Poesias sobre Viver
A eutanásia é tratada como um horror por uma sociedade que obriga você a viver uma agonia sem propósito apenas para não ferir a estética do "milagre da vida". No fundo, a moralidade prefere um cadáver respirando por aparelhos a um homem livre partindo com dignidade.
Muitos veem o fim como destruição; o humanista vê um convite para viver cada instante como uma criação.
Poderíamos viver uma quantidade absurda de tempo que jamais nos cansaremos da lógica repetitiva e mecânica de amar
Quero viver, viver e viver. Feliz, ou infeliz, mas recuso qualquer destino que me obrigue a evoluir. Recuso qualquer equação que pretenda definir o amor, a beleza ou o propósito. Quero a imanência que, por si só, transcende a guerra da vida.
Viver muito não significa necessariamente ter vivido muito; duração e experiência não são sinônimos.
Como seres humanos imperfeitos podem construir uma ordem minimamente justa para viver juntos em uma sociedade tecnologicamente acelerada?
A felicidade jurídica talvez seja viver em uma sociedade na qual ninguém precise lutar diariamente pelo reconhecimento de sua dignidade.
Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.
Viver é agir sobre probabilidades enquanto a consciência sonha com certezas que a própria realidade não prometeu.
Talvez seja preciso morrer algumas vezes por dentro para entender que viver também é deixar para trás quem já não somos.
O desespero é a doença de uma existência dividida contra si mesma: viver, mas não querer ser quem se é; desejar ser outro, mas não conseguir escapar de si.
A existência autêntica começa quando deixamos de viver segundo o roteiro alheio e assumimos a autoria incômoda de nossa própria finitude.
Viver talvez não seja derrotar o absurdo, mas recusá-lo como argumento suficiente para desistir da existência.
A natureza não consulta a vontade individual antes de colocá-la dentro da existência; viver é entrar em um movimento que começou antes de nossas próprias escolhas.
Toda existência carrega uma resistência contra o próprio desaparecimento; viver é também exercer continuamente uma potência de perseverança.
Há prisões sem grades: são as vidas que continuamos a viver apenas para que os outros continuem acreditando que somos felizes.
Não será a morte da inteligência que ameaçará o homem, mas a possibilidade de viver sem precisar pensar.
Um homem pode viver sozinho e ainda estar profundamente conectado ao mundo; solitude não é necessariamente isolamento, mas uma forma particular de presença.
O homem que aprendeu a viver sem aplausos começa finalmente a perceber a diferença entre reconhecimento e valor.
Talvez a maior maturidade seja compreender que ninguém pode viver nossa vida por nós, assim como ninguém pode morrer nossa morte.
