Presa
Você pode me ver como "presa fácil", mas sou sobrevivente. "Não esqueça, já sobrevivi a temporais, você é chuva fina no telhado."
(Maria Gorette O.P.P.)
Povo humilde, desprovido de lógica e razão, acaba tornando-se presa fácil para aqueles que os conhecem e compreendem os tipos que são. O perigo não está na humildade em si, mas na falta de acesso à reflexão crítica e ao questionamento. Quem entende as limitações cognitivas e sociais alheias pode manipular, explorar ou conduzir sem grandes resistências. A lógica e a razão não são privilégios de poucos, mas ferramentas que, quando negadas ou desperdiçadas, deixam qualquer grupo vulnerável.
Mesmo caído, ainda é tempo de levantar. A armadilha não busca a presa, é a presa que, sem perceber, se entrega ao laço e vira vítima do próprio passo.
Às vezes na matina, pego-me presa nos mesmos pensamentos que me corroem e sinto aquela sensação de fracasso antecipado. Afinal, não existem expectativas para alguém desleixada com tudo ao seu redor
Será que em outra dimensão eu seria maior? Melhor? Suficiente? Não sei, mas gostaria que existisse para pelo menos ter me orgulhado.
Sua razão não me governará nem as suas certezas me confundirão nas entrelinhas da vida;
Sem presa de ser feliz eu saboreio meu próprio medo e me prendo ao meu futuro de frustração;
E não adianta me pedi desculpas por qual quer coisa, pois estou fechado para conselhos impróprios;
Eu preciso de você, linda mulher
Que não esteja presa às dores do passado
Quero você livre, felicidade
Para nós nos amarmos todos os dias
(Refrão)
Vem comigo, deixa o sol te guiar
Nos meus braços você pode descansar
O futuro é nosso, sem medo de amar
Só alegria, só vontade de sonhar
Verso 2
Teu sorriso ilumina minha estrada
Tua voz é canção que nunca se apaga
No teu olhar encontro paz e verdade
É contigo que eu quero eternidade
(Refrão)
Vem comigo, deixa o sol te guiar
Nos meus braços você pode descansar
O futuro é nosso, sem medo de amar
Só alegria, só vontade de sonhar
(Ponte)
Não há correntes, não há feridas
Só esperança e novas vidas
O amor renasce, forte e inteiro
Nosso destino é verdadeiro
(Refrão final)
Vem comigo, deixa o sol te guiar
Nos meus braços você pode descansar
O futuro é nosso, sem medo de amar
Só alegria, só vontade de sonhar
Triste é ter a alma presa a rancores e mágoas. Triste é ter a alma presa nas prisões que nós mesmos construímos. Triste é ser privado do "sentir".
Flávia Abib
Observe uma folha presa ao galho.
Ela ainda está ali,
mas já não é mais parte do agora.
O vento passa, toca, insiste.
Não a empurra com violência,
apenas lembra que o tempo segue.
A folha não resiste por medo,
nem cai por fraqueza.
Ela apenas escuta o instante certo.
Há momentos em que permanecer
é apenas atraso disfarçado de fidelidade.
E há quedas que não são perdas,
são conclusão.
A folha não decide quando o vento vem,
assim como nós não decidimos tudo o que nos atravessa.
Mas decide não lutar contra aquilo
que já cumpriu seu sentido.
Cair, às vezes,
é o gesto mais lúcido de quem compreendeu.
Nem tudo que se solta é abandono.
Algumas partidas são apenas maturidade.
Uma mensagem que nunca foi escrita…
Talvez seja aquela que ficou presa na garganta,
que o orgulho não deixou sair,
que o medo calou,
ou que o tempo levou antes de virar palavra.
É o “eu te perdoo” que não foi dito,
o “eu preciso de você” engolido,
o “fica” sussurrado só no pensamento.
Às vezes, as mensagens mais importantes
não são as que enviamos,
mas as que deixamos guardadas no silêncio.
Estou presa na minha incapacidade de mudanças, logo eu que amo o mutável, amo recomeçar. Por puro comodismo suporto o que não deveria suportar, quando na verdade eu anseio pela doce sensação que a liberdade me trará.
A fala presa desapricionada:
Quando dos teus lábios
escapou o sussurro do “eu te amo”,
o mundo silenciou por um instante
e o meu coração, em sobressalto,
acendeu-se inteiro.
Era a mesma palavra
que em minha garganta morava,
presa, tímida,
esperando coragem para nascer.
Olhar-te nos olhos
e ouvir-te repetir —
foi como se o tempo se abrisse
em flor diante de nós.
Meu corpo te quis com mais urgência,
mas já não era só desejo:
era a sede do infinito
contida num instante,
a promessa de um abraço
que atravessa o tempo.
Então deixei partir o que guardava,
e minha voz, feita de coração,
ecoou sem medo:
eu também te amo.
E desde esse momento
a alegria fez morada em mim —
clareou meu dia inteiro
e há de permanecer,
por muitos e muitos dias,
sendo você
o motivo sereno
da minha felicidade.
Faço vigília todas as noites,
presa à janela como uma condenada,
olhando um céu que nunca responde,
esperando que uma estrela caia
mas nenhuma tem coragem de despencar.
Meus sonhos são ilusões perdidas,
a esperança já apodreceu no leito.
Não sei se corro contra o tempo
ou se o tempo já riu de mim e partiu.
Os milagres? Covardes!
Dormem como deuses embriagados
enquanto eu grito no escuro.
Do quintal, vejo o firmamento,
e quando uma estrela ousa riscar a noite,
tenho apenas cinco míseros segundos
para vomitar um pedido desesperado.
Cinco segundos!
E depois?
O nada. O mesmo nada de sempre.
Fechei os olhos, menti para mim:
imaginei sonhos voltando à vida,
milagres despertando,
a esperança batendo à minha porta.
Mas era só delírio
a estrela caiu no mar
e afogou minha prece junto.
Agora, só me resta esperar,
presa à vigília de todos os dias,
olhando um céu de silêncio.
E eu, sozinha, amaldiçoo essa esperança,
essa mentira maldita que me mantém viva
apenas para perder mais tempo.
