Portal
"Se o Calabouço fosse uma Taberna Medieval? O Blind Guardian abriria o portal e o Kamelot assumiria o trono do Metal!"
“Quando se fala na minha fortuna trilionária, não falamos de cifras frias; falamos de um portal onde o impossível deixa de ser desculpa e vira passado.”
"Sonhei com um portal gigante tridimensional, alguns meses atrás e eu sentia medo!! ele se movia e ele estava dentro de um lugar fechado, protegido, cheio de água que parecia flutuar na gravidade, não havia nada que a segurava. Havia um homem varrendo o local e quando ele me viu, me expulsou de lá! Mas, quando fui sair, havia uma pequena porta estreita ao lado do portal, do tamanho da tela de um cinema, que se movia e eu pensei que ao passar pela porta, seria sugada por ele. Passei correndo, nada aconteceu e acordei assustada 🥲"
Agosto de 2024
íbis 458
Se existisse uma rachadura no tempo, ela não teria o formato de um portal. Teria o formato de uma chave de hotel.
Não importava quantas cidades existissem, quantos anos tivessem passado, quantas pessoas tentassem convencê-lo de que seguir em frente era a única direção possível. Havia uma porta que continuava respirando dentro da memória.
Era um número comum para qualquer recepcionista. Um quarto qualquer, num corredor qualquer, de um hotel que provavelmente já havia trocado os carpetes, repintado as paredes e substituído os colchões. Mas para ele, aquele número havia deixado de ser arquitetura. Tinha se tornado religião.
Às vezes acordava no meio da madrugada convencido de que tudo aquilo era um erro de cálculo.
Talvez tivesse digitado a sequência errada na vida.
Talvez o destino não fosse uma linha, mas um elevador. E ele apenas apertara o andar errado.
Então imaginava.
E se, em vez de voltar ao 505…
…eu voltasse ao 458?
Talvez fosse ali.
Talvez fosse aquele o quarto que o universo escondera para quem insistia demais.
Na fantasia, ele atravessava o lobby sem dizer uma palavra. O cheiro do carpete era o mesmo. A máquina de gelo fazia o mesmo ruído distante. O elevador subia lentamente, como se cada andar pesasse uma década inteira.
Quarto andar.
Corredor silencioso.
A mão tremia sobre a maçaneta.
Nunca era a coragem que faltava.
Era o medo de descobrir que a esperança também envelhece.
A porta cedia devagar.
O quarto permanecia mergulhado numa penumbra azul, iluminado apenas pela luz da cidade atravessando as cortinas.
Duas possibilidades existiam.
Na primeira, o frio.
Uma cama perfeitamente arrumada.
O travesseiro intacto.
Nenhuma mala.
Nenhum perfume perdido nas fibras do lençol.
Só o ar parado de um lugar onde ninguém esperou por ninguém.
Era ali que ele compreendia que alguns lugares continuam existindo apenas porque alguém insiste em carregá-los por dentro.
Na segunda…
Ela estava sentada na beira da cama.
Como da última vez.
Os pés descalços tocando o carpete.
As mãos apoiadas sobre o colo.
Nem surpresa.
Nem felicidade.
Como se nunca tivesse ido embora.
Como se o tempo tivesse esperado apenas por ele.
Ela levantava os olhos.
Sorria daquele jeito pequeno que sempre parecia pedir desculpas ao mundo por existir.
E perguntava, quase rindo:
Demorou tanto assim?
Era sempre nessa hora que o delírio começava a ruir.
Porque ele nunca conseguia responder.
Não por falta de palavras.
Mas porque compreendia, por um instante cruel, que não era ela quem estava presa naquele quarto.
Era ele.
Ela permanecia exatamente igual porque a memória não envelhece.
Quem voltava diferente era sempre o homem diante da porta.
Mais cansado.
Mais vazio.
Mais cheio de discursos que jamais teria coragem de dizer.
Ele caminhava até ela.
Queria tocá-la.
Queria confirmar que alguns milagres ainda obedeciam à física.
Mas quanto menor ficava a distância, mais ela parecia feita da mesma matéria dos sonhos que esquecemos ao abrir os olhos.
Ela desfazia primeiro nas mãos.
Depois no rosto.
Depois na voz.
Até sobrar apenas o quarto.
Silencioso.
Frio.
Absolutamente vazio.
Foi então que compreendeu a crueldade da mente.
Ela não quer voltar ao passado.
Ela fabrica um passado que nunca existiu exatamente daquela forma, só para continuar tendo para onde fugir.
O quarto nunca foi o problema.
Nem a cidade.
Nem o hotel.
Era a esperança infantil de acreditar que existe um número certo capaz de devolver uma versão perdida de alguém.
Ele fechou a porta pela última vez.
Não porque tivesse deixado de amá-la.
