Porque hoje e Sabado Vinicius de Moraes
Do quase nada
que aos olhos do mundo
se pode resumir
desta existência
eu hoje falo da saudade
que haverei de sentir
daquilo que resumo
como humilde humanidade
por ter vindo a este mundo
e uma vez aqui estando
não saber pra onde ir
esgotadas
todas as possibilidades
eu fiquei por aqui
respirando
pensando
aguardando
chorando de vez em quando
disse quase tudo
que queria
muita coisa
deixei pra depois
mas o "depois"
ainda não é hoje
e talvez não seja
nenhum dia
mesmo assim
não sei dizer
se foi por comodismo
ou esperança
de poder viver
aquele dia
que nunca chegou
de aguardar você dizer
aquilo que nunca falou
mas hoje eu sei
e percebo que sinto
a falta de lugares
de animais de estimação
da minha mãe dizendo "não"
de olhares que eu nunca entendi
o quê que queriam dizer
mas a saudade que eu sei
que mais haverá de doer
é aquela que eu sei que
vou continuar sentindo
de você.
Existe a lei da atração
Que funciona de verdade
E aquilo que hoje te atrai
Se tiver que te fazer
ir ao inferno
você vai
E é igual à gravidade
Que te dá estabilidade
até mesmo quando cai
A atração muitas vezes
te leva à queda
Que pode durar
uma vida ou um momento
Se acompanhada
pelo sentimento
Que dura
Sentimento
Que muito te custa
Atração
Que de certa forma
Ilustra
A lei da oferta
e da procura
E procura suprir
Tua vida deserta
Infestada
de desejos suprimidos
bem quereres
de duplos sentidos
Bem-me-queres
Malmequeres
Contigo e por ti
Eu daria
e dividiria
Minha vida
E assim te faria
pra sempre
Para sempre
Margarida.
Nesta vida
Da qual
eu nunca quis
nada
Hoje peço
me ensina, meu Deus
me diz
O que é preciso fazer
Pra poder conquistar
O coração de uma fada?
Uma fada que não peça amor
Por saber que já o tem
Uma fada sem rancor
e nem ciúme
Segura por saber
Que não sinto
em mais ninguém
O seu perfume
O aroma
Que emana da alma
E faz meus olhos
Só a ela ver
E quando olho
vejo coisas que
outros não vêem
Aquela luz
Que ultrapassa
os limites
do sorriso
irradiando
Além
dos seus limites
Se é que uma Fada
Pode ter limites
Eu acho
Que não tem.
Hoje o Sol não brilha
Agora o pensamento falha
e enquanto caem as folhas
o vento sopra
e não trás nada
além de lembranças
de tanta
alegria perdida
tento calcular
o desespero que eu sinto
mas, há coisas que
não se mensura
acima das nuvens
as estrelas não se movem
eu tento enxergá-las
mesmo assim
e a vida
vai passando em vão
assim como são vãs
as falsas alegrias
que passadas
não deixaram nada
lembranças sem garantia
já sepultadas
hoje em dia
Hoje o Sol não brilhou
hoje eu não olhei pro Céu
Há dias em que as coisas páram
Há tempos em que as coisas
mudam depressa
Não percebemos
Quando foi que amiudaram
As esperanças
vão sumindo
Conforme os dias correm
Fantasias coloridas
cores fantasiadas
Dourados raios de Sol
Que sempre me iluminaram
Há dias em que as coisas páram
tudo volta a ser semente.
Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar
Se Deus me permitisse
e prometesse ser atendido
eu lhE dirigiria hoje
um único pedido:
Pediria somente que somasse
os dias que ainda me restam
E dividisse ou doasse
Entre as pessoas que ainda precisam
ver prolongados seus dias
Neste mundo
E que depois me recolhesse
Agora, neste segundo
A outro lugar, aonde eu sentisse
Necessária a minha presença
Pois eu ando
tão cansado desta vida
Cansei-me
e meu cansaço ultrapassa
as ilusões desmedidas.
escondidas sob imensas
cortinas de fumaça
Te peço hoje, Meu Pai
Escute teu filho
e se eu merecer
Por favor
Faça.
