Poesias de Pedro Bandeira Mariana
"Até que a morte nos separe." Antigamente era mais fácil dizer isso. Havia mais disposição para ver o tempo passar, menos pressa, porque as distâncias eram maiores. Quanto menor a distância, maior é a pressa e a ansiedade de chegar.
A experiência normativa do processo: depois da tristeza, a alegria. Não a manifestação eufórica, irreal, mas a serena alegria, aquela que, antes de ser externada, nós construímos no silêncio do coração.
Organizar o luto talvez seja isso: recolher o que da vida restou. E como é belo recolher o amor e suas respectivas saudades. É uma forma de afirmar que a vida não foi em vão. Não foi uma experiência que passou pelos vãos dos dedos, mas registrou-se nas cordas do coração.
Meu caro, há uma diferença fundamental entre a Filosofia e a Jardinagem que vale a pena ressaltar. A Filosofia é o lugar da complexidade. A Jardinagem é o lugar da simplicidade. São territórios muito distintos. A Filosofia é o campo das perguntas e respostas. O jardim é o campo onde a vida prevalece misteriosa, mas ao mesmo tempo totalmente revelada. Por mais instigante que seja o contexto da complexidade filosófica, vez em quando a gente se cansa dele. O jardim é o lugar da contemplação, e a contemplação não é outra coisa senão o descanso do pensamento.
Temos que dar lugar a outra forma de vida resistente ao sol; afinal, o ser humano é adaptável, acharemos outro lugar!
Não há maior tristeza do que a de não ter tristeza. De viver sem a angústia que nos faz sentir a beleza. De ser um ser sem sentido, sem paixão e sem nobreza. Antes a dor que me inspira do que a alegria que me entorpece. É que o poeta só existe se tiver a alma em chamas, pois o fogo que o consome é o mesmo que o ilumina. Vejo a vida como um fardo, carrego-a com ironia, pois o inferno canta mais baixo em dia de agonia. Então, que me dê a força para escrever o que ninguém ousa dizer, que me dê a coragem para enfrentar o que ninguém quer ver. Que me dê a lucidez para saber que tudo é vão. Que me dê a ironia para rir da minha condição. Que me dê a amargura para temperar a minha poesia. Que me dê a tristeza para ser a minha alegria.
É curioso pensar em quantos lugares incríveis existem no mundo, aqueles cantinhos que a gente nunca vai ver nem mesmo ouvir falar. Lugares que estão ali, silenciosos, vivendo suas próprias histórias. Existem praias isoladas, templos antigos esquecidos, florestas que abrigam segredos que nem a ciência ainda compreende. Lugares que guardam histórias que nunca serão contadas, belezas que nunca serão vistas e detalhes que permanecerão eternamente desconhecidos. Às vezes penso nisso e me perco por alguns minutos
A sociedade nos direciona para que passemos a vida indo atrás de troféus futuros. Mas qual o valor real desses troféus? Quanto essa busca atrapalha o que estamos vivendo agora?
A religião é a tentativa da espécie humana de se auto-humilhar em sua própria imaginação. É a única instituição que permite que um homem tenha uma licença moral para ser estúpido.
A verdade é que a maioria dos seres humanos são profundamente ignorantes e dogmáticos, e muitos são felizes assim.
A imaginação é a força que nos leva a questionar o mundo e buscar novas possibilidades. A razão muita das vezes está a serviço da justificava da ordem vigente.
A vida é um mistério que nunca poderemos compreender completamente. Precisamos aprender a conviver com a incerteza e a encontrar significado nas perguntas que nunca terão resposta.
Sinto-me tão exausto, tão esgotado e tão vazio, que não tenho forças sequer para sentir a minha tristeza. A minha desolação é tão grande que já não me dói.
Não é sob a forma de lembrança que o fato esquecido reaparece, mas sob a forma de ação. O doente repete sem saber se tratar de uma repetição. Esse é um princípio psicanalítico de Freud.
A angústia existencial é perceber-se livre, autônomo e soberano, é ter que transformar infinitas possibilidades de vida em uma só. Se existem 100 possibilidades e você precisa escolher uma, a única certeza que você tem a priori é que desperdiçou 99 possibilidades que agora não serão vividas.
A desigualdade é fruto da liberdade. Individuais iguais não são livres e individuais livres não são iguais
Um erro conhecido causa menos dor do que o desafio de algo novo. O hábito se fixa na região pré-frontal do cérebro e subsiste mesmo na ausência de memória.
Nos ensinaram que os extrovertidos são mais maduros e equilibrados. Não é verdade, muitos são sociáveis porque não suportam ficar sozinhos.
A vida é como uma grande festa, onde você conhece bastante gente, e sempre chegam novas pessoas, mas em algum momento essas pessoas irão embora, e você também irá, e o mais triste de tudo isso é lembrar que essa festa continuará sem você.
