Poesias sobre Música
Me ensino a ter paciência, ciência
Que instiga o meu eu
Já foi, quero andar por ai
Descalça, sem nada, ao lado de um vinho bom
Amar é pra se corrigir e não perder a paz
A estrela do amanhã
Brilhando em mim, ainda a direção
E o coração e a rua inteira vê
Você tem
Um emprego pra mim? Olha aí
Qualquer coisa que
Que me mantenha perto de você
Posso fazer
Cafuné no cabelo
Vigio o seu sono, sei lá
Até provo o seu beijo
Pra ver se a barba vai me arranhar
Eu posso ser fiscal do seu olhar
Nem precisa pagar
Tatuei na minha alma seu rosto
O meu paladar já tem o seu gosto
Então, me fala como apagar
Como não lembrar, como não gostar
Seu abraço veste tão bem
Que dá até vontade de te raptar
Guardar você num potinho, num esconderijo
Pra não ter perigo de alguém te roubar
Achei uns pedacinhos de mim em você
Exatamente os que faltavam pra me preencher
Escreveu amor à mão em todo o meu corpo
Mas isso pra gente ainda é pouco, tão pouco
Impossível não querer de novo
Um dia já amou, hoje desvia de aliança
E pra mudar o status dela
Tem que ser homem, e não criança
Nem tenta enrolar, se não cê dança
Eu aceitei o fim sem dar nenhum pio
Você virou as costas e saiu
Cadê você, que ninguém viu?
Agora que ficou sabendo
Que eu tô com a turma bebendo
Vem falar que é feio
Feio é perder uma mulher gostosa desse jeito
Solo de piano,
manhã em brisa fria,
no coração os toques
das notas em dueto,
sintonizando a vida
numa canção que extasia
Perde o voo, perde o emprego
Só não perde o meu amor
Volta logo, chega cedo
Antes do despertador tocar
Antes d'eu ir trabalhar
Chega assim sem avisar
Volta logo pro meu peito
Pro relógio ter sossego
Olha eu aqui
Contando a saudade de novo
E esse sentimento que não dorme
Não prega o olho
E pelo andar da carruagem
O coração já sabe
Já se envolveu, aconteceu
Foi beijo na boca
Amor à queima-roupa
Se olhando nos teus olhos posso muito bem me ver
E perceber, faz parte do meu proceder
Te entender, saber que eu também sou você
Consciência limpa
Tô fazendo a minha parte
Autoridade
A dama que se fez respeitada
Dignidade
Do tipo que entra e sai consagrada
Não tem mais jeito
Vai ter que mostrar respeito
Talvez seja o jeito que eu cheguei no esquema
Absolutamente consciente e plena
Pode me ver passar, vai respeitar
O meu poder
Vai ter que aturar que esse é
O proceder
O canto dos pássaros de madrugada
Seriam mesmo
cantos de pássaros?
Talvez não passem de gritos
gritos de desespero
Súplicas para que apaguem as luzes
dos postes
de outdoors
dos faróis dos carros
da casa do insone
de festa
da melopeia.
Súplicas para que até as luzes
das estrelas
sejam absorvidas
pelas folhas das árvores
sobre seus ninhos.
e que seus sussurros
possam ser ouvidos.
seu cântico fica para a tarde –
e que então durmam
até o clarear dos primeiros
raios de sol
20.09.2018
Vontade!
De te proteger a sete chaves.
É claro que eu fico na vontade.
Só pra ninguém tentar roubar você de mim.
Vontade!
Rir, brindar contigo todas as tardes.
Navegar à luz de velas pelos mares.
Deixar comandar, reinar em tudo aqui.
Cristal com pernas e abraços, ouro de arco íris em vasos, gotas de aço, pele macia pedindo o calor dos seus braços.
Brisa de manha de manhã, choro da chuva fina, o oceano Djavan, na voz de uma menina.
O fantasma que a gente cria das coisas é muito maior do que o problema real.
Eu olhei para aquele menino e pensei que aquilo era coisa de criança;
Medo de criança.
Mas eu também tô cheio de coisas de adulto.
Medo e no fundo é só coisa da nossa cabeça.
Os ratos
estão roendo
teus sonhos
no meu armário
quem mandou
você
guardar tanto sonho otário
joga teus sonhos
no lixo
tira
o recheio de lá
sonhos não enchem
barriga
intriga
de quem não sabe
sonhar.