Hoje
Com a força do pensamento
Te mando Flores
Te mando um beijo
Te envio finalmente
Meus sentimentos de saudade
Saudade da boa
Dor da melhor qualidade
Vontade de Poeta
Emoção de Sertanejo
Tristeza de Verdade
Daquelas da qual
Não se fala à toa
E nem se sabe
Simplesmente
Se Sente
E quando a gente sente
Dá Vontade de Ver
Urgentemente
Hoje
Eu queria te dizer
Mais uma vez
A vida passou
E você
Perdeu a Oportunidade.
Voltando pra casa
vou cantando pela estrada
estou sorrindo
pois não há hoje
nada
Que me tire esta alegria
de Olhar pelo caminho a luz do Sol
As verdejantes folhas
passeando no caminho
Os pássaros alegres
Num alegre vai e vem
Pelos seus ninhos
e outros
Num alegre vai e vem
a formar novas famílias
borboletas e romãs
Maçãs e silhuetas
de anjos
alguns tocam trombetas
outros Harpa
e outros banjo
Eu estou à caminho de casa
Mas não da casa
Aonde não gostavam de mim
Eu estou a caminho de outra casa
De onde eu parti há muito tempo
E volto hoje com o sentimento
e a certeza
de ter finalmente cumprido uma missão
cuspiram no meu rosto
Me enganaram
Recusaram-se a apertar a minha mão
então
Estou feliz
Pois mesmo assim
consegui fazer
tudo que eu fiz
e nada mais me resta
A não ser
caminhar
caminhar de volta
para a linda festa
que me aguarda
no meu lar
de onde
há muito parti
As canções que cantava sozinho
Enquanto aprendia a entoar
Hoje cantas de Terno em linho
Nos palcos qua a vida dá
A voz de Fellipe Arcanjo
Há de encantar a Cidade
Menino de Pouca idade
Que nasceu para cantar
Menino chamado Fellipe
Violão e barba de Hippie
Faz teu som quando anoitece
Dizendo tudo que a gente
Queria ouvir e saber
Teus poemas nos dizem tudo
Amor, esperanças e medos
Que temos no coração
Escondes de nós um segredo
A magia que tens nos dedos
Em contato ao violão
Noite triste, se torna alegria
Antes do raiar do dia
Sublimes arranjos
Escritos por anjos
Que beijaram-lhe as mãos
Quando nasceste
Meu Deus, que canção é esta
Meu Deus, que menino é este?
Desejo que a partir de hoje
Em nossos caminhos haja somente
A luz do Sol, Flores, amores de todas as qualidades
Dias felizes, solução para todas as crises
E uma cadeira de balanço
Nos finais de tarde
Eu vejo a luz do Sol descendo
Iluminando, aquecendo e clareando
A Terra, as raízes e as pétalas das flores
Eu vejo flores
A enfeitar nossos caminhos
A perfumar, A ornamentar, A tornar muito mais belas
A minha vida
A sua vida
E as vidas de todas aquelas
Pessoas que até a pouco tempo
Por viver uma vida de dor
Havia há muito
Se esquecido de algo que sempre vem por cor
Nos caminhos cinzentos pelos quais passávamos
Caminhando em silencio
Antes que os pássaros acordem
E uma cadeira de balanço
No final da Tarde
Eu quero que estejam bem próximas
As manhãs felizes
Que todas as nossas vidas merecem
Que esteja em nossos caminhos
O maior número possível de notas máximas
Que as pessoas que amamos
Estejam sempre bem pertinho
E que nunca recusem-nos abraços
E que possamos apoiar-nos
Uns aos outros
Na realização de cada passo desta dança
Que nos venha sempre
Aquele sonho de criança
Mas que venha sem fazer alarde
E que haja sempre uma cadeira que balança
Onde possamos nos sentar e gargalhar
No final de cada tarde.
