Poesia de um Coração Apaixonada
Recomeçou em outra direção
Tirou sua máscara.
Mas tirou-a tão lentamente que ela demorou tanto a perceber o que ele realmente era.
Um coração partido.
Uma vida sem sentido.
Um nada perdido num emaranhados de nadas...
De uma vida tão desesperada.
E ele conseguiu enganá-la.
Ela foi sendo enredeada como uma aranha enredeia sua presa.
Foi sendo sufocada.
Va-ga-ro-sa-men-te...
Tão vagarosamente que nem sentia mais a falta de ar.
Nem sentia mais as dores das amarras.
Nem sentia mais que ele a estava a matar prazerosamente.
Mas...
Nenhum personagem se sustenta por tempo demais.
E, em tempo, ela conseguiu perceber o que estava ele a fazer...
E tomou, então, a decisão.
Sim, cortou-lhe o coração.
Desenlace de amor
Tempos turbulentos.
A vida vivida de momento em momento.
Tristeza ao nascer do sol até ele se pôr.
Um dia inteiro passado sem um pingo e cor.
Isolamento total.
Medo mortal.
Bombas que caem.
Pássaros que dos ninhos já não mais saem.
Pessoas que pela linha da vida se equilibram.
Respiram um ar poluído.
Terra que esmorece.
Lentamente adoece.
Sigo.
Trilhas difusas...
Coração partido.
Mente confusa.
Prepare seu coração
Prepare seu coração
pras coisas que vou te contar...
o sol se apagou
e a lua parou de brilhar...
O amor que existe em mim
é o mesmo que você viu nascer,
crescer... e mais crescer...
mais amor se fazer.
Por que você não volta?
Não sabe a falta que faz?
Escolheu o caminho errado...
e por isso o sol continua apagado.
Remexo as palavras.
Faço poesia.
Tenho esperança, muita esperança...
De te convencer um dia.
Abstinência
Há um vazio de mim mesmo
Rondando por aqui…
Algo que eu não costumava sentir.
Acabaram-se as prioridades.
Tanto faz igualdade ou desigualdade.
Um buraco no meio peito.
De esponja sou feito.
Não sei se falta em mim
O que sobra em você.
Dói em mim algo que não tenho…
Como é possível?
O coração dispara se penso em você.
Falta-me o ar se penso em você.
O que falta em mim…
Você pode devolver pra mim?
A tranquilidade do meu coração.
E mais… ele completo, por favor,
e… ainda, deixe-me sempre com ar por perto.
Essa abstinência de você está me matando.
Essa abstinência de mim, me dilacerando.
Essa dor fantasma está me consumindo.
Sinto-me sumindo… o coração… a mão… o braço…
De pouco em pouco… vou-me despedaçando em mil pedaços.
Tenho-te em mim
Tenho-te no olhar.
Sem qualquer outra intenção que te amar,
visto-me de ti.
Tenho-te no coração.
Por mais que eu estenda minha mão não consigo te tocar.
Estás tatuado em mim.
Em mim é teu lugar.
Por que vives a te mudar?
Meus sonhos
Coração machucado
dentro do peito
bate descompassado.
É tu que lá vens.
Guerreiro sem escudo
Bate forte... mantém-se mudo.
É tu que lá vens.
Coração magoado
chora baixinho
ama grande
se faz pequenininho.
É tu que lá vens.
Machucar mais meu coração...
Faz isso não...
Vá embora, mas vá pra sempre
Diga adeus definitivamente
Não volte nos meus sonhos
Se eles não são mais os teus.
Seriedade
A vida exige seriedade,
compenetração, concentração
mas só é vida de verdade se vier com pitadas de diversão...
Na vida há de se manter o prumo,
seguir sempre certo rumo,
O rumo certo?
Ninguém jamais saberá ao certo?
A vida, às vezes, bate forte,
derruba você no chão,
pisa, amassa, machuca...
funde sua cuca...
ultraja, ofende, insulta...
e ainda por cima... diz que é toda sua a culpa.
Chora coração...
Seu olhar
Há algo em seu olhar...
difícil de explicar
está bem no fundo de seus olhos...
parece que pra sempre lá vai ficar.
Medo? Indecisão?
Insegurança, talvez?
Quem sabe se você souber
que nunca deixei de lhe amar...
sinto no meu coração
o mesmo amor que vejo em seu olhar?
Quem sabe...
você, então, vai conseguir expressar
que sou a única que você sabe amar...
e que seu coração você quer me dar... ;)
Ventos do inverno
O vento do inverno ameaçava congelar seu coração...
Era uma vez... ou não era não...
Porque todas as histórias têm de começar assim...
Por que tudo tem de ter fim?
E o vento continuava sua jornada,
congelando tudo o que encontrava pela frente...
atravessou a noite e
o futuro desintegrou-se sem aviso prévio...
memórias partidas com tantas idas.
Extinto o futuro,
não haveria mais nenhuma despedida...
Com o futuro implodido
foi-se tudo o que poderia ter sido.
Foi-se... sem ter acontecido.
Minha solidão
Parecia minha aquela solidão
Era um vazio tão profundo,
um andar tão só no mundo,
um tormento de isolamento.
Parecia minha aquela solidão...
Vinha sempre tão sozinha,
só acompanhada de seus fantasmas
só com coração repleto de solidão.
