Povo Cigano
Anda o povo a passar covid
E quem o mandou passear outros
Não tem barriga para o que come
Nem mãos para o que alcança.
Os ladroes já não andam na estrada,
Moram na pele dos ministros.
Pobre era Jesus Cristo
E ainda o puseram na cruz.
De dentro de mim avisto
O Princípio de uma luz.
Não é português quem come
À custa do português pobre.
Nasceram aqui porque tinham
que nascer em qualquer parte.
Ninguém odiava o alemão.
Mais se odiava o francês.
deram-nos uma marcara para a mão
E um álcool gel para os pés
Podiam vender negócios
sem vender a nossa pele.
É inglesa a constituição,
E a republica é francesa.
É de estrangeiros a nação,
Só a desgraça é portuguesa.
A VITÓRIA ETERNA
A vitória consiste em perdurar um pensamento.
Manter o modo de viver.
Manter uma cultura.
E nunca esquecer do Deus que derrama a bonança das realizações de todos os pedidos feitos a Ele.
O mesmo Deus que criou a mãe natureza.
O mesmo que enfrenta preconceitos e se mostra todos os dias presentes na vida de todos.
A vitória é ser cigano.
É ter Deus dentro de si eternamente.
" SER CIGANO "
Ser cigano é está pronto a aprender.
Mas jamais esquecer o que aprendeu no passado.
É respeitar a opinião de todos.
Mas guardar os conselhos e preceitos dos mais velhos.
E ser livre de pensamento.
Mas preso em sua cultura.
É amar a si e ao próximo.
Mas jamais esquecer que quem sustenta a todos...
A mãe natureza
" AMOR "
Quem espera no amor prospera.
Somente o amor é o elemento que completa tudo que temos.
Quando temos o amor, elevamos os nossos pedidos a Santa Sara Kali.
E Ela com seu grandioso amor leva nossos pedidos a Bell Karrano.
Que sempre sejamos instrumentos do amor sublime.
VIDA
Não viva o dia como se fosse o último.
Cada dia nasce e no final se põe, quando o sol se despede.
Mas mesmo o sol fica na esperança de retornar no dia seguinte.
Ter espiritualidade é viver cada dia plenamente.
E ser cigano é saber que o sol se vai, mas somos cobertos pela mãe lua para nos iluminar.
Ser cigano e crer em Santa Sara é acreditar em Bel Karrano e saber que tudo é possivel se acreditar.
Amaneci en Tus Brazos
Amanecí otra vez entre tus brazos
y desperté
llorando de alegría;
me cobijé la cara con tus manos
para seguirte amando
todavía.
Despertaste tú casi dormida
y me querías decir no sé que
cosas,
pero callé tu boca con mis besos
y así pasaron muchas, muchas
horas.
Cuando llegó la noche,
apareció la Luna
y entró por tu
ventana,
qué cosa tan bonita
cuando la luz del cielo
iluminó tu
cara.
Yo me volví a meter entre tus brazos
y me querías decir no sé qué
cosa,
pero callé tu boca con mis besos
y así pasaron muchas, pero muchas
horas.
A terra é o meu lar, as estrelas são o meu telhado e a minha religião é a liberdade e o amor fraterno pelo ser humano.
SER CIGANO
Ser cigano é ter amor no coração.
É tentar viver presente.
Esquecendo do passado.
E tentar fazer o futuro.
Com um presente sólido.
Ser cigano
É ter a liberdade de provar vários sabores.
E saborear o novo.
Mas não esquecer do velho.
Ser cigano
É conquistar novos amigos.
Mas não esquecer dos velhos.
Os novos trazem novos horizontes.
Os velhos, lembranças.
E viver a vida com emoção, fé, esperança.
E, acima de tudo, mesmo tendo tristeza.
Cobrindo ela com alegria.
ILUMINAÇÃO
Toda iluminação que temos é vinda de Bel Karrano.
Não podemos em momento algum deixar que ofusquem a luz que vem do nosso grande Deus.
Se façam todos presentes e vibrem com a mãe natureza que nada, nem ninguém apagará a chama de ligação com o Divino.
