Poesia Animo Fernando Pessoa
O copo vazio, sem alma
como mágica , se transforma em um cálice de ouro
e tocam-se no ar , ao som das vozes que em uníssono clamam
Saúde !
toda memória guarda um instante
que talvez tenha ficado perdido
por não aguentar mais aparecer
por não aguentar mais arder
por fazer sofrer.
se perca
pelo menos por instantes
seja anormal
pelo menos para os normais
seja amor
pelo menos por você.
alguns acontecimentos
só provam o quanto
somos poeira
se o vento bater em nossa direção
podemos nunca mais existir ali.
-Amores questionáveis.
Não mereço viver, se não questiono a vida que vivo
por ventura, não questiono o que? e por que?
deixemos de ser poetas antes que o amor nos ataque e enforque
pois a o parafrasear, a mente fraca tende a entrar em conflito
Fernando as vezes é infeliz, porquanto encomendará muitas injustiças
a juventude torna, e contorna homens indomáveis
qualifica e prontifica memorias desagradáveis
perde o amor e tende a poetar, por conta de um monte de imundícias
O arrependimento não costuma regressar amores perdidos
mas amores perdidos podem ser questionados
(Obs: O texto foi moldado encima de algumas ideias de Platão)
mas não pense no amanhã
não posso lhe prometer o tempo
lhe prometo o meu momento
até que ele se vá com o vento
Existe um momento na vida
onde as emoções gritam
já não aguentam mais esperar
um público, uma orquestra,
gritam freneticamente para ninguém
gritam porque precisam sair
em algum momento da vida.
o tempo promete registrar sentimentos perdidos
que foram feridos, mas que também feriram
ele promete perdoar mágoas irrelevantes que um dia foram tema
de relacionamentos distantes
pois o tempo tudo cura
tudo observa
a ampulheta se esgota
e um novo presente se apresenta.
Olá
só saberás a força que tens
quando tiveres que segurar o mastro
do barco (vida) no vai e vem
da tempestade (tempo) que deixa rastro
singrando os (dias) mares
rasgando velas (mapas) jogando (desafios) âncoras
prendendo em águas (tabus) querendo ares (liberdade)
nos oceanos da vida (existência)
sem (direção) céus estrelados
que não perdoa, chacoalha, enjoa
em um labirinto sem saída
aferi
se perder durante a travessia é normal
o problema é que a dor vicia aquele indivíduo que nunca se encontrou.
Meus passos já são lentos
sigo ao sabor do vento
o céu já não é tão azul
mas ainda me encanta o cruzeiro do sul
aferi
Não adianta falar dos problemas meus,
estes resolvo-os
entregando-os nas mãos de Deus.
Tenho que falar é da alegria,
em forma de versos
em alegres poesias,
agradecer o amanhecer
de um novo dia,
e ao anoitecer orar
para Deus, me guardar
e meus sonhos abençoar.
aferi
antes de me conhecer
precisa entender que sou caos
mas também sou primavera
sou oceano
mas também sou deserto.
a segunda-feira ainda é amarga
salga minhas declarações de loucura
recitadas durante o fim de semana.
infindáveis vezes
que pensei
que chorei
lembrando do peito
que se partiu
e nunca mais se restaurou.
chuva solitária
que insiste em cair
para molhar lugares
pessoas e estações
que há tempos foram seca.
