Poesias sobre Mae de Jose Saramago

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⁠A natureza pinta como ninguém
Meus olhos miraram-te com demora,
nessa correnteza de folhas em valedoiros tons,
ainda que à terra presos...
-- josecerejeirafontes

Inserida por JoseCerejeira

⁠Árvores

quando -beijadas- pelo vento
chovem folhas dos galhos,
que se plantam no solo, como
flores na erva fresca...

-- josecerejeirafontes

Inserida por JoseCerejeira

IANOMÂMI



⁠Ianomâmi,
Procura-se quem te ame.
Quem mergulhe nas tuas folhas
Quem respire nas tuas águas
Quem perceba nos teus frutos
A natureza que se perde
E que se ganha
Em quem te chame,
Ianomâmi

Procura-se governante
Que abra mão de governar
O índio, a criança, o amante.
Procura-se represa
Que não mais impeça o rio
De correr seu livre curso.

Ianomâmi,
Procura-se quem te ame,
Procura-se quem te chame.

Quem te chame,
Procura-se Ianomâmi.
Não mais para enfeitar gaiola
Que se mostre em ave-rara
Nas coloridas feiras de Antropologia.
Procura-se, quem tocado
Pelo Sol e pela Lua
Te liberte feito um pássaro

Ianomâmi,
Procura-se quem te chame
Quem depois de percorrer
Tantas estradas de pedra morta
Prefira as trilhas da floresta
Vivas, úmidas, sonoras

Procura-se tal caminhante
A quem, nu e luminoso,
Se transforme em Ianomâmi


[Publicado na revista Entreletras, vol.12, n°01, 2021]
.

Inserida por joseassun

⁠Lançando mão de uma metáfora, poderíamos imaginar um campo disciplinar associado ao universo das ciências sociais e humanas como um sistema solar no qual, - em torno da matriz disciplinar fixa - gravitam os grandes planetas paradigmáticos. Mas seria preciso imaginar que haveria também aqueles que habitam “ilhas espaciais” situadas entre dois planetas, e que tomam emprestadas características de dois ou mais mundos, e outros mais que preferem viver solitariamente em pequenos meteoros errantes. E há ainda os que não possuem pouso fixo, e que vivem em trânsito. De todo modo, seja para viver em um dos planetas paradigmáticos, ou entre eles ou nenhum deles, todos os habitantes deste universo metafórico estariam habituados a este “viver entre mundos”. Aqui, não seria possível fazer boa carreira sem falar certo número de idiomas teóricos, ou sem dominar uma “arte da tradução” que possibilite efetivamente a comunicação entre os pares e planetas teóricos.


[texto extraído de 'Teoria da História, volume 1: Conceitos e princípios fundamentais'. Petrópolis: Editora Vozes, 2011, p.180].

Inserida por joseassun

CAPELA


⁠Estourou a Capela
o Paraíso
ruiu por terra

Anjos despencaram
dos candelabros.
Partiram-se,
em cristais singelos.
O dedo de Deus
manchou-se de Adão
Maria? Enamorou-se
e finalmente foi feliz

Longe e perto
sem nenhum aviso prévio
ou profecia apocalíptica,
estourou a Capela.
O Paraíso,
ruiu por terra

Ruiu pela Terra, o Paraíso
Despencou suave
Como uma fruta

Caiu sem luta,
a Capela,
tão frágil e bela
como uma mulher apaixonada
que enfim se entrega

Estourou a Capela
como uma gruta
que se abre ao amor vertigem
sem vergonha de não ser mais virgem

E os homens de boa vontade
e de boa vizinhança
gritaram, em tom-milagre
e sem mais trombetas:

! Estourou a Capela
O Paraíso
Ruiu por terra!

