Poesia
Tenho na memória guardada,
Não há mais como dizer,
Talvez esteja sepultada,
Em terra longínqua,
Hei de um dia te contar,
Fizeram a gente esquecer,
Não é possível sequer falar.
Este poema é impublicável,
Mas é inevitável...
Ele fala de sobrevida,
Ele fala da Morte,
E da vida além da Morte.
Abraçando a lembrança,
Não há mais esperança,
Ylang-ylang é o teu perfume no ar,
Serena musa, não sei onde estás,
Talvez um dia você vai voltar,
Talvez pobre de você,
Algum dia o destino irá mostrar.
Esse poema não presta,
Eu deveria atirá-lo no lixo,
Ele não deu a cara a tapa,
Filho de alma covarde,
É quase uma denúncia...
Os ares e ‘as flores de abril’,
Uma música de Chico Buarque,
A imagem da mulher esfumaçada,
Talvez esteja desfigurada,
Teve a imagem desaparecida,
E alma roubada,
Não quero falar sobre mais nada.
Ah! Contempla...
A lente atenta,
- alenta o olhar
A cidade coberta,
De neve mansa,
- o tempo passa
Devagar e serena
A alma humana.
Ah! Espera...
A vida revela,
- modifica
Percorre, renova,
- suscita
Gelada ou quente,
- vibra
Intensamente...
Aos passos,
Em cada floco,
Ao despertar,
De cada manhã,
Semeia o sonho,
Cativa de verdade,
Dá o quê de eternidade
A cada momento de felicidade.
Ao ouvir a música do vento,
Percebi os teus olhos zelosos,
Deparei-me com os teus passos
- macios
O balançar das amendoeiras
- doces ritmos
Fizeram-me contemplar:
os nossos instintos.
Ao sentir a tua presença,
Senti-me protegida,
Amparada, e tua amada,
A minha alma afagada,
- terna -
E feminina,
Distante das angústias,
Rendida por tuas ternuras.
Ao cair da noitinha,
À beira mar,
Sereno luar,
Amando a tua presença,
- vigilante
Aprendi o que é amar.
É inverno!
Celebremos,
Não é eterno,
Sempiterno.
- momento
Não recusemos.
É eterno!
Não recuemos,
- é extremo
Enfrentemos,
- o tempo
E o eternizaremos.
É sempiterno!
Como um afeto,
Reconhecemos,
É terno,
Intenso,
Logo, o passaremos.
Com fascinação própria,
- arte e luz
Fui agraciada ao ver,
A Lua cor-de-rosa,
- maravilhosa
Beijando o mar.
Aos passos, tateando,
- experimentando -
E exortando a delícia
De contemplar a cena,
Que talvez não se repita,
O mar se deixando beijar.
A Lua ao beijar o mar,
- acabou beijando-me
E seduzindo-me,
Acabou enfeitiçando-me,
E completamente doce:
acabei entregando-me.
A mulher deve ser elegante,
Suave e ao mesmo tempo,
- marcante -
Como um perfume insinuante,
Deve ter alma, maciez e calma;
Deslindando os mistérios e dar o tom
De amor, paixão e ternura;
Conduzindo a intenção com doçura,
Amando infinitamente, sempre.
A mulher marcante de verdade,
Será lembrada pela virtude,
E grande capacidade de amar;
Espalhando a graça,
- por onde passa
Como uma felina mansa,
Que só no olhar recebe
O seu colo e afeto.
A elegância feminina,
Ilumina o mundo,
Pacifica,
Engrandece,
Enternece,
Aproxima e conjuga,
Acarinha e aquece,
Eterniza a lembrança,
É presença que permanece.
A vida sempre surpreende,
- explicitamente
E até secretamente...,
A vida nunca mente,
- cedo ou tarde
A vida revela a verdade.
A vida em plenitude,
Corporificada em ti,
Amante e cintilante,
A vida é alucinante...,
- ela conduz a gente
Escandalosa ou silente.
A vida luminescente,
- incandescente
Sólida, líquida e gasosa,
Sempre é um presente,
- que se renova
E nos brinda plenamente!...
Não sossegue,
- enfrente!
A vida é feita de lutas,
siga em frente!...
É com coragem é que se vence
Todas as disputas... Gloriosamente!
Observo de cima,
Lá do alto dos montes,
Não há tempo que oculte,
- Ninguém que esconda
E ninguém que se esqueça;
Do Bem que fizeste,
Tal como o riacho cortando,
Os montes e prados verdejantes.
Como o Ofício cantado,
Pelos monges entoado,
Não há mal que permaneça,
- Deus sempre vem em socorro
Ele não nega o auxílio;
Ao órfão, à viúva e ao peregrino,
Ele é a Luz que alumia o caminho,
Verdade, Caminho e Vida que nos guiam.
