Poesia Felicidade Fernando Pesso

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⁠Ninguém provoca uma guerra por causa de política ou religião.
Fazem guerra por poder e controle.

Inserida por robscheuer

"A Torre que tocava o céu"

⁠Construiu-se um dia, em pedra dourada,
uma torre tão alta, tão bem desenhada,
que o próprio céu, em sombra e fulgor,
curvou-se ao seu ápice, tomado de dor.
O rei que a erguia dizia sorrindo:
— Tocaremos os deuses, estamos subindo!
Ninguém mais morrerá, ninguém mais cairá!
Seremos eternos, além do que há.
Mas quanto mais alto se erguiam os muros,
mais fraco tornavam-se os elos futuros.
A torre, tão firme, perdeu sua base,
e o rei, cego em glória, ignorou a fase.
Até que um dia, sem som ou aviso,
uma pedra caiu do paraíso.
Depois outra, e outra, e então o trovão
desfez a torre com a mesma mão.
O rei foi soterrado no brilho que quis,
num império que nunca o fez feliz.
E dizem que ainda, por entre os escombros,
ecoam seus gritos: desejos sem donos.
Pois a queda é o fim de quem se recusa
a aceitar que a alma também tem sua lusa.
A ruína não nasce da noite ou da sorte —
ela é o preço de zombar da própria morte."

Inserida por robscheuer

⁠O Tecelão de Fios Invisíveis

"Um velho chamado Telmar, o Tecelão,
vivia no alto da torre da mão.
Tinha um tear de fios tão sutis
que ninguém via, mas todos sentiam.

Ele tecia o destino dos homens,
criava vitórias, moldava os nomes.
Com um puxar, fazia um nascer,
com um laço, fazia esquecer.

O povo dizia: “Telmar é poder”,
e o temiam, sem nunca o ver.
Mas um dia, um menino subiu
até a torre onde o medo fluiu.

— Senhor dos fios, por que nos prende?
— Porque vocês me pedem, e nunca compreendem.
Vocês temem a vida que escapa das mãos,
e preferem viver em minhas ilusões.

O menino então cortou um fio,
e o mundo parou, caiu o frio.
Pois todos estavam atados demais
às tramas que Telmar fazia por trás.

Aprenderam, então, que o poder que domina
é aquele que nasce do medo que mina.
E que o controle é a mais doce prisão
para os que recusam ouvir o coração."

Inserida por robscheuer

⁠Relicário do Tempo

No âmbar do tempo, há portais escondidos,
vestígios de astros, de passos perdidos.
O agora, que vibra em tão tênue espessura,
é sombra de outrora, é veste de altura.

Caminho em espiral sob cúpulas mudas,
em ruínas de horas, em casas agudas.
O tempo não passa — ele gira, ele espreita,
esculpe memórias na carne desfeita.

Se tento prendê-lo, escorre em minha mão,
mas volta em silêncio no sonho e no chão.
Se falo seu nome, ele cala em mistério,
oculto nos traços do mundo etéreo.

Talvez seja templo, talvez seja abismo,
ou um deus que se veste de ritmo e cismo.
Mas sigo seu rastro com olhos fechados,
ouvindo relógios nos céus enluarados.

Pois sei — mesmo quando se parte e se finda,
há algo no tempo que nunca rescinda.
Um fio, uma trégua, um véu de infinito,
que dança, que some… no velho labirinto.

Inserida por robscheuer

⁠O Umbral Invertido

Há um véu que se ergue no fim da ladeira,
tecido de névoa, bordado em madeira.
Ali onde os olhos já não têm abrigo,
a morte se curva — e retorna contigo.

Não vem como faca, nem sombra de açoite,
mas como um regresso ao ventre da noite.
Um porto sem nome, um espelho sem rosto,
um vinho ancestral sorvido com gosto.

O corpo se cala, mas algo persiste:
um traço, um sopro, um rumor que resiste.
E tudo que foste — promessa e engano —
recolhe-se ao pó do primeiro arcano.

A morte é um caminho que volta ao princípio,
um sino que ecoa num templo fictício.
Não leva, devolve; não cessa, transborda,
abrindo no nada uma porta sem corda.

E os que partem, dizem, não vão tão distantes —
permanecem na alma em forma de instantes.
São brisa que sonda o mundo adormecido,
são nome esquecido num canto contido.

Morrer é despir-se da forma do vento,
e ser o que sempre se foi por dentro.
É ter, no silêncio, um berço escondido —
é mais que um fim: é um umbral invertido.

Inserida por robscheuer

⁠O Véu de Lete

Antes do alvorecer, fui tudo.
Rei e réptil, mãe e mártir,
ferro e flor.
Fui punhal e promessa,
fui incêndio e oração.
Mas ao nascer, bebi do rio.
E esqueci.

O nome da lâmina que me cortou.
O rosto da alma que me amou.
Os juramentos murmurados entre dentes
na última noite de outra vida.
Tudo se perdeu.
Como areia entre os dedos do tempo.

E no silêncio do não saber,
floresceu o saber maior.
Não o saber das lembranças,
mas o saber do instinto,
da escolha que pulsa sem porquê,
do medo que avisa, da paixão que chama,
do erro que retorna como mestre.

Esquecer foi meu pacto.
Minha chance de ser novo
sem me ferir do antigo.