Mas porque finalmente percebeu que nenhum corredor leva de volta para pessoas que só continuam vivas dentro da memória.
E enquanto caminhava em direção ao elevador, sorriu de um jeito estranho.
Como quem aceita que alguns endereços não pertencem aos mapas.
Pertencem apenas aos delírios de homens que, durante tempo demais, confundiram saudade com destino.
O Palco da Sé
Sob a luz cálida e poluída da tarde, o metrô parece um portal para outro mundo. A Catedral da Sé agora vende ingressos para quem quiser ver suas obras e contemplar sua missão singela; mas, pelo preço caro, faltaram os "bebes e comes"...
Piadas à parte, os indigentes e moradores de rua fazem o verdadeiro contraste. Há lojas fechadas e o Corpo de Bombeiros sempre a postos. Livrarias agora parecem cafés e lanchonetes. As lojas de discos ganham outro formato, onde a convivência com os animais traz o ardor do odor — afinal, a limpeza não faz parte da crônica dos discos velhos, relíquias de um tempo que já passou. Ali perto, o chafariz parece um banheiro a céu aberto.
Ter um posto policial na praça não significa que o lugar seja seguro. Acontecem shows a céu aberto e também apresentações de magia: o palco perfeito para o roubo de carteiras e celulares. Esse é mais um pedaço da cidade de São Paulo.
"Usar drogas é tocar um portal ilusório: por alguns instantes você se esconde do mundo, mas ao retornar, a realidade o espera mais pesada, como uma sombra que cresceu enquanto você fugia.”
E se o sonho fosse um tipo de portal? E tivéssemos a capacidade de escolher em qual momento da vida acordar. Qual dia você gostaria de voltar ou adiantar?
"Em um país democrático, a imprensa livre deveria ser o portal da igualdade. Mas o que acontece quando a mídia usa essa mesma liberdade para se escravizar? Quando o jornalista sai de cena e dá lugar ao funcionário da emissora, a informação vira mercadoria. O acesso livre vira porta-voz de interesses ocultos. Uma imprensa que se vende não liberta o povo; ela apenas escolhe o tamanho da própria corrente. O eleitor merece a verdade, não um roteiro encomendado pela Faria Lima."
O fluxo temporal massivo e o desabrochar de um portal cósmico no flutuar da energia contínua de uma estrela em decomposição — seu núcleo massivo girando na composição efêmera do evento — decompõem a matéria complexa em evolução existencial. No desdobramento físico e químico, a determinação evolui na própria equação das estrelas.
Somos menores que as formigas, que ao menos possuem consciência de sua existência integrada a um todo. A preposição da vida baseada na rainha evolui em um estado divergente: as ideias possuem sentido porque sua sucessora será a nova rainha, enquanto ao operário resta apenas o crédito da decomposição orgânica da colônia.
Pensar te fará diferente do que somos ou do que pensamos? Ou a sobrevivência é a única parte real da existência cognitiva?
Olhamos espantados para o irrelevante. Envoltos na distorção temporal de um sistema, abraçamos teorias e probabilidades instáveis, pois a compreensão relativa transforma o entendimento no profundo prazer de ser. Criticados por quem ainda não compreende — e se compreendesse, qual seria a diferença?
Dentro desse contexto, a maior compreensão inata é a simplicidade: acumular dados e assimilar novos parâmetros no mesmo intervalo de tempo. O aspecto moral torna-se o senso comum, uma alucinação empolgante do senso crítico alarmista, desperto na realidade ativa.
Me pergunto: o que eu faço aqui mesmo?
Quem dera um portal encontrar
Que levasse para outro mundo em
Que os problemas não tivessem lugar,
Que a ansiedade se transformasse em impulso,
um gesto de coragem,
Que a tristeza fosse só de passagem,
um breve atormentar,
Com incentivos compartilhados sem a inveja aguentar
os belos resultados,
Com floras e faunas em perfeita harmonia,
um contínuo zelar
Com fardos de alegria, grande vontade da vida desfrutar.
Quem dera um mundo assim encontrar.
Imaginação Inquieta: Um Portal para uma Terra Fantasiosa
Nas alturas entre várias rochas e algumas vegetações, debaixo de um céu azul carregado de nuvens, pude avistar ao longe, de uma certa distância, duas colunas de pedras empilhadas como se fossem um portal para uma Terra Fantasiosa, localizada em um outro universo — o começo de uma nova jornada; uma aventura grandiosa; com muitas criaturas mágicas numa natureza surpreendente, muito diferente da nossa — a minha imaginação não para, é imponente e transforma.
