Porque hoje e Sabado Vinicius de Moraes
Hoje
Eu gosto de saber
O quanto é curta a vida
Longe
Encosto meus ouvidos
Na parte estreita
Escondida nas dobras do tempo
Pois o tempo sim, se curva
Estronda uma trova
Um dobrado
Apito de trem
Um grito que me vem
do outro lado
Prova
Que apesar de ser
Curta a vida
A vasta estrada continua
Basta saber
O túnel
Que deve ser atravessado
depois da próxima curva
Onde existe um rio de águas turvas
Ou uma linda alameda
Que culmina
Em límpida queda d'água
e envereda
Noutra estrada
Esta, bem colorida
Onde se vive
Pro resto d'outra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu fiz café
E desfiz a amizade
da saudade que eu sentia
de mim mesmo
Parece a semana passada
Mas faz muito tempo...
Eu sentia um perfume
Que até hoje eu não sei ao certo
A vida não era
Um caminho de estrelas
A vida era o nada
Onde a trilha era delas
Meus pés vão pisando outro chão
Onde o brilho são vagalumes
Hoje eu fiz café só pra mim
Hoje eu vi que tinha
Borboletas coloridas
Bordadas
Na única xícara que não quebrou
A vida ilude
Mas não faz feliz
Acordo outra vez
Agora não sou mais
Um menino de giz
Desenhado num muro
Novamente me vi de pé
Transbordando o café na pia
Acordo de novo
Dessa vez
No mesmo dia
Percebo que nunca mais
Quero estar perdido
O poema de hoje
Ainda nem foi escrito
O dia de ontem
Escurece no esquecimento
Borboleta que pousa na minha mão
Minha única xícara
Linda... e última vida.
Edson Ricardo Paiva.
Sobre o Sol que nos encobre
Hoje eu queria saber
Que será que ele sabia
Estarmos nós aqui
Ou será que ele só alumia
Sem sequer imaginar
Sobre a poesia que nos inspira
A luz derramada
Por sobre os nossos dias
Os caminhos da vida
E os desalinhos das trilhas
E, que apesar de tanta luz
Não sabia de nada
Somos nós, tão pequenos
Que apenas nos cabe viver
Sem nunca...jamais conhecer
O tamanho do alcance das suas vistas
É tão estranho
Ver o Sol lá no Céu, todo dia
E não saber
Que será
Que ele brilhava tanto
A buscar companhia
E no entanto
Solidão era só o que sentia.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Pensei que fosse
por acidente
Pois encontrei-me comigo
Achei que era sorte
Pois era aquele lado de mim
Que era amigo
E que eu nem percebia
Que tinha deixado saudade
Mas como o acaso inexiste
Cheguei a sentir-me um tanto triste
Quando percebi
Que ele esteve sempre aqui
E era eu
Que tinha me afastado
De mim mesmo
Acontece
Que isso acontece
Muito mais do que se pensa
Mas o tempo passa depressa
E um dia, de repente
A gente deixa de perceber
Que existe sim, diferença
Entre viver somente
E viver
E querer estar comigo
Gostar de mim
Assim, do jeito que eu era
Imperfeito, assim como sou ainda
Porém um tanto mais vivido
Pois, não existe
Ninguém neste mundo
Mais indicado que eu
E esse meu lado que gosta de mim
Pra poder me aconselhar
Nas horas que pensar em ficar triste
E agora
Vou estar comigo
Até o fim
Só não sei por que foi que eu permiti
Que a vida toda
Não tenha sido assim.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje, surge meio que atalhado
Creio que seja esse meu jeito
Esse jeito meio que imperfeito
De olhar sempre de lado
Para as coisas do horizonte
Surge um Sol minguante, meio alaranjado
Emerge uma luz meio apagada
Iluminando meio que quase nada
Na fresta por entre as telhas
Restando um pouquinho pra cada telhado
Era o ventre do mundo, era uma luzinha assim...de nada
Reflete no espelho, me olhando de esguelha
Repetindo a imagem de alguém que hoje sou
Mas que ontem não era eu