Mesmo que pouca,
Mesmo que pequenina,
Faça dentro de si brilhar a luz do divino e grandioso Bel Karrano.
" SENTIMENTOS "
São para serem vividos, medidos e respeitados.
Por alguns momentos injustiçado, não cabe ao ser humano fazer sua justiça.
Mas compreender que a justiça e a algo para alguém preparado.
Que mais seria capaz.
Senão o próprio criador de tudo e de todos.
Um olho no prato, outro no gato
*****
Um olho no burro, outro no cigano.
*****
Um mal nunca vem só.
*****
Um homem atrapalhado, é pior do que uma mulher bêbeda.
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Um galo não canta no ovo.
O Menino e o Velho Cigano
Meados dos anos 70, o menino nas suas andanças pelos arredores de sua casa se depara com um acampamento Cigano (era a segunda vez que o menino se depara com um acampamento o primeiro fora na casa de sua tia), ele olhou com curiosidade, mas prosseguiu, no dia seguinte contou a um amiguinho e o assunto claro foi aquele que escutamos diariamente, ciganos roubam crianças, mas tinham o espirito aventureiro, gostavam de desafios e perigo, algumas vezes ao entrar na mata pegavam aquelas frutinhas silvestres e juntos contavam até três e comiam dizendo se morrer morrem juntos e sempre foi assim, portanto resolveram ir juntos até o acampamento que ficava duas quadras de suas casas, era uma antiga chácara com uma casa grande, com um porão o qual o menino acreditava que os escravos dormiam ali, na lateral havia uma granja e em frente um terreno que outra hora servia de campo de futebol e lá os Ciganos acamparam, o menino e seu amiguinho ficaram atrás de uma árvore observando os Ciganos, havia cavalos, carroças, mas também dois carros antigos e ao redor de uma fogueira mulheres com lindos vestidos coloridos faziam comida e ao fundo um velho de chapéu e barba branca batia em um balde cor de ouro e o menino ficou curioso em saber o que o velho fazia, escutou de sua mãe que ciganos gostavam de ouro, gostavam de dançar, tocar violino e violão, tentando não ser visto pelos homens que escovavam os cavalos e as crianças que ali estavam correndo, aos poucos o menino foi se descuidando até que o velho fez um sinal com as mãos para se aproximarem, com muito medo o menino e seu amiguinho correram enquanto aqueles homens e crianças os olhavam, chegando em suas casas nada falaram, mas o menino ficou pensando nas crianças correndo, nos cavalos lindos e no velho batendo o balde de ouro, o menino tomara uma decisão, no dia seguinte retornaria ao acampamento com seu amiguinho ou sozinho, assim o fez após o retorno da escola, o menino ficou atrás da árvore observando e novamente o velho estava batendo em um balde de ouro, as crianças estavam comendo milho e as mulheres estavam cuidando dos bebes de colo e não tinha cavalos presos às árvores, o menino estava sozinho, pois seu amiguinho não quis ir por medo de ser raptado pelos ciganos, o pequeno menino com o coração acelerado as mãos molhadas e com muito medo que transparecia em seus olhos, novamente o velho lhe acenara com a mão para que ele se aproximasse o menino que gosta de se aventurar, que gosta desafios, que gosta de ouvir histórias de pessoas velhas, como a que o Senhor Piscidone costumava contar, um senhor de noventa e poucos anos que viera da Bahia aos dezoito anos de idade trabalhar em uma fazenda com seu tio que aqui já estava instalado onde hoje situa o bairro em que o menino vive, filho do “Ventre livre”, mas aprisionado na fazenda na Bahia ao lados de seus pais escravos, ele falava sobre as trilhas de carroças hoje as principais vias do bairro, morrera aos cento e três anos de idade, o menino tomou coragem respirou fundo e foi na direção do velho Cigano de cabelos e barba branca com um chapéu preto desbotado, uma fogueira com um caldeirão que tinha um cheiro bom, as crianças sentadas no chão comendo milho e os olhares voltados para o menino daquelas lindas mulheres com seus lindos vestidos coloridos, como