Bom dia, Bento
Eu hoje orei por ti
Senti tua benção
Que veio junto ao vento
Tua Luz luziu
junto ao meu leito
Janelas fechadas, ainda
Pensei então
em teus preceitos
Naquele perfeito
Momento de Paz
Agradeci a Deus
a tua ordem
Neste primeiro
Momento do dia
Antes que os pássaros
acordem
Antes que o malho
do martelo
Coloque mais calos
nas mãos
deste teu
singelo operário
Antes que os trens
iniciem a jornada
pelos trilhos
Em
Mais um dia de trabalho
Neste momento
Tão
Lento e sonolento
te peço
São Bento
Abençoa
Teus filhos.
Hoje em dia não posso mais
Correr como eu corria
Se eu tentasse
Tenho certeza
Que com o tempo
Recuperaria o meu fôlego
Perderia esse jeito
Trôpego de agora
Não vejo razão pra isso
Não há mais com quem correr
Aqueles amigos partiram
Os meninos que corriam
Se foram todos embora
Não saem mais para brincar
Parece que me esqueceram
Inventaram uma brincadeira
de esconder
Em que a gente procura
E não encontra
Entraram num túnel
de onde ninguém sai
depois que entra
E eu fiquei aqui
Sentado à sombra da saudade
Privado da liberdade
de rir como a gente ria
E a cada amigo que partia
Uma parte da minha vida
Consigo eles levaram
Ou será que ainda estão lá
Esses pedaços?
Em cima de árvores que cortaram
Ruas de terra que asfaltaram
Bicicletas que enferrujaram
Nos planos que a gente fez
e eles não viveram
Pra cumprir
Foram viver em outros mundos
Outros planos, outros níveis
Às vezes eu os sinto aqui
Ninguém vê, só eu os vi
Pois hoje eles são apenas
Meus amigos invisíveis.
Hoje
Eu pensei em você
Passei um tempo assim
Meio triste
E meio sem saber
O quê te fiz
Olhando fotos
Hoje, antigas
Fitei-me no espelho sem mentiras
Concluí
Que ainda sou o mesmo
Porém o teu olhar
Mudou demais
Há ainda
Um Oceano infinito
de lugares vazios
Ao redor de mim
Você não quis ficar
em nenhum deles
mesmo assim
Aquelas quadras de amarelinha
e a corda que a gente pulava
Estão para sempre apagadas
das tardes que, porventura
você talvez ainda traga
Nesse teu duro coração
E assim
A história se acabou
antes do fim
Melhor eu levantar-me
e ir-me embora
No teatro que encenas na vida
Eu sei, não pode haver
Lugar pra mim
Eu hoje acordei
Sem saber se estava acordado
Às vezes eu sou assim
Talvez eu só tenha sonhado
Que caminhava num belo mundo
de uma leveza sem fim
Vislumbrava uma gente
Que não falava mal
Não desejava mal
Nem fazia mal nenhum
Deixei meus receios guardados
Fui pro meio do Quintal
Belezas por todo lado
Tinha cavalos e capim
Para as árvores que morriam
Havia ali os cupins
Céus azuis sem fim
Pintados por nuvens e promessa
Águas raras corriam em rios
Insetos, sem qualquer pressa
A voar por entre flores
Num mundo com todas as cores
Um Céu com todas estrelas
e todos os pássaros também
Um Mar com todos os peixes
Florestas e campos e campinas e relvas
e selvas e colinas e desertos e montanhas
Pude ver tudo de perto
E todos os animais
Tudo no lugar
Tudo nos preceitos
Porém, entre tudo
o mais perfeito
eram as pessoas
Todas elas, boas demais
Este mundo as admirava
e nós éramos iguais.
De vez em quando eu vou à Lua
Hoje, não sei se voltei de lá
E fui direto ao fundo do Mar
Este lugar é tão pequeno
Me deixes ao menos querer
Assim como sempre me deixaste
Partir e ir embora
Sei que nem ao menos percebeste
Mas viajaste comigo no tempo
A sessenta minutos por hora
Achando tudo errado
O que quero, o que penso e o que faço
Neste tempo e neste espaço
Criticando o meu sucesso
e aplaudindo meus fracassos
Não sei se te deste conta
Mas um dia estarei partindo
E pra sempre estarei por lá
Aproveites hoje o meu abraço
Pois não voltarei jamais
Pra este lugar ao seu lado
e tu, que tanto me preteriste
Finalmente há de saber
O que é ser triste.