Esse é algo que eu resgatei
Antes que se perdesse por completo
Pode ser que seja ainda alguém
Quem sabe ainda tenha uma alma
Eu sei que, ao caminhar na chuva, se molha
E, que ao pisar na folha, chega quase a barulhar
Mas elas farfalham também ao vento
Quem sabe todos nós, sejamos folhas que arremedam gentes
Hoje, surgiu meio que atalhado, o Sol
E eu olhei-o meio de soslaio
Percebi como sou diferente das folhas
As folhas são filhas de Deus e se quedam
Eu caio.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Eu escrevo pra falar em brumas
Algumas ocultam, sem muito enlevo, a arte da vida
E as trazem de volta
A dizer de coisas que nos fogem
Que se vão na distração dos tempos...tempos correm
Até que um dia os ponteiros parem
e ponham um espelho à nossa frente
Pra que, enfim, a gente se encare
E sem que haja mais tempo, nem mesmo para uma prece
Comece a fazer um inventário
Acerca da própria existência
Nas quatro folhas do trevo da rude vida
Uma delas foi a coragem, talvez a sua falta
Outra o caminho, a miragem que ilude
Mais uma outra, o carinho ausente
A exibir os seus dentes, seus cortes
A folha derradeira, foram as escolhas
O tempo revela que a vida não atende a pedidos
Nenhuma delas foi sorte.
Edson Ricardo Paiva.
Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia
Pode ser que elas voltem
E que nos contem por um momento
O que era que estava escrito
Numa manhã de Sol qualquer
Poder ser manhã de um Sol que se sente só
Sentindo um nó na garganta
Por ver-se só, lá acima da tempestade
Numa tarde de chuva que nos invade
Só que é aquela chuva que não chove
Poesia de quê?
Poesia de tarde, poesia que vem de cima
Que não faz chorar e nem sentir
Poesia de nuvem, que não comove
E esconde o Sol que nos olha
Sem nada nos olhos, nem no olhar
Cada dia é outro dia
Pode ser que hoje, ainda
Elas chovam sobre nós por um momento
Trazendo uma noite estrelada, uma noite linda
Dia de esperar, não era
Era dia de espera só
De olhar o Sol detrás da nuvem, igual criança
Com o todo nos olhos, tendo estrelas no olhar
Escrevendo poesia de esperança.
Edson Ricardo Paiva.
"Agora é outro dia
Poesia de que?
Hoje é dia de nuvens
São só palavras que se vão no vento
Amanhã é outro dia"
Edson Ricardo Paiva
Se Deus me permitisse hoje
Dirigir uma oração
Eu a dedicaria a toda porta que se fechou
Diria para a chuva que me molha só
No fim da viagem perdida
Às janelas onde eu olho e não vejo sorriso
Eu diria que não preciso de nada disso
Que a porta se feche e me deixe aqui fora
Que a viagem se perca, porque ainda há todo um mundo
E ele prossegue e segue em frente, muito após aquela cerca
E que eu e a chuva estamos sós
Mas que nunca estivemos sozinhos
Porque ainda temos a nós
E temos muitos lugares onde ir
Temos os olhos do céu para olhar
E tantas estrelas a quem confessar
Dizer tudo que queria dizer
Mas que jamais foi escrito
Dizer que a estrada termina
E que o lugar ao final do caminho era bonito
Tinha toda uma primavera por lá
Mas que eu não preciso de nada disso
Eu tenho a chuva ainda
Ontem ela veio de madrugada
Veio assim, do nada
E eu tenho o nada, ele traz coisas que são de verdade
Coisas assim, tipo a chuva e a saudade
Pois os olhos da noite, quando brilham no sereno
São coisas que se encaixam nos meus sonhos
Nos meus olhos tristes e sem viço
Pois o fim da estrada ainda existe, ele está lá
Mas ninguém precisa vir...esquece
Não precisamos de nada disso.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje é dia de juntar as folhas
De fazer o pão, de consertar telhados
Ou talvez de só ficar olhando o céu
Sentar-me no chão da calçada
Arrancar as ervas que crescem nos vãos
Pensar na vida é não pensar em nada
Nada além de esperar que ela aconteça
Hoje é outro dia
E todo dia tem sido assim
Dia de olhar a pluma passar flutuando
Fazer bolhas de espuma, buscar borboletas
De pensar nos medos que foram tolos
Em outros que ainda são
E deixar que eles cresçam
Assim, que nem contar segredo ao beija-flor
E mais uma vez fazer um pedido à estrela que cai
Hoje é dia de ficar à toa, enquanto come o pão
Fazer tocaia pra noite é o que nos resta
Olhar entre as frestas dos olhos
E esperar que outra estrela caia
De pedir ao tempo que ele pare
E aguardar que não seja atendido
Porque ele não para
Tomara, então, que seja bela a tarde
Que o vento traga uma boa mensagem
E que o coração esteja atento e a guarde
Enviar um convite à propria alma
Aguardar que ela apareça
dasabroche e floresça
Como a mais pura e bela verdade
Aquela, pela qual se espera uma vida
E que jamais se escuta, não pela sua ausência
Pedir que permaneça e nunca mais nos deixe
Quando o coração se nega a ouvi-la
E não a procura
A voz da alma se oculta
A mão conserta o telhado
Não deixa passar luz de lua
Mas a verdade insistente
Ela cresce entre os vãos da calçada
Como um sonho de luz que valsa no céu na noite
E prepara outro dia de acalmar o coração
Pra tudo que a Deus pertence
Deixa o tempo passar com a balsa
Como a alma descalça na areia de algum lugar
Não existe o mar do impossível
Hoje é dia de quebrar telhados
De espalhar as folhas
Fazer bolhas de sabão pra botar poesia
Sentar na calçada e dividir o pão dessa vida
Podia ser hoje esse dia.
Edson Ricardo Paiva.
A janela, que hoje range, ainda é a mesma
Aquele arbusto, a jasmineira
A pele, outrora...a pele
O músculo que espasma
A hora, o tempo, a vida, o custo, a espera
Era tudo um sonho, um som que vem
Que nem se fosse um vento, um canto
O pranto desses pássaros
A pele que era tão...e que era tanto
Pensamento vem de algum lugar
Hoje parece ser tão longe quanto o é
Ontem não era
Ontem, uma ilusão
Tanto faz se futuro ou passado
Quando se aprende a olhar no escuro
É triste, não existem corações assim, desertos
Tanto faz se perto ou longe
A janela ainda é a mesma, hoje ela range
O Sol no céu não mudou nada
Coração deserto, todo mundo aqui
Se olhar de perto, olhar por dentro
Por certo quase todo mundo ainda é igual
É como olhar a capa, o livro, há muito o li
A história ainda é a mesma, amarelada
Mas a maneira de entendê-la, não.
A janela, hoje pintada
Imita outra, finge nova
Mas o tempo limita, põe à prova, leva ao longe
Tão longe quanto o é, quanto parece ser
E a janela, outrora aquela, agora range.
Edson Ricardo Paiva.
Liberdade
Andar descalço ao entardecer
Caminhar no mesmo passo
Içar a vela
Perfume de outrora
Hoje é pranto de estrelas
Saudades são vagalumes
E sorrir sem vontade
Estrelas que brilham porque a luz mandou
Te parecem ser bem mais felizes
Navega perdida a verdade de agora
Só o tempo é livre
Arguto, ele passa sem te olhar
Calçar os sapatos, pisar diferente
Fui olhar a flor que foi bonita
Na leveza do vento
Como quem caminha lento agora
Gruda na roupa da gente uma luz de garoa
Uma gota a mais, transborda
Acorda tua eterna vontade
Não sabe de quê
Qual canoa se afasta a vagar
Essa estrada que se vive, ela tem fim
Não se pode segurar o tempo, ele não fica
Só que isso não significa
Ao tempo que ele seja livre.
Edson Ricardo Paiva.
Meio poema.
Hoje
Amanheceu assim, meio que colorido
Assim me veio
Meio que uma ideia
Meio que um acordo
Selado comigo
Por medo de um medo alheio
Se a cor do dia trouxesse
Aquela alegria
Que tem dias a gente
Palmeia na mente
Que tanto a semeia no peito
Do jeito que anseia
De tantas vezes
Que ela veio e desviou-se
Mas hoje, essa manhã tão colorida
Trouxe meio que o doce da vida
Meio que rateada
Trouxe um pouco
Um quase nada de esperança
Creio eu que seja fruto
Da sabedoria adquirida
Depois de tanto dia amanhecido em minha vida
Cuja mensagem, que vejo na imagem do dia
É a de que toda e qualquer esperança
Cuja cara de alegria faz
Sobrepuja, ultrapassa veloz
A toda experiência atroz vivida
E que a menor de todas as simplicidades
Elas sempre se sobrepõem em graça
Expondo a verdade e o sentido da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje amanheceu chovendo
O pássaro dormia, ele partiu
Meu dia amanheceu calor
Olhando o mesmo mundo
O vejo mais distante
Desejo ao pássaro
Uma boa viajem somente
Não tem como sentir
A dor de fazer tudo igual, diferente
Meu dia amanheceu
Tão quente
Sem motivo pra calar
Não faz mal estar tudo bem
Quando estar tudo bem
Não é, nem de longe, importante
O ar quente do balão
O vento forte contra a asa do avião
O tempo breve, cuja vida abrange
A grandeza do anjo
A beleza do jardim lá fora
O pássaro que há muito adormecido
Fez uma curva no céu
Acenou-me um adeus
Era a hora de partir
A corda do violão
Arrebentou, quando eu não estava perto
Se fez algum ruído ou não
Não sei
Somente o anjo, coração deserto
Decerto estava lá pra ouvir.
Edson Ricardo Paiva.
Confissão.
Hoje eu compreendo
Que errei muito
Errei, por não saber
Se soubesse
Talvez tivesse errado mais
Alguns de meus erros
Foram simplesmente bons
Se imaginasse
Teria errado novamente
Não somente os erros cometidos
Que hoje eu vejo
Como simples erros vãos
foram erros acertados, muito bons
Por não terem ferido a ninguém
Ninguém que não merecesse
Grandes erros
Não os cometi
Nem jamais o faria
Esses acertos também
Me fazem sentir
Muito bem, hoje em dia
Enganei-me aqui e ali
Enquanto isso, eu vivia
Errei algumas pedras
que joguei em passarinhos
Errei sobremaneira, no dia que decidi
Escrever minha primeira poesia
Errei em dividir muita coisa
Com quem eu, mais tarde
Fui ver que não merecia
Errei, por não ter escolhido outro caminho
Errei, por ter feito o que fiz
Em lugar de fazer o que eu queria
Errei ao dizer as palavras que eu disse
num momento em que não pensei no que falava
mas que eu fiz naquele dia
Se tivesse percebido a tempo
A paz que me faz sentir hoje
Errava mais, por Deus que eu errava!
Edson Ricardo Paiva.
Vivência.
Hoje eu vejo as coisas
De maneira que eu não via
Nunca fui de muito me atentar
Queira ou não queira
Cada qual tem seu jeito
Nunca fui de ter jeito pra nada
E meu mundo era perfeito assim
Creio que há mais sentido
Em não buscá-los
O tempo sempre traz a direção
E eu jamais sentia pressa
Promessas
Nunca fui de acreditar ou não
Nem duvidar
A verdade vem no vento
Vem depressa e devagar
Nunca fui de escolher
Qual dor eu queria sentir
Não se pode evitá-la, ela vem
Fui deixando a vida decidir por mim
Eu gostava de verdade
Era só de viver
Montar os quebra-cabeças que a vida traz
Desde o início ela trazia
Eu, por não ter aprendido mentir
Não busquei saber se era verdade
Nem jamais pensei que a vida fosse
Fácil e nem difícil: eu vivia.