Cada certeza dedicada,
Em prece ofertada,
Deste coração contrito,
- Tenho em ti a minha fortaleza
E cada desvio por ti remido;
A fé de quem carrega o teu perfume,
Embalando a tua misericórdia infinita,
Que és o verdadeiro amor da minha vida.
A Primavera aconteceu,
O mundo não esqueceu,
- dez anos -
Floresceram flores,
Mulheres de vários nomes,
E de todas as idades,
Lutando por mil liberdades,
Dos mil sangues de seus sangues,
Das mil carnes de suas carnes,
Ainda no Outono
- persiste -
Destruindo juízos,
Calando vozes,
Surrando corpos,
Não tratando enfermidades,
Trucidando com os jovens...
Tudo aconteceu há dez ano atrás,
Das Damas de Branco roubaram a paz,
Essa Ditadura que sufoca demais...
A Primavera Negra,
Ainda persiste,
Trancafiando filhos, maridos,
sobrinhos, namorados, tios,
- parentes da liberdade -
Da mais preciosa delas:
a liberdade de consciência.
A liberdade de consciência
é aquela que ninguém domina,
- Nem a mantendo sob cárcere
Ainda que persistam,
A liberdade de consciência derruba,
Algozes, regimes e tiranias,
Ela tomba as ditaduras,
Alcança o céu com as palmas das mãos,
E ultrapassa todos os limites...
Arrancaram a voz de Odoyá,
Ela como Rainha não se prostra,
- Calaram-na!
Mas não lhe furtaram a autoridade,
A verdade ninguém pode apagar:
Odoyá é a Soberana do mar.
O silêncio tem muitas vozes,
Os ventos levam os gritos,
A opressão fura os tímpanos;
Não há outra alternativa,
Temos que acreditar:
Um dia tudo muda,
Assim como as ondas do mar.
Odoyá sereia,
Odoyá guerreira,
Esse jogo ela vai virar,
O povo ela irá libertar;
Não duvide!
Ela é a Rainha do mar,
Odoyá não perde nada,
Ela é vaidosa,
E toda formosa dará uma lição
Em toda essa gente muito maldosa...
Não me procures,
Eu pertenci a você,
Agora ao futuro,
- pertenço
Não me procures,
Eu um dia te amei,
E você não me amou,
O passado já passou;
A tua voz me rouba a paz,
Só de pensar em você:
não me agrada mais.
Não me procures,
Peço que me esqueça,
Não que eu mereça,
Eu já te quis demais,
Agora você nada me faz,
- desista -
Não é coisa de artista,
Deixe-me no meu lugar!
Calma, serena e à beira mar,
Não tente me tirar daqui,
Eu não vou te encontrar,
- Aqui é o meu lugar! -
Não me procures,
E não tente me atrair!
Tudo o quê fizeres,
Será perda de tempo,
És o meu esquecimento,
- voluntário
Não gosto de gente
sem coração,
vibração e emoção;
És sem nenhum sentimento,
Tudo para você é só o momento,
- Você já teve o seu tempo!-
Amor: escuta!
As montanhas aos falam,
Não calam, eternizam...,
- pacificam
Elas nos ensinam:
olhar de cima,
e para cima.
Cada montanha é um poema,
- é celebração de vida
Que traz o carinho que serena.
Amor: entenda!
As montanhas aos olhos brilham,
Escrevem, são histórias...,
- registros
Dos triunfos e glórias,
- da nossa existência
Elas nos concedem:
o olhar sublime,
a visão do limite.
Cada montanha é oração,
Que eleva o coração.
Amor: reflita!
As montanhas nos aproximam.
Nos elevam, conduzem
Para mais perto do universo,
- reafirmam a coerência
Da paciência, da fé,
Que o ser humano tanto precisa
Para ficar em pé...,
Diante das auroras e dos poentes,
Assim devemos ser como elas:
Pujantes e persistentes.
Porque quando lhe chamo amor:
eu chamo por mim mesma.
Chamo pela fé ao teu esplendor,
Que me levará aos pés de León,
De joelhos e com as mãos em prece,
O meu coração é um carmelo,
A minh'alma não se prosta,
- não esmorece
Pelo bem do ser humano,
Trabalhar por Ele é o meu plano;
Virar o jogo, mudar o rumo,
Plantar mil primaveras,
Semear vitórias,
Aprendendo com a tua beleza,
- e a tua firmeza
Ir além do Mosteiro de São Marcos,
Transformar todos os desafios,
em obstáculos superados.
A vida tecida na rede artesanal,
surgida ali de forma especial.
- Altos ventos de outrora! -
Numa viagem para dentro,
contemplando o agora...
- Augusta ágora! -
A Humanidade é celestial,
mas ela vive de forma banal.
Doutores deveriam fazer o caminho,
De volta para a liberdade.
- Excelsa verdade! -
A felicidade consiste em navegar
como os pescadores pelo mar...
