Poemas Vinicius de Moraes de Mar
uns atravessam o inferno tocando gaita
outros se lamentam no paraíso
uns explodem fingindo que acontece nada
outros fazem belas moradas no precipício
uns fogem de si
outros abraçam seus demônios
uns se cuidam pra continuar a existir
outros dançam com a morte em meio aos escombros
muitos apaixonados
tantos de má fé
uns na contramão
outros seguem a maré
poucos perfeitos
talvez nenhum
mas muitos na busca
mesmo com nada em comum
e eu aqui
refletindo a passagem
perspectiva que obtive
observando da margem
mesmo tentando ver além do céu aberto
a vida não perdoa ninguém
caminhando em direção ao incerto
sou só mais um refém
as vezes eu penso que eu sei
então eu paro e penso de novo
as vezes penso que eu sou um sensei
no corpo de um poeta louco
as vezes só sei que nada sei
e nem disso tenho certeza
as vezes acho que a vida é um replay
e tamo preso eternamente nessa cena
as vezes a mente se desorienta
a gente cai, a vida arrebenta
mas ela te ensina e te sustenta
a ferida sempre sara, então aguenta!
tipo um calor gelado
um frio quente
a gente se prende
preso na mente
uma liberdade impotente
uma escravidão transcendental
fingimos que ta tudo certo
o mal deu oi, o bem deu tchau
afinal, como diferenciar?
a dor que machuca também vem ensinar
a verdade é uma ilusão
é tudo vista de um ponto a se olhar
preferimos o ponto que nos convém
melhor que ninguém, é o que dizemos
mas sempre um passo a frente do outro
a desculpa é que nós merecemos
cordeiros quando expostos
lobos no anonimato
ser humano de aparências
nunca quer ser pego no ato
a questão não é nem é essa
o ponto é a hipocrisia
julgamos o próximo
como se vivêssemos nas mil maravilhas
a vida é sofrida
é uma lapidação sem dó
muitas vezes ardida
vivendo o resto dos dias até voltar ao pó
aqui todo mundo nasce morto
temos rédeas na mente
e quem ousa viver
acaba morrendo novamente
nos conflitos da dualidade
terminamos cedo
começamos tarde
o que nos cura também arde
onde até o covarde
precisa de coragem
o amor vira ódio
nem sempre os vencedores estão no pódio
sérios de tanto brincar
os erros ensinam a acertar
onde obtemos calma na ira
nessa loucura onde até a verdade
é, na verdade, mentira
pagando o preço necessário
vivo em busca da essência
resistindo ao naufrágio
persisto com resistência
nesse jogo enigmático
quero ver mais que aparência
o véu que cega é sistemático
vem plantar incoerência
terrestre no terreno
embaixo do sereno
vivendo o momento
fumaça contra o vento
observando o movimento
o reflexo meio lento
com o olho ardendo
avermelhado do veneno
remédio do pensamento
torna brando o sofrimento
fica leve o passar do tempo
engrandece o pequeno
trás paz pro sentimento
semente abençoada
presente de outro reino
eu não sei a dor que eu transmito
nem o alívio que eu trago
mas sei que saber disso
faz eu ter esperança
de aguentar o meu fardo
tem males que vem para o bem
todo mundo sabe disso
mas quando os bens vem para o mal
a visualização fica mais difícil
expandir o campo de visão
ver além dos globos oculares
entender que cada cidadão
carrega em seu coração
diversos lares
tem quem tampe o sol com a peneira
o que não adianta de nada
uma hora a coisa fica feia
e a vida vira uma desgraça
é como se fossem bolas de neve
caindo pelas ladeiras
de floco em floco elas crescem
capazes de destruir construções inteiras
construções essas que tu lapidou com o tempo
que vieram do fundo da tua alma
não deixe um tormento
bagunçar e destruir a tua calma
o amanhã é só amanhã
imagina se ele não vem
não machuque o próprio coração
seja sincero consigo para viver bem
viva o agora e tenha fé
a vida é o maior tesouro
quem poema amigo é
quem poesia amigo em dobro
Um pássaro voando longe do ninho
Livre, mas preso ao seu habitat
Por vezes perdido sem saber por onde está voando
às vezes recolhido em seu novo ninho
Puro egoísmo meu
Querer sentir o cheiro teu
Mesmo que pertencente a outro
Mas as paisagens estão aí
Nenhuma é nossa!
Mas todos a querem ver.
Montanhas a serem escaladas
E céus a serem voados
Assim como um cachorro abandonado
Sigo somente o cheiro da comida
Atrás de seguir a vida
Numa trilha que nunca vivi
Sinto muito se a fizer sair
E me deixar na mesa sozinho
Em busca de um carinho
Com o coração em pedaços
Vais me chamar de desgraçado
Puro egoísmo teu
NEM SEMPRE O QUE PARECE É O FIM
O sol hoje não veio no céu brilhar
Será que isso irá se eternizar?
O medo da escuridão me tomou
Não sei se a lua pro céu voltou
Estou assustado pensando em corre sem direção
Qual será o sentido dessa nação?
Correr ou esconder?
não sei o que fazer
Estou sentado dentro do meu quarto
Com medo de ser visualizado
Mas se não sair
Serei eternamente preso aqui
O medo completamente me tomou
E de repente a escuridão
A história tem um fim e depois outras virão
A minha paixão vi se perder
E não pude nem a cabeça reerguer
O meu amor passado nem sei com está
Pois a cabeça pra fora da janela nem consigo colocar
E esse é o fim?
