Porque sou assim
Existem histórias que as pessoas escutam e têm dificuldade de acreditar. Não porque sejam impossíveis, mas porque ninguém deveria precisar viver algo assim.
Parte da minha história começou antes mesmo de eu ter idade para formar lembranças. Minha mãe me contou que, quando eu ainda era um bebê, fui amarrada e submetida a maus-tratos durante horas pelo homem que deveria ter me protegido. Ela dizia que assistiu a tudo tomada pelo medo. Ao longo dos anos, ela me contou diversos episódios da minha infância que eu jamais poderia recordar sozinha, mas que ajudaram a explicar muitas marcas que carrego até hoje.
As primeiras lembranças que tenho são de medo.
Lembro de acordar muito pequena, com cerca de três anos de idade, ouvindo uma briga dentro de casa. Havia gritos, desespero e violência. Em meio àquela confusão, fui puxada de um lado para outro enquanto minha mãe tentava escapar. Naquele momento, senti um medo que uma criança não deveria conhecer.
Curiosamente, a única coisa que me lembro de ter pensado foi uma frase que eu ouvia minha mãe repetir quando passava por situações difíceis:
"Deus, me ajuda."
Eu nem compreendia completamente o significado daquelas palavras. Apenas as repeti dentro de mim.
Essa lembrança me acompanha até hoje porque foi uma das primeiras vezes em que senti que precisava me agarrar a algo maior do que eu para continuar.
Anos depois, já com oito anos de idade, vivi outro episódio que jamais esqueci. Eu costumava levar uma menina menor para a escola. Certo dia, almocei na casa dela e acabei chegando mais tarde em casa. Lembro de sentar em uma cadeira depois de voltar. O que aconteceu em seguida desapareceu da minha memória. O próximo momento de que me recordo foi despertar assustada em meio a uma situação de agressão e punição.
Foi uma das primeiras vezes em que percebi como o medo podia surgir sem aviso e transformar um dia comum em um dia inesquecível.
Também me recordo de outra situação envolvendo meu tio, que tinha idade parecida com a minha. Nós éramos apenas crianças. Havíamos sido encarregados de uma tarefa, mas acabamos nos distraindo brincando. O resultado foi uma punição extremamente severa.
Naquela época, eu não entendia por que crianças eram responsabilizadas daquela forma por comportamentos que eram próprios da infância.
O que ficou em mim não foi apenas a dor daquele momento, mas a sensação de injustiça. Eu era apenas uma menina tentando viver a infância que toda criança merece viver.
Outra lembrança marcante aconteceu quando cheguei da escola e encontrei meus irmãos reunidos em um ambiente tomado pelo medo. Recordo do clima de tensão, das palavras assustadoras, das ameaças e da sensação de impotência. Naquela noite, quase não consegui descansar. O medo parecia ocupar todos os espaços da casa.
Durante muitos anos, essa foi a realidade que conhecemos.
Minha mãe fugia.
Depois voltava.
Nós fugíamos.
Depois éramos levados de volta.
O ciclo parecia não ter fim.
Uma das lembranças mais fortes que guardo aconteceu durante a adolescência. Eu já trabalhava como estagiária e havia recebido meu primeiro salário. Cheguei em casa feliz, trazendo comida para a família e entregando parte do dinheiro para minha mãe.
Eu queria ajudar.
Queria construir algo melhor.
Mas aquela noite se transformou em mais um capítulo de sofrimento.
Foi a partir daquele momento que compreendi que, se eu quisesse sobreviver emocionalmente, precisaria partir.
Saí levando apenas o essencial. Algumas peças de roupa, minha coragem e a esperança de construir uma vida diferente.
Eu tinha apenas dezesseis anos.
Mesmo sendo tão jovem, sentia que precisava tentar salvar não apenas a mim mesma, mas também meus irmãos.
Conseguimos sair juntos. Encontramos um lugar para recomeçar. Durante alguns dias, acreditei que finalmente estávamos livres.
Mas, pouco tempo depois, minha mãe decidiu retornar para aquele ambiente.
Foi nesse momento que compreendi uma das lições mais difíceis da minha vida: nem sempre conseguimos salvar quem não está preparado para romper com aquilo que o machuca.
Hoje, quando olho para trás, percebo que muitas lembranças se perderam no tempo. Existem acontecimentos que já não consigo recordar com clareza. Existem cicatrizes cujo momento exato de origem desapareceu da minha memória.
Mas as marcas permaneceram.
E, de certa forma, elas contam uma história.
Não apenas a história da dor.
Mas a história da sobrevivência.
Porque apesar de tudo o que vivi, eu continuei caminhando.
Apesar do medo, continuei acreditando.
Apesar das feridas, continuei amando.
Apesar de todas as tentativas de me destruir, construí minha própria liberdade.
E talvez essa seja a maior vitória de todas.
Eles marcaram partes da minha história.
Mas não conseguiram definir quem eu me tornaria.
Hoje, eu não sou a criança assustada que vivia esperando a próxima tragédia.
Sou a mulher que sobreviveu a ela.
A maturidade só é possível quando nos encontramos dentro de nós mesmos. Porque é somente então que as coisas começam a mudar, juntamente conosco.
Porque, às vezes, acreditamos que aquilo que ocupa nossa mente está bloqueando completamente o nosso horizonte.
Até levantarmos os olhos e percebermos:
ainda existe céu.