E uma nova humanidade brotou dos escombros
e dos joelhos dos fiéis
ergueram-se mulheres plenas
e homens eretos


[publicado na revista Caleidoscópio, vol.4, nº2, 2020]

Inserida por joseassun

⁠.... A primeira vez que ele achou que Lua queria comê-lo foi em seu próprio enterro. Não no seu enterro definitivo. É que, no meio do choro da viúva, em pleno velório, ele – o defunto – acordou de mais um dos seus ataques catalépticos. Adiou a morte, portanto. Não é preciso dizer que foi um Deus nos acuda! O morto voltava ao mundo dos vivos! Depois um doutor de gaveta declarou, para a rádio local, que um ataque cataléptico não era coisa assim tão rara. Podia ser novidade lá – pr’aquela “gentinha de interior”... – De qualquer maneira, o “Seu Dino” ficou conhecido no lugarejo. Não é sempre que se tem notícia de um ataque daqueles, cata-o-quê, mesmo? Enfim! Não é todo dia que um vizinho nosso, da mesma cidadezinha no interior, morre e depois volta à vida


[trecho inicial do conto 'Chiclete de Lua', publicado pela revista Desenredos, Ano III, nº10, 2011]
http://desenredos.com.br/10prs_dassuncao_295.html

Inserida por joseassun

⁠A dinâmica simultaneamente tripartida e circular entre 'produção', 'mensagem' (ou 'conteúdo') e 'recepção' (ou 'finalidade'), é pertinente a quase todos os tipos de fontes históricas. Qualquer fonte - ou melhor, qualquer objeto, texto ou criação humana que está prestes a ser constituída pelo historiador como fonte histórica - visou na sua origem (no momento da sua produção) uma recepção ou finalidade, em vista da qual foi elaborada a especificidade do seu conteúdo. Não encontro melhor imagem para falar desta peculiar dialética - capaz de articular circularmente estres três polos - do que a contraditória ideia de um 'triângulo circular da fonte'


[trecho do livro 'A Fonte Histórica e seu Lugar de Produção'. Petrópolis: Editora Vozes, 2020, p.45].

Inserida por joseassun

⁠O segredo da verdadeira felicidade está num simples contexto. O contexto de não fazer com os outro. Simplesmente aquilo que você não quer que
Faça com você

Inserida por JoseaNascimento

⁠Definir algo como fluxo ou fixo é só uma questão de ponto de vista, de escala, de relatividade. Na escala do universo, ou em outro regime de tempo, a montanha que se formou e se transformará lentamente em outra coisa é um fluxo. Do ponto de vista humano, a montanha não pode deixar de ser senão um fixo; mas pode-se apreciar o desabrochar, maturação e morte de uma flor como fluxo. Enquanto isso, para os pequeninos insetos que as polinizam, as flores poderiam ser vistas como fixos. Um ciclo de vida de apenas dois meses obriga a que as abelhas vejam as coisas de uma outra perspectiva que não é a dos homens.

Para os seres humanos, enfim, as estrelas são eternas. Seria possível, não obstante, imaginar um ponto de vista que partisse da formação de uma estrela e percebesse, como fluxo, o processo termonuclear que levará cada estrela a se intensificar, expandir-se, contrair-se e a se extinguir. Enxergar algo como fluxo ou fixo é tão relativo como distinguir matéria e energia. É evidente, por outro lado, que a Geografia e as demais ciências humanas trabalham com as escalas do ser humano.


[trecho extraído de 'Espaço, História, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.85].

Inserida por joseassun

⁠[HOMEM, ESPAÇO E MEIO]


Nesta tríade geográfica – o Homem, o Meio, o Espaço – tudo se interpenetra. Até mesmo o homem – um determinado indivíduo, por exemplo – tem dentro de si espaços e é ele mesmo um meio para todo um universo microcelular, apresentando em seu organismo diversos fixos (os vários órgãos e dutos condutores) e fluxos (corrente sanguínea, impulsos nervosos, processo respiratório, cadeias de ações comandadas pelo cérebro). Definitivamente, meio, homem e espaço entram um por dentro do outro, em um fascinante imbricado, para onde quer que olhemos.

