Porque sou assim
Hoje não temo o deserto, porque descobri que há revelações de Deus que só se ouvem quando todo o resto fica em silêncio.
O deserto revelou pessoas, revelou meu coração e, acima de tudo, revelou quem Deus é.
Porque, às vezes, acreditamos que aquilo que ocupa nossa mente está bloqueando completamente o nosso horizonte.
Até levantarmos os olhos e percebermos:
ainda existe céu.
O extraordinário é, na verdade, o futuro que não encontra espaço para nascer porque o nosso "hoje " está lotado de "ontens".
A decepção é o desmanche de um castelo que só existia em nós. Ela dói porque é o ego perdendo uma aposta para a realidade.
os bons se tornam saudade porque deixaram algo que faz falta; os ruins permanecem como presença, mas sem ocupar lugar nenhum no peito de ninguém .
O sistema nos enlatou porque a liberdade está se tornando "perecível": ela muda, ocupa espaço irregular e não aceita empilhamento .
Eu achava que tinha conquistado tudo.
Não porque tudo estava perfeito, mas porque eu ainda acreditava.
E acreditar, pra mim, sempre foi metade do caminho.
Havia planos que eu já chamava de vida,
sonhos que eu defendia como verdades, um futuro que eu protegia
como quem protege um lar.
Até que um dia
eu percebi.
Não foi de repente.
Foi um entendimento lento, cruel,
que foi se impondo:
nunca mais será a mesma coisa.
E essa frase pesa mais
quando não vem do medo, mas da lucidez.
Doeu aceitar.
Doeu soltar.
Doeu admitir que, mesmo dando tudo,
não foi o suficiente.
Eu não perdi apenas uma conquista,
perdi a versão de mim
que acordava acreditando.
Que insistia.
Que esperava sinais.
Passei a conviver com um vazio estranho:
Derrota,
Encerramento,
Frustração
E o mais difícil
não foi ver o sonho morrer, foi continuar vivendo
sem ele me guiando.
Hoje eu caminho diferente.
Com menos ilusão.
Com menos pressa.
Mas com uma verdade nova:
Algumas coisas que se quebram te quebra junto.
Algumas coisas se tornaram impossíveis e preciso parar
de perder tempo tentando salvá-las.
E talvez
isso também seja
uma forma silenciosa
de sobrevivência
Algumas pessoas não perguntam porque são covardes e têm medo da verdade..
Preferem o silêncio porque sabem que a resposta pode destruir a fantasia que sustentam.
Outras não perguntam porque são trouxas e acham que já conhecem a verdade.
Confundem amor com posse e confiança com certeza absoluta.
Entenda uma coisa, muitas vezes vai ser você, sua esposa e seus filhos e isso basta!
Não porque o mundo seja pequeno, mas porque o essencial é grande.
Ali está o amor verdadeiro, o apoio diário e o motivo para seguir firme.
Nem todos vão entender suas escolhas, mas quem importa está ao seu lado.
Cuidar da família é vitória silenciosa, é força que não aparece, mas sustenta tudo.
Quando o resto faltar, isso continua de pé.
E então você percebe:
Sempre foi o suficiente!
Sua carne não se preocupa com a eternidade, porque ela não irá para lá com você.
Quem viver apenas para satisfazer a carne perderá de vista aquilo que realmente é eterno.
O homem jamais deveria brincar com os sentimentos sinceros de uma mulher, porque o dia que ela descobrir que ele não a valoriza, é certo que ela volte a se amar e veja que seu maior erro foi acreditar em quem não vale a pena!
Ele te olha e pergunta porque sente vontade de fazer de novo com você. Você devolve a pergunta. No final nenhuma resposta aparece. Eu no fundo, queria que a resposta fosse: amor!
Quem foi que lhe disse que só porque você pensa que é, tem que ser? Nem um carregamento de laranjas iguala todas elas.
Falta coragem e confiança para conversar coisas de cunho íntimo/pessoal com alguém. Porque as pessoas não entendem e criam uma imagem de que a pessoa é forte. E as vezes não é.
Voltar para casa e perceber que tudo mudou porque minha mãe não está mais aqui é como entrar em um lugar conhecido e, ao mesmo tempo, completamente estranho. As paredes continuam as mesmas, os objetos ainda estão no lugar, mas falta a presença que dava vida a tudo. Existe um silêncio diferente, um vazio que não é só ausência — é a certeza de que nunca mais será como antes.
Sinto um duplo vazio: o da saudade dela e o da perda daquilo que eu também era quando ela estava aqui. É como se uma parte da casa tivesse partido junto com ela, e outra parte de mim também. Tudo parece mais frio, mais distante, como se o mundo tivesse perdido um pouco do sentido e da cor.
É estranho perceber que o lugar continua existindo, mas o sentimento de lar mudou para sempre.
Constatar que voltar para casa, não é voltar, não é porque a mente mentiu, não foi imaginação ou ilusão. É porque voltar quando a mãe já não está mais lá, faz toda a diferença. A casa não existe mais. A ausência física dela dói, mas essa saudade é o reflexo do tamanho do amor que existia. O amor dela era o que nos unia e mantinha o meu porto seguro. E sem ela sou apenas um barco no oceano levada pelos ventos.
“Tem relações que a gente precisa aprender a soltar não porque foram pequenas, mas porque continuar nelas custa a nossa paz.”
Dr Ederson Dantas psicanalista CBO 2515-50
Talvez seja o tempo da despedida.
Não porque o afeto tenha morrido, mas porque tudo o que é vivo conhece a hora de partir. Há encontros que nos transformam, e despedidas que apenas revelam que já não somos os mesmos. Permanecer, às vezes, é negar o movimento da vida; partir, por vezes, é a forma mais silenciosa de honrar o que foi. Afinal, despedir-se não é apagar a história, mas permitir que ela encontre seu lugar na memória.
