Poesia que falam de Olhar
'RODADA'
Desesperançados pelas madrugadas
O olhar veemente [de todos] pede rodadas de Ilusão nas veias
Sem ceias de profusão à mostra
Sem respostas imediatas
Algumas pitadas de desilusão nos fins de semana
Vai deixando a vida menos ´monótona...
Fardos de subterfúgios nas costas replicando visões decaídas
É disso que todos precisam: viver menos!
Mais uma rodada de ilusão por favor!
- Sem pedaços de percepção
Precisamos cair no chão como sempre
Pois foi de lá [sem querer] que todos viemos...
Rodeados de amigos nas horas incertas
As rodadas sempre acabam uma após uma
Os camaradas também [se vão]
Espalhando confusão para quem assiste ao lado de fora
Talvez alguns não voltem
- Quem se importa?...
Tentamos aniquilar a vida tediosa
Pouco importa a aparência de zumbi
Somos guaranis nas selvas esquecidas
Homicidas nas rodadas diárias que nos mantêm vivos
Intrusivos
Tal qual espécies isoladas
Sinônimos de extinção...
Eu penso
Em um olhar
que não me olha
E enquanto
Esses insistentes pensamentos
Existem
Sem que eu possa fazer nada
Aquele olhar
Que não me vê
E tanto eu preciso
Insiste em vir morar ou se esconder
Num momento qualquer
de algum sonho
A saudade tira o sono
Fico no portão
Esperando a quem não vem
Vejo
A luz da lua
Projetando a sua sombra na calçada
A vida me cobrando
O peso dos anos de ausência
A violência
Com a qual me agride
A brisa mansa que me diz
Que eu também preciso
Viver aquele momento
Em que a alma se decide
Em finalmente ser feliz ou não
Resolvo buscar em mim mesmo
Palavras certas
Como a quem simplesmente
Ora no deserto
Me envolvo com tudo aquilo
E oro com tanta fé
Que sonhos, desejo e insônia
Brisa mansa
Coração que não se cansa
E de tanto insistir
de repente
Parece que dá tudo certo
Aquela acalentada presença
Já não me parece
Nada distante
E no instante em que eu abro os olhos
E vejo que está aqui.
Edson Ricardo Paiva
Hoje
Tudo que eu queria
Era amanhecer o dia
Olhar ao lado
E te ver dormindo
Meu Deus
Meu dia seria lindo!
Hoje
Eu queria tanto
Escrever poesia
Olhar pra lado
E te ver sorrindo
Todos os meus sorrisos
seriam por ver
Teus olhos brilhantes
Hoje
Tudo que eu queria
Era deitar ao teu lado na rede
e dizer que preciso
pra sempre do teu olhar
...e só isso
Paz e simplicidade
e amor
e amizade
Cumprir o compromisso
E provar ao longo da vida
que de tudo que um dia eu disse
Nenhuma palavra foi esquecida,
Edson Ricardo Paiva.
Havia um poço
Nos fundos de algum quintal
Onde existiu um olhar
Com ar bem mais moço
Existia um varal
Pra pendurar
Esperanças ou promessas
Que pra bem ou pra mal
Nunca mais houve outro igual
Essa pressa apressada em viver
Transforma tudo em lembrança
Enorme saudade
Essa coisa disforme
Sem nome
Do fundo do coração
Envio aos Céus uma oração
desde o começo
A vida correu
Ao avesso
E o poço estava lá
Meu moço olhar envelheceu
Desilusão acima de tudo
E eu me iludo
Hoje, ao nível do Mar
Não sopra o vento
E assim tudo navega
Ou se vive à deriva
Sem lágrimas
de maneira alguma
Não existe uma brisa para secá-las
Hoje, assim como ontem
Quase ninguém escuta
Aquilo que fala o coração
A melhor maneira
de viver como não se quer
Começa em fazer e fazer e fazer
Aquilo que quer
da maneira que convier
Nos fundos de algum quintal
Um poço secou
E se olhar direito
Talvez o olhar que existiu
Jamais tenha sido
do jeito que a gente viu.
Edson Ricardo Paiva.
