Poesias sobre a lua para iluminar pensamentos e corações
A beleza da Lua passa despercebida por nós depois de algum tempo. Solitária e fria, como a imagino, algumas lendas dizem que seu amante, o sol, foi separado de sua amada por desejos dos astros. Seu toque eram os raios que refletiam nela e nos atingia na Terra. Então seríamos nós agraciados pelo amor do Sol pela Lua, quando nos banhamos com sua luz? Seríamos testemunhas do amor infinito e distante entre os dois?
Solitária e fria, é assim que sempre imaginei a Lua. Já seu amado sol, humildemente se cala, nos permite sentir a luz de sua amada, sem ciúmes, sem arrependimentos. Testemunhamos sem perceber, o amor dos longínquos.
Bom, assim reza a lenda...
Gosto de céu e mar
Lembro dos dias de sol, areia escaldante
A lua, a fogueira, o violão tocante
E as "modas" que machucavam o coração
Plantando em mim a dor de uma paixão
E o amor, ainda hoje, tem o mesmo gosto
De rio, sol, mar, céu e de areia no teu rosto
Um sonho que só existia pra mim, que resistia em mim
Hoje só saudade e lembranças sem fim
O sereno da noite se mistura ao pranto
Páginas da vida que eu guardei no canto
Um amor proibido que ninguém pôde ler
Sem chance de ao menos tentar acontecer
E o amor, ainda hoje, tem o mesmo gosto
De rio, sol, mar, céu e de areia no teu rosto
Um sonho que só existia pra mim, que resistia em mim
Hoje só saudade e lembranças sem fim
A lua não brilha, ela devolve…
feito espelho educado da noite,
ensinando que até refletir já é luz.
O Despertar da Loba
Corro livre pelo campo abençoado,
Sob a lua ou sob o sol que vem guiar.
Deixei o peso do passado lá de fora,
E escolhi a alegria de ser e de amar.
Meu uivo hoje não clama por saudade,
É um canto de gratidão por existir.
Na pureza de um olhar que vê a vida,
Encontrei mil razões para sorrir.
Selos da Pele, Voz da Alma
Na nuca repousa a Lua,
olho secreto que vigia o invisível,
selo de intuição,
guardiã dos sonhos e dos portais.
No ombro, o vento sussurra:
“sou livre, livre caindo”,
e cada queda é voo,
cada entrega é renascimento.
No pulso, a águia desperta,
círculo eterno, visão do alto.
Em cada gesto, tua mão carrega
a coragem do espírito que não teme o horizonte.
No braço, a montanha firma os pés,
o sol sorri por entre as pedras,
e tu, com asas dadas pelo destino,
aprendeste a voar sem perder o chão.
À esquerda, junto ao coração,
vive uma prece tatuada em silêncio,
um canto sagrado que vela tuas emoções,
sabedoria que te guia quando o mundo cala.
À direita, a borboleta dança,
asas leves bordadas de metamorfose.
Ao lado, a palavra antiga sussurra:
Maktub, estava escrito.
E o escrito é vida,
o escrito é transformação.
Tua pele é mapa,
teu corpo é templo,
cada traço um portal,
cada símbolo um guardião.
És lua e sol,
águia e borboleta,
raiz e voo.
Essência livre,
destino escrito nas estrelas,
alma que jamais se curva,
porque sabe que é infinita.
Lua clara e estrelas no céu,
fazendo a noite brilhar.
Pela janela ,
atrevida e aberta,
sopra uma brisa,
que a sua pele esfria,
te fazendo arrepiar!
Era festejo.
A Lua ainda reluzia.
O sino abalroava estrepitosamente,
enquanto os planetas se alinhavam no espaço sideral.
E todos riam, riam perenemente,
num grandioso aprazimento jovial.
O tempo foi moroso,
mas toda noite tem fim.
O fim da noite se interseccionou
com o último gole do deleitoso vinho.
E todos se despediram na última hora.
Rosimara Saraiva Caparroz
No Silêncio da Lua e da Flecha
Na mata onde o tempo dorme,
Oxóssi vigia com olhos de caça,
Arco tenso, flecha firme,
Respira o segredo que a floresta abraça.
A lua derrama prata no rio,
Que serpenteia entre raízes e sombras,
E ali, na beira, com cuia e calma,
Uma filha da terra recolhe as ondas.
Seu gesto é antigo como o vento,
Seu silêncio, um canto sem som,
Ela sabe que a água tem memória,
E que a noite é mais do que escuridão.
No espelho do rio, uma lótus se abre,
Como se o mundo respirasse em flor,
Oxóssi observa, sem romper o instante,
Guardião da vida, do saber e do amor.
Entre flechas e folhas, entre lua e mulher,
A floresta sussurra o que não se vê:
Que o sagrado vive onde há respeito,
E que o espírito dança onde há fé.
As águas que correm para o mar, o doce de Vênus se encontra com o sal de Yemanjá.
A lua dança com o sol, num eterno abraço de luz e sombra.
O Anjo e a Lua
A lua brilhava como um farol suspenso no silêncio da noite.
