Poesias para um Futuro Papai
Insubstituível
Nunca alguém poderá substituí-la
Visto que cada um de nós é único
Quem não conhece a história faz
Sempre os insuportáveis discursos
Enquanto padeço pensando nela
Chega um rapaz e diz-me de tudo
Fala, fala e não chega à conclusão
Só me resta que permaneça mudo
Pois ele diz que eu posso superar
Seguir vivendo, como todos falam
E eu ainda sonho com o rosto dela
Sonho do tipo em que todos calam
Vai ver atravesso uma fase ruim
A donzela da mente se apoderou
Ouço sua voz suave me chamando
Esqueço por ora se sou ou estou
Será que sou um devoto da utopia?
Será que a dama me cumprimentará?
Deito na cama e penso até dormir
A minha única certeza: ela estará.
Desentendimento com o entretenimento
A audiência de um reality show me espanta
Afinal, tantas pessoas perdem horas e horas
Cuidando o que desconhecidos irão fazer
Ou na expectativa do próximo a ir embora
Anônimos viram estrelas da noite pro dia
Basta apenas que eles apareçam na telinha
Como se o público inventasse seus heróis
Deixando a grande mídia em maus lençóis
Linguajar e atitudes, por vezes, são vulgares
Os espectadores, todavia, são manipuláveis
O "pão e circo" já foi adotado na Antiga Roma
Entretenimento vazio faz no cérebro um coma
Quem produz um programa de TV é esperto
Sabe que cultura dá menos ibope que burrice
A mente humana é repleta destas esquisitices
Que tornaram o conhecimento um raro objeto.
Numerologicamente
A organização toda padece lentamente
Sendo conduzida descontroladamente
Um velho barbudo, no Texas, sorri
Ele sabe bem no que dará isso aqui
Pactos desfeitos por dinheiro a mais
Fale o seu preço, deve haver algum
Somos condicionados ao voto comum
O outro candidato é estranho demais
Paixões incendiando sem uma pausa
Relacionamentos acabando do nada
Aventureiros estão ficando em casa
Confissões silenciosas na alvorada
12 de fevereiro foi o início do fim
20 de maio é uma história daquelas
9 de julho e cá estamos novamente
Acreditando em datas infelizmente
Aquário, Sagitário, Áries ou Libra?
Editoras lucrando quase sem querer
Se a bola de cristal previsse o futuro
De verdade, você gostaria de saber?
Medo da morte
Você é um babaca que sai de casa
Achando que irá causar confusão
Talvez algum incidente lá na praça
Você fala que é fogo, mas é brasa
Tentando se destacar na multidão
Foge quando ocorre uma desgraça
Medo da morte, medo da morte
O seu fim está muito próximo
Medo da morte, medo da morte
Todos os outros achariam ótimo
De quantos você já correu até hoje
Depois de tentar expor a sua visão?
Humildade serve como um lema
A alguém que tenha consideração
Mas o seu nada merece repúdio
Ninguém gosta de se aproximar
Medo do depois, medo do depois
Não existirá par a lhe consolar.
Inconvenientes
A melhor roupa para um evento sem graça
Um traje qualquer para uma noite e tanto
O ingresso mais caro, o preço mais alto
Status lá em cima, satisfação de canto
Ganhar a partida e perder o campeonato
Fazer um gol contra diante do seu rival
Gostar de terror sem conseguir dormir
Começar um filme pensando no final
O amigo da escola que virou conhecido
Rostos estranhos tornando-se naturais
Um diálogo na internet emocionante
Aquele encontro que não saiu mais
Casar porque é normal, mas sem amor
Acabar um relacionamento de meses
Viajar pelo mundo no Google Maps
Ir na brasileira Praia dos Ingleses
Perceber que convêm inconvenientes
Como construção após a destruição
Árvore que cai, ergue-se o outdoor
‘Feliz Dia da Árvore, meu irmão!’.
Terceira pessoa
Se você visse a sua vida como
Uma 3ª pessoa, a acharia legal?
Imagine que é um personagem
De um filme com início e final
Finge que está numa comédia
Tentando disfarçar seu drama
Com as fotos em redes sociais
Que só mostram um panorama
Me responda: como isso seria?
Se não tivesse nada a esconder
Você teria orgulho de ser você?
Eu espero que sim e quero ver
Uma boa ação dispensa plateia
O que importa é sentir-se bem
Curtidas são um afago rápido
Menor que o abraço de alguém
Mostre para si que tem valor
Simplicidade virou grandeza
Se as massas querem aparecer
Destaque-se com a franqueza.