O Mundo se move
A vida passa
e nada fica no mesmo lugar
Se olhar direito
Pro dia de ontem
Talvez a gente reconheça
Em sombras que se escondiam
Muito mais coisas ocultas
Nas dobras da escuridão
Pensamentos se cruzam
Qual se arroios fossem
E o tempo que passou-se ontem
Hoje nos trouxe
Um pouco mais de força
Talvez energia nova
Um certo apoio
Um abrigo no peito
O trigo apartado do joio
E que prova valer a pena, ainda
Prosseguir de alguma maneira
Pode ser que à margem do caminho
Pisando leve e pelas beiras
O nosso breve tempo
Que a cada dia se prolonga
Mais e mais
Um barco no rio
Quem sabe um dia frio
Onde não cabe um abraço
Um espaço de tempo
Antes que a tempestade desabe
Talvez uma vida sem paz
Um sonho um tanto pesado
No sono, a cada dia mais suave
Enquanto o tempo a vida leva
E talvez a gente nunca entenda
A estupidez ilógica
Que determina
Se existe uma vida de verdade
Com a qualidade
E a opção de ser feliz
Ou então
Se o mundo é somente
Uma ferida aberta
E não existe um lugar
E nem hora certa pra nada
Portanto
A gente vai pisando à margem
Andando pela beira pra sempre
Felicidade
Somente uma lenda
Até que o mundo compre o corpo
de quem não pôs a alma à venda.
Edson Ricardo Paiva.
O Mundo se move
A vida passa
e nada fica no mesmo lugar
Se olhar direito
Pro dia de ontem
Talvez a gente reconheça
Em sombras que se escondiam
Muito mais coisas ocultas
Nas dobras da escuridão
Pensamentos se cruzam
Qual se arroios fossem
E o tempo que passou-se ontem
Hoje nos trouxe
Um pouco mais de força
Talvez energia nova
Um certo apoio
Um abrigo no peito
O trigo apartado do joio
E que prova valer a pena, ainda
Prosseguir de alguma maneira
Pode ser que à margem do caminho
Pisando leve e pelas beiras
O nosso breve tempo
Que a cada dia se prolonga
Mais e mais
Um barco no rio
Quem sabe um dia frio
Onde não cabe um abraço
Um espaço de tempo
Antes que a tempestade desabe
Talvez uma vida sem paz
Um sonho um tanto pesado
No sono, a cada dia mais suave
Enquanto o tempo a vida leva
E talvez a gente nunca entenda
A estupidez ilógica
Que determina
Se existe uma vida de verdade
Com a qualidade
E a opção de ser feliz
Ou então
Se o mundo é somente
Uma ferida aberta
E não existe um lugar
E nem hora certa pra nada
Portanto
A gente vai pisando à margem
Andando pela beira pra sempre
Felicidade
Somente uma lenda
Até que o mundo compre o corpo
de quem não pôs a alma à venda.
Edson Ricardo Paiva.
Pra que a gente possa um dia
Sentar-se na cadeira de balanço
E Num final de tarde
Olhar pela última vez
Pra dentro de si mesmo
E dormitar
Até que a morte venha
E nos acorde delicadamente
Pela primeira vez
Perceber que a vida passou
Não fica quase nada
Pouca coisa além que relações de afeto
Isso apenas nos indica
de que sempre
Alguma coisa vem
Mesmo que não fique quase nada
Fica o pó de giz, que flutuava à luz do Sol
Fica a Lousa apagada no final da aula
A bicicleta quebrada, lá no fundo do quintal
Que igual à vida
Foi ficando pra outro dia
Fica a lembrança
de um nome escrito na calçada
Quando o cimento permitia ainda
O Primeiro dia de trabalho
Aposentadoria
A condução que chacoalhava
A notícia boa que não vinha
Tinha também a ruim
Fica a culpa
Que toda desculpa despejava em mim
Os abraços que nos demos
Os laços de amizade e de amor
Só não fica nenhuma dor
Conforme a cadeira balançou
Ela se foi
Pois não pôde ser dividida
A arte da vida ensina
Que sempre existe alguma coisa
A jamais ser repartida em dois
Termina quando a gente sabe
e aprende
Que há sempre algo
Que ao nosso saber não cabe
E um dia qualquer
Pode ser a qualquer hora do dia
Será sempre o final daquela tarde
Quando o tempo finalmente nos alcança
A cadeira balança uma última vez.
