Poesia Felicidade Fernando Pesso
Relâmpagos acendem o céu úmido dessa alvorada, uma rajada de trovão grita o dia bucólico chora, a vibração em pranta à flor da terra, canta um mantra sagrado purificador aos sons das águas à dádiva ao solo é Amor.
Amor é chama ardente é maçã da tenção é Eva e também serpente.Amor é fogo que arde e queima por dentro da gente.
Apetrechos na maioria das vezes são inúteis sem serventia a não ser que possamos derreter e converter em poesia
Falando de forma concreta o poeta necessita d'uma ponte de ligação entre ele e a lua para regressar à Terra de quando em vez e sentir-se mais seguro em relação ao mundo.
De pura inquietude sou feita, vontade de lamber o mundo como fosse uma tigela cheia de mel melecar as mãos e os beiços no sentido mais simples da palavra lábios de mel.
sabor de seu olhar que me desnuda com ansiedade, com efeito causa encanto e por causa paixão, amor e devoção que nunca têm fim, além de tu e de mim...
És fazendeiro plantador, tecedor de hectares de versos que te pulsa o coração, coletor de floradas de poesias avulsas, ilusão que cursa na Ursa Maior.
Amor é a fórmula que revigora o coração o elixir de existir que recompensa, por isso há magia nos passarinhos assentados numa corda pensa...
Vale a pena sonhar com um poema cuja alma tem grandeza e nunca se apequena, sempre vale a pena segurar entre os dedos a pena e escrever o enredo de sua alma, meu lindo Poema.
Contentamento sinto com o melro seguro na laranjeira! Mesmo no escuro não tenho medo de perdê-lo, pois meus olhos veem lume na flor que ele ousa pousar.
...sobre o amor, é bem assim, uma segurança insegura, uma loucura que se cura com a presença, mas deixa efeito colateral com a ausência...Um frio que percorre a espinha dorsal congela o coração fractal, que tenta manter o vício aflito do batimento imprescindível, busca alento, quem sabe no vento que conduz o melro que seduz com poesia...
Poeta de carteirinha, assinada e assumida e sendo assim presumo não preciso mais me resumir, pois sou o próprio resumo da poesia, tal qual o sumo da chuva, do ar que me faz respirar e nesse mundo tudo sentir.
Eu e tu sempre estaremos em cada estrela no firmamento, em cada asterisco desenhado em qualquer papel amassado, nas laudas e nas margens, estaremos sorrindo e rabiscando poesias, quais aves, andorinhas riscando os céus.
De novo dia, novo tempo, amiúdes pensamentos voam feitas borboletas foragidas das crisálidas que ficam penduradas nos arvoredos.
independe das agressões dos outros e do tempo, o sol sempre acorda no horizonte ou entre as muralhas de cimento, e assim vamos sonhando novo caminho, buscando uma trilha melhor, voltando as nossas ilhas do interior, caindo nas nossas armadilhas de amor, sem dó do tempo.
Intervalo-me, intercalo-me entre afazeres e logo outro déjà-vu, alfajores argentinos pra inspirar, café em cápsulas descartáveis.
Intervalo-me, intercalo-me entre afazeres e logo outro déjà-vu como alfajores argentinos e bebo suspiros nos ares.
No coração só fica quem merece, se não faz por merecer, esquece, pois a vida é curta demais, vamos curtindo-a e sendo curtidos como pimenta com chocolate, uma hora ela nos acaricia e adoça, outras de nós faz chacota, chicoteia e abate, dá sentença e apena, mas o perfume das flores faz amena, ah, como a vida vale um poema! ...Esses detalhes somais e devore-os quais almoço.Olhe esses detalhes seu moço, nos dão lume de paz, acalmam e apaziguam nossa alma com bem estar e seguimos quase incólumes pela vida.
Guardei uma chuva de flores, quando do teu olhar um dia choveu pedriscos de expectativas, orvalhos diáfanos, hibiscos vermelhos e centenas de beija-flores famélicos.
A morte faz parte da vida, nesse paradoxo louco, vamos vivendo e morrendo pouco a pouco...Cada dia vivido é um dia ido com um pouco de nós anexo.