Como na Música, as notas implicadas na tríade HEM (homem, espaço, meio) não estão uma por sobre a outra (em que pese o que pareça mostrar a grafia em uma pauta musical), mas sim uma por dentro da outra. No interior mesmo de um único nível acórdico – tomemos o Meio como exemplo – as notas também se interpenetram. O clima, de um lado e no longo prazo, é o escultor do relevo, constituindo-se no grande “arsenal dos agentes externos do modelado” . É ele quem esculpe os planaltos através da erosão, as planícies através dos processos de sedimentação. De um outro modo, certas notas do clima acompanham determinações do relevo em decorrência das altitudes (e latitudes, que já se referem ao espaço). A temperatura reduz-se nas serras; o vento sopra com a autorização do relevo. Enquanto isso, se o clima implica a distribuição das águas atmosféricas através dos regimes pluviométricos, a distribuição espacial das águas oceânicas em proporção às terras é, de sua parte, “um dos principais fatores de sua formação regional” . Uma nota age na outra. Condições atmosféricas e distribuição das águas constituem notas mescladas no interior de um mesmo nível acórdico (o acorde-Meio); e, mais além, em um grande poliacorde geográfico.


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.120].

Inserida por joseassun

⁠POEMA À MORTE


Estava nascendo
Podia sentir a sua respiração!
Não sabia ainda se seria um poema alegre
Ou triste,
Mas já percebia que seria intenso

Faltava pouco, muito pouco
Apenas algumas palavras
Encontrar a rima ou o ritmo final
E dar alguns retoques

Ah desgraça sem graça!
Musas implicantes,
Senhoras da pirraça!

Quase nascendo,
O poema não encontrou a rima
Quebrou o pé de maneira infame
Antes de dar o primeiro passo

Olhou-me, triste,
Entre envergonhado,
E lamentoso
E foi puxado para o inferno
Das obras não realizadas

Enterrei-o de maneira singela,
Com honra
mas sem grandes funerais ...
E chorei pela sua alma
Durante toda uma semana

Às vezes, mesmo hoje,
Tão longe no espaço-tempo,
Posso ainda vê-lo à morte
Com a respiração ofegante
Diminuindo pouco a pouco

Coberto com o manto negro
Das palavras que apenas mancham papéis
Sem frequentar a boca das pessoas,
Ali está ele - entre as frias paredes da memória
soltando seu último suspiro


[publicado na Revista da Academia Lagartense de Letras, vol.1, nº7, 2021]

Inserida por joseassun

⁠[DEFINIÇÃO DE HISTÓRIA]


A História é a ciência dos seres humanos no espaço e no tempo (nos seus lugares e nos seus momentos).

Inserida por joseassun

⁠[HISTÓRIA E GEOGRAFIA]


História e Geografia, nos seus primórdios, eram como que gêmeas univitelinas. Os seus estudiosos, pesquisadores, intelectuais – sem contar os homens práticos que pensavam desde os tempos antigos na importância do exame atento da história, ou que foram convocados para a tarefa de produzir relatórios em uma e outra destas áreas – nunca tiveram dúvidas de que, para a real eficácia de operação historiográfica, seria preciso pensar concomitantemente nas relações entre tempo e espaço, bem como nas várias interações entre as sociedades humanas e o ambiente físico à sua volta.


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis. Editora Vozes, 2017, p.17]

Inserida por joseassun

[DEFINIÇÃO DE GEOGRAFIA]⁠


A Geografia – ao menos aquela que ficou mais conhecida como “geografia humana” – pode ser definida como a ciência que estuda os seres humanos no espaço e em seus diversos meios ambientes e materiais, sejam estes relativos à materialidade natural ou à materialidade construída. Sabemos hoje, cada vez mais, que o espaço também é tempo, de modo que o geógrafo também se aproxima do historiador na sua tarefa de estudar os homens no tempo, embora com uma perspectiva própria.


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.23]

Inserida por joseassun

[DEFINIÇÃO DE GEROGRAFIA - 2]



A Geografia é a ciência que se estabelece em relação a três fatores interpenetrantes – o Humano, o Espaço, o Meio (ou a materialidade). A Geografia tanto estuda as relações dos homens entre si, mediadas pelo espaço e pelo meio material no qual eles vivem e o qual eles também produzem, como estuda as relações entre os conjuntos humanos (populações, sociedades) e estes espaços e meios materiais. Adicionalmente, porque um quarto aspecto também é inseparável desta mesma tríade, a Geografia também estuda o Tempo.


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.23].

