Prefiro a Verdade
A verdade incomoda; a força resolve. Por isso alguns preferem negar a primeira para exercer a segunda.
Eu prefiro uma verdade que dói primeiro.
Depois cura.
Às vezes prefiro um soco no estômago.
Daqueles que tiram o ar e a maquiagem.
Que me deixa sem ar, sem máscara... sobra só eu.
Verdadeira. Inteira. Crua.
Eu não preciso de quem passa a mão na minha cabeça quando eu tô me sabotando.
Preciso de quem segura meu rosto e diz:
“Olha pra você. Para de fugir”.
Prefiro a frase dura da amiga do que o abraço falso do inimigo.
Porque quem te deixa cair sorrindo não é amigo. É plateia.
A verdade é remédio amargo.
É faxina na alma.
Se não ardeu, não limpou direito.
Então respira. Ajeita a postura.
E agradece: foi o tranco que te salvou da queda.
— Van Escher
Que seja leve e seja luz, que prefira a paz e o bom humor, que seja sempre verdade e acredite no amor.
Quem te ama de verdade aceita o peso dos seus dias difíceis, mas você prefere ficar na fila de quem te ignora, colecionando desculpas para justificar as bofetadas que recebe.
Tem gente que chama de julgamento aquilo que a Bíblia chama de verdade.
Quem prefere agradar pessoas nunca será aprovado por Deus.
algumas pessoas preferem continuar vivendo uma mentira do que ouvir a pura e dolorosa verdade, por quê? A resposta é conforto.
Meu amor era presença, cuidado e verdade todos os dias, mas você preferiu se perder no próprio egoísmo e na fantasia.
Entre apoderar-me da Verdade para julgar alguém, prefiro togar-me da Justiça Poética para julgar os que o julgam.
Talvez porque a Verdade — essa palavra tão invocada — raramente chega pura às mãos humanas.
Quase sempre, ela vem filtrada por convicções, interesses, ressentimentos ou paixões mal resolvidas.
E, quando alguém acredita possuir a Verdade absoluta, o julgamento deixa de ser um exercício de consciência para se transformar num espetáculo de vaidade moral.
A Justiça Poética, por outro lado, não se preocupa em parecer infalível.
Ela apenas observa, com a paciência do tempo, como cada gesto humano acaba escrevendo a própria sentença.
Quem julga com excesso costuma revelar mais de si do que daquele que está sendo julgado.
No tribunal silencioso da vida, o eco das palavras denuncia as intenções que tentavam se esconder atrás delas.
Há uma estranha pressa em condenar.
Como se apontar o erro alheio fosse uma forma rápida de limpar a própria biografia.
Mas a experiência ensina que os dedos que se erguem para acusar, quase sempre ignoram o espelho que os acompanha.
Por isso, em vez de disputar a posse da Verdade — como se ela fosse um troféu moral — prefiro assistir ao lento trabalho da coerência e das contradições humanas.
A Justiça Poética tem um modo curioso de agir: ela não grita, não se apressa e não faz discursos inflamados.
Apenas permite que cada um seja, com o tempo certo, revelado pelas próprias atitudes.
E, no fim das contas, quase sempre descobrimos que julgar os juízes é menos sobre condená-los… e mais sobre lembrar que ninguém deveria ocupar o tribunal da consciência humana sem antes revisitar, em silêncio, o próprio banco dos réus.
Prefiro ouvir os que duvidaram aos que aceitaram tudo como verdade sem questionar. Quem questiona aprende mais e melhor.
