Porque sou assim
Jesus perdoou demais, morreu
Lampião confiou demais, morreu
Sou tipo um general que lidera uma tropa vinda do breu
E eu não confio, nem perdoo, por isso mandaram eu!
“O Universo Ainda Sonha”
— Uma meditação poética em escala quântica
Sou feito de quase.
De talvez.
De não ainda.
Sou partícula que hesita,
onda que se dobra sobre si,
possibilidade que respira
antes de ser.
O universo não é sólido.
É uma canção suspensa
num campo invisível.
Cada átomo vibra —
não como certeza,
mas como desejo.
O tempo?
Não corre em linha.
Ele espirala.
Há instantes que existem
em superposição:
passado e futuro
emaranhados
no mesmo agora.
O que você lembra
ainda está acontecendo
em alguma dobra do tecido cósmico.
O espaço?
Não separa.
Disfarça.
O que ocorre em ti
reverbera em mim.
Choram estrelas que ainda não nasceram
nos olhos de quem agora duvida.
Chama-se entrelaçamento —
ou talvez,
aliança sutil.
A luz me ensina contradição.
Ela é partícula,
ela é onda.
É uma e muitas.
É presença e ausência.
É o verbo e o silêncio.
Eu também.
Sou sólido para quem me toca,
mas dissolvo-me
quando ninguém está olhando.
Heisenberg sorri no escuro:
“Não podes saber tudo.”
Quanto mais miras meu lugar,
menos sabes meu ritmo.
A vida, então, é incerteza sagrada.
O conhecimento,
um afeto que se contenta em não fechar a equação.
O observador cria o mundo.
A função de onda —
esse poema cósmico de possibilidades —
colapsa
quando você decide olhar.
Não é o mundo que acontece.
É o olhar que o inaugura.
Talvez a realidade inteira
seja tímida.
E só exista
quando encontra atenção amorosa.
No vácuo, há dança.
Mesmo no nada,
há flutuações.
O vazio é fértil.
É berçário de energia.
É o escuro onde o universo
ensaiou seu primeiro choro.
Talvez tudo tenha começado
com um sussurro quântico.
Um leve tremor.
Uma vibração inicial
que não era matéria,
mas intenção.
E do silêncio surgiram campos.
Dos campos, partículas.
Das partículas,
nós.
E ainda assim,
somos lembrança do todo.
Não estamos no universo.
Somos o universo
pensando sobre si mesmo.
Cada escolha tua
colapsa infinitos mundos.
Cada gesto de amor
reconfigura o campo.
Cada palavra sussurrada com verdade
altera a equação cósmica.
Talvez o livre-arbítrio
seja a capacidade
de decidir qual universo
queremos habitar.
E no fim —
ou no começo —
não haverá julgamento,
nem fórmula final.
Apenas uma pergunta
ainda pulsando no vácuo:
“Você dançou comigo?”
E se a resposta for sim,
o universo sorrirá
— e sonhará de novo.
já cheguei a um ponto, de me sentir rei em trono que não era meu, hoje reconheço que sou apenas viajante, nem oque penso ter, eu tenho, oque possuo não possuo, na verdade nada é meu .
Eu vivo em um abismo entre três ações, me lamentar por quem eu já fui, me frustar com quem eu sou e sonhar com quem eu quero ser.
Eu sou a mesma menina, o que mudou? Foi o que fizeram de mim, agreguei alguns pontos aos quais discordei e me tornei a mulher que sou hoje, mas segura do que tem importância para mim .
A vida é um aprendizado constante, são tantos pitacos, mas é você que faz a escolha do caminho que realmente agrega em sua vida.
Frase de Islene Souza. Souza
Amo escrever! mas sou anônimo nas minhas escritas, escrever me faz bem, é uma forma de desabafo, a caneta é minha boca, o papel o ouvido que ouve.
Sou aquilo que aparece quando o silêncio dura mais do que deveria. Nasço quando as palavras travam na garganta e os olhos desviam. Cresço quando a resposta demora, quando a promessa falha, quando o pensamento se repete. Estou entre o toque que hesita e o passo que recua. Habito os pensamentos dos que pensam demais, destruindo certezas com perguntas sem resposta. Não preciso ser mencionada para existir, porque mesmo sem ser dita, eu machuco. Eu me espalho em olhares, em mensagens não vistas, em gestos quebrados. Sou o que transforma amores em medos e decisões em prisões. Sou sutil, mas insuportável. Sou constante, mas jamais determinado. Eu sou a dúvida.
Sou Caminho
Sou feito de passos, de sonhos e de espera,
De pedras no chão e de esperança sincera.
Carrego nas mãos as marcas do que vivi,
E nos olhos, o brilho do que ainda está por vir.
O tempo me ensina, sem nunca ter pressa,
Que a vida é mais leve quando a alma se aquieta.
Que não há dor que não vire aprendizado,
Nem queda que não tenha um recomeço guardado.
Às vezes sou vento, às vezes sou chão,
Às vezes silêncio, às vezes canção.
Mas sigo em frente, inteiro, apesar da dor,
Feito ponte, feito estrada, feito amor.
