Poesia
Escuto de longe o Tambor
e o Querequexé potente,
O canto das Taieiras
parece chamar a gente,
Elas estão se preparando
para louvar Nossa Senhora
do Rosário e São Benedito,
Como dizem por aí que
sem elas não há festas
dos Santos Reis e do Divino,
Espero que em breve
estaremos de mãos dadas
vendo as Taieiras a dançar
e exibindo o nosso romance
que irá dar muito o quê falar.
Tudo na vida
é o jeito de falar,
Isso me veio
na cabeça ao raiar
do Sol pela manhã,
O Aipê florescido
até parece com você
quando cruzando
alegre o meu caminho.
O mundo não dá
de volta aquilo
que damos ao redor,
Podemos escolher
tudo de melhor
em vez de cultivar o pior,
Nesta tarde é sob
o Aipê que busco deixar
a mente esvaziar
de todo aborrecimento e dor.
Não é orgulho eleger
o melhor que queremos
ver depois de tudo aquilo
que nos fizeram sofrer,
O magnífico Aipê florescido
foi abraçado por mim enquanto
a madrugada conturbada
nua passava pelo caminho
e deste peso me livrava.
O Aipê com sua flores
aqui na minha linda
Cidade de Rodeio
nesta tarde tranquila
no Médio Vale do Itajaí
até se parece com um doce,
E toda esta beleza por
um instante me faz
esquecer de aquilo
que passei sem merecer.
A beleza do Aipê
se encontra
com a noite estrelada,
Estou absolutamente
a cada dia mais apaixonada.
Ninguém tem o direito
de constranger o outro
ou oprimir por quem ele é,
A sua História e do mundo
não podem ser negadas
em detrimento de interesses,
Fronteiras são fronteiras
e devem ser respeitadas
da mesma maneira que
você deve se autorrespeitar
quando se deparar com
tudo aquilo que cooperar
contra o seu bem-estar,
Mesmo que custe o preço
da solidão prefira ser como
o Ipezeiro em florescimento
que cumpre o seu papel
com beleza e concede a lição.
Vou levar a minha
chave para ganhar
a bênção de São Pedro,
Vou pedir sabedoria
para São Paulo,
Quando se tem fé na vida
não há nada mais
que fique em segredo,
Do teu amor juro
que não terei medo,
Depois da Missa
vou lá no Arraiá só
para ver se te encontro,
Porque ando nos vendo
juntos até em sonho.
A fogueira de São Pedro
já está ajeitada
no formato de triângulo,
Vou em busca
de alguém que se chame
Pedro para acender
com fé porque para dar
tudo certo este é o segredo
que vai incendiar o Arraial
e vai me abençoar até
encontrar você no meu
caminho para ir além
das danças até o Sol raiar.
Os galhos do Ipê-mamono
fazem a sua doce percussão
nesta manhã serena,
Olho para o alto e encontro
ele em total poema
que me deixou em transe flóreo.
O Ipê-mamono traz calor
para o espírito neste Inverno
que não é apenas estação,
Com os seus sóis em flor
em plena tarde poema
me inundam com amor
e ainda me faz crer
que vale tudo para não
desistir da beleza de viver.
Flores de Ipê-mamono
se desprendem com o vento
e mostram o caminho
durante esta noite que
não tem a ver com o tempo
e nem mesmo com o destino,
E sim com a Humanidade
habituada ao autossabotamento
de tirar o sossego de quem só
quer viver a sua vida com paz
no coração e no pensamento
cultivando só o quê é de encantamento.
Madrugada de florescimento
do Ipê-mamono e da Via Láctea,
assim poeticamente
também me revelei flórea
e vestida com a mais doce áurea
dancei nos andares estelares
com alegria espiritual e corpórea.
O magnífico Ipê-mamono
florescido amoroso
na minha Cidade de Rodeio
em pleno verdejante
e lindo Médio Vale do Itajaí
da minha alma, do coração
do meu destino e da minha vida,
me inspira a ser o quê faz falta:
sentimento e toda a poesia.
Todos têm mel nos lábios
até quando querem,
O dente de lobo surge sempre
quando um interesse
está em jogo para a sua
própria sobrevivência,
Todos são acessíveis até
quando querem,
O chifre de touro surge
sempre quando alguém
atenta contra a sua lucidez,
Uma de cada ou as duas surgem
sempre que houver provocação,
Ninguém aguenta o tempo todo
ser experimentado por provação,
Quem está vivo para se manter
vibrante tem o dever de ter reação.
Jacarandá-rosa florescido
esplendoroso em São Paulo,
Tu és abrigo de harmonia
para a minha poesia
e me traz o paraíso
com generosidade e alegria.
A minha arte poética
leva as cores do carinhoso
Jacarandá-do-litoral
espalhando as suas pétalas
amáveis e belas por São Paulo,
Apreciando tanta beleza assim
fico com o coração calmo.
Uma viola caipira encantando
um coração debaixo
de um Jacarandá-do-brejo
no interior de São Paulo
revivendo um tempo poético,
Não existe nada mais
aconchegante que coloque
o amor no rumo certo.
As flores do Jacarandá-tã
enfeitam a caminhada
e a memória de como
São Paulo foi erguida,
Carrego também estas
flores para a minha vida
e toda a poesia contida.
