Primeiro dia de aula: frases que celebram esse novo começo

QUANDO APRENDER EXIGE DESAPRENDER?

Aprender costuma ser imaginado como acrescentar.

Mais informações. Mais conceitos. Mais experiências. Mais repertório.

Mas existem momentos em que o crescimento intelectual depende de uma operação aparentemente contrária.

Retirar.

Uma explicação antiga pode ter sido útil e deixar de ser suficiente.

Um hábito mental pode ter funcionado em determinado contexto e tornar-se inadequado em outro.

Uma crença pode ter sido construída com as melhores informações disponíveis e precisar ser revisada diante de novas evidências.

Nesse sentido, desaprender não é esquecer.

É reavaliar a autoridade daquilo que já aprendemos.

Isso é muito diferente de apagar o passado.

Conhecimentos anteriores continuam participando da nossa história.

A questão é se continuarão governando nossas decisões.

Por isso, aprender a desaprender também é aprender.

Talvez seja uma das formas mais difíceis de aprendizagem.

Adicionar conhecimento novo pode ser prazeroso.

Retirar autoridade de uma certeza antiga pode atingir identidade, pertencimento e segurança.

O discernimento aparece justamente nesse intervalo.

Não devemos abandonar o antigo porque é antigo.

Nem preservar o antigo apenas porque nos trouxe até aqui.

Precisamos perguntar se aquilo que aprendemos continua merecendo o peso que recebe.

Aprender acrescenta possibilidades. Desaprender retira obrigações. Discernir decide o que permanece.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Duvidar de tudo é fácil; difícil é duvidar da maneira como aprendemos a DUVIDAR.

Carlos Eduardo Balcarse

Aprender acumula; DESaprender seleciona; REaprender reconstrói.

Carlos Eduardo Balcarse

A evidência não deve servir à certeza; a certeza é que deve aprender a SERVIR à evidência.

Carlos Eduardo Balcarse

O fato não precisa concordar conosco; somos nós que precisamos aprender a discordar de nós diante do fato.

Carlos Eduardo Balcarse

A inteligência artificial aprende padrões; o ser humano precisa aprender a perceber quando virou apenas mais um deles.

Carlos Eduardo Balcarse

Educar não é colocar respostas dentro de alguém; é impedir que perguntas morram antes de aprenderem a nascer.

Carlos Eduardo Balcarse

A educação fracassa quando ensina o aluno a responder aquilo que nunca aprendeu a perguntar.

Carlos Eduardo Balcarse

Uma escola que ensina conteúdos sem ensinar critérios pode formar pessoas informadas e intelectualmente desARMADAS.

Carlos Eduardo Balcarse

A verdadeira alfabetização começa nas letras, mas não termina enquanto não aprendemos a ler aquilo que tenta nos LER.

Carlos Eduardo Balcarse

Quem aprende apenas a acertar pode nunca aprender a descobrir por que estava ERRADO.

Carlos Eduardo Balcarse

A escola do futuro não precisará competir com máquinas por respostas; precisará formar humanos capazes de questionar respostas convincentes.

Carlos Eduardo Balcarse

A educação desEDUCA quando premia repetição e chama de aprendizagem a reprodução do que nunca foi compreendido.

Carlos Eduardo Balcarse

Quem precisa vencer toda discussão talvez já tenha perdido a oportunidade de aprender com ela.

Carlos Eduardo Balcarse

Quando a resposta está certa, mas o aprendizado está errado

Uma resposta correta pode esconder uma aprendizagem inexistente.

Durante muito tempo, a escola conseguiu usar a resposta como um dos indícios de que alguma aprendizagem havia ocorrido. O estudante lia, estudava, elaborava, respondia. Evidentemente, nunca houve correspondência perfeita entre acertar e saber. Era possível decorar sem compreender, repetir sem elaborar e obter uma boa nota sem conseguir transferir aquele conhecimento para outra situação.

A inteligência artificial generativa tornou essa diferença muito mais visível.

Hoje, alguém pode produzir uma resposta excelente sem possuir competência equivalente para construí-la. Pode apresentar argumentos que não saberia defender, utilizar conceitos que não conseguiria explicar e entregar uma solução que seria incapaz de reproduzir sem assistência.

O problema, portanto, talvez não esteja apenas em perguntar se a resposta está correta.

Precisamos perguntar: quem aprendeu o quê durante o processo que produziu essa resposta?

Essa mudança parece pequena. Não é.

Ter acesso ao conhecimento não significa ter adquirido conhecimento

A humanidade sempre desenvolveu tecnologias para ampliar suas capacidades. Livros preservam memória. Calculadoras executam operações. Motores de busca localizam informações. Sistemas de inteligência artificial conseguem agora participar de tarefas que antes exigiam elaboração linguística, síntese, comparação, interpretação e produção argumentativa.