O Sol ainda não se apagou
Hoje ele calcinou a terra
Amanhã
Ele haverá de evaporar os mares
E nuvens virão
Com ares de bem aventurança
Hoje
Meu coração amanheceu
Tão frio quanto este dia
E não sei
Quanto tempo eu vou viver
Sem saber se novamente
Haverá nele calor
Eu pensava que o amor
A gente levasse com a gente
Não percebi que ele morria
Pois nele eu vivia absorto
Não via que estava morto
E vivia em mim somente
Nem sei se existiu de fato
Ou foi coisa da minha mente
Amor, algo assim, abstrato
Verdadeira mentira
Pura ilusão
Concreta agora
É somente a ira
Que me congela o coração.
Hoje eu compreendo
Que errei muito
por não saber
Se eu soubesse
Talvez tivesse errado mais
Alguns de meus erros
foram bons pra muita gente
Se imaginasse
Teria errado novamente
Não somente os erros cometidos
Que hoje eu vejo
Não como simples erros vãos
foram erros acertados, muito bons
Por não terem feito mal a ninguém
Grandes erros
Não os cometi
E jamais os faria
Esses acertos também
Me fazem sentir muito bem
Errei algumas pedras
que joguei em passarinhos
Errei quando decidi
Ser escritor de poesia
Errei em dividir muita coisa
Com quem mais tarde
Achei que não merecia
Errei em não ter escolhido outro caminho
Errei por ter feito o que fiz
Em lugar de fazer o que eu queria
Errei ao dizer as palavras que eu disse
num momento em que não pensei no que falava
mas eu fiz naquele dia
Se eu visse naquele tempo
A paz que me faz sentir hoje
Errava mais, juro que errava
O Universo
Este local
até hoje inexplicável
onde vivemos,
sem saber se é mesmo verdade
A existência de nós mesmos
Vivemos
Em vez de buscar explicação
para tudo que vemos
Quanto mais se descobre
mais descobrimos
que menos sabíamos
Abre-se uma porta
Estamos à um passo das estrelas
E cada dia mais distantes
das respostas escondidas
em cada descoberta
com as quais ninguém concorda
de vez em quando
alguém abre a porta certa
Em vez de outro abismo
aparece a teoria das cordas
até que um dia
percebemos
que estão também aqui
e que também estamos
estivemos ou estaremos
lá
Nos confins dessa infinita
estrada que o tempo não alcança
dançando sem saber
cada passo dessa dança
que ninguém vai saber explicar
se não conseguir
tornar a ter o que um dia chamávamos
de pureza da criança
Explicamos o corpo usando o cérebro
Não se explica o cérebro
Usando apenas ele mesmo
Abre-se uma porta
caimos no abismo
no qual ninguém cairia
se voltasse a usar apenas
a sabedoria que um dia tivemos
e não sabemos aonde ficou
Portanto
Ignoramos o tudo
Em vez de entender o nada
Eu gostaria hoje
de possuir um grande quintal
onde pudesse plantar tomates,
alface e abacates
Um lugar onde a gente pisasse
e isso não fizesse mal
Queria plantar também
Amor, harmonia e perdão
Fidelidade, fé e compaixão
Eu queria semear amor
e poder distribuí-lo
diminuir a dor do Mundo
Queria plantar maçãs
e distribuir a comida
Que alimentasse as almas e os corpos
das pessoas que também quisessem
A todos ver e ser vistas como irmãs
Queria hoje
dividir todas as conquistas
Mas não gostaria de conquistar nada
Que não pudesse ser compartilhado
Ao longo dessa estrada
de onde nada se leva
Queria saber fazer
Brotar a luz
Onde existe apenas treva
Se eu tivesse apenas um quintal
Creio que seria suficiente
desde que houvesse mais gente
Que compartilhasse da vontade
de viver e fazer valer
uma vida onde tudo
Fosse constituído
Pura e simplesmente
da verdade que a tudo supera
E que todos os dias em nossas vidas
Fossem constituídos
Somente de primaveras.