Lutar prosseguir ou desistir ?
É difícil admitir
Que o que eu gosto vou desistir
Uma lágrima que no meu rosto vi escorrer
Foi tão rápido que nem notei acontecer
Tudo o que conheci por tudo que lutei
Onde fui parar só isso que não sei ,
Hoje queria ter dado mais valor
A tudo que eu aprendi e que a vida me ensinou
Minha família desesperada correndo só o que eu consigo ver
Mais assim que entrei em uma sala vi tudo escurecer
De repente avistei em uma sala um caixão
O que é aquilo o rosto!!! A MÃO !!!
São minhas enfim acordei da escuridão
Então isso é o que estava acontecendo
Enquanto via meu caminho sem rumo estava apenas falecendo
Mais sei que a escuridão não é o fim
Tenho caminhos destinados a mim
Só peço que ao contrario de mim aprendam da valor
A tudo que a vida nos reservou
Minha alma aos poucos vai sumindo
Peço que lembrem-se de mim como um guerreiro e que eu fui pelos os excluídos
Peço que não sofram de mais,
Pois saimbam que a alma de um guerreiro vai em paz.
De boas ideias a boas intenções, infindáveis críticas e utopias são erguidas e sobrepostas por incrustações de outros devaneios.
(Do texto: A insensatez Adquirida)
Restringe-se para precisar, mas perde-se pela precisão quando se alcança o oráculo da especialidade
(Do texto "A imprecisão resolutiva e uma lição de Heisenberg")
Resta-me dizer que, de Charles Richet a Feyerabend, de uma época a outra, o inabitual tece um susto acadêmico; e o que dizer atualmente, se o susto ainda existe?
(Do texto "O inabitual como susto: De Feyerabend a Charles Richet")
Captar modificações profundas desafia a realidade das aparências.
É invisível à luz de conceitos comuns.
[Publicado no Recanto das Letras]
Hoje me tranco aqui sentado, sozinho, pensando...
Hoje estão por aí fazendo, cometendo, ouvindo, sorrindo...
Estão por aí correndo, mordendo, mentindo, sofrendo...
Hoje está aí dirigindo, sentindo...
Quero sair pois aqui não me sinto bem
Vendo aí na rua gente feliz, amém
Mas vejo muita gente morrendo também
Vivo cercado do pavor e desespero total
O cara matou mais de 10 dizia o jornal
O dono do bar jogou água no bêbado, vi no local
Esse hoje dorme amargurado, triste, molhado
Ele acordou na madrugada, numa parada
Homens com facas, sorrindo e gritando faziam o mal
Olhou para cima e em um segundo tinha apagado
Onde está o sentido me diz afinal
Vivo cercado
A PATIFARIA DO USO DOS INFORTÚNIOS NO DESASTRE POLÍTICO
O QUE SE ESPERAR DAQUELES QUE AÍ ESTÃO
COM INTERESSES QUE FOGEM À RAZÃO
O INFORTÚNIO POUCO IMPORTA
E TÃO NEM AÍ PRA GENTE MORTA
A NAÇÃO DORME NA LAMA
NÃO ACREDITO QUE DEITAM A CABEÇA NA CAMA
E DORMEM TRANQUILOS E BEM
MAS EU ME PERGUNTO: SERÁ QUE AO MENOS PESADELOS TÊM?
USAM O FATO COMO ESCÁRNIO PRA "LACRAR"
QUE PATIFARIA POLITICAR E ATRAPALHAR
E DE TANTO INFLAR SEUS EGOS
CRIAM UMA BRIGA SÓ PRA VER QUEM ESTÁ CERTO
SOB LAMA NÓS ESTAMOS
A MORAL NÃO CONQUISTAMOS
ENTÃO PENSE SUAS AÇÕES
VOU ENCERRAR SEM MAIS CONSIDERAÇÕES
Não existem leis que regem o pensar. É totalmente subjetivo, sem limites e de difícil mensuração.
O ser pensante descobre o abismo do desconhecido e navega na imensidão de um oceano sem instrumentos.
Solte-me! Deixe-me ir pois o mundo me espera.
Não ligue, esqueça e esteja distante
Você nunca se importou, nem se quer olhou
Pois você hoje não é quem era
Passe distante e olhe indiferente
Você, quem sabe eu, tenha tornado-se outro
Aliás, vivemos em mundos bem diferentes
Antes até que ligava, mas hoje eu ligo pouco
Agora tenho que ir, nem despeço-me
E para não ser notado, saio pela porta traseira
Prefiro de fato assim,
Menos pessoas sabendo que entrei.
Sente-se, vamos tomar um café?
Por aqui, senhor, por aqui...
Luz dilacerante no olhar
Som encantador dos trilhos quentes
Olhar de despedida...
Embarques e desembarques
Aglomerados, dispersos, sonhadores
Orvalho dos olhos nos dedos
Marcam uma história sem segredo
Malas cheias, tudo pronto
Deixando para trás um cordel de ilusões
Arrependimento? Medo? Que nada!
Na próxima estação, novas ilusões virão
Banco macio, janela aberta...
Pai? Mãe? Vocês aqui?
Ora! O próximo trem só na outra vida.
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