O problema educacional não está necessariamente em utilizar essas ferramentas.

Está em confundir desempenho assistido com competência independente.

Se uma pessoa consegue realizar determinada tarefa com inteligência artificial, sabemos que ela conseguiu realizar aquela tarefa com inteligência artificial. Isso, isoladamente, não demonstra que conseguiria avaliar criticamente o resultado, detectar um erro, reconstruir o raciocínio ou executar atividade semelhante quando a assistência fosse retirada.

Surge daí uma questão que considero central para a educação contemporânea:

quanto daquilo que aparece no resultado final ainda pertence cognitivamente ao sujeito?

Não se trata de propriedade textual. Trata-se de autonomia.

Pensamento crítico talvez não seja suficiente

Costumamos responder aos problemas da desinformação, das redes sociais e da inteligência artificial defendendo o desenvolvimento do pensamento crítico.

A defesa é correta, mas pode ser insuficiente.

Pensar criticamente pressupõe mais do que encontrar erros. Uma pessoa precisa aprender a perceber quanto peso deve conceder a uma informação, emoção, lembrança, argumento, autoridade ou resposta produzida por uma máquina.

Uma informação pode ser verdadeira e ainda assim ser insuficiente para decidir.

Uma emoção pode ser legítima sem precisar comandar uma ação.

Uma lembrança pode estar presente sem possuir autoridade absoluta sobre uma interpretação.

Uma resposta de inteligência artificial pode estar correta sem que isso autorize sua aceitação automática.

É nesse intervalo entre receber um conteúdo e autorizar sua influência que venho situando parte de minhas pesquisas sobre discernimento.

Discernimento não como ornamento, mas como operação

Nos trabalhos que publiquei recentemente, procurei deslocar o discernimento de seu uso cotidiano, frequentemente associado apenas a prudência ou bom senso, para examiná-lo como uma capacidade passível de descrição operacional, investigação e, principalmente, teste.

Esse deslocamento levou a questões relacionadas à calibração discernitiva, à Alfabetização do Discernimento Consciente, à pedagogia do discernimento e à regulação da relação entre emoção e ação.

A ideia central não é ensinar alguém o que pensar.

É investigar como alguém aprende a regular o peso funcional daquilo que participa de seu pensamento.

Essa distinção ganha importância especial diante da inteligência artificial.

O estudante não precisa apenas saber utilizar uma ferramenta. Precisa saber quando confiar nela, quando duvidar, quando verificar, quando reconstruir, quando discordar e, sobretudo, quando demonstrar que aquilo que conseguiu fazer com assistência também produziu alguma competência que permanece quando a assistência desaparece.

A nova pergunta da educação

Talvez estejamos tentando avaliar estudantes do século XXI com uma equivalência que já não pode ser presumida:

produziu = aprendeu.

A inteligência artificial rompeu essa equivalência de maneira explícita.

Por isso, a discussão não deveria ficar restrita a permitir ou proibir ChatGPT, detectar textos produzidos por IA ou criar formas mais difíceis de avaliação.

Existe uma questão anterior:

como distinguir desempenho assistido de competência independente?

Essa pergunta aproxima inteligência artificial generativa, alfabetismo funcional, autonomia cognitiva, metacognição, pensamento crítico, avaliação da aprendizagem e discernimento.

E talvez nos obrigue a reconsiderar até mesmo o significado de aprender.

Aprender não pode ser apenas conseguir chegar à resposta.

É preciso conservar alguma capacidade de chegar a ela novamente, examiná-la, contestá-la, reconstruí-la e decidir conscientemente o peso que ela merece.

Porque uma ferramenta pode ampliar extraordinariamente aquilo que conseguimos fazer.

Mas existe uma diferença entre ter uma inteligência à disposição e colocar a própria inteligência à disposição dela.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Autor e Pesquisador

Aprendi com o silêncio o poder das palavras.
Aprendi que atitudes, falam mais alto, que palavras.


Entendi que muitas coisas não merecem respostas.
Percebi que o tempo, se incumbe de esclarecer, ações veladas.

☝🏽 Aprenda a ouvir, sem reagir.


✔ Aprenda a entender atitudes veladas.


✔ Aprenda a se afastar de frequências contaminadas.
✔ Tudo ao seu tempo cai.
✔ Existe uma corrosão interna.


🤝🏽 Seu silêncio não é covardia, apenas maturidade.⁠

"Na rota da vida, recalcular o caminho é preciso: aprender com os atrasos, reavaliar os desvios e entender os atalhos até a chegada."


⁠ _Derley Filipiak_

Na minha caminhada, eu aprendi a não depender de ninguém.

⁠Nem todas espera é exaustiva, quando aprendemos a valorizar a Paciência.