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse apenas
O lançar um olhar ao mundo
Mas tem sempre alguma coisa a mais
Uma espécie de indiferença velada
A pergunta que germina da resposta
Quantificada na imensa quantidade
das eternas reticências
Que cada um de nós a guarda
Em silêncio profundo
Que diz que não vai dizer mais nada
Pois o mal não vem daquilo que faz mal
Ele só reage de maneira diferente
de gente pra gente, quaisquer sejam elas
Eternizando a alguma coisa
Que não encaixava e não cabia
e sabia que estava lá
Igualando desiguais, tem sempre algo mais
No invisível voo da Quimera
Flutuando em seu mais baixo nível
Te aguardando, sem demonstrar jamais
Que mais e mais ela te espera
O que conta é o que tivemos desde sempre
Escondido e sem fazer ruído
Em algum lugar dentro de nós mesmos
E que a gente morre
Sem nunca saber o que era.
Edson Ricardo Paiva.
Nem sempre
Olhar para os dois lados
Antes de atravessar uma estrada
É suficiente
Cuidado
Por querer viver o que não lhe cabe
Muita gente destrói a vida
Vende a alma
E só percebe
Quando descobre que agora
É coisa morta, que se pensa viva
Que não sente nenhuma paz
Nem mesmo na própria calma
E deseja a morte querida
E tem medo também da morte
Por não ter sabido viver
Se um pobre sabe sentir-se rico
Pode ser mais rico
Que um rei que não sente nada
As pétalas secam
As folhas caem
A árvore que mais cresceu
No final daquela estrada
Um dia há de ver-se
Enfraquecida desde as raízes
Por árvores que, infelizes a rodeavam
Isso é tudo que se deve saber
A respeito da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Se a gente fosse olhar direito
O que podia ser tão simples
Complicado, carregado de defeitos
Pode ser que sem querer
a gente compre
O que há muito
Deus já tinha dado
Parece
Que olhando do Céu
Esse pedaço esquecido
O tempo do verbo
Ficou no passado
E por menos que se divida
No final da tarde
É madrugada
Nada mais
Além de espaço
O vácuo Indescritível
Um sinal de igualdade
Um papel amassado
À esquerda o passado
Do lado direito o moderno
Qual se fosse o resultado
de tudo que a vida trouxe
Mas por menos que a gente divida
O produto final é nada
Na mente da gente
Um inferno e um Céu
Um tempo presente
Eternamente passageiro
Transitório
Inclusive o mundo inteiro
Até mesmo o papel
e a conta que estava errada
Na regra de três
Muito simples
A linha torta
Três retas
O passado retratado
Era quadrado
Fica sempre mais difícil
Quando o simples, complicado
Colocando distante o bem perto
Escrevendo o errado
Por seus próprios méritos
O tempo presente
No momento seguinte
Pretérito.
Edson Ricardo Paiva.
Quando chega o tempo
da Lua da colheita
Quanta gente satisfeita
A olhar a rua
É momento de festa
Dia de alegria
Porque
Desde que inventaram a vida
Toda alegria tem hora certa
Beleza prazo
Amizade vez
Quando chega a noite de Lua
Gente a olhar a Lua
Mente
Pra ser olhada
Olhando a Lua
Depois
Que a Lua se foi
Simplesmente.
Edson Ricardo Paiva.
Acabrunhado, infeliz
Quis o mundo seguir assim
De olhar parcial
Igual a quando te olha
Qual folha caída
Assim quis a vida
Tal luz escondida
Se vida se ausenta
Na noite perdida
Novamente vai-se a vida
Era nau na tormenta
Mera imagem pintada, aquarela
Apesar de procela, era o nada
Conforme é o passar do tempo
Os tempos mudam
Quis o vento soprar assim
De olhar enviesado
E se olhava de perto
Era só desalento
Triste vento, desenxabido
Mormente destituído
de graça e de vida
Uma adaga escondida a brilhar
Em cada desvão do caminho
Um triste cantar passarinho
Cantando baixinho
O seu triste cantar
Era quase um lamento
Meramente uma questão de escolha
Eram dois os caminhos
Simplesmente
Ser gente ou ser folha
A pensar-se imparcial
Mas o dia amanhece outra vez
E outra vez parece igual
Infeliz desarvorada
desejando , quase calada
Que seja feliz o dia
Esperança ela tinha
Qual folha caída
Alegrias de outrora
Isso eram coisas ... lá de outras horas
Demora, demora
e não vinha.
Edson Ricardo Paiva.
