Poesia
Queria eu ser uma
Coruja-Orelhuda
para ter o poder
de escutar se o seu
peito está pelo meu
poeticamente a palpitar.
Poeticamente renomeio
a linda Mocho-diabo,
Poetas também servem
para dar nomes quando
esquecem aquilo que
é precioso guardar;
Mocho-anjo é como
deveria se chamar
porque sempre traz
encanto aos olhos
de quem a beleza sabe
apreciar neste mundo
que só se importa mesmo
no próprio umbigo se afogar...
A Coruja-de-Crista toca
o céu estrelado,
Está escrito no poemário
que você vai ser
o meu eterno namorado.
Os animais quando bem
tratados não traem,
Os homens embora nem
todos iguais não são
e nem chegam perto
da lealdade dos animais;
Prefira ser poeta que
mesmo até depois de morto
a sua poesia não deixa em paz,
O poeta dança com intimidade
as correntes da morte diária,
Em vez de sucumbir com
o que dizem ser de Humanidade,
Prefiro me encantar com a graça
da Corujinha-Sapo em liberdade.
Sob o teto de estrelas
sou como uma Mocho-dos-banhados
voando com os meus poemas,
Vou seguindo me iluminando
pelas estradas deste destino
onde sonhar pouco a pouco
por uns anda sendo proibido.
Entre as suas pestanas
tenho o Recife franja
mais lindo e encantador,
Sou estrela-do-mar
no oceano do teu amor
profundo criando dia
e noite o nosso mundo
com doçura e carícia,
Só de saber que você
existe me provoca delícia.
O mundo está
derretendo,
Os Coralíneos estão
se perdendo,
Alcançar 2084
passa bem rápido,
Enquanto os homens
gastam o seu tempo
com guerras,
Poderiam lutar por
um futuro diferente,
Algo neste sentido
já deveria estar
sendo cumprido,
Se não houver
mais Coralíneos
até as florestas
acabarão se perdendo,
e todos sucumbirão
no destino certo
pela morte enterrados
no mesmo imenso deserto.
A Borboleta-do-manacá
cruzou no meu caminho,
Comigo você não está
e mesmo assim me inspiro
em busca de ser poema
para fazer parte do teu destino.
Borboleta fantasma
voando na imaginação,
Ser em ti nó e laço
que envolve e não desata,
Ser a primavera que não
passa em qualquer estação,
Ser parte dos seus cincos
sentidos e a dona do seu coração.
Sê você mesmo
o seu benzimento
e a tesoura de vencer
qualquer bruxedo,
Não tenha medo,
o segredo é só ter fé
e na vida ser de respeito.
O menino virou
a serpente do Tanque,
Da memória deste
susto nunca mais
saiu da cabeça
nem por um instante,
Só sei que desta lenda
o quê ficou virou poema.
Por força do destino
encontrei um Jaú
bonito na minha rede,
E tenho nele o meu
amor único e infinito.
Abotoado nadando
ao meu redor,
Poema de amor
se espalhando,
Coração apaixonado
por mim que sou
das tuas águas a Iara,
Nada mais nesta vida
nunca mais nos separa.
És corajoso Acará-Bandeira
que cruza a correnteza
deste deste rio das nossas vidas,
És toda a poesia plena
e tudo aquilo que não me nega
a não voltar para a realidade
nada romântica imposta na Terra.
Pude ver o "Rei do rio"
com as suas escamas
cintilantes despontando
na correnteza,
Um Dourado beijando
as águas cristalinas
é capaz de inspirar poesias.
A minha poética é tipo
Bicuda amazônica
nadando rumo ao destino
das águas rápidas
(do consciente para o inconsciente)
individual e coletivo,
Porque todos sem exceção
nascemos como cardumes
deste Planeta d'água,
e sequer tomamos conhecimento,
O tempo não perdoa
e depois não adianta
mais fazer nenhum lamento.
O Guaru encontrou
o seu cardume,
Passou o barquinho
do pescador artesanal,
O quê não passa
é o impulso de te querer
no meu destino,
Falar de amor é e sempre
será sobre tudo isso.
Um Saguiru se juntou
ao cardume prateado,
E seguiram cintilando
as águas nesta noite,
Não consigo parar
de mergulhar no rio
profundo dos teus olhos,
E a cada novo poema
te proclamo o dono
dos meus amorosos sonhos.
Mandubé vai seguindo
na Bacia Amazônica,
procurando ouvir
a sinfonia da passarada
para ver se dela escapa.
Há Mandubé vivendo
no Araguaia-Tocantins
bem no profundo
coração do nosso país.
Na Bacia do Prata
há Mandubé cumprindo
também o desígnio do destino
que dele absolutamente
ninguém escapa seja na bênção
ou até mesmo na desgraça:
(A fé é a única que o nó desata).