Inserida por joseassun

⁠[DEFINIÇÃO DE GEOGRAFIA - 3]

A Geografia integra-se simultaneamente às Ciências Humanas, às Ciências da Vida, às Ciências da Terra. Habitualmente, ela estuda todas as interações que se dão no interior de uma tríade: o Humano, o Meio, o Espaço. Quando a vida humana é pensada como um caso particular da Vida, no seu sentido mais amplo, a Geografia mostra a sua face como ciência da vida ou ciência natural - e, na tríade conceitual que está no centro da ciência geográfica, o conceito de Bioma substitui o conceito de Humano.

Inserida por joseassun

⁠[CONCEITOS DA GEOGRAFIA]


Os três fatores centrais nos estudos historiográficos - o fator humano, o fator espacial e o fator material (meio( - demandam cada qual uma certa ordem de conceitos; e há também conceitos que se estabelecem nos seus interstícios, ou nas relações entre dois fatores ( homem e o meio; o meio e o espaço. o espaço e o homem). Por fim, há conceitos que envolvem os três fatores de uma só vez.

Os conceitos que se desdobram são inúmeros: os que abarcam o mundo social e humano (população, classe social, gerações e gêneros); os que dividem o espaço (região, área, zona) - ou os que combinam divisão do espaço e organização social humana, como o de 'território', entre muitos outros conceitos que se situam em pontos nodais entre duas ordens. Assim, a 'paisagem' pode ser entendida como um conceito que surge na envolvência entre o espaço e a materialidade (seja esta a materialidade natural ou a materialidade construída pelo homem). O conceito de ''forma' ajuda a compreender tanto o meio como o espaço; e o de 'processo' diz respeito aos três pontos da nossa tríade. Os exemplos se multiplicam. Os conceitos de 'fixos' e 'fluxos' estão no espaço, no meio e no mundo humano, e configuram 'formas' no mesmo momento em que ensejam 'processos'.

O Tempo, é claro, oferece ainda uma chave conceitual imprescindível à Geografia - ciência que, por fim, desenvolveu também os seus conceitos operacionais, como o de 'escala'.


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.24]

Inserida por joseassun

⁠[DINAMISMO DAS PAISAGENS]


Metaforicamente falando, a passagem da discussão geográfica clássica sobre paisagens para as problematizações contemporâneas envolve a transição de uma perspectiva mais ‘fotográfica’ para uma perspectiva mais ‘cinematográfica’ de paisagem. No caso das paisagens urbanas, é bem evidente este jogo entre mutações e permanências.


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.55]

Inserida por joseassun

⁠[DIVERSIDADE NA PERCEPÇÃO DAS PAISAGENS]


Há uma paisagem da guerra, da miséria, da fome, do medo, das classes sociais em luta, da religiosidade, do lazer, da tecnologia, da moda, dos estilos arquitetônicos, do controle disciplinar, do poder midiático que se espraia sobre uma região e aí estabelece seu domínio e práticas manipuladoras sobre a população local. Estas diversas paisagens referentes a extratos específicos de problemas, ou a instâncias singulares da realidade, às vezes são perceptíveis espontaneamente, outras vezes não


[extraído de 'História, Espaço, Geografia'. Petrópolis: Editora Vozes, 2017, p.56].

Inserida por joseassun

⁠A MÚSICA


Escuta esta música, ao longe ...
Será um solo de clarinete?
Ou uma fantasia ao sax?
Ou, quem sabe talvez, uma elegia (!)
Para um instrumento ainda não criado

Não importa ...
Chega mais perto da Música,
Apruma teus ouvidos.
Ouve estes acordes.
Comprime teu rosto contra o peito
Da nota que soar mais alto.

Aí está ela,
Gritando emudecida
Entre todas as outras:
Pálida, de tanto afeto.
Afina agora teus ouvidos
para além do pulmão da nota
e para dentro dela.

Ouve a sua respiração
a um só tempo cansada
e infatigável
Percebes, no fundo dela, um secreto acorde
a pulsar como um coração sereno?

Ali esta ele,
Inteiro e pleno:
O acorde que contém a nota
A mesma que a si contém

Escuta
para além da escuta ...
– para além do ponto
onde não há mais ponto –

Se conseguires
terás ouvido o Som
– finalmente o Som –
O Som que há sob a pele,
abaixo de toda origem,
vibrando como um coração de tudo.
O Som, que é o próprio Som
Secreto, para além do Verbo ...


[publicado na revista Valittera, 2020]

Inserida por joseassun

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