Porque sou assim
"Quem sou eu, uma mosca ou uma abelha?
O que a abelha pensa da mosca é o mesmo que a mosca pensa da abelha.
A mosca é feliz no esterco, como as abelhas.
Mas, ao contrário, ambas ficariam tristes."
“Se não penso o pensamento que me faz pensar, não sou eu quem pensa; é o pensamento que pensa a ilusão de um ‘eu’.”
“Se não penso o meu pensar, meu pensar pensa por mim; e, quando isso acontece, quem vive não sou eu, é a minha mente que mente.”
“Se não penso no que penso, apenas sou pensado; e quem é pensado nunca soube, de fato, o que é pensar.”
Se eu não sei quem sou de verdade, quem é esse “eu” que responde quando me chamam?
Talvez essa seja a pergunta que passamos a vida inteira evitando responder.
Recebemos um nome antes de descobrir uma identidade. Herdamos crenças antes de desenvolver consciência. Aprendemos a representar papéis antes mesmo de conhecer o autor da própria história.
Passamos tanto tempo tentando ser alguém que nos esquecemos de descobrir quem somos.
Chamamos isso de personalidade.
Mas, e se personalidade for apenas a máscara que a sociedade aplaudiu até você acreditar que era o seu rosto?
O espelho nunca revelou você. Apenas refletiu sua aparência. A consciência, porém, revela aquilo que nenhuma imagem suporta mostrar.
Quem é você quando não há plateia?
Quem é você quando todas as expectativas morrem?
Quem é você quando o silêncio começa a fazer perguntas?
Talvez o maior erro da humanidade tenha sido procurar identidade no mundo, quando ela sempre esteve escondida no interior. Procuramos reconhecimento sem antes nos reconhecermos. Queremos ser vistos sem nunca termos nos enxergado.
É estranho…
Passamos a vida dizendo “eu penso”, sem perceber que boa parte dos nossos pensamentos nunca nasceu em nós.
Dizemos “eu quero”, sem saber quem escolheu os desejos que chamamos de nossos.
Defendemos opiniões que nunca examinamos.
Vivemos histórias que nunca escrevemos.
Se a mente mente, quantas das suas certezas são apenas mentiras bem organizadas?
Talvez você nunca tenha perdido a si mesmo.
Talvez nunca tenha se encontrado.
Existe uma enorme diferença.
Perder pressupõe possuir.
Como perder aquilo que nunca conhecemos?
Eis o paradoxo: passamos a vida procurando o sentido da existência, enquanto ignoramos a existência de quem procura.
Queremos descobrir o propósito da vida antes de descobrir quem está vivendo.
Talvez seja por isso que tantos chegam ao fim da caminhada sem jamais terem partido.
Respiraram.
Trabalharam.
Consumiram.
Envelheceram.
Mas nunca nasceram para si mesmos.
A maior distância não separa dois lugares.
Separa a pessoa da própria consciência.
E talvez a pergunta mais importante da vida nunca tenha sido:
“Quem sou eu?”
Mas sim:
“Quem ficou em meu lugar durante todo esse tempo?”
Carlos Eduardo Balcarse
11/06/2026
“Não sou responsável por todo pensamento que surge em mim, mas sou responsável pelo pensamento ao qual concedo autoridade sobre minhas escolhas.”
Hoje, completo mais um ciclo na vida.
Sou a expressão exata do tempo que me trouxe até aqui.
Sou minha história que se faz presente.
Sou a idade que o tempo me deu, perfeita para viver o agora, com a sabedoria e a euforia necessárias para abraçar os momentos que vivencio e compartilho.
Hoje, sou um espírito mais desperto, enriquecido pela experiência do que vivi e pela promessa do que ainda serei.
“Eu não bebo para esquecer quem sou, mas para lembrar que ainda preciso encontrar um jeito de viver sem fugir da minha dor.”
Um milésimo de segundo
Sou como asfalto quente em dia de calor. Absorvo tudo à minha volta:
cansaço,
rotina,
2.192,19$
um emprego sem benefícios,
segunda a sexta,
contrato político.
Deve ser por isso
que estou nervosa para a prova do concurso:
inflação,
dor no pescoço,
a louça por lavar,
ele não gostou da panqueca de banana.
Acho que tenho dificuldade
de aceitar que discordem de mim,
principalmente quando se trata
do homem que escolhi
para dividir a minha cama,
os meus dias de dor,
angústia
e raiva.
Apesar de tudo isso,
da vida
e do cotidiano
de uma mulher de 26 anos
que está aprendendo a viver,
tenho muita expansividade.
Sinto o toque da chuva,
o ardor dos raios de sol
pela janela do carro
Danço de calcinha
e sozinha,
lavando a louça.
São momentos assim
que fazem a vida valer a pena:
um milésimo de segundo
de insanidade.
... um paradoxo
assaz curioso: quanto
mais me conheço e me aceito
como sou, tanto mais revisto-me
de força e razões para
mudar!
Me sinto importante quando ponho sigla nas coisas.
MSI, QPSC.
O outro não precisa entender,
sou dinâmico, tô por dentro, e VSFdê.
Não sou tão forte quanto achei que seria. Nem tão humilde pra continuar me reduzindo a pedinte de amor.
_Ayra V. Alves