- Máxima virtude! -
Balneário Barra do Sul é o despertar,
pelas mãos do tecedor voltei a pensar.
O destino filho da rede artesanal,
crescido de um jeito sem igual.
- Nasceu como maré calma! -
Enfrenta com força a maré alta,
porque ele tem paz e alma...
- Virtuose e glória! -
Nascidos do desapego
Da suntuosidade do litoral...
Só conhece, quem testemunhou;
e só pode contar, quem escutou.
- Não duvide! -
Foi Deus quem determinou,
Ele é quem teceu, e nos criou...
- Escritos no firmamento! -
Quem tem personalidade,
não se leva pelo vento.
Porque o Mestre e Caminho,
A Verdade e a Vida,
Escolheram por companhia:
a amizade do pescador.
Souberam tirar o sustento
Da rede tecida,
Disso ninguém duvida:
a vida é arte celestial...
Trago em mim cada pedaço,
De todas as mulheres,
Que me ensinaram a amar.
O destino soube marcar,
Aprendi com o tempo,
Além de ti e de mim,
A colher flores e amar.
Trago dessas mulheres,
Os temperos e os segredos,
Que ainda hei de te entregar.
Os sonhos e os anseios,
Nascidos do destino,
Para mim e por ti,
Sinais previstos a nos devorar.
Tu tens a minh'alma, tu me tens
Em todas as posições...,
Como um barco repousando
Sob as águas salgadas
De todas as emoções...,
Tudo flui,
Em Balneário Barra do Sul;
- Terra de todos os amores
Dos nossos sonhos e mil seduções.
Sou a canção nascida da voz
Do pescador e da rede,
Como peixe sem cardume
Busco o meu rumo,
E o teu amor como lume.
Tu me tens pela eternidade,
Sou as ondas do Universo,
A dança de todas as horas,
A saudade pela qual choras,
A valsa de toda a bondade,
A santidade e o erotismo,
- virtudes eternas em letras
Balneário Barra do Sul
É poesia para que não te esqueças.
Surgi como o mais
belo juramento,
Sem engano e
sem tormento.
A minha essência
é profética,
Sou a encarnada
amenidade poética.
Para fazer-te companhia
ao invés do sol,
À beira mar, um oceano
de desejos,
Com versos e todos
os beijos;
Para fazê-lo amar,
longe dos medos.
Estou a te esperar,
poeticamente,
Da forma que ninguém
soube ousar,
E tampouco imaginou
experimentar.
Estou a crer,
infinitamente,
Que virás como
uma mansa manhã,
Acariciando-me
amorosamente.
Sou o verso mais inebriante,
O desafio, a tua lida,
Sou toda a tua vida,
A odalisca sensual, o teu afeto,
- o teu romance
A papoula rara, - proibida
O incenso oriental,
Que desarma o teu exército,
Genuflexa te embevece,
Dum jeito que te enlouquece.
Em meus lábios escaldantes,
Assim você se deslancha,
E se derrete inteiramente,
Eu tenho um talento único
De te pôr em ponto fervente;
O meu sabor é o da noite,
Eu te faço deitar com a madrugada,
- sou o maior amor da tua vida -
Uma amante para jamais ser esquecida.
Noite estrelada,
Aqui em Balneário,
Brisa macia,
Alma amainada.
Caminhei até o jardim,
Para ouvir o silêncio,
Que habita em mim,
Sozinha assim...
Crendo que está escrito,
- nas estrelas-
O amor e o destino,
Estão no nosso caminho.
Noite estrelada,
Alma desacorrentada,
Desapegada,
Flutuando libertada.
Eu deveria viver sempre assim:
em plena contemplação
com um bloco de escrever,
e com você no meu coração.
E sempre que surgisse a inspiração,
eu a simplesmente colocasse no papel.
Eu deveria viver sempre assim:
encontrando bons motivos
em todos os sinais da Natureza,
para escrever versos de amor sem fim.
Porque você é a minha inspiração,
A minha poesia e canção do céu.
Tenho todos os motivos para ser assim,
Escrevendo mesmo até sem motivo,
Encontrei o meu maior presente do destino.
Respirando a brisa noturna,
E a leveza de todo o amor;
Olhei para o universo,
Procurando pelo meu amor.
Ainda vive no peito,
Nem o tempo acabou,
Com esse grande amor,
Que um dia ainda toma jeito.
O verbo se fez presente,
Emanado pelo coração,
Pedindo o teu amor ausente,
A tua volta através da oração.
As estrelas são letras do céu
Como as tuas letras feitas de mel,
Você é a calma que me falta
Sem você perco até a alma.
Ainda vive aqui dentro
Como rosas de todas as cores,
A lembrança e o soneto.
Por ti ainda morro de amores,
Mas sempre em poesia,
Nascendo, morrendo e ressuscitando
Em letras e com todas a letras,
Para que me guardes e nunca me esqueças.
