Poesias de Gregorio de Matos Guerra
Cada cicatriz é escritura da guerra, marcas talhadas na carne, poemas de sangue e vitória. Superar é escrever com lágrimas ardentes, um livro em que a dor e o riso se fundem, tinta eterna da vida.
O rei se levanta não para a guerra, mas para a restauração da ordem através de um ato de profundo afeto.
A exaustão transcende o físico: é a fadiga da alma que trava uma guerra invisível nas trincheiras da própria consciência.
Sou o sentinela e o prisioneiro de uma guerra que nunca cessa. No tribunal noturno da mente, cada lembrança esquecida retorna como testemunha hostil, expondo minhas feridas com uma precisão cruel. O silêncio, esse juiz disfarçado de paz, sentencia-me a reviver o que tentei enterrar. Quando os pensamentos se libertam, tornam-se lâminas: cortam sem aviso, rasgam o que o tempo tentou cicatrizar. A sombra, paciente, estende sua mão, prometendo descanso em troca da rendição. Mas há em mim uma centelha teimosa, um lampejo que recusa a dissolução. Assim sigo, numa vigília interminável, onde a lucidez é tanto escudo quanto lâmina. Cada instante é um duelo, e cada suspiro, um veredito suspenso entre a luz que sangra e a escuridão que observa.
O conflito não está no clima externo, mas na guerra interna entre o desejo de pertencer e a urgência de se proteger. Não se trata de superar a frieza do mundo, mas de derreter a geleira construída ao redor da própria essência para que o calor possa fluir.
A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.
O amor exige mais coragem do que a guerra, pois na guerra você enfrenta o inimigo, no amor, você enfrenta a si mesmo.
Ao declarar guerra, nunca se esqueça que fazendo isso, você está revelando ao seu inimigo o mapa do seu caminho e sua intenção, eliminando o fator surpresa.
As mágoas antigas têm trilhas que lembram histórias de guerra. Passo com botas e tomo cuidado para não reabrir feridas. Algumas ainda sangram quando piso no lugar errado. Por isso caminho devagar e olho os pés. Aprendi a ser mestre em passos suaves.
O cristianismo é a força mais sanguinária da história, uma máquina de guerra e extermínio que moldou o Ocidente sob o rastro de pilhas de cadáveres. Não se trata apenas de conflitos isolados, mas de uma estrutura ideológica desenhada para o massacre, onde a cruz sempre serviu de estandarte para a pilhagem e o genocídio. É impossível dissociar o cristianismo das maiores atrocidades da humanidade, pois ele forneceu o veneno cultural e a base moral que permitiram o surgimento do Nazismo e a aniquilação de civilizações inteiras. Do antissemitismo milenar das igrejas até a legitimação de regimes totalitários, essa religião não apenas testemunhou as tragédias ocidentais, ela foi a arquiteta primordial de cada uma delas.
A geopolítica das famílias é mais perigosa do que qualquer conflito armado. Nenhuma guerra ameaça exterminar a paz cotidiana com tanta eficiência quanto uma relação conturbada com a sogra.
Poeta algum, mesmo que deposto na guerra da vida, será jamais derrotado pelo mais arguto crítico, pois só um detém a veracidade da Arte e de si próprio.
A Paz é opção. Brutalidade é protocolo de emergência. A mente preparada não busca guerra, mas sorri quando ela chega.
A guerra serve para repensar os momentos de paz e a paz, por sua vez, nos lembra das turbulências internas que já enfrentamos.
Há uma guerra silenciosa em meu peito, sem plateia, sem trégua e sem ninguém para recolher os escombros das minhas derrotas diárias.
Se você passar por uma guerra no trabalho ou fora de casa, mas tiver paz ao chegar em casa, você é um homem feliz.
União não é caminhar sem conflito; é permanecer lado a lado mesmo quando a guerra bate à porta, escolhendo lutar juntos e não um contra o outro.
“Nem a paz é eterna, nem a guerra. O amadurecimento se forja na travessia entre a dor e a bonança.” - Leonardo Azevedo.
Na vida, na guerra apenas os muitos inteligentes sabem o momento certo e tem coragem necessária de recuar.
Se há necessidade de uma guerra, que seja unicamente de legítima defesa, com o fim de salvar a própria vida, se não houver um outro jeito, civilizado, de se proteger. Fora isso, uma guerra, nesta altura da vida, é estupidez ou capricho pessoal de certos governantes.
