Poesia Felicidade Fernando Pesso
Os que tem muito à dizer, são os jovens incansáveis; os que dizem pouco, ou são sábios ou arrebatam a ignorância.
É difícil achar-se depois do sonho deixado por causa da saudade. Mata-se a saudade e o sonho lhe foge. Melhor seria continuar a viver realizado, que amargurado na paixão e sorridente no fracasso. Agora, quando se deixa um sonho intransponível e acolhe ao abraço acalentado, pois este mais lhe aprouve, perpetuando uma semente gentil, dê-lhe apreço, pois ali reside grande virtude. Não tenha medo de recomeçar!
Não ame uma pessoa pois ela diz que morreria por ti, ame alguém em que tenhas certeza de que chore, batalhe e mate por você. Pois a maior prova de amor não pode ser resumida em um ato, somente em um conjunto de ações que irão acontecer ao decorrer do tempo. Isso é amor de verdade!
Humildade não é alcançar a fama e continuar andando de ônibus. Humildade é não mudar após alcançar o topo, não deixando seu carro importado atrapalhar sua gentileza.
Não se engane, pessoas não morrem de amor! Mas por amarem tanto, acabam arriscando suas vidas por ele.
Para ser considerado um cadáver, o cidadão não precisa ter sido declarado clinicamente morto, afinal, é bem possível sentir o coração bater, o cérebro operar, e, mesmo assim, ter a incógnita e angustiante sensação de ser um alguém sem vida ou sem valor para o mundo e, principalmente, para si mesmo.
O tal ‘nascer-trabalhar-consumir-morrer’ acaba com nossa saúde emocional/física – na unha –, e faz com que tudo ao redor que disponha considerável relevância, passe a flutuar despercebidamente e sem a menor importância bem diante dos nossos olhos.
Trabalho, estudos, ou qualquer projeto que seja, nos insere em um vicioso e maléfico círculo de zumbis, daquele que nos torna marionetes guiadas por sonhos que acreditamos ter, mas que, por falta de tempo (e de tesão), mal lembramos quais são de fato.
Qualquer preguiça que criamos em pensar ou agir nos destreina para o raciocínio lógico, nos desperta para a ignorância, e, no fim das contas, desemboca pra valer naquela parada de ser manipulado, manja?
Geralmente não fazemos o que temos vontade, e sim, prosseguimos conforme o andar da carruagem e nos entregamos ao dançar conforme a música. Sempre, como bons e velhos piolhos censurados pelo próprio vulto.
O fanatismo religioso parece ter como função única matar ou apedrejar - mesmo com palavras - os que pensam diferente e/ou não seguem as escrituras que determinadas seitas consideram sagradas.
Depende de nós termos a "sorte" em escolher uma religião que demore a nos matar (na bomba, no bolso ou na mente, porém, sempre na unha).
O que estamos ensinando aos nossos filhos é condizente com o futuro que desejamos para os nossos netos?
Por que saímos de casa todos os dias para fazer algo que (geralmente) não sabemos o motivo pelo qual estamos fazendo?
É natural que apreciemos com mais afinco o nu físico ao nu da alma, afinal, somos bichos (escrotos) condicionados ao julgamento de livros pela capa.
A sabedoria sem conhecimento sobrevive; já o conhecimento sem sabedoria, tsc tsc tsc... não vale de absolutamente nada.
Tornar-se um alguém melhor está quase sempre relacionado à marola ruim mesmo, já que criamos uma casca imunizadora somente na tempestade, e não quando o barco navega em águas calmas.
Na vida empreendemos como nunca a todo instante, seja negociando (vendendo, comprando, trocando), arriscando, aprendendo, ensinando, transformando, gerundiando, compartilhando, nos relacionando, faturando ou, simplesmente, levando brabos prejuízos.
Somos um organograma cheio de tentáculos subdivididos por sócios minoritários, cuja hierarquia é definida de um jeito não premeditado e de acordo com o grau de afinidade para com os que nos rodeiam de luz e afeto, estes que são responsáveis diretos pelo sorriso ou pela cara feia que distribuímos diariamente aos quatro ventos.
Na vida profissional, pessoas comuns não chegam aonde querem. E no âmbito pessoal, pasmem, não há uma vírgula de diferença.