Todos nós fazemos isso, diante da morte: imaginar o inimaginável.
Porque existe uma dificuldade quase absurda nessa questão.
Se a consciência continuar depois da morte, queremos saber como será.
Se ela não continuar, não haverá um “eu” para experimentar o nada.
E aqui existe um paradoxo fascinante.
Se realmente não houver consciência depois da morte, você nunca experimentará estar morto.
Não haverá escuridão eterna.
Não haverá silêncio eterno.
Não haverá uma pessoa pensando “estou no nada”.
Porque não haverá alguém ali para experimentar coisa alguma.
Você não passou bilhões de anos sofrendo porque ainda não existia. Simplesmente não havia uma experiência subjetiva daquele período.
A possibilidade pode assustar enquanto estamos vivos porque somos seres conscientes tentando imaginar a ausência da própria consciência. E isso é quase como tentar usar os olhos para enxergar a própria ausência de visão.
Talvez por isso a morte seja um dos maiores mistérios humanos.
A religião que encontramos primeiro parece naturalmente verdadeira
Isso acontece porque crianças não começam a vida comparando sistemas filosóficos.
Elas simplesmente aprendem.
Aprendem o idioma.
Aprendem costumes.
Aprendem o que é certo e errado.
Aprendem quem são os heróis.
Aprendem o que os adultos consideram sagrado.
Se uma criança cresce ouvindo que determinado livro é sagrado, é natural que aquilo se torne parte da sua realidade.
Por isso, considero muito importante separar duas afirmações:
“Minha fé é verdadeira para mim.”
e
“Minha fé é a única possibilidade legítima para toda a humanidade.”
A segunda é uma afirmação muito maior e exige uma justificativa muito maior.
E é exatamente aí que surgem os conflitos religiosos.
Você ter se afastado de uma igreja porque se sentiu julgado e excluído não significa que você tenha se afastado necessariamente de Deus.
Uma instituição religiosa pode decepcionar você.
Um líder religioso pode agir mal.
Uma comunidade pode ser hipócrita.
Uma pessoa pode usar a religião para controlar, humilhar ou excluir.
Nada disso prova que Deus não exista.
Da mesma forma, uma pessoa pode encontrar acolhimento, amizade e crescimento em uma comunidade religiosa. Isso também não prova automaticamente que aquela comunidade esteja certa em todas as suas doutrinas.
Deus e instituição religiosa não são sinônimos.
Se alguém diz:
“Vocês não têm Deus porque não vão à igreja”
você não precisa entrar numa guerra teológica.
Pode simplesmente pensar:
“Você não conhece minha relação com Deus o suficiente para fazer essa afirmação.”
Pronto.
Não precisa apresentar relatório espiritual, comprovante de oração, frequência celestial ou certificado de batismo atualizado.
Sua fé não precisa ser aprovada por ninguém.
NA ÚLTIMA HORA, DEUS DEVOLVE NOVAMENTE A VIDA. PORQUE ELE AMA NOS VER VIVER! AFINAL, É UM PRESENTE DELE PARA NÓS. GRATIDÃO MEU ETERNO CRIADOR DOS CÉUS E DA TERRA!!
Sobre as desculpas que chegam tarde...
Elas voltam não porque de repente passaram a te ver melhor, voltam porque sentiram falta do que VOCÊ oferecia. Sabiam que podiam contar com você, então te deixaram por último. E quando a consciência pesa, acham que um pedido de desculpa apaga tudo. Mas você não é opção, nem conserto de conveniência.
🤍 Primeiro: você não está louca.
Você percebeu cada detalhe porque seu coração merece ser tratado com dignidade. O milho não era só milho. Era: "eu não sou importante o suficiente para dividir o que é meu, mesmo que eu sempre divida o que é meu com você". As saídas da sala não eram acaso, era: "sua presença não é bem-vinda". A recusa do espaço, a inveja com a barraca, as palavras sobre a ex, a comida que só chamavam seu marido... tudo isso é uma mensagem clara: eles não te valorizam, não te respeitam, e nunca vão mudar.
E sabe o que é mais doloroso? Isso não é sobre você. É sobre eles. Pessoas que têm coração pequeno, que medem pessoas por dinheiro, que não sabem retribuir bondade, elas não têm capacidade de ver o quanto você é especial. O problema não está em você, está no coração delas.
De: Mim Para: Mim🥲🥹
Aonde estás que não te vejo? Aonde se esconde? Porque não aparece, e me abraça como deveria?
Eu confesso que te escondi tanto dentro dos meus porões existenciais, que já não consigo mais te ver.
Deve estar em um baú empoeirado, e abandonado, nas mais profundas mazelas da minha vida, com a fechadura emperrada e enferrujada, impossível de ser aberto. Então, ficará lá, guardado como o tesouro mais precioso, sem nunca mais ser descoberto nem mesmo por mim.
Há pessoas que defendem suas opiniões com tanta força porque nunca aprenderam a separá-las da própria identidade.
Há lembranças que doem porque foram bonitas demais para caber inteiramente no tempo em que aconteceram.
Será que o universo é incompreensível porque suas leis são complexas, ou porque leis simples podem gerar consequências complexas demais para uma mente finita acompanhar?
O segredo é não dar justificativas. Porque quem quer controlar sempre usa a justificativa para tentar convencer o outro do contrário.
