Preciso e Gosto de Intensidade
Eu não gosto dos otimistas.
São o avesso do que um homem deveria ser. Fracos, como flores nascidas no asfalto. Hipócritas, porque a esperança que carregam é emprestada e sabem disso. Não há virtude no sorriso de quem foge.
Todo homem conhece o peso do que o espera. Cada segundo é uma vírgula no discurso do fim. Por que fingem não saber? Por que disfarçam? Andam pela vida como se a tragédia fosse um acaso, não uma certeza, e enchem a boca de palavras leves, como quem tenta vender um barco furado ao próximo náufrago.
A verdade é dura, cortante. Vem como o som surdo de uma porta trancada para sempre, como o baque de um corpo ao chão. A verdade não se curva nem espera. É uma lâmina que vive no silêncio, e os otimistas... Ah, os otimistas são os que tentam cegar-se diante dela.
Mas o mundo não é gentil. Nunca foi. E os que riem à beira do abismo só prolongam a vergonha da queda. Não há dignidade no engano. Não há beleza na negação. Eu prefiro os que não mascaram o rosto com sorrisos. Os que olham para o escuro e dizem: “Eu sei.” Esses não se vendem à ilusão. Esses são os únicos que, de alguma forma, resistem.
Otimistas são traidores da própria condição. Não há coragem em esconder-se atrás de promessas fáceis. Só há mérito em encarar o inevitável de frente, sem artifícios. A vida exige muito mais do que sorrisos; exige força para carregar o peso de saber.
"Quando quiseres me levar"
Ele acordou com um gosto metálico na boca e uma lucidez que parecia milenar.
Sabia. Não era intuição. Era certeza.
Hoje, a Morte viria. E ele, cansado, não a temia.
Ajeitou os papéis sobre a mesa, acendeu um cigarro que não fumava havia dez anos, e pôs uma música quase inaudível no velho toca-fitas. Era Chopin, talvez. Ou só o vento.
Deixou as janelas abertas. Queria que ela entrasse à vontade.
Morte. Senhora. Fera. Fêmea.
Ela que viesse — sem cerimônias.
No papel, começou a escrever, como quem fura o véu do mundo com uma agulha de fogo:
“Quando quiseres me levar, irei sorrindo.
Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade.
Sei que poeta não deve demorar muito por aqui.
Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico.
Como palavra muda, impronunciável.
Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.”
Fez uma pausa. O silêncio da casa parecia escutar. A xícara de café esfriava devagar. Lá fora, o mundo seguia: os cães latiam, os pneus assobiavam no asfalto, alguém batia panela no apartamento ao lado.
Mas ele já não pertencia a isso.
Levantou-se. Pegou o espelho da infância — aquele que pertencia à mãe — e olhou-se como quem vê um estrangeiro.
“É você mesmo?”, pensou. “Ou o que restou do que chamaram de você?”
Não chorou. Apenas fechou os olhos.
Lembrou de um amor antigo.
De um poema que nunca publicou.
De uma criança que lhe sorriu na rua, semanas atrás.
Cada coisa lhe parecia uma despedida disfarçada.
Às onze e quarenta e cinco da noite, ela veio.
Não como figura. Não como caveira.
Apenas entrou no ar. Como frio.
Como verdade.
Ele sentiu.
Sorriu.
E sem mais palavras, morreu de olhos abertos, como quem enfim compreende — ou perdoa.
Na folha, sua letra deslizava até o rodapé da página.
E ali, como se deixasse ao mundo uma última gargalhada filosófica, escreveu:
"Criamos o infinito com medo do fim.
Chamamos de eternidade o que não suportamos perder."
"Você só sentirá o gosto de
uma derrota se aceita-la.
Enquanto estiver em pé
haverá luta, enquanto houver luta, a esperança da vitória estará ao seu alcance"
Nas músicas modernas, barulhentas e sem sentido, o compasso do inferno atrai multidões para o gosto das trevas.
Cada um em seu quadrado com o gosto do seu pecado
e se não sair por outro lado, para deixar de andar errado, poderá ser condenado.
Existem músicas de todos os tipos para todo o gosto de pessoas, mas a sacra deveria ser a preferência mundial para agradar a Deus.
Satanás não sente gosto nem cheiro da oferenda que os santos agradecem ao Senhor, porque é um espírito caído, sem aroma, sem graça e sem vida abundante.
Quanto maior a distância maior o meu conhecimento, porque gosto de andar, lendo leituras edificantes.
Gosto de ouvir pessoas que fazem boas perguntas e me entristeço com aquelas que respondem pela ignorância, sabendo que, depois de serem confrontadas, identificam-se como sendo seus próprios autores.
Quando a criatura humana toma gosto pelas coisas espirituais, a sua felicidade aumenta; as tristeza, angústias e depressões retiram de seu coração e menos lembranças mórbidas, incertezas e decepções afetam a sua alma.
Por quem você se declara apaixonado, o gosto pela ternura começa no coração e o gosto do amor arranca-se dos lábios.
Gosto de ouvir os experientes, os influentes e os motivadores: são verdadeiros professores para uma vida bem-sucedida.
Assista à vida dos homens e contemple os que eles gostam:
se adotássemos o estilo e o gosto de cada um deles seríamos
inimigos uns dos outros.
Gosto de ouvir pessoas quando sou perseguido; mas a perseguição delas não é maior do que a minha perseguição por amor a elas.