Este mundo é um lugar
Onde as coisas, de vez em quando
Fazem sentido
Basta olhar
Que quando não se entende um olhar
Não adianta dizer palavra
E mesmo assim
A gente as escreve
Pensando que assim
Pode ser que lá no fim do mundo
Pode ser que lá no fim da vida
Deve ter algum sentido pra tudo isso
Senão não teria um motivo qualquer
Nem sequer pra ter nascido
Neste mundo
Um lugar onde as coisas
Normalmente fora de lugar
Aguardando arrumação
Que a gente quase nunca
Encontra tempo suficiente para fazê-la
É triste, é muito triste
Quando se percebe, que fatalmente
Mesmo assim
Há de se ouvir um sentido
No ruido que vem das estrelas
Mudas, perenemente mudas
Meus Deus
Este mundo precisa é de ajuda.
Edson Ricardo Paiva.
Quando eu era criança, ainda
Não me ensinaram a olhar o Céu
E chamar as pipas de "pipas"
Àqueles mágicos brinquedos
Eu dava o nome de "quadrados"
Em alusão à coincidência geométrica
Finas ripas de bambu,
papel de seda
e sonhos
A voar mais alto
Que o próprio urubu
Não havia e ainda não há
Qualquer outra coisa quadrada
A simbolizar
Com tanta desenvoltura
A liberdade
A simplicidade
E a ausência do medo de altura
Humildade de papel
A ganhar o Céu
Ensinando
Que nem sempre
fragilidade é sinal de fraqueza
Se cada coisa tem o seu lugar
O lugar do quadrado é lá
Nos Céus imagiários da minha infância
Pois as coisas simples
Sempre serão aquelas
belas lembranças
Que o tempo há de ensinar
Que ao final
haverão de ter
O lugar de maior importância.
O Amor de verdade
Quando chega
Não carece de brilho no olhar
Não precisa acontecer
Numa noite enluarada
Tampouco ser perto do Mar
Ele vem assim
Sem que ninguém o traga
Vem no vento
Pela força do destino
e te encanta
Mais que tudo
Que tenhais visto antes
Aquela moça
Te faz sentir
Que não és nada
Além de um mero menino
Perdido e apaixonado
Que não precisa de mais nada
Nada além
daquela moça
Sempre ao seu lado
E pra sempre por perto
e assim, te fazer saber
Que tens sorte
Te tornar
conquistador do Mundo
Alguém mais forte que a dor
Não haverá
nada que te faça ver
a cor dos olhos
ou dos cabelos
Tanto te faz, meu rapaz
Serão sempre os mais lindos
Aquilo que te prenderá
Será o aroma
que vier da alma
E que há de te inebriar
A vida inteira
Será
O amor que tanto queria
Aquele
Que pediste a Deus, um dia
Acabaste de conhecer
O teu amor verdadeiro
Meu olhar pela janela
Contorna o mundo
desisto de procurar-te
Verdade
Fecho os olhos
Imprimo-te na retina
Vou te vendo e vivendo
Vivendo e sonhando
de vez em quando
Eu tenho algumas ideias
Medéia
Ah, meu Deus
Como eu queria
Viver tantos sonhos
Abro meus olhos, tristonhos
Penso em pão e poesia
Eu e ela na janela
Felizes
No final de mais um dia
Nesse tempo e nesse lugar
Um pouco de paz
Nenhuma saudade
Somente felicidade
Tudo mais
Conforme vier a vontade
a gente faz.
Depois que eu olhei teu olhar
Percebi que algo mudou em mim
Notei também que a sua alma
Exala um cheiro de jasmim
Ou de alecrim
Só sei dizer que aquele olhar
Me despertou tamanha calma
Que há muito tempo eu não sentia
Se é que em algum dia o senti
Em horas iguais aquela
Tudo pára
Nada se move
Tem vidas em que a gente espera
Uma vida inteira
Por uma hora igual àquela
E quando acontece
É que percebe
Que não se preparou
Praquela hora
Que às vezes demora
duas ou três vidas
Pra que aconteça
E aquela emoção, há tanto contida
te paralisa de tal forma
Nessa hora
Que talvez seja somente o tempo
de soprar uma brisa
E aquele olhar foi-se embora
Agora
O jeito é esperar
Outra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Um rosto desconhecido
A se olhar no espelho pela manhã
Perguntou para a eternidade
Quem foi que conferiu
Essa autoridade, tão limitada
Pra que o espelho refletisse apenas
Algumas formas ainda perfeitas
E aquelas imperfeições tão pequenas
Coisas que não dizem nada
Sobre aquele rosto que fitava a própria imagem
Será que o segredo da vida
Era saber ornar ou diferir
A imagem refletida
da persona daquela alma
Escondida na calma ou na ausência desta
E que se faz a presença mais constante
Em cada momento da vida
Se um dia, nesta longa eternidade
Inventarem espelho que reflita
Não a imagem que se acredita, pois esta é bobagem
Mas a figura real e sem igual de quem se é
Pois seu medo era saber
Que se um dia não lhe for mais possível
Ocultar ao mundo os seus segredos
O que será que lhe resta?