Completamente sozinho
Um músico compõe as suas canções sozinho
Um escritor desenvolve os seus textos sozinho
Eles lidam bem com a solidão, precisam dela
Os não-artistas sentem o vazio escurecer a tela
Estar sozinho é diferente de estar solitário
Dá para se encontrar completo na solidão
E completamente perdido ali na multidão
Como duas vestimentas do mesmo armário
É simples: se trata de gostar de si mesmo
Boa companhia para si deve ser a outrem
Pois quem não pode ser seu grande amigo
Não cria uma boa amizade com ninguém
Sem dramatizar, encare firme o ficar só
Pare e olhe-se fixamente em um espelho
O que você vê é tudo o que precisaria ver
Ótima imagem sua sem um vulto parelho.
O escolhido
Aquele foi um olhar de amor, eu pensei
Uma mulher sempre percebe, eu concluí
Como se pontos tivessem sido entregues
Como se esquecesse o que me trouxe ali
Um homem de verdade não diz "te amo"
De forma gratuita e indiscriminadamente
Entretanto, o denuncia de outros modos
Também retumbantes e desesperadamente
O amor feminino costuma despertar temor
É bem mais fácil envolver-se com outras
Do que com a garota que escolheu você
E você nunca a acha em quaisquer bocas
Aí existe a fuga desenfreada e cansativa
Negando a si mesmo a maior obviedade
Gostar por gostar você gostou de tantas
Ela você ama e já comenta toda a cidade
O sentimento latente bate na sua porta
Ele se chama Amor e pede para entrar
Você pensa muito porque não percebeu
A sua disposição imensa em se entregar.
O resgate
Um fantasma voltou a me assombrar
Eu o vi em todas as fotos, estava lá
Eu estou sentindo-me desesperado
Até escrevi um mirabolante recado
Achava que havia me livrado, errei
Estou palpitando, mas no fundo sei
Há muito tempo não me sentia assim
Com motivo pra sonhar antes do fim
Ela nunca será minha, porém é linda
Uma intuição dizia que a veria ainda
Cá estamos, na loucura e sobriedade
Estranhos mesmo na mesma cidade
Que pena da minha própria pessoa
Logo eu que estava bem numa boa
Subestimei o poder da madrugada
E, no caso, resgatei a minha amada.
Momento de glória
Deve haver um instante inesquecível
Que recompense toda a sua trajetória
Discorra sobre quando o impossível
Sucumbiu ao seu momento de glória
É quando a vida lhe olha nos olhos, sorri
E você, sem ponderar, beija a boca dela
O necessário para a felicidade está ali
Com o céu colorido ao estilo aquarela
Nada melhor que cumprir o seu dever
Em uma atividade feita sem obrigação
Saboreando o doce gosto de vencer
Uma alma entregue verdadeiramente
É premiada ao desfrutar de emoção
Que será rememorada eternamente.
Bandeira vermelha
A bandeira vermelha desbotou
Representando ela a vergonha
De um grupo que saiu do poder
E perdeu a força de barganha
O sapo barbudo está velhinho
Fugindo de variadas acusações
Seria, mesmo assim, inocente?
Antes crer em fadas e dragões
A famosa estrela já não brilha
O céu é nebuloso para alguns
Como ao filho mais importante
Da Microrregião de Garanhuns
Nosso país está a se endireitar
Em uma tentativa de melhora
Rejeitando o pessoal canhoto
Para voltar a enxergar aurora
Mas tudo passa, tudo passará
Não é, meu caro Nelson Ned?
Aguardemos os dias futuros
De sonhar, nada nos impede.
Fato novo
Cada verso é um fato novo:
Quebra a rotina e encanta;
Às vezes, os males suplanta
E confere confiança ao povo.
Este, devidamente ajuizado,
Se alegra por ser alfabetizado.
Grito silencioso
Ela pediu um drinque no velho bar
Como se fosse remédio para a dor
Fugindo de si mesma, angustiada
Tentando sentir um pouco de calor
Laís não é mais uma garota de 15
E foi iludida de novo por um rapaz
Rodeada de várias amigas falsas
De sobreviver ela quer ser capaz
Os comprimidos estarão à espera
Todos conhecidos de longa data
Em sua infernal e infeliz trajetória
Com a cabeça sem reflexão exata
Por favor, guarde já esse estilete
Você ainda irá descobrir a alegria
Nada de se precipitar em desvario
Sei que lhe fará bem mais um dia.
