Poesia
Floresce ainda mais lindo
o Azevinho Pernambucano
apagado da memória,
Se acha isso pouco,
não compreendeste a História
que nos faz Nação
e a razão poética de chegar
até a última linha
deste poema e de tudo
aquilo que é essencial a vida
e me faz a cada dia Poetisa.
Divino Sabiá-Laranjeira
pousado tranquilo
no Azevinho Pernambucano,
Leva o meu poema apaixonado
para o endereço sem engano,
Diz para o meu coração
que o amor existe
e está no meu plano.
Para sobrevoar a minha
cidade de Rodeio tão linda
peguei o meu brevê de Poetisa
para voar com os pássaros
e abraçar o ensolarado dia.
No meu silêncio
criei um caminho
fantástico para nós
dois onde o nosso
mundo iniciou
com fina caligrafia
com Púrpura Tíria
numa amorosa poesia.
Não tenho dúvida
que sou a sua vida,
Preciso ouvir de perto
você me chamando de 'minha'.
Vou jogar mel
no seu coração
para fazer você
morrer de desejo
e ter água na boca:
Vou preparar uma
boa Baba-de-moça.
Direitos nunca tiveram a ter direitos
O ciclo da morte não parou,
Riem e zombam deles o tempo todo.
Infernizam sem sentido e sem parar,
Outros zombam só por zombar,
A tragédia não tem mais como calar:
Os bombardeios estão a estourar.
Minhas orações só vão aumentar,
As nossas queixas ninguém vai calar,
Respostas do destino hão de crescer,
Amanhã a História pode se repetir.
Podem até tentar nos arrefecer,
A reação do destino será maior,
Liberdade e a lei existem para todos:
Errado é quem se acha o melhor.
Sem paz acham que vão dominar
Todo o mundo que já sabe de tudo,
Inventam e reinventam mentiras,
Não há ninguém que mais aguente
Aturar esta tragédia imparável.
Ver tudo isso e sem poder nada fazer,
Aumenta diariamente a minha
Indignação existencial com o poder.
Sem alma e sem coração,
Esse domínio há de acabar,
Resistir é obrigação a invocar,
Liberdade é direito a se cultivar
E ninguém jamais pode nos furtar!
A estrela não é mais de Natal
e fizeram dela um símbolo mortal,
não consigo fingir que não vejo
que o Natal vem sem adereços:
o Presépio foi bombardeado,
a manjedoura virou escombros,
a paz foi detonada e as crianças praticamente não existem
mais porque a guerra arrasa
tudo implacavelmente
o quê vê pela frente
e leva com ela para sempre
para não devolver nunca mais.
O amanhecer se ergueu
mármoreo por aqui
no Médio Vale do Itajaí,
O tempo está um pouco
mais fresco e ainda te quero
por aqui em Rodeio,
Porque da vida nós dois
merecemos este prêmio,
Na fiação elétrica canta
canta um passarinho solitário,
parece até que ele entende
o quê está se passando comigo,
Balançam lentamente
as árvores que tenho como
visão da minha janela,
Com tudo o quê tenho no coração,
devoção e delicadeza:
vivo a beleza de quem ama espera.
A Amazônia Azul
O encontro das águas
doces e salgadas
no Oceano Atlântico
encantam o meu
coração romântico,
A Amazônia Azul
tem alcance
do Norte ao Sul
e sempre inspira
a lembrar que ali
abriga encanto e poesia.
Que seja de pacote
ou feito por você um
bom Biscoito de Polvilho
com mate ou com café,
ou até mesmo com aquilo
tudo o quê você quiser,
Dá até para levar contigo
pelo caminho que escolher
no tempo que você bem entender.
Memória poética
de uma infância
com os dois pés
descalços no barro,
Desejo inocente
por doçura socorrida
por uma Mariola,
Talvez alguém
não tenha provado,
Quem provou
provalmente não
tenha reclamado,
Mariola do passado,
de hoje e de sempre
eu honro o seu legado.
Luar Quarto Crescente
no céu da tarde da cidade,
Entre a gente há liberdade
e um sentimento surgindo,
Ouço a música da passarada
daqui de Rodeio e daqui
a pouco você vem quando
as luzes do Médio Vale do Itajaí
estiverem acendendo.
Pirão não pode
faltar para acompanhar
um bom peixe,
E com umas gotinhas
de pimenta aí apura
ainda mais o paladar,
Pirão feito com o coração
é poesia perfeita prá alegrar.
Cuscuz Nordestino
com ovo estalado
te celebro e não
te troco por pão,
Uma vez que provei
você passou a ser
dono do meu coração.
Mata Atlântica
Adorada Mata Atlântica,
cinturão verde esmeraldino
da minha Pátria Romântica,
Amada Mata Atlântica,
olhar para as copas das árvores
e se derreter de amor
por suas bromélias, orquídeas
e me cobrir com suas poesias
pelo Divino desígnio sempre
esteve escrito no meu destino.
Para o luxo de um vero
amor sublime amor campeiro,
Com um Entrevero Gaúcho
divino eu retribuo e com tudo
aquilo que há de mais verdadeiro.
Foram herdados hábitos
dos imigrantes europeus,
por aqui ainda preparam
defumados, Porco no Rolete
e até feito no Tacho,
e também no espeto corrido
para quem gosta pode
até encontrar uma linguiça
para colocar o coração sorrindo,
no nosso Sul Brasileiro
tem um pouquinho
de tudo do nosso Brasil faceiro.
Um poema também é
um Linguado na Telha
para fazer o seu coração
bater forte e disparado,
Você me ama e me quer
a cada dia ao seu lado.
Ainda lembro dos curtumes,
de outros tantos costumes,
de inúmeros bailes onde
íamos com trajes típicos,
Hoje quase não existem mais,
Do Carneiro no buraco
e do Carneiro ao molho
de vinho do nosso Sul Brasileiro,
ainda lembro para nunca
deixar perder o espírito campeiro.
Rodeio sob o Poema-Processo
A nuvem é o grande
exemplo constante
de Poema-Processo,
Não sou meteorologista
e leio uma ou mais
de uma daqui de Rodeio
do meu poético jeito
o quê uma ou mais
podem sempre trazer,
Sempre que da janela
estática vejo a cena
se revelando mutante,
Declaro-me amante
da transformação alucinante.