Pois se eu lembrasse…
ah, se eu lembrasse!
Perdoar seria impossível.
E amar, um risco repetido.
Cada gesto se tornaria prisão.
Cada encontro, um julgamento.

Mas neste esquecimento sagrado,
a alma dança.
Livre de correntes de glória ou culpa,
ela ousa errar de novo.
E ao errar, aprende —
não com a mente, mas com a essência.

No final, quando o corpo dormir
e o véu se erguer,
voltarei à margem do rio.
E saberei.

Mas por ora, bendito seja o esquecimento.
Ele é o ventre onde renasço.
É o chão fértil do esquecimento
que guarda a semente da eterna sabedoria.

Inserida por robscheuer

⁠A destruição ambiental que se alastra pelo planeta não é apenas um problema técnico ou político — é, antes de tudo, um sintoma psíquico.

A forma como tratamos a Terra reflete, com precisão simbólica, a forma como tratamos nossa própria natureza interior.

Inserida por robscheuer

⁠A cultura do espetáculo, humilhação e eliminação transformou-se em um palco coletivo para a catarse das sombras humanas.

A sombra coletiva, camuflada de moralidade, encontra no tribunal digital uma forma segura de extravasar pulsões que não foram elaboradas internamente.

O que está por trás desse mecanismo é o desejo de não olhar para dentro, ignorância da própria sombra.

Inserida por robscheuer

⁠Não existe
"silêncio dos bons",
pois nada de bom há naqueles que se silenciam diante da injustiça.

Inserida por robscheuer

⁠O problema não é o dinheiro.
É o roteiro oculto que ainda dita o quanto você pode, o quanto você vale, o quanto você se permite receber.

Inserida por robscheuer

⁠Seu padrão de ações define o seu padrão de consequências.

Uma obviedade que insistimos olvidar.

Inserida por robscheuer

⁠"Quem disse que é preciso ser bom em apenas uma coisa?
O sucesso não pertence apenas aos especialistas. Ele também sorri para os versáteis."

Inserida por robscheuer

Se você olhar pra vida de homens e mulheres de Deus da Bíblia.Eles creram na palavra que Deus falou a eles. E isso foi atemporal,pois na maioria das vezes a realidade deles era totalmente outra.Mas eles creram e seguiram na direção do que a Voz havia falado. E isso aparentemente não mudou a realidade ,mas mudou na eternidade e alcançou gerações e gerações. Aquilo que Deus confia a alguns é por que Ele conhece o coração deste e sabe que além de prosseguir na direção da vontade de Deus ,ele já está hábito a cumprir com o chamado.Mesmo que essa pessoa não se veja assim,mas Deus a conheço e sabe de verdade o padrão que Ele deseja para que essa pessoa seja o que Ele procura para cada propósito. Esse mundo gera padrões de aprovação que no Reino de Deus não garantem a legitimidade que vai estabelecer o cumprimento do que Deus espera.
Mas o Reino de Deus transforma e usa "aquele ou aquela" nos padrões que o Céu deseja para que se cumpra o que Deus preparou pra toda eternidade.

Inserida por FernandoF2

Halloween Diário.
Para quê? Aprender muito ou ler grandes livros se no dia a dia vamos estar rodeados de pessoas, com cabeça de abóbora.

Inserida por Fernandosoeiro

⁠⁠O canto

Tudo está calmo no campo minado
melros e rouxinóis cantam
e apenas um cuco sábio
cautelosamente silencioso.FernandoSoeiro

Inserida por Fernandosoeiro

Como assim... ⁠Humanismo é!

Eu respeito os outros por causa dos meus valores, não pelos seus comportamentos..

Inserida por Fernandosoeiro

⁠Vontade de humanidade. Sim

Vontade é uma força incontrolável. Glória aos que defendem os direitos universais. Devemos insistir no princípio de que a humanidade é uma família com interesses comuns.

Inserida por Fernandosoeiro

⁠Os imbecis sociais.

Uma pessoa fala de um assunto sério. E aparecem logo os necessários imbecis.

Inserida por Fernandosoeiro

⁠O trunfo do Imbecil.

Quando um imbecil quer falar de um assunto sério, só sai asneiras da sua boca.

Inserida por Fernandosoeiro

Triagem Social

⁠Ao longo da vida todos nós, estabelecemos relações sociais em diferentes esferas. Seja dentro da família, na escola, com colegas de trabalho no café, na NET, ou até mesmo com aqueles com que tivemos relações sentimentais que se encerraram sem rancores. São muitas as pessoas com quem cruzamos na nossa vida onde partilhamos assuntos épocas ou momentos, mas que nem por isso irão nos acompanhar para sempre. Muitas são relações que já não contribuem com nada para a nossa vida ou, pior ainda, porque se tornaram tóxicas, E acontece também que, vivemos como se padecêssemos de uma espécie de síndrome de absentismo social em relação á Humanidade. Muitas dessas relações não interessam e não nos trazem nada de novo á nossa essência, A todas essas pessoas e na qual se incluem os necessários imbecis sociais, chamados ( cabeça de abóbora ) que gravitam ao nosso redor, por várias razões tornam-se bastante difíceis de nos desligarmos delas é preciso parar de acumular amigos (seja na internet ou na vida real). E compulsivamente começar a valorizar as relações com aqueles com quem realmente vale a pena passar o nosso tempo.

Inserida por Fernandosoeiro