Auge da irrelevância
Sou muito pouco, mas mais que nada
Um quilômetro da inacabável estrada
Um torneio somente do Grand Slam
Sou um ator, porém não possuo fã
Limitado, já tentei melhorar de fase
Chegar rapidamente na última base
Adivinhar ao menos quatro dezenas
Me regojizar com frivolidades terrenas
A gota que cai tem uma parte de mim
E tendo a começar pensando no fim
Pois a ansiedade sim é abundante
Ainda conservo algo de triunfante
O meu fio de cabelo foi recusado
Quando brinquei que era adotado
Ao me sentir só por não ter irmãos
Vendo que os de domingo são vãos
Estou no auge da minha irrelevância
E aparenta ser de miséria a ganância
Só que estou habilitado para respirar
Marchando altivo pro show continuar.
Garoto invisível
Charlie é um tanto esquisito
Não possui qualquer amigo
Jamais beijou alguma boca
E seguramente quer abrigo
Charlie foi parar no hospital
Após ter umas alucinações
Com a já falecida tia Helen
Que influíam nas emoções
Charlie tira sempre nota A
E começou o ensino médio
Conseguiu ele se enturmar
Saindo um pouco do tédio
Charlie experimentou amor
Quando foi por Sam olhado
Nunca havia sentido aquilo
E ficou por ela maravilhado
Charlie se imagina infinito
Ouvindo música na picape
Agora é capaz de participar
Sem recorrer a um escape.
Área restrita
Todos deveriam ter o seu lugar
Um refúgio para as horas ruins
Um cenário aos largos sorrisos
Mais cômodo que os botequins
Pode ser em Paris, Nova Iorque
Banco do parque ou alto da laje
Contanto que o cantinho exista
E dê para ir com qualquer traje
Talvez seja um recanto interior
A quem não encontra paz fora
Discreto, mas ingrediente vital
Ao misantropo em sua aurora
Navegar com local a regressar
Se perder para então conhecer
Intuir antes de o desejo surgir
Na comunhão com essa região.
Profundamente comum
Levanto, porém não dormi
Meus pesadelos cochilam
Tomo um cafezinho preto
Imagens me sensibilizam
Ando só no ônibus lotado
Canto no silêncio tão alto
Inúmeras caras e roupas
À espera do próximo ato
Chego ao edifício, entro
Estou preso no elevador
Mais uma porta fechada
Ou a chance de ser ator
Cada um tem sua rotina
Ganhos, perdas normais
Seria o paraíso a Terra?
Céu eu creio que jamais
Ando, corro, paro e volto
Entretenimento vale tudo
Esqueço, então, de mim
Contemplando o absurdo
Até que ponto se é feliz?
Há quem vibre na sexta
Sorrio e choro neste dia
Sou homem, logo besta.
Presente em anônimo
Vou entregar um presente em anônimo
Pois não imagino ganhar nada em troca
Sou movido pela mais pura admiração
Não tem importância se fizerem fofoca
Mundo estranho este que inventamos
Acabar relação por um chat é normal
Demonstrar carinho está em extinção
Vivemos sedentos por sentimento real
Que os urubus me chamem de maluco
E as invejosas desmereçam o ocorrido
Gente meia-boca tem em todos cantos
Corro para compensar o tempo perdido
Se a garota por acaso lembrar de mim
Assim que abrir o pacote tão misterioso
Já que outro cara não teria tal iniciativa
Ninguém poderá apagar o ato glorioso.
Contagioso
Eis que um vírus destroça tudo
Acumulando corpos sem pena
Paralisando a economia global
Forçando a gente à quarentena
De onde veio tamanha tragédia?
Será possível a nossa salvação?
Dúvidas se perpetuam na crise
Certeza mesmo só a desolação
Sem medicamentos ou vacinas
Estamos no aguardo do destino
Fatalmente pequenos e frágeis
Diante de um ataque repentino
Isolados entre as quatro paredes
Parece uma cela, entretanto é lar
Procuramos um fio de segurança
Não há conforto na sala de estar
Cuidado! O medo é contagioso!
A pandemia é mais que sanitária
Ninguém sairá ileso do desastre
Que aciona urgência planetária.
Nas minhas veias
Tua indiferença cruel
Tua pele fria como gelo
Um toque poderia matar
Minha dor, tua excitação
Eu quero te abraçar, mas algo me diz pra não chegar perto
Eu quero te beijar, mas os meus sentidos pedem pra parar
Eu quero te provar, mas prometi não me entregar ao vício
Eu quero te amar, mas pode ser que eu não volte mais
Tu és uma droga injetada nas minhas veias, uma droga
O ritual precisa continuar
Tua boca tão atraente
Teu jeito tão misterioso
Meu coração bate forte
Estou prestes a delirar
Eu ouço tua voz me chamando às quatro da madrugada
Não consigo mais dormir e tenho medo de te encontrar
Não quero me envolver, mas tu estás sob a minha pele
Eu quero te possuir, mas só se primeiro fugir da tua teia
Tu és uma droga injetada nas minhas veias, uma droga
O ritual precisa continuar.
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