E se o mundo pesar, que eu não perca a fé,
Que eu floresça, mesmo sendo só um grão de pé.
Porque viver é lutar, é cair, é sonhar,
É ser raiz, mas também se permitir voar.
Pergunte-me quem sou !
- Quem és Tu ?
- Eu sou Tu ! Mas quando não conversas comigo, Eu sou Ele.
Espelho do Ser. Eu reflito Tu porque Eu já não sou. Mas Tu és em mim. Eu sou teu espelho e teu reflexo perguntando a Si.
Quando não me usas, eu apenas observo. Então sou Ele. Aquilo que falas e busca com desejo de ser.
Então pergunte a mim: Espelho Espelho meu existe alguém mais sábio do que eu ?
E aguarde a resposta do silêncio. Assim saberás a resposta...
Palhaçada
É como o tempo passa,
Outrora,
Emo,
Que sou (confesso),
Usando MSN e Orkut,
Ouvindo Fresno (ainda escuto),
Sofrendo em lágrimas e dores,
De amores que nunca existiram,
Banal?
Não,
Mas, é incrível lembrar de como era a tal!
Não de "me achar",
Nunca fui isso,
Mas, de arcar com as responsabilidades da vida,
Até um pouco egoísta na época,
Achando que trabalho enriquece,
Mas, quem adoeceu com o tempo foi a alma,
Com calma,
A maturidade tomou conta,
E a conta?
Sim,
Chegou, veio com força,
Recuperando o que é bom,
Sanando o que não,
Firme com a firmeza de prego que se move na areia,
Num mundo líquido onde as certezas da vida se tornam incertezas,
Amores, desamores,
E rumores em verdade inconcreta.
Sou, sem dúvida, a pessoa mais infeliz que já existiu. Isso não é opinião — é constatação. Vivo todos os dias interpretando um personagem que sente repulsa por tudo. Odeio as pessoas, mas continuo me aproximando. Amo o silêncio, mas grito cada vez mais alto. Penso no futuro com frequência, e por isso destruo o presente. Admiro pessoas, e por isso me afasto. Amo animais, e por isso os abandono. Gostaria de ser amado, mas só sei amar. Vivo cada minuto, cada hora, me destruindo um pouco mais. E embora deseje a morte, continuo vivendo.
SANTUÁRIO
Eu sou na vida um emissário...
Dono do apropriado destino
Que se abriga em santuário
Que é algo surreal e divino...
Esperando os novos dias...
Sem conter nenhuma dor
Um aspirante de alegrias
Por onde esteja ou for...
Rabiscando novos versos...
Que na poesia eu explicito
Se há esforço? Não o meço
Trago paz em meu espírito...
Sendo grato a cada instante...
Por contemplar a natureza
O pôr do sol tão radiante
O vem e vai da correnteza...
Tendo mar em frente à porta...
Em seu frenético movimento
Com minha morada exposta
À mercê de qualquer vento...
(SANTUÁRIO - Edilon Moreira, Abril/2025)
QUEM DISSE QUE SOU POETA?
Quem disse que sou poeta?
Que tenho uma escrita boa?
Que a vida mantenho aberta,
Aos olhos de quem a destoa?
Quem disse que sou poeta?
Quem disse que poesia voa?
Talvez esteja em linha reta
Distante do mestre, Pessoa!
Quem disse que sou poeta?
E ando nas noites de Lisboa?
Saindo e entrando de festa
Seduzindo, seduzido, à toa?
(QUEM DISSE QUE SOU POETA? - Edilon Moreira, Setembro/2024)
BARCO A NAVEGAR
Eu sou barco a navegar...
O imenso mar da poesia
Sem pressa de regressar
Sem medo da ventania...
Fazendo o tempo passar...
Mais lento do que queria
E quem sabe alcançar?
O patamar da maestria...
Se a solidão me incomodar?...
Eu grito alto com euforia
Uma estrela há de escutar!
E virá fazer-me companhia...
A sua luz vem abrilhantar...
A minha poesia a acaricia
Na quilha vai continuar
E se colar com a maresia...
Verso a verso a se rimar...
Ao avesso da melancolia
Que só me faça ancorar
Quando a noite já for dia...
(BARCO A NAVEGAR - Edilon Moreira, Fevereiro/2020)
PESCADOR DE ESTRELAS
Sou pescador de estrelas...
Eu passo a noite a vagar
Para as fisgar ao vê-las
Sem o dia testemunhar...
Um pescador de estrelas...
Não sabe no mar pescar
Mas anda sobre as telhas
Pra mais perto as observar...
Sou pescador de estrelas...
E gosto de as colecionar
Pendurá-las nas orelhas
E meus caminhos iluminar...
Um pescador de estrelas...
Se soubesse poesia criar?
Comeria mel das abelhas
Para o verso se adocicar...
Sou pescador de estrelas...
As pesco para as lustrar
E só depois devolvê-las
Cada uma no exato lugar...
(PESCADOR DE ESTRELAS - Edilon Moreira, Dezembro/2020)