De sua luz suave, um anjo descia lentamente,
com asas que refletiam o brilho prateado do céu.
Não havia pressa em seus movimentos,
como se o tempo tivesse parado apenas para assistir.
O ar se tornava leve, e cada batida de asa
trazia consigo uma promessa de paz e proteção.
Você observava, entre fascínio e reverência,
sentindo que aquele instante não era apenas sonho,
mas um recado guardado nas estrelas,
um lembrete de que há sempre luz descendo até nós,
mesmo quando a noite parece infinita.
Sol e Lua, Nuvem e Vento, Céu e Estrela
Sol desperta em fogo dourado,
Lua repousa em prata serena,
um dança no dia alado,
a outra vela a noite plena.
Nuvem leve, sopro do vento,
se encontram no céu em movimento,
um molda formas, o outro conduz,
juntos criam caminhos de luz.
Céu profundo, guardião do infinito,
Estrela brilha, segredo bendito,
um é vasto, o outro centelha,
ambos revelam a beleza que espelha.
Feminino e masculino, em harmonia,
força e ternura, noite e dia,
contrários que se buscam, se completam,
na dança eterna do cosmos se interpretam.
Enquanto a lua ilumina a noite, o sol tira um cochilo nas nuvens. Amanhã é a luz do sol que desperta nosso dia e assim segue a vida…
Lu Lena
DEVANEIO TRISTE
Nas lágrimas que borram o céu altivo
vejo a lua que chora triste e sombria
as estrelas já espremidas e sem brilho
na trágica sina dessa minha melancolia
No vão oco obscuro de minha incoerência
busco-te num coração flagelado e de luto
perambulando em busca de minha existência
sou uma peregrina enclausurada num reduto
Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi…
sigo nesse destino que congela e paralisa
nesse meu arrebatamento transfigurado em ti
Saudade enegrecida que causa tanto tormento
Círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
para mais uma vez não te ter nesse momento!
'inda olho o por do sol
pela janela
vejo ao longe nuvens
e a lua que se esconde nelas
Vou ao encontro deles
Campo aberto
Vou me juntar ao espetáculo
que não sabe da platéia
Não consigo contar
Não se descreve o encontro de céu e mar
De sol e luar
De dois corpos que só sabem amar.
Um eclipse
Fenômeno natural
Assim também é respirar
Mas este um dia acaba.
Baile na Floresta
Quando a lua sobe alta e branca,
e o vento faz a folha balançar,
a floresta toda fica pronta
para o grande baile começar.
O violino é feito de galho fino,
o piano é o riacho a correr,
toca a música calma e divina,
que faz a natureza se comover.
O veado dança com passos leves,
o macaco gira devagar,
a coruja bate as asas breves,
como quem sabe a melodia cantar.
O coelho salta em passo de valsa,
a raposa desliza com elegância e cor,
até o besouro, na sua pequena dança,
segue o ritmo com muito amor.
Cada nota toca o ar e a mata,
clássica, bela, cheia de emoção,
é a floresta que, alegre e grata,
faz da música o seu coração.
Noite adentro, dançam em harmonia,
animais, sombra, luz e canção,
um espetáculo de pura poesia,
onde a vida é a própria perfeição.
Você acredita que noites vermelhas são como corações sangrando sob a lua de sangue?
- Marcela Lobato
Pretendo ser...
O sol... do seu dia.
A lua... da sua noite.
As lágrimas... dos teus olhos.
O remédio... de sua dores.
O sorriso... da tua alegria.
O motivo... da tua saudade.
A inspiração... da tua poesia.
O sentido...da tua liberdade.
O coração... do teu corpo.
Da tua vida... o único homem...
Quando a Lua Sussurra
No silêncio da sombra,
uma luz se ergue serena.
Não chora pelo que fere,
sua força é calma que acena.
Caminha por noites densas,
mas sua presença ilumina.
Se veste de simplicidade,
sorri como quem guarda aurora.
Quando a Lua sussurra segredos,
ela brilha em brilho raro,
e cada passo deixa traços de encanto
onde antes havia apenas silêncio.
Estrela de brilho infinito,
que floresce na sombra,
transforma a vida em beleza
e dá ao mundo seu calor calmo,
silencioso, eterno.
O canto dos pássaros,
O mel das abelhas ,
O colibri e as flores ,
Sol e lua em sintonia !
Tantos milagres em toda natureza ,e o homem desperdiçando tempo e vida pra se jogar no abismo, onde arde a falsa ilusão que corrompe o que há de mais puro e essencial para vivermos : o Amor !
João Batista Barbosa
SEM NOÇÃO!
Quero sentir o sopro do vento
Desejo contigo ver o brilho da lua
Perco assim a noção do tempo
Sonhando você no meio da rua.
Sua voz ecoa tamanhas vibrações
Lembranças gostosas e a sua risada
Fico a espiar fundo as minhas emoções
Saudades voando descompassadas.
E voam meus olhos na imensidão
Num lampejo cortando norte a sul
Rompendo ímpetos do meu coração.
Sonhos que perfazem todo céu azul
Espera sem pressa do sol a raiar
Sem noção para nada recomeçar!
AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA
