Por Voce eu Pegaria mil vezes
O despertar de ontem
estava entusiasmado,
bem crente que a tua
vez tinha chegado.
Disseram ao mundo
que a liberdade chegaria,
testemunhamos ela
vindo de asa partida.
A verdade é que está
faltando você e a outros
que se encontram presos
pelo fio da tirania.
Em todos nós permanece
aquela sensação de quando
éramos crianças olhando
para a vitrine de doces
do balcão da padaria.
Ainda não te soltaram,
e mesmo que nos custe
noites mal dormidas,
não há nada que nos cale
Diante da tamanha covardia.
Como as rodas
de um caminhão,
Gira o sonetário
pelo mundo todo,
Pelo seu povo
ele pede socorro;
Ele caminhoneiro,
petroleiro
E leal guerreiro,
também é Mãe
da Nicarágua
Que reclama
pelo bom filho.
Mãe oceano de amor,
de coragem e poesia,
Fazendo frente contra
aquilo que não serve:
Rejeita o autoritarismo.
Vai além e enfrenta,
materializando bem
Mais que a ousadia
celebrada pelos poemas
Que enervam os tiranos
Só para provar
Que o amor é eterno,
e que os poetas estão vivos.
As letras nos pertencem, nós poetas conseguimos com talento relatar
a conjunturade mais
de um país num único poema.
Quando se abdica
Da própria vida
Em prol da Pátria,
As cobranças são
Bem mais duras
Do que o costume,
Me dou com toda
A mística a minha
Voz aos leais,
Porque soldados
Para os tiranos
Não são humanos,
E só servem
Para serviçais.
A voz da tropa
Elevada contra
A tirania sempre
É mais perseguida
Do que as demais,
Porque quem se
Dá ao povo de peito
Aberto sempre acaba
Sofrendo bem mais.
A estrada da espera
tem sido dura e longa,
E só tem aumentado
a repressão a tropa,
Não dá para saber
o final da história.
Só sei que não se
deve parar de falar,
Não deixar ninguém
nos intimidar erguendo
A cabeça para a bandeira
do amor juntos hastear.
A promessa não foi
ainda cumprida,
Não sei o quê está
acontecendo,
A fórceps a Justiça
foi retirada,
E está em exílio,
Para ver a liberdade
raiar, eu não desisto!
Não há mais como
ocultar a preocupação,
Pois há um mal acordo
a caminho da segunda
Pátria que atrairá o Deus
da Guerra para dançar
Sobre o continente.
O Arcanjo se encontra
amarrado e com ele
uma legião de Anjos,
O tirano não entende
que precisamos deles
Em liberdade para nos
proteger de todo o Mal,
E que a reconciliação
tem tudo de celestial.
Eis a letra torturada
que escorre das mãos
Do cirurgião que foram
cruelmente quebradas,
Eis a oração de joelhos
da esposa do missionário,
Assim segue o poemário.
Por causa da dificuldade
com a língua estrangeira
para me expressar
levo uma noite inteira.
O Império honrou
bem o seu papel
com o filho missionário,
achei mais do que justo
e super necessário.
Por algumas horas
me calei porque
se não for para falar
com a palavra que gruda
no peito e faz pensar,
sempre prefiro
ficar em silêncio.
A acusação do
tirano ao General leal,
o encobrimento da prisão
e o silêncio imperial
falam explicitamente
não só dele,
mas de todos como ele
que foram presos sob
a mesma alegação
e permanecem
presos INJUSTAMENTE.
Para entender
O porquê dos poemas
E o quê se passa
É bem mais fácil
Do que tu pensas!
Decidi não dar
Nome a tirania,
Porque o início
Do isolamento
Se dá pela poesia.
Sirvo para virar
A página da história,
Gritar com o povo
Dar louros à vitória
E ao hostil desgastar.
Honrando a tropa
De leais todos os dias,
Não deixarei perder
A força dos sonhos,
Dou eco ao coro
Dos santos anjos.
A consciência tem dado
Voltas em círculos,
Porque levantar
Não tem conseguido,
Há um povo coagido,
A Justiça em exílio,
Quem pensa tem sido
Preso ou perseguido.
A Ditadura ganhou
Um jogo por ela perdido
Feito de falsa promessa;
As flores do calabouço
Devem ter desaparecido,
Nem os generais mais
Antigos escaparam
Do brutal autoritarismo.
A firmeza das ruas vazias
Tem feito a sua cabeça
Com a melodia, eco e refrão,
O mundo vê a agonia
Da Estrella pedindo justiça
Em nome do amor no coração.