os desenhos que o menino costumava fazer, o velho Cigano pediu que o menino sentasse ao seu lado em um toco de madeira, perguntou ao menino se ele estava com medo dele, o menino chacoalhou a cabeça dizendo que não, mas com as pernas tremulas ouvia o velho, passado alguns minutos, já descontraído perguntou ao velho Cigano porque ele batia naquele balde de ouro, ele sorriu com seus dentes de ouro e disse que era um tacho de cobre, ele o fazia para vender, que os seus irmãos sairá a cavalo para vender e comprar mantimentos, o menino perguntou lhe se eles haviam pegos aquelas crianças, porque ouvira dizer que se as crianças que ficassem na rua seria pegas pelos ciganos ou o homem do saco, novamente o velho sorriu mostrando seus lindos dentes de ouro – menino olhe ao seu redor, não existem cercas, somos livres, as crianças são livres, não pegamos crianças, muitas são abandonadas em nossos acampamentos e cuidamos como nossos filhos, mas aqui são todos filhos e filhas dos nossos irmãos, o menino ficou por horas escutando e vendo as peças de cobre que o velho fazia, comeu milho assado bebeu chá de frutas conversou com os meninos de sua idade, mas não entendia o porque não iam a escola, porque não tinham casa de tijolos, não tinham televisão e nem brinquedos, o menino na sua inocência convidara aquelas crianças para ir a casa dele brincar, o velho então retrucou, venha aqui quando quiser mas eles não iram a sua casa, o menino abaixou a cabeça desolado sem entender o porque elas não podiam ir na casa dele, o velho lhe disse você é só uma criança quando crescer vai descobrir que não somos bem vindos e logo seremos expulsos deste local e assim foi a primeira e a última conversa com o velho cigano dos dentes de ouro, barba branca, cabelos brancos um chapéu preto desbotado que fazia tachos de cobre, pois alguns dias de castigo por ter saído de casa sem avisar (nesta aventura de ir no acampamento cigano), na primeira oportunidade o menino foi até a chácara e chegando lá se deparou com um terreno vazio sem carroças, sem cavalos, sem crianças, sem fogueira, sem mulheres bonitas com seus vestidos coloridos e seus lindos bebes só tinha o toco onde o velho cigano fazia seus tachos de ouro e assim o menino voltou para casa e em seus pensamentos queria ser cigano, cavalgar com um lindo cavalo preto livremente sem precisar ir a escola, andar por muitos lugares e viver em uma barraca ao lado do velho cigano fazendo tachos...
(O menino cresceu, não virou cigano, mas tem um espirito cigano, hoje admira e defende a cultura cigana)
(Ricardo Cardoso)
"Mais magro", sussurra o velho cigano de nariz carcomido
para William Halleck quando ele e sua esposa Heidi saem
do tribunal. Apenas estas duas únicas palavras, carregadas
pela doçura enjoativa do hálito dele.
"Mais magro". E antes que Halleck possa recuar, o velho
cigano estica o braço e acaricia-lhe a face com um dedo
retorcido. Os lábios dele entreabrem-se como uma ferida,
exibindo alguns cacos de dentes que despontam das gengivas
como lápides quebradas. Cacos de dentes enegrecidos e
esverdeados. A língua do velho se esgueira por entre eles e
então desponta, para lamber os amargos lábios sorridentes.
"Mais magro "
Me fizeste com coração cigano e alma encantada
E aprendi a amar desde cedo os ventos, chuva e tempestade..
E admirava os Deuses e encantados da natureza
E adorei o Amor a se revelar nos mistérios da natureza
Entre mantrans e sinfonias de esferase dimensões paralelas
Vi meu coração incendiado de paixões da carne e amores espirituais
Extasiei inevitavelmente
E em Luz e Som, iluminado de Vida, com lábios em prece te rendi Louvor
Versos de gratidão nos lábios
Sangue indígena
Sangue cigano
Nem tão alienígena
Nem tão humano
Omissão exposta
Em vigília ou em sono
Explorador da crosta
Filho do dono
Do início ao fim
Do percurso ao meio
Sendo o todo em mim
Experimento sem freio
Eu fui
Eu sou
Eu serei
O que quero
O que temo
O que criei
