Porque sou assim
Entre a menina e a mulher
Tenho andado sozinha.
Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.
Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.
Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.
E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.
Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.
E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.
“O que você tem para fazer, faça hoje, porque o hoje é vivo; o amanhã não existe, ainda vai nascer.”
Querido 2025, obrigada pelos sonhos que me pareciam grandes demais, porque foram eles que me fizeram crescer. Gratidão por tudo.
Tão esperado 2026, te aguardo com o coração aberto e peço-te: delicadeza nos passos, não me atropeles.
Trago comigo muitos outros sonhos e planos para nós.
E então
homizio a caneta e as teclas
porque escrever, às vezes… exulcera.
Dilacera como a saudade
do que não me foi concedido,
porque exterioriza mágoas
que eu oculto até de mim.
Mas há dores que latejam exigindo brecha,
e se não as deixo sangrar na página,
elas me corrompem por dentro,
como alguma febre antiga
que insiste em voltar
quando o corpo distrai.
Escrever, para mim,
é abrir a porta do quarto
onde tranco meus fantasmas
e deixá-los respirar por alguns instantes,
antes que morram sufocados
e me arrastem junto.
Por isso às vezes paro,
me escondo das palavras
que me conhecem demais,
que me desnudam
sem pedir licença,
que me recordam daquilo
que tento esquecer
mas que permanece,
faminto,
em meu silêncio.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu não me abaixo para recolher provocações
porque faz mal a minha coluna...
que prefiro mantê-la ereta.
Mas ...
se for para recolher pérolas...
minha coluna se curva com imenso prazer.
Deve ser porque
talvez…
a vida seja,
simplesmente,
essa trajetória audaciosa
que me empurra para além das margens
que me desafia a romper o contorno
que me recusa o raso.
Talvez seja isso:
um chamado constante
para atravessar os limites
que eu mesma desenho
com receio e desejo.
Ir além
não como fuga,
mas como expansão.
Muito além
do que me ensinaram,
do que esperavam,
do que tentaram podar.
Porque há em mim
essa fome de horizonte,
essa sede de infinito,
essa inquietação
que não se aquieta
com migalhas de mundo.
E se a vida é travessia,
que seja ousada,
que seja vertigem,
que seja salto.
Porque ficar
nunca foi o meu verbo.
✍©️@MiriamDaCosta
suspicaz.
Cheguei em casa e não acendi a luz.
Não porque estivesse com medo.
Era só que, depois de certo tempo, você começa a perceber que algumas coisas ficam mais nítidas no escuro.
Deixei a chave sobre a mesa, tirei o relógio, sentei no sofá e fiquei ali. Sem música. Sem televisão. Sem aquela necessidade moderna de preencher cada segundo com alguma coisa.
Naquela noite, entendi uma coisa estranha:
ninguém tinha armado uma tocaia para mim.
Eu mesmo tinha armado.
Durante anos, desconfiei de todo mundo. Li segundas intenções onde talvez só existissem palavras mal colocadas. Esperei a mentira antes da verdade. Guardei sentimentos como quem guarda munição. Quando alguém se aproximava demais, eu já imaginava a distância que teria de atravessar depois.
Chamava aquilo de experiência.
Era medo com um nome bonito.
O problema de viver esperando o tiro é que, depois de um tempo, você começa a atirar primeiro.
Não necessariamente nos outros.
Às vezes, atira em coisas que poderiam ter dado certo.
Em conversas que poderiam ter sido honestas.
Em pessoas que talvez tivessem ficado.
Em versões de mim mesmo que ainda sabiam confiar.
Percebi isso sentado no escuro.
A pior tocaia não é aquela preparada por quem quer te derrubar.
É aquela que você prepara para impedir alguém de chegar perto o suficiente para fazer isso.
E então veio a parte difícil.
Não havia vilão para culpar.
Não havia mensagem escondida, traição conveniente ou monstro esperando atrás da porta.
Havia apenas eu.
Um homem cansado, segurando a própria vida com tanta força que já não sabia se estava protegendo alguma coisa ou impedindo que ela respirasse.
E talvez essa tenha sido a primeira vez em muito tempo que eu não tentei fugir dessa conclusão.
Fiquei sentado.
Olhei para o escuro.
E deixei que ela doesse um pouco.
Porque talvez eu tenha passado tanto tempo tentando descobrir quem poderia me machucar que nunca parei para perceber quantas coisas eu estava machucando sozinho.
Na manhã seguinte, saí de casa.
Não estava curado.
Não estava transformado.
Não tinha aprendido nenhuma grande lição.
Só deixei a porta destrancada.
Talvez fosse pouco.
Mas, para alguém que passou tanto tempo construindo armadilhas para não ser ferido, aquilo já parecia quase uma revolução.
Porque talvez confiar não seja acreditar que ninguém vai me machucar.
Talvez seja simplesmente aceitar que, se eu passar a vida inteira tentando impedir qualquer possibilidade de dor, também vou acabar impedindo qualquer possibilidade de amor.
E eu já não queria viver assim.
Não queria mais confundir distância com segurança.
Nem silêncio com controle.
Nem medo com experiência.
Naquele dia, não prometi que nunca mais teria medo.
Só prometi que, da próxima vez que alguém chegasse perto, eu tentaria não preparar a tocaia antes de abrir a porta.
Para tudo aquilo que me feriu, o amor me curou. E esse é o meu maior trunfo. Porque o amor renova, resgata. O amor vem de dentro. É abundante. Nós temos todos os sentimentos dentro da gente, é verdade. Podemos sentir ódio e raiva, amor e desejo no mesmo instante, em direção à mesma pessoa. Mas a única coisa que não nos corrói é o amor. O amor nos alimenta e nos transborda. A raiva só nos faz mal. Às vezes, faz ainda pior com quem sente. Por isso, o amor me curou tantas vezes. Da tristeza, do luto, das despedidas inesperadas. Quando eu não tinha nada, me sobrou amar. A vida, um pássaro cantando na janela. A paisagem na estrada. A natureza acontecendo. A minha imagem no espelho. Uma roupa nova. Uma música nova tocando numa playlist aleatória. Uma nova série, um novo hobby, um novo filme. Amar alguém. Um novo sorriso que sorriu pra mim quando eu já nem esperava sorrir de novo. E sorri. E amei de novo. O amor me salva. Todos os dias.
Não é porque não deu certo com alguém que dará errado para você. É preciso que você se autoconheça para que tenha autenticidade, mantendo uma autoconfiança em equilíbrio.
Porque da vida o que a gente precisa é viver.
E vou logo dizendo que isso não significa apenas estar vivo porque você pode passar anos respirando, tendo vida física e descobrir que sua vida foi uma 'morte'.
Enquanto outros possuem apenas dias, quiçá horas de vida e se eternizam por suas atitudes de Amor!
Viver necessariamente significa Amar!
Me diga o quanto você tem amado e lhe direi o quanto você tem vivido!
Há diálogos que não florescem,
porque uma das partes
já plantou certeza em solo raso.
Como falar de horizontes
a quem se prende
a um único ponto de vista
e nele finca, irrevogável,
o seu veredito?
✍©️@MiriamDaCosta
Odeio gente que não consegue ouvir algo simples,não porque não conseguem ouvir mas por não quererem ouvir...gente com arrogância desnecessária.
O herói carrega as maiores lapadas porque o fardo de reescrever o destino quebra qualquer um. A dor é o pedágio inescapável de quem ousa alterar a sua realidade
Gálatas 6:9-10
"E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé."
