Poesias de Pedro Bandeira Mariana
"E se declarar-se por amor
traz a razão que hesito,
há precisão de palavra nenhuma
se o silêncio já ter respondido".
"É sobre uma conversa que se estende
e não a hora cronometrada,
é um beijo não combinado
no relento da madrugada".
Trecho de "Marginal", do livro "Ruas & Rosas".
"Somos soldados sem querer lutar,
adaptados a um sistema que não queremos viver.
Anestesiados com o que "devemos" acreditar
e assim, agradecer o que podemos ter".
Trecho de "A favor do vento", do livro "Ruas & Rosas".
"Uma guerra sem vencedor,
um próprio submundo.
A tortura sem anistia,
um soldado nascendo a cada segundo.
Também se romantiza a periferia,
o lugar que Deus esqueceu.
Casas amontoadas, sustentadas pela revolta,
construídas na abolição que nunca aconteceu".
- Trecho de "Ordem e Progresso" do livro "Ruas & Rosas".
"Que eu acompanhe justamente
a mudança que
também
nos acompanha...
... sem o direito de escolher.
Ir dormir sabendo que pro dia seguinte
a minha companhia não vai ser necessária,
mas que mesmo assim...
... você vai preferir ter".
"Uma carta que não entreguei à ela", do livro "Ruas & Rosas".
"Meu dia de chuva violeta,
daqueles que derrubam a maquiagem.
Pessoas pelas suas verdades interpretam mentiras,
das quais surgem novas verdades..."
"Afinal, o que posso
fazer de mim?
Pergunto-me ante
qualquer questão;
Mas sempre questiono-me
por quem não teve tal espaço,
pois é um pedaço na caneta
que deixo do coração".
Parabéns!
Que os demais dias do ano sejam como este: repletos de energia positiva, inspirados nas mensagens alegres, cercado da afável presença dos familiares e amigos mais próximos, sempre elevados pelas bênçãos de Deus!
"Sem ter, eu tenho. Sem ver, eu vejo."
Parabéns mãe,
pra mim hoje também é o seu dia,
pois além de ser minha mãe, você é meu pai.
Te amo.
Pequena Praia.
Vem que sou eu e você,
pra navegar nesse mar.
Oceano azul da imensidão,
loira do ensolarar.
pele branca da praia,
onde mora as areias.
Delicada por natureza,
aos passos lentos junta as
marcas do chão.
Guiados pelo criador,
soprando o vento cantou
e a gaivota avisou.
Que ser livre e viver,
florir e entender.
Que roubar o mundo faz bem,
chorar e sofrer também.
Abrigo no Vazio
A vida desfaz ilusões.
Cada saber
é uma pétala que cai.
O mundo não piora,
apenas o olhar
já não se deixa enganar.
A consciência pesa.
O fraco se esconde no cinismo,
o forte encontra repouso no silêncio.
Tudo passa.
Nada permanece.
O apego é veneno.
Quando tudo é máscara,
o silêncio é abrigo.
No vazio,
há paz.
Roberval Pedro Culpi
27/08/2025
Soneto da desilusão
A vida é o lento abrir da desilusão,
cada saber revela o espinho oculto;
a mente cresce, e com ela a aflição,
pois o véu cai, deixando só o vulto.
Não é que o tempo tenha se tornado
mais áspero, sombrio ou desumano,
é o olhar que, enfim, foi despertado,
e já não vive do consolo insano.
A consciência pesa, mas liberta,
ao sábio ensina a ter leveza e calma;
se tudo é sombra, a impermanência é certa.
O apego fere, o silêncio embala e acalma;
e no vazio, a verdade se desperta:
não há prisão maior que a própria alma.
Roberval Pedro Culpi
28/07/2025
Posso enfrentar campeões e mestres, e posso vencê-los ou ser vencido.
Mas nenhum adversário é tão temível quanto a minha própria mente.
É nela que travo a guerra mais silenciosa —
onde o medo, o orgulho e a dúvida tentam me dominar.
Dominar a mente é o verdadeiro caminho do guerreiro.
Os longos anos que passei na dispensa lapidando uma herança de vitórias
No armário um velho conhecido, legado sem memórias
No presente ela não o reconhece apenas pega o que pode.
Em qualquer relacionamento, seja um casal, uma sociedade ou uma amizade profunda, tudo que sustenta é confiança.
Se alguém decide fazer algo errado, vai fazer.
Não depende do outro. Não depende de vigilância. Não depende de controle.
É conteúdo próprio. É caráter. É escolha individual. faz parte do conteúdo como sequela.
A gente pode conversar, alinhar, combinar limites, mas não pode controlar o interior de ninguém.
No fim, sempre nos resta confiar.
E se algo quebrar essa confiança? O que realmente podemos fazer?
Romper e assumir as consequências. Cada um carregar sua parcela, suas decisões, suas sequelas.
Relacionamentos não são contratos de vigilância. São pactos de responsabilidade.
Ou há confiança, ou há desgaste constante tentando impedir o inevitável.
No final das contas, confiar não é ingenuidade. É maturidade.
Porque quem quer ser correto, será. E quem não quer., nenhuma cerca resolve!
Primeiro dia do último mês, dezembro sempre abre a porta de um jeito diferente.
O amanhecer parece sussurrar que tudo se renova, inclusive eu. Enquanto dirijo, olho pra frente e deixo a estrada me lembrar que o futuro é movimento. No retrovisor fica o que já me ensinou, no presente fica o que já me sustenta, e lá na frente, fica tranquilo que ainda não sei, mas que escolho esperar com fé, visão e gratidão. que dezembro mantenha esse mistério no ar, passado aceito, presente vivido, futuro chegando.
Ao longo da vida, morremos muitas vezes. Enterramos versões de nós mesmos e renascemos, nem sempre melhores, mas sempre mais conscientes.
O luto é a parte mais difícil entre o que deixamos de ser aquilo que ainda estamos aprendendo a nos tornar. Nada do que fomos morre por completo. O que ficou para trás sustenta o que evolui em nós.
Do sol atravessando a janela, do vento no rosto, do riso que nasce do nada, do café que esquenta a alma, dos silêncios que dizem tudo.
Hoje eu pensei na partida, mas foi por amor à vida. Por que quanto mais eu entendo o fim, mais quero estar aqui, sentindo, errando, recomeçando.
Talvez o desejo de viver seja justamente isso:
saber que um dia acaba, e ainda assim querer ficar.
Cada segundo que deixamos escorrer pelos dedos é uma página que jamais será escrita novamente.
Estamos vivendo ou apenas esperando pelo amanhã?
A percepção do tempo se faz eterna na distância
e milésimos na proximidade,
no mesmo instante do estar.
A distância obedece a um paradoxo
que sucumbe à percepção da proximidade.
A presença nasce justamente
onde o estar não existe,
carregando a sensação de sentir
aquilo que não se vê.
O despertar pela manhã
é o toque suave da luz sobre um corpo que repousa,
enquanto a escuridão da imensidão interna,
guardada pelo fechar dos olhos,
é rompida ao abrir.