Edson Ricardo Paiva.
Olhar o mundo
Pelos vidros da janela
Em vez de ir lá e ver
E depois, quando a garoa estia
Dizer que durante a tempestade
Mil relâmpagos havia
E os via de dois em dois
Ilusão tão ranzinza
Num céu pra lá de cinza
Sonhar outra vida
Refutar à própria estrada
Não chegou a nada
E perdeu a chance de ser
A pessoa que era
Chorou, na chegada no outono
O riso que fingiu na primavera
E nem era preciso
Você tira o canto ao pássaro
A impor-lhe uma vida de espera
Um cântaro vazio
Água fria não há
Mas tem sempre uma nascente oculta
Num lugar qualquer da poesia
O poeta a busca
Enquanto o pássaro a pranteia
Volta e meia se confundem
A escuridão revela
Claridade ofusca
Patéticos detalhes
Arquétipos pra lá de tolos
Os ares ao redor de Éolo
Serão sopros de ideias novas
Sempre as velhas mesmas
Resultando em nada
Estrelas no céu
Manto estampado
Um oceano em baixo
Pode ser que ao lado
Fronteiras do mundo
Simplesmente areia
Ilusão que germina a semente
Tão astuta era a promessa
Que resulta morta
O caminho era torto
Perde a luta e teu melhor da vida
Criança de braços abertos
Tropeça
Com pressa de abraçar o mundo
Abraça o chão
Simplesmente ilusão
E chora, até que percebe
Que teria sido um tanto bom
O tom do sustenido inverso
Ter nascido um simples grão de areia
Viajar por entre versos
E passear por todas as esferas
Estrelas, quasares, grupos de Planetas
Tão bonito e imenso Céu
Atravessar a vida
Na garupa de um cometa
Entoar, de carona
Um murmúrio inaudível
E segue a eternidade
Cantando a milhões de Universos
Edson Ricardo Paiva.
Se você chegar lá
Vai perceber a diferença
Entre ter alguém
Que lhe acompanhe com o olhar
Até você sumir na curva, ou não
E me contar se você viu
O frio, a cara de riso
Na tempestade negra que caiu
E o momento em que foi preciso
Fazer a exceção tornar-se regra
São essas coisas assim
Que tem o valor do que são
Portanto, enquanto ainda houver
Cura para os cortes...use!
Porque
Um laço de fita, um olhar
Prende a alma pelo encanto
Se você chegar lá, vai entender
Que pra quem não sabe o que quer
Tudo sempre se encaixa
E qualquer coisa serve
Mas que nada preenche a vida
Pois a vida é breve
Então, enquanto existir atalho
Ao caminho da morte...recuse
Pois, é sim, sempre possível
Encontrar o que tanto procura
E depois deitar tudo fora
Quando você chegar lá
Finalmente, vai saber
A razão
da lição que dizia
Que um mais um, são dois
E outras coisas que não sabia
No dia em que descobrir
Que o vazio
Ocupa um espaço imenso
Penso
Que nesse momento
Teus pés vão pisar no chão
Pois, quando a alma apenas voa
É sinal que viveu à toa
E, que pena, voou em vão!
Pois a visão era turva
Se você chegar lá
E descobrir
Que ainda existe sorte...não abuse
Tomara que tenha ao seu lado
Alguém que te ame de verdade
Te olhando, até sumir na curva
Porque, se não existe igualdade
Todo dia é do mesmo jeito
E tudo é igual, tristemente.
Pois é preciso ter amado de verdade
Pra ter o direito a deixar saudade.
Edson Ricardo Paiva.