Só, sozinha em sua solidão,
só queria que alguém na multidão
estendesse
pelo menos uma vez a mão...
e lhe tocasse o solitário coração.
Borboletas
Borboletas num sobrevoo…
Sobre as flores.
Desamores.
Desapegos.
Dias sem medo.
Solidão.
Dor no coração.
Um vento brando sopra…
A melancolia toma conta…
Tudo mudo no fim das contas.
Machucada
Ao solo vergada.
Machucada.
Foram tantos os vendavais e tempestades
Quase acabaste em nada.
Tua dor revelada
Em fundas marcas e cicatrizes.
A vida te deixou ferida.
Mas, ainda assim, amas a vida.
Há uma força em ti.
Coração perseverante.
Tuas tentativas revelam-se o bastante.
Amas a vida... amas estar aqui.
Na direção do sol nascente
Olhava a Leste... na direção do Sol nascente... todas as manhãs.
Sua esperança?
Ver voltar seu bem que naquela direção um dia partiu.
Tinha andado léguas e léguas, e não o encontrara.
Sentia a solidão do tamanho do mundo em cada fim de tarde que retornava.
Não consegue fazer calar seu coração...
É sua alma gritante pedindo licença
Pra ecoar sua razão: ele não deveria ter partido... deveria tê-la ouvido... as terras à Leste são longes demais...
Retornar... não saberia ele mais?
Barra do leme
Meu próprio luto.
Sofri um naufrágio...
Estado total de triste apatia.
Em nenhum lugar me encaixo...
Pode o mundo virar de cabeça pra baixo.
Quando minha cabeça toca o travesseiro...
Cadê aquela guerreira?
Âncora levantar.
Por esse marzão imenso navegar...
Sem roda do leme, sem governo, sem timão...
Nunca mais atracar.
Só... e só as batidas do coração.
Vontade imensa de a chuteira pra sempre pendurar...
Se decidires
Se decidires não mais me amar,
afasta-te de mim.
Por favor, vá sem aviso prévio!
Busca outra estrada pra caminhar.
Procura outro jardim pra o perfume das flores sentir.
Busca outro mar pra mergulhar.
Se decidires não me amar...
Afasta teus olhos de mim...
Se decidires não me amar,
vá... de nada valerá querer me explicar
por que decidiste o que decidiste...
entendo... é o fim de nossa estrada juntos,
cada um seguirá seu próprio caminho
sozinho.
Ficarei, por aqui, taciturna, silente... por um bom tempo... até parecerei doente.
Pensarei: estava eu tão acostumada a nós...
É difícil quebrar velhos hábitos...
Mas eu hei de quebrar...
E abrirei meu coração pra outro homem nele entrar...
Fazer morada...
Serei namorada.
Tudo num instante conciso irá acontecer.
Nós dois houve um tempo em que era pra ser... agora não é mais... quando chegar a hora, eu vou entender.
Juras de amor
Construímos castelos de areia.
Veio a onda do mar e derrubou...
Era tão fraco nosso sentimento
um pelo outro
um leve vento tudo bagunçou.
Nosso amor bateu de frente com cheiro de madressilvas...
Para o feitiço não houve outro jeito...
Nosso amor mostrou-se completamente imperfeito.
E agora?
Agora, minha alma chora.
Acabou de ti por mim o encantamento...
Meu coração é só queixas, só lamúrias... vive um triste desânimo, num eterno abatimento.
Amor meu
Amor meu, por que te foste?
Deixaste baralhada minha mente,
O céu mortiço faz de conta que nada vê.
Partiste e me deixaste a sofrer.
Vivo no mais grande tormento.
Meu coração um eterno lamento.
O choro meu interminável companheiro.
Volta, volta pra mim... e volta ligeiro.
Na noite mergulhada em trevas...
Não mais alegria meu coração sente.
Olvidaste o que me prometeste?
Dizias sempre que me amar irias eternamente
Mais amor, por favor!
Quantos corações machucados há por aí deixado.
Sabes que tens feito muito mal...
Não paras pra pensar que na vida tudo pode retornar?
Coração sangrando.
Peito doendo.
Vida se esvaindo...
Esperanças pouco a pouco morrendo.
Que estrada é essa que trilhas?
Que muros são esses que constróis?
Há tanto gelo ao teu redor...
Não percebes que a cada passo que dás um coração destróis?
Retrato de uma guerra...
Uma cidade sem ruas,
uma rua sem casas,
uma casa sem família,
uma família sem mãe,
uma mãe sem filhos,
sem filhos e sem mãe.
Um corpo caído,
moído... sofrido.
Um corpo sem braço,
um braço sem mão.
Falta de espaço,
falta de ar,
um tiro no coração.
Uma cidade,
uma rua,
um homem,
sem sol, sem lua...
apático...
sobreviveu porque foi prático.
Quero a clareza do pensamento
não apenas por um momento
chega de acordar num eterno tormento...
Vento.... leve as nuvens que me confundem
quero desanuviar minha mente,
quero andar livremente...
só quero o que é certo
só o certo por perto.
Vento... leve a confusão
cansei de ser confundida,
de não ser entendida,
do implícito... do não dito...
do mau dito.
Vento... carregue a cerração
que cerra os olhos e o coração.
E você:
entenda os sinais,
leia os escritos,
ouça os ditos.
Veja bem, amore...
a morte é o maior dolore.
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