Gostava de andar na chuva
Olhar o trem de longe, ouvir o sino na igreja
e os passos lá fora, quando era de madrugada
Nunca fui de espera ou de esperar
Pra falar a verdade, eu nunca fui de nada
Sonhava escrever poesia
Arquitetar um jeito de exprimir o que eu sentia
Assim como Deus é o Poeta
Que arquiteta a vida da gente
Numa métrica milimetrada
E que coloca, lá na frente, um tempo
Onde a gente passe a ver as coisas
De maneira que não voltemos jamais
A ser quem já fomos um dia
E nem nunca mudar nada, além de nós
As coisas que vemos ou não
Elas vão permanecer iguais
Antes...após!
Edson Ricardo Paiva.
O quanto eu desconheço o amanhã.
O que ontem
A serena silhueta da janela
Pensava saber
Hoje, a olhando assim, de longe
Aparenta ter certeza que não sabe
O tempo trouxe uma surpresa
Mas ainda não mostrou como se desembrulha
De longe, apenas vejo
A sereninade, que antes não havia
Hoje, apesar de cair com mais facilidade
Tende a demonstrar mais equilíbrio
e menos pressa
Aparenta ter mais fé
e menos crença nas promessas
Chega mesmo a transmitir-me
Uma certa impressão
De que hoje ela até pense, antes de agir
Mas não sou de me deixar levar por impressões
Eu só conheço o tempo, pois conheço o ontem
Eu conheço o tempo e reconheço
O quanto eu desconheço o amanhã
No mais, tudo são só divagações
Que hoje, olho de longe
Eu só conheço o tempo e as coisas que ele faz
As folhas caem, as folhas secam
O tempo trouxe uma surpresa, uma fagulha
O que ainda não se sabe
Somente o tempo sabe o jeito certo
Que se desembrulha
Tudo mais é chama.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu quero ir pra algum lugar
Onde pensassem por mim
estou cansado de tentar
quero parar e ver meu fim
Quero ir para um lugar
onde não sei aonde
passar por um buraco de minhoca
sentado na janela do bonde
hoje eu quero comer fruta do conde
olhando roupas balançando no varal
nos fundos de algum quintal
Quem sabe o vento me carregue
até que o tempo me vença e eu me entregue
hoje eu quero ir pro céu numa charrete
atravessar o rio
carregando uma moeda pro barqueiro
quero esquecer o mundo inteiro
e a vida que me esqueceu
hoje, tudo que eu queria
era poder sentir um pouco da alegria
de saber que eu não sou mais eu
esquecer o que eu fiz de errado
pois o maior erro que eu cometi
foi tentar fazer que alguém me entendesse
Ninguém entendeu
hoje eu vejo minha vida
como um livro que já foi lido
nesta manhã de domingo
ser colocado numa estante e esquecido.
Hoje eu queria. Ah, como eu gostaria!
De escrever um poema
Que entrasse na ordem do dia
Palavras que a ninguém ofendesse
mas que porém, confundisse
e quando finalmente você visse
Achasse que é poesia
um poema que vencesse
concurso de fotografia
poema que te pedisse
pra aparecer qualquer dia
Que agradasse a Ana Júlia
A Patrícia e a tia Luzia
Que fosse tão interessante
a ponto de ficar exposto
na sala, na sua estante
botasse um sorriso em seu rosto
se a letra fosse miúda
você fosse procurar a lupa
e te fizesse ficar muda
ao perceber o meu pedido de desculpas
uma mensagem subliminar
neste poema tão vulgar
mas eu já sei que não vai ler
então eu vou ficar assim distante
sem um poema em sua estante
e um cantinho em seu coração.
Minha irmã Rosely,
Hoje, tudo que eu queria
Era que você estivesse
pertinho, a fazer o café
com seu jeito carinhoso
de sorrir e pegar no meu pé
meu Deus, que tempo precioso
e eu fico desconcertado
tentando me recordar
se alguma vez fui mal-educado
com irmã tão primorosa
o tempo passa e eu fico assim
na saudade que vem de você
também sinto saudades de mim
e no quão bem que me sentia
em acordar e te ver, todo dia
Minha irmã, Rose Graniso
Tem dias que fico triste
de saudade tão doída
você que sumiu no mundo
por mim, nunca foi esquecida.
