Poesia
Saira-sete-cores
enfeita a minha vista,
Qualquer jogo da conquista
sempre me entendia,
Prefiro tudo o quê fascina,
seduza e nos cubra de poesia.
Arapacu-de-bico-torto
é o meu poema que vai
alcançar a sua cabeça
e me fazer cair no teu gosto,
Nunca mais você será
o mesmo e o meu desejo
será o teu o tempo todo.
O meu coração parece
um Tiê-sangue quando
paro para pensar em ti
mesmo que por um instante,
É claro que já existe sendo
escrito a cada dia um romance.
Meu Beija-flor-de-orelha-violeta,
és minha arte mais rebelde,
Minha ligação entre o Céu e o Inferno,
meu bonito poema de amor secreto,
Quanto mais você me quiser
e será desta forma que também quero.
Thaluranias cortejam
misticamente e dão
asas às tuas fantasias,
Assim nos percorro
com amor e poesias,
Virei o teu doce vício,
predileção e tuas manias.
Te levo nas minhas
asas de Saíra-Preciosa,
Você me quer com
a minha paz gostosa,
Você quer ser inspiração
e toda a poesia deliciosa.
Você me encanta
com sua leveza
de Tico-Tico,
Te retribuo
com bem mais
que um poema,
Caí no seu feitiço.
O teu canto bonito
de Bem-te-vi-rajado
tem deixado o meu
coração hipnotizado,
Todo o dia tenho um
poema apaixonado
como uma maneira
de te trazer para o meu lado.
Teus olhos tão perfeitos
de Gaturamo-bandeira
cuidam até da minha ausência,
Te beijo com ternura e me dou
inteira com este poema
de amor romântico sem fim.
Quando te vejo o meu
peito amoroso parece
até com o levado
Tico-tico-do-banhado
fazendo festa no rio:
Você é a poesia do destino.
Cada qual tem o seu
próprio interesse,
O seu hábito de passar
por cima de terceiros
para achar que vai resolver
a sua própria forra,
Ninguém gosta de separar
nada como recurso
para escrever a sua própria
História para varrer
o quê é de errado
para debaixo do tapete,
Não sou melhor nem pior,
apenas prefiro olhar
para o alto e apreciar
o voo de uma Juruva-Verde.
Uma de Noivinha-de-rabo-preto
pouso na minha janela,
Resolvi escrever um poema
para perder o medo de amar
e assim pouco a pouco
vou abrir a porta do coração
para o teu amor entrar e ficar.
Um Caneleirinho-de-chapeu-preto
veio me visitar e contou um
segredinho seu que conseguiu
o meu coração conquistar,
Agora só falta você se revelar.
Um Beija-flor-de-topete
foi beber água no bebedor,
Por algum instante me vi
igualzinha grudada no teus
beijos bebendo da divina
poesia que é o nosso amor.
Voa, voa, Saíra-lagarta,
leva o meu recado
para a saudade que me mata,
e diga que continuo apaixonada.
Uma Saíra-ferrugem
cruzou a paisagem,
Tu és a campeira
e mais doce miragem,
Resolvi subir na tua
garupa e seguir viagem.
Coloquei no meu poema
as asas de um Sabiá-laranjeira
para fazer com que me queira,
o quê por acaso você queira,
um pelo outro de encontre e se perca
(o tempo todo se derreta
e a história de amor
pelas nossas mãos se escreva).
Com a mesma paciência
de uma Saíra-ferrugem
construindo um ninho,
Todo o dia tenho escrito
um poema para te colocar
com amor no meu caminho.
Tenho em ti todos
os meus sentidos,
Do meu peito tu tens
feito uma orquestra,
Meu milagre perene
de amor infinito,
De ti sou tua obediente
presa e destino,
Meu altivo Apacanim
místico de austral signo.
Sob a sombra perene
dos poéticos juazeiros,
No céu noturno do peito
tenho em você o único
e luminoso cruzeiro,
És o meu amor sublime,
augusto e derradeiro.