Não me surpreendeu
a sua estratégia
híbrida de ferir quem
pensa diferente,
Silenciando vozes,
quebrando os frágeis
e prendendo quem
enxergou a verdade.
Se é passado
não adianta só dizer,
não fique parado,
a hora é agora:
é preciso soltar
o General e a tropa
injustamente aprisionados.
Não adianta continuar
com jogos perversos,
Dizer que tudo é passado
neste país que não
foi de fato reconciliado
e o Esequibo ainda não foi resgatado.
Vestida de luto intenso
por quem reluta
em reconhecer o mapa
que inclui o Esequibo,
Com o coração ferido
pelo General injustamente
acusado de instigação
a rebelião e por uma
tropana prisão igualmente
por motivos políticos.
Quem não se sensibiliza
com tal situação
não ama a própria Nação,
e não é difícil entender
o porquê de tudo isso.
Dá para perceber que
não ama a si mesmo,
Vive o vazio existencial
mais profundo do tempo.
O capítulo sombrio que
se avizinha do mundo
e do nosso continente,
vem chegando com
um intrigante prato
de entrada indesejável,
Só sei que nós nesta
América do Sul precisamos
dialogar e proteger
com raça a nossa gente.
Sem mordaça continuo
pedindo a liberdade
de um General acusado
falsamente de instigação
a rebelião e pedindo a liberdade
de uma tropa igualmente,
não tem dado para ignorar
a solidão Waraó e Pemone
no Esequibo que está no limbo
da Justiça indevidamente.
Sem entender a receita que
no guia é muito difícil de aceitar
a continua prisão dos jovens
presos da revolta do Chile
que lutaram pela Nova Constituição,
não dá para fingir que é
injusta a mapuche reclamação.
No tempo se diluindo
como creme de abóbora
nos ponteiros do relógio,
gostaria de estar lendo outro
futuro para todos nós
ou mesmo até o reescrevendo.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica,
E nunca tocará na dupla fronteira:
Venezuelana e Brasileira.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica
feita de um mapa que urge ser
corrigido onde nele a Venezuela
deve saber que se inclui o Esequibo.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica,
E suas mulheres estão morrendo
nas mãos masculinas do destino.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica
que o tempo anda passando,
e um General preso injustamente
por uma falsa acusação de instigação
continua a espera da libertação.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica
que o General, a tropa e um
velho tupamaro andam a espera
de julgamento e outros casos
bem mais recentes andam
sendo julgados bem na frente.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica,
cada caso é um caso e muitos
não estão interligados embora
o descontentamento seja o mesmo,
e por ordem e tempo todos
deveriam ter sido respeitados.
A intriga é a escuridão do mundo,
nós dois sabemos que ela não
ousará em deter a verdade histórica
e nem apagar a chama da esperança
e do amor foi escrito por nossas
Pátrias em todas as notas e escalas,
até o infinito e para a eternidade.
A Independência de uma
Nação é uma aliança que
deve ser sempre renovada
com a sua própria História.
Por isso peço encontro,
diálogo e reconciliação
com o General e toda a tropa.
A Independência de uma
Nação pelo mundo
afora sempre deixa alguma
questão pendente
ou até mesmo implícitas
mais de uma que pedem
união cívico-militar
sempre que for preciso.
Jamais país algum deve
desistir de proteger e até
mesmo deixar de reinvindicar
por aquilo que o pertence:
A recuperação
do Esequibo Venezuelano
deve ser tratado
com interesse realmente.
O quê é do meu Brasil
é do meu Brasil,
O quê é da Venezuela
é da Venezuela,
O quê é de um
país é de um país,
Nem por acordo
de cooperação
deve se interferir:
Está porvir
a decisão
do Tribunal Internacional.
O quê eu li transformo
em poema cantando
em ritmo da terceira
estrofe ao som de Lulú Basanta,
porque a Guiana é plana.
Conflitos internos
não podem alterar a História
e nem servir de argumento,
Mesmo que digam que
ativistas sociais continuem
sendo presos porque
separar os fatos é preciso.
Falando de tudo isso
os meus poemas da dupla
fronteira venezuelana e brasileira,
somente a mim pertencem
tal qual os lamentos sobre
o General, paisanos, a tropa
e o velho tupamaro em greve
de fome injustamente presos.
No Wei-Assipu-tepui
e no Monte Roraima
estão nossa dupla-fronteira
venezuelana e brasileira
e os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros dez tepuis habitam.
