Porque sou assim
"O nada se cansou de um ser nada, então se explodiu no big ben, virando muitos, dando assim vida, luz, consciência e instinto, razão a tudo."
"Segue a tua intuição, especialmente para fazer o bem, assim não serás juiz nem algoz de ninguém.
Quem julga se coloca acima do bem e do mal, quem acolhe, aceita
e respeita o desigual."
Assim pensa o poeta, em meio ao dilema entre fé e razão. Às vezes, ele anseia por acreditar, mas sua razão o leva a questionar a insensatez da fé. De forma inconsciente, a própria razão nega o que a fé propõe. E assim permanece a pergunta eterna: o que se esconde além do horizonte? O que existe atrás dos montes, sejam eles de retóricas ou metafísicos? Essa indagação, por sua mera existência, é capaz de gerar incerteza e dúvida.
No entanto, é justamente essa dúvida que impulsiona a pesquisa, a busca e a procura incessante por respostas. O ser racional se lança nessa jornada para compreender tanto o universo material em que está inserido quanto o metafísico em que foi gerado. Embora as respostas possam ser um simples "sim" ou "não", é essa ambiguidade que nos motiva a continuar. Afinal, na mente matemática, há um estímulo em explorar o que reside entre o "sim" e o "não".
Assim cantava a cotovia, eu, poeta triste,
ouvia encantado, sem saber o canto certo,
pensava, que sublime melodia,
e o espanto me levou ao som encoberto.
Aproximando-me, para ver a fonte,
vi-a então, a ave de luz divina,
que, ao voar, me deixou em um horizonte,
um deserto árido, onde o sol declina.
Seu canto era uma sinfonia de estrelas,
uma dança etérea em ondas de luz,
que encantou meu ser com notas singelas.
No deserto, onde o sol se esconde e reduz,
permaneci buscando, sob o céu profundo,
a mágica voz que trouxe beleza ao meu mundo.
Evan do Carmo
Soneto ao meu amor
A lua brilha, espelho do luar,
Reflete a luz que vem do seu senhor.
Assim sou eu, que busco o teu olhar,
E encontro em ti a fonte do amor.
No céu sereno, a lua em esplendor,
Inspira sonhos, faz o mar cantar.
Mas, sem o sol, é triste e sem valor
Perdida e fria, não pode brilhar.
Assim era eu, sem tua luz em mim,
Um ser sem rumo, triste a vagar.
Contigo, amor, conheci vida enfim,
E em teu carinho, volto a resplandecer.
És meu sol, que me faz renascer
E sem ti, não saberia sequer viver.
O Homem dos Sete Instrumentos
Chamam-me assim —
homem dos sete instrumentos —
mas não sabem:
não são sete,
nem instrumentos.
São cicatrizes.
São fomes.
São vozes que nunca couberam num só corpo.
Toco o violão como quem acaricia um amor perdido
que ainda respira na madeira.
O piano, como quem dialoga com espectros —
meus mortos têm teclas.
Canto como quem sangra acordes pela garganta.
Escrevo como quem rasga o próprio peito
à procura de um som
que ainda não nasceu.
Componho canções, poemas,
romances e vertigens.
Verso o que não sei nomear.
Não sou um, nem sou muitos.
Sou aquilo que sobra
quando o som se desfaz,
quando o aplauso se cala
e só resta o eco.
Sou o intervalo entre duas notas,
a pausa onde mora o abismo,
o silêncio que sustenta a beleza.
Cada instrumento em mim é um vazio domesticado,
uma ausência que aprendi a afinar.
Cada palavra, um grito soterrado.
Cada acorde, uma oração profana.
Sou feito de ecos e assombros,
de mãos que buscam o invisível,
de olhos que enxergam o que não se mostra.
Carrego um palco dentro do peito —
feito de memórias e ruínas —
onde cada noite,
sem que ninguém veja,
enceno minha última vez.
Se me chamam homem dos sete instrumentos,
é porque ainda não perceberam:
sou o que resta
quando a vida desaprende a dizer,
quando o mundo se recolhe
e só o humano
ainda insiste
em cantar.
Assim como os dias nublados, cedo ou tarde, têm que ceder lugar ao brilho do sol, o mesmo ocorre com os problemas que vêm até nós: não duram para sempre.
Uma construção fica firme quando se juntam substâncias sólidas e outras umedecidas. Assim também é a nossa vida. Ela só suporta as adversidades se formos submetidos aos mais variados tipos de provas.
Assim falou a vida:
Ilusão, tecida em sonhos dourados,
Nos olhos, um reflexo distorcido da realidade.
Despertamos do sono profundo, para ver a verdade nua,
Conhecer é despir-se da ilusão, enfrentar a tempestade com bravura.
Como um ônibus novo, confortável e seguro, assim deve ser a igreja que convida seus passageiros como ovelhas nas mãos do Pastor ao destino dos Céus.
Perdoa a quem você ofendeu e perdoe quando foi ofendido, pois assim Deus agirá em seu favor, trazendo-lhe os maiores benefícios.
Como um fumante que expele a fumaça do pulmão para os ares, assim serão os desobedientes no inferno expelidos da presença eterna de Deus.
Tente esconder todas as sujeiras de uma casa na cozinha, assim é o pecador que não retira seus pecados do coração.
Um time de futebol faz gols e tem a vitória quando a sua equipe trabalha coordenada. Assim é a família quando está unida nos mesmos propósitos.
Pela arte se expressa os sentimentos de um pintor, assim é a obra de um cristão que expressa seus agradecimentos a Deus.