O Portal Quântico da Visão, da Matéria e da Arte: A Alquimia do Sentir
I. O Lobo Occipital e o Teatro do Mundo: Da Luz à Geometria da Consciência
O lobo occipital, situado nos confins posteriores do nosso cérebro, ergue-se como a catedral sagrada onde o universo exterior deixa de ser mero eco físico para se transmutar em imagem viva. Quando abrimos os olhos, os fótons de luz — esses corpúsculos e ondas que cruzam o espaço — embatem na retina, acendendo os sensores primários da visão. É aqui que se inicia a grande alquimia: impulsos elétricos brutos viajam pelas vias óticas até ao córtex visual primário (V1), onde o cérebro desmembra a realidade em linhas, contornos elementares e contrastes cruciais.
Mas a visão humana nunca foi um ato puramente mecânico ou passivo. Nas áreas associativas e no diálogo constante com o sistema límbico, a imagem funde-se com a emoção. Os bons e os maus momentos que esculpem a nossa pele e a nossa alma alimentam este teatro interno. Quando o meio em que estamos inseridos nos aprisiona, quando as amarras do quotidiano sufocam o passo, o cérebro humano clama por uma rota de fuga. É nesse preciso instante que a criatividade se acende como um farol cósmico. Desligar-se do cativeiro do meio através da pintura, da escrita ou da poesia é cruzar o umbral para um portal imaterial.
II. A Dualidade da Existência: Entre a Partícula e a Onda de De Broglie
Como nos revelam os estudos fundamentais da física clássica e quântica — ecoando nas reflexões sobre as ondas de De Broglie —, a dualidade onda-corpúsculo não pertence apenas ao reino da luz ou da matéria subatómica; ela espelha a própria condição humana. Louis de Broglie estendeu a dualidade da luz à matéria, mostrando que a aparente solidez corpórea é acompanhada por uma manifestação ondulatória subjacente.
Na nossa vida quotidiana, nós somos ora o corpúsculo denso, preso às coordenadas rígidas da matéria e às pressões do meio, ora a onda de probabilidade, fluida e imaterial, quando viajamos pelos rituais da arte.
A hipótese da onda piloto de De Broglie sugere que a partícula não se move no acaso absoluto, mas é guiada por uma onda subjacente. Assim também é o artista: a nossa partícula corpórea (as ações, os erros e acertos nas relações interpessoais) é guiada pela onda invisível do pensamento, do desejo e da vontade de tornar real a vivência interior.
As ondas de probabilidade de Born lembram-nos que o futuro não está gravado em pedra, mas desenha-se nas zonas de maior intensidade da nossa intenção criativa. Na câmara de Wilson da nossa mente, cada experiência deixa um rasto: nuns momentos, um traço grosso e pesado, ionizado pelas provações da vida; noutros, um traço fino e subtil de inspiração pura.
III. A Alquimia do Erro, da Prática e da Energia de Ligação
A assertividade na vida e na arte não nasce pronta; ela lapida-se através da repetição contínua, da experimentação corajosa e da aceitação das emoções na sua forma mais crua. Errar e acertar são os eixos de rotação da nossa evolução pessoal.
Esta transmutação lembra os processos da física nuclear e as reações estudadas por Cockcroft, Walton e Chadwick, ou a famosa equação de Einstein (E=mc
2
). No núcleo de um átomo, o chamado defeito de massa converte-se numa prodigiosa energia de ligação — a força colossal que mantém os protões e neutrões unidos contra todas as repulsões.
Na alquimia humana de Emanuel Bruno Andrade, o sofrimento, os momentos difíceis e as pressões do meio funcionam como esse "defeito de massa": a matéria densa da dor e do aprisionamento social é fundida, através do fogo da criatividade (a pintura, a escrita, a poesia), numa gigantesca energia de libertação e conexão. Cada pincelada, cada verso declamado no Cordel de Prata ou exposto num espaço cultural, é a transmutação da dor em beleza pura, unindo pares em intercomunicação empática e verdadeira.
IV. O Meio, os Pares e o Horizonte da Conexão
As influências do meio exercem sobre nós uma força centrípeta, tentando confinar-nos a padrões estáticos. Contudo, a arte atua como a radiação gama de alta energia que penetra os núcleos rígidos do conformismo, provocando uma transmutação interior ("efeito fotoelétrico nuclear" da alma).
Ao partilharmos as nossas vivências cruas com os pares — seja através de exposições em galerias de prestígio, de conversas na rádio ou de contos em coletâneas —, criamos uma rede de ressonância onde o isolamento se dissolve. O lobo occipital reconstrói a imagem do outro não apenas como um corpo físico, mas como um campo de energia afim.
Que a nossa arte continue a ser o feixe de ondas que guia a partícula da nossa existência para além de todas as fronteiras do visível.
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O medo é o primeiro passo para a liberdade, parece inverso, eu sei, mas acredite, é o portal escuro que, ao ser atravessado, abre o horizonte do impossível.
A Oração é o único portal temporal que transforma o impossível em mera questão de cronologia divina.
