre levantar com o coração em pedaços e ainda assim acreditar que vale a pena continuar tentando.
Eu não sou o que me fizeram, sou o que sobrou depois do impacto, o que sangrou, caiu… e ainda assim se levantou.
A depressão não é apenas uma tristeza profunda, é o luto de uma versão de nós mesmos que ainda não morreu, mas que se recusa a seguir em frente, nos obrigando a carregar o corpo de quem fomos como se fosse uma bagagem pesada e necessária para atravessar o deserto.
Não tente ser a luz de ninguém se você ainda está tateando no escuro à procura do próprio interruptor, é justo e necessário cuidar da sua própria fogueira primeiro, para que o calor que você oferece não seja um sacrifício que te deixe em cinzas no final da noite.
Há dias em que acordo carregando o peso de tudo o que ainda não consegui me tornar, um inventário de ausências que insiste em nublar o presente. No entanto, levanto-me não por uma euforia passageira, mas por uma recusa solene em abandonar a própria história no meio do caminho. Aprendi que a continuidade não exige uma força constante e inabalável, mas sim o compromisso fidalgo de não permitir que o ponto final seja escrito por mãos que não as minhas.
- Tiago Scheimann
Carrego lembranças que ainda latejam como feridas abertas, mas escolho não fugir do que me dói, pois tudo o que enfrentei me ensinou a arte de permanecer quando o abismo parecia o único destino lógico. O silêncio que guardo não é um vácuo de sentimentos, é um reservatório de tudo aquilo que as palavras não dão conta de traduzir, um grito de socorro ou de triunfo que só encontra eco na minha própria alma.
- Tiago Scheimann
Tem gente que carrega o mundo nas costas e ainda encontra força para tocar. O piano não reproduz apenas melodias, ele revela saudades, cicatrizes e verdades que o coração guardou em silêncio. O pianista aprende cedo que a vida nem sempre oferece descanso, mas ensina sensibilidade e coragem. Porque existem dores que ninguém entende, apenas quem transforma solidão em música e sofrimento em arte. E no fim, entre notas, lembranças e emoções, permanece de pé aquele que nunca deixou sua essência desaparecer.
- Tiago Scheimann
Essa sua timidez em não saber o que falar, mas saber exatamente o que fazer, ainda vai me deixar sem palavras.
Esperando no parque!
Ainda não chegas!
O parque dorme. E espera, quieto!
O silêncio também...
As pitangas, o riacho, a sabiá,
O joão-de-barro, o tico-tico
Nas árvores esperam...
Mudos, quase mortos, o dia que já vem.
E logo vem!
Sem graça...Mas vem!!
E então... Você também!!!
O riacho canta.
Rouco e bonito!
A sabiá dança, dança!!
O joão grita, grita...
E o tico pula, pula!!
Pedem o sol.
E Deus sorrindo, obedece.
As pitangas envermelham e se oferecem
De graça...com vergonha...
Sem graça de tanta graça!!
Os galhos pendem e se despedem..
Até que voltes...Se é que voltas!!!
Carlos Kau Romano-1993
Curitiba-PR
Ainda que eu pudesse decifrar os enigmas de cada olhar, certamente não saberia desvendar os mistérios da luz, que vem dos seus olhos ao acordar.
Amor é isso! Amor é admirar!
Contemplação e dedicação;
É entrega, é encanto!
Renova, é salutar!
Meu amor, você é minha incalculável preciosidade, que sempre vou amar.
Nara Nubia Alencar Queiroz
O Azul que Veio com a Felicidade
Hoje vivi algo que ainda não sei explicar.
Estava em um laboratório para realizar um exame. Assim que a médica entrou na sala, vi uma cor azul surgir ao redor dela. Era como se o azul saísse do seu corpo, permanecesse no ar e depois se espalhasse pela parede, pulsando suavemente. Ao mesmo tempo, senti uma mistura intensa de ansiedade e felicidade.
Sem entender o motivo, perguntei:
— Você está feliz? Está aguardando alguma notícia?
Ela me respondeu:
— Estou aguardando uma notícia que pode mudar o rumo da minha vida, depois de muito caminhar e sofrer.
Em seguida, perguntou:
— Por quê?
Então contei o que havia percebido. Com lágrimas nos olhos, ela me perguntou:
— Você acha que vou conseguir?
E eu respondi:
— Sim, você vai conseguir.
Ela me abraçou. Um abraço quente, sincero, cheio de esperança. Um abraço que parecia carregado da mais pura felicidade.
Não sei explicar o que aconteceu. Não sei se foi apenas uma percepção, uma sensibilidade que carrego desde criança ou algo que ainda não compreendo. Sei apenas que vivi aquele momento de forma verdadeira.
Desde muito pequena, às vezes percebo cores surgirem por alguns segundos — no ambiente ou ao redor das pessoas. Nunca perdi o contato com a realidade por causa disso, nem transformei essas experiências em certezas absolutas. Apenas observo e guardo comigo.
Talvez cada ser humano carregue dentro de si capacidades que ainda não entende completamente. Talvez algumas pessoas descubram certas sensibilidades por acaso, enquanto outras jamais percebam as suas.
Não tenho respostas. Tenho apenas a honestidade de contar o que vivi hoje.
E você? Já viveu alguma experiência que até hoje não conseguiu explicar?