O General continua preso
injustamente há mais
de quatros anos por causa
de uma falsa acusação
de instigação a rebelião,
e sem nenhuma previsão
de justiça simplesmente.
Há paisanos e militares
em trágica situação
igual onde as vidas
estão contando com
o milagre do encontro,
diálogo e da reconciliação.
Expresso preocupação
pela vida do velho tupamaro
em espírito de rebelião
que não come há vinte dias,
E preocupada com
as últimas notícias do que
dizem estar passando os presos
de consciência em Fuerte Tiuna
Separar os fatos é preciso,
devolver o território
à Venezuela é um imperativo
que a Corte Internacional deve
agir em nome do que é de Direito.
E no Achipo-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
(contando tudo isso e mais um pouco)
e nos outros onze tepuis habitam.
Daqui onde se fecharam
muitas bibliotecas,
Vem virando um grande
gabinete a céu aberto
de mentes vazias
que só têm nutrido
as almas com idolatrias.
Para tentar salvar a mim
mesma e quem me lê,
E por ambição encontrar
uma luz no final do túnel
para os presos de consciência,
aqui estão os meus
versos latino-americanos
à um General e uma tropa
porque eles estão presos onde
o tempo não passa e sufoca.
Não é fácil, entendo e respeito
e eu sei que leva tempo
segurar firme os rumos
para que os distraídos não
se deixem ir pelas águas aparentemente tranquilas
e nas delícias saborosas
que na verdade não
passam de armadilhas.
Só sei que enquanto não
houver uma resposta
satisfatória ao velho tupamaro,
ao General injustiçado,
aos presos políticos como eles
e o mapa e rumos continuarem
sem ser corrigidos:
serei a continental inquietação.
Ninguém pode pisar
na Bandeira do meu País
cantando, dançando
e em nenhuma hipótese;
A Bandeira do meu País
e sagrada como a poesia
que a liberdade prega.
Defendo as tradições
da minha Pátria,
de muitas outras
e da nossa América Latina.
Em mim também
vive o Libertador
em cada reclamo pelo General,
pela tropa, pelo velho
tupamaro e por paisanos
que tenho feito com ardor.
Tudo aquilo que
não gera direito
de restituição,
Não cabe lembrar
para ferir a alma
por provocação.
Reclamação é
dizer algo que não
está bom ou que
nunca esteve bom.
Provocação é ferir
a alma do outro
para cair no vazio
do banquete de ego
e perder a razão.
Prefiro sempre
reclamar porque
uma reclamação
pode ser a ponte
para a solução.
Longe de mim
fazer qualquer
tipo de provocação,
é preciso dizer
que o velho tupamaro
está chegando a exaustão,
é preciso dizer
que há uma tropa, um General
e paisanos em igual exaustão;
é preciso dizer que tudo
isso vem sendo reclamado
por causa de uma
cultura de forte repressão.
Há parte de um território
que virou zona em reclamação,
e muitos continuam fechar
as mentes, os olhos e os corações.
Pois no Ilu-tepui e nas estações
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros onze tepuis habitam.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Depois de quarenta
e nove dias de greve
de fome levaram
o velho tupamaro
para o hospital,
e tudo continua igual.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Sem desejar flertar
com a precipitação
vejo que defensores
de Direitos Humanos
não estão desfrutando
de plena satisfação
no exercício da missão.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Vários casos estão
sendo julgados na frente
e outros ninguém comenta mais.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
De muitos da tropa
e do General preso
injustamente não
se lê e nem se ouve
ninguém falar mais.
Um passo para frente
e dez passos para trás...
Nada mudou em relação
a vida dos presos
consciência e por todos
a minha poética memória
sem escolher a quem:
conta a trágica História
e tem escrito incansáveis
Versos Latino-Americanos
ao General e à uma tropa.
Esta questão interna
não deve impedir a reconquista
do direito territorial,
O Esequibo é da Venezuela
e o Ministro da Guyana
quer tirar o mapa desta visão
histórica e geográfica
muito antes da decisão
da Corte Internacional.
Mesmo sendo o Esequibo
um território em reclamação
o mapa não pode ser ocultado
o povo pode ser calado
e igualmente os meus poemas:
os insatisfeitos que aprendam
a resolver os próprios dilemas.
Que não haja nenhuma
previsão de libertação
para a tropa e o General:
os meus poemas seguirão
falando até encontrar
o mapa do Sol da Justiça
que dê a pacificação
e a mais do que justa libertação.
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