Poesia do Preconceito Vinicius de Morais

Cerca de 121796 frases e pensamentos: Poesia do Preconceito Vinicius de Morais

⁠O casamento feliz, o ideal, o almejado por muitos, segundo Nietzsche, seria como uma prisão perpétua, mesmo assim poderia dar certo; desde que prisioneiro e carcereiro se amem a ponto de tornar a convivência possível e harmoniosa.

⁠Todo escritor que leva a sério seu ofício mais que sagrado, deve se comportar no mundo como um grão de areia. Não deve esperar que pessoas comuns reconheçam seu gênio criativo. Outra coisa é saber que sua obra sempre ficará inacabada, nunca seremos completos ou ficaremos satisfeitos com o que já produzimos.

A IA não ri, não sofre, não mente, não faz chorar. Não escreve poemas de dor que sangram do peito, não arqueja de prazer, não goza para fingir que sabe amar. Não sente o peso de um abraço tardio, nem conhece o silêncio que corrói a alma entre palavras não ditas. Ela processa dados, imita vozes, reconstrói emoções como sombras de um eco, mas jamais se rasga, jamais se entrega, jamais se cala com as lágrimas e sussurros que só o coração humano carrega. Perfeita na precisão, inexistente na verdade de ser, ela permanece alheia ao instante em que a vida dói, vibra, ama ou se despede. E é justamente nessa incapacidade de sentir que se revela a essência do humano: o erro, a paixão, a perda, o arrependimento, o desejo, a finitude — tudo aquilo que escapa à lógica e que confere à existência sua pura e dolorosa verdade.

“Você pode escrever bem, acima da média, usando apenas a sua mente, sem buscar recursos tecnológicos. Estude e leia muitos livros, sobretudo os clássicos da sua língua. Depois de 40 anos de exercícios — como eu fiz —, quem sabe assim você se convença de que é um escritor. Além de tudo isso, escreva 40 livros, como modo de treinar o que estudou, exercitar o aprendido e corrigir o próprio caminho.”

Todo e qualquer projeto ao qual o homem se dedique está fadado ao fracasso quando confrontado com a complexidade do universo.

Onde moramos, onde desejamos viver — quando amamos alguém, esse alguém torna-se nosso lugar de repouso. A ausência seria o desespero de não ter para onde voltar. Assim eu sinto: ela é minha casa, meu lugar de morada. Não desejo outro canto, ainda que às vezes eu saia; sei que existe um lugar no mundo para o qual posso sempre retornar em segurança. Contudo, essa certeza também é conflitante: saber que, sem ela, meu mundo se perderia, sumiria junto com sua ida. Se um dia isso ocorrer, serei nômade, alguém em fuga, em profundo desamparo, à procura daquilo que já não pode mais ser encontrado.

Se você for ateu, provavelmente não será morto por um cristão por ser ateu; mas, se for cristão, poderá ser perseguido tanto por ateus quanto por outros cristãos de denominações diferentes da sua.

Não sei se devo perguntar, mas como devo ser pra você me amar? Não se preocupe com a resposta, minha insuficiência me ajuda a me adaptar.

Às vezes, a maior força mora justamente no homem que já não consegue levantar sozinho, mas continua acordando todos os dias para enfrentar o próprio corpo.

Viver minha liberdade, sem aceitar as liberdades dos outros , me faz um psicopata de desejos e impulsos.

Um adolescente doente, tentando mudar algo que nunca entendeu e talvez nunca entenderá, é uma fase da vida que não dá para replicar, a revolta antiga sonhos passados, o que queria para um futuro mas não vai alcançar.

As tragédias que o tempo não nos deixam revisar e voltar fazer diferente tentar consertar ...O paradoxo eu.

O grito da mídia domina você, quer dormir acordar sempre ao teu lado te fazer de irmão te fazer de escravo.

Por mais real que ainda pareça ser, as mentiras bem contadas dizem que nosso choro é em vão, mas são clichês repetitivos ao longo de milhares de anos, mas não me parecem reais.

O mundo pela janela e os muros dessa prisão, fazem da minha vida numa história um filme, de ficção, meus olhos nos olhos dela numa cena de emoção.

O sujeito pode passar a vida inteira dizendo que é racional demais pra essas coisas, que religião é invenção humana, que tudo se explica pela ciência. Mas basta o elevador balançar, o telefone tocar de madrugada ou o coração apertar numa rua vazia depois da meia-noite… e o homem procura alguma proteção invisível. Nem que seja dentro dele mesmo.

O Rio não permite soberba por muito tempo. A paisagem é divina, mas a vida cobra pedágio. Entre o mar e o morro, entre o cartão-postal e a sirene, o povo aprende cedo que ninguém controla tudo. E talvez seja daí que nasça essa mistura tão brasileira de fé, superstição, respeito e sobrevivência.

Morar no Rio de Janeiro é aprender que coragem não é ausência de medo; é vestir o medo e mesmo assim pegar o ônibus, atravessar a rua, abrir a porta de casa e seguir vivendo.

Quem carrega um terreiro de paz dentro de si percebe essas coisas. Aprende a selecionar companhia, palavra e energia. Não por arrogância, mas por sobrevivência emocional. Porque a alma também pega poluição.

Tem gente que entra na praia como quem entra numa igreja. Pisa devagar. Olha pro horizonte. Faz silêncio por dentro. Pede licença pra rainha do mar. Outros passam pela mata e sentem um arrepio antigo, como se os galhos observassem a humanidade com paciência milenar. Há quem, depois da meia-noite, diminua o tom de voz em certas esquinas, não por medo apenas, mas por respeito ao povo da rua, aos invisíveis, aos que caminham entre a fé e o mistério.