Poemas Vinicius de Moraes de Mar

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Quando você chegar
a gente acende a luz baixinha
e dança um forrozinho coladinho
com o dedo na boca, manha e carinho


e no ouvido vai tocar baixinho:
_"tão bom te ver chegar..."_
aí a gente esquece a distância
e só vamos bailar.
(Saul Beleza)

"Meu silêncio vai te respeitar sempre" ... isso vale mais que mil gritos. É maturidade pura.

Quando se chama alguém de "Cora Coralina" é elogio do tamanho do mundo. Cora era poesia, força, mulher que viveu muito e entendeu a vida. Quem ganha um título desses é porque deixou marca boa.

Escolhi o silêncio que protege em vez do grito que machuca. Isso é amor que virou respeito.
(Saul Beleza)

*Estacionado no teu passo*

Até quando você vai viver na minha loucura?
A saudade grita baixinho dentro do peito,
os pensamentos pegam estrada sem mim,
e eu...
eu fico aqui.
Estacionado no teu passo.

Não consigo seguir em frente,
não posso recuar.
Só espero o vento assoprar e levar
o que ainda dói,
e deixar o que ainda ama.

Talvez um dia eu aprenda
a desligar o motor,
sair desse ponto
e caminhar com as minhas próprias pernas.
Mas hoje...
hoje a saudade ainda é o timoneiro.
(Saul Beleza)

*Último brinde*

Te convido.
Nem que seja para um último brinde.
Levantamos as taças, sem esquecer do contato visual,
não pelos "e se",
mas pelos "foi bom enquanto foi".

Brindo à tua risada,
ao teu jeito de bagunçar meu silêncio,
à loucura boa que você deixou morar em mim.

Que esse brinde feche a porta
sem bater,
e abra janela
pra eu ver lá fora de novo.

Saúde.
À nós que fomos.
À mim que sigo.
(Saul Beleza)

*Preparando o jardim*

Chegou a hora.
De enxada na mão e coração em paz.
Vou preparar o jardim
pra receber uma nova flor.

A outra...
foi plantada com água e reza.
Mas não floriu.
Só nasceu espinhos
a ferir dedo,
e furar a esperança.

Vou tirar os espinhos com calma.
Um por um.
Sem raiva.
Só com cuidado de quem aprendeu.

E nesse chão limpo,
vou plantar de novo.
Dessa vez não espero milagre.
Espero tempo, sol,
e flor que queira ficar.
(Saul Beleza)

*Limpano o quintar*


Chegô a hora, fio.
Tem que carpir o quintar
pra brotá flô nova.


A que eu prantei cuma fé danada
num quis dá flô.
Só deu espin
pra rasgá minha mão.


Mais num tem reiva não.
Vou tirá um por um,
adubá a terra
e esperá no tempo do Pai.


Que dessa vez venha
uma flôzinha pra mode ficá.
(Saul Beleza)

*Conselho de vó*

Óia, meu fi...
Jardim bom é que nem coração.
Tem que capiná todo dia,
tirar mato ruim,
dar água na hora certa
e num dexá espinho criá raiz.

Se a flor num quis vingá,
paciência.
Terra boa num falto.
Sol num escondeu não.
O que num pode é você
ficá segurano toco
que só te fura.

Deixa a vida passá,
aduba de novo
e espera.
Que flô que é pra ficá,
ela fica.
E se num ficá,
a gente pranta outra
e vai reza.
(Saul Beleza)

*Saudade na Madrugada*

Essa madrugada judiou do meu coração,
na cama sobra espaço e no peito solidão.
Não senti o peso leve da tua cabeça,
nem o cafezinho nosso que a alvorada aquece.

Vem, fica... num me deixa assim não.
Sem você o corpo esfria, a casa é só um porão.
Madrugada amiga, leva esse pedido:
que ela volte e o vazio seja preenchido.
(Saul Beleza)

*Louca Madrugada*

É na noite que dorme e na madrugada que é curta,
que meus pensamentos em ti são longos e tortos.
O travesseiro molha, o relógio não anda,
e o coração insiste em te chamar.

Todo mundo descansa, menos a saudade,
ela fica acordada fazendo amizade.
Com lembrança, com dor, com o que ficou pra trás,
e eu conto estrela até clarear.
(Saul Beleza)

*Loucura Sensata*

Dentro dessa minha loucura toda,
a sensatez me cobra e nada me acomoda.
Me pede uma loucura menos responsável,
de amar você mesmo sendo inviável.

O juízo diz pra ir, pra largar, pra esquecer,
mas o peito teima e quer te querer.
É amar com o freio, amar com dor,
amar sabendo que não tem futuro, a não ser o presente.
(Saul Beleza)

*Turma do último gole*

Sou da turma do último gole,
que seca o copo e divide a sede.
Da última briga, mas também do abraço,
que perdoa e refaz o laço.

Sou do último pedaço de pão,
que reparte mesmo com fome no coração.
E do primeiro beijo, trêmulo e certo,
aquele que marca e fica pra sempre aberto.

Num tenho muito, mas o que tenho é inteiro:
lealdade, palavra e amor verdadeiro.
(Saul Beleza,)

*Nossa Turma*

Sou da turma do Caicó, do Bié e do Pato,
do Bananinha que riem até no aperto e no trato.
Do Neguinho firme, do Bié Filho na prosa,
gente que divide o pão e nunca deixa à toa.

Sou da turma do último gole, da última briga,
do último pedaço de pão na mesa amiga.
E do primeiro beijo, que a gente nunca esquece,
porque quem ama de verdade, permanece.

Tem uns que já foram, mas vivem na lembrança:
Luiz César, Vanytur... eterna aliança.
In memória, mas presentes no meu peito,
porque amizade raiz não morre, faz efeito.

Essa é minha turma. Pouco luxo, muito valor.
Gente de palavra, de riso e de dor.
(Saul Beleza,)

*Passo na porta da tua casa aqui,*
*só vejos folhas pelo chão.*
O vento levou o que a gente vivia,
mas deixou perfume na calçada e no coração.


É daquelas passadas que a gente dá devagar...
Olhando a janela, lembrando do riso,
pisando nas folhas secas que ainda guardam
o eco do "fica mais um pouco.
(Saul Beleza)

*A Chave que liberta*

Tem que estudar, minha filha.
Tem que estudar.

Porque a única chave
que te liberta de verdade
é o estudo.

Não é dinheiro que abre porta.
Não é sorte que arromba grade.
É livro, é caderno, é madrugada.
É lápis gasto e cabeça erguida.

Estuda pra ninguém te calar.
Estuda pra escolher teu caminho.
Estuda pra quando o mundo apertar,
você ter a chave no bolso...
e abrir qualquer portão.

O estudo, e o saber ninguém tira de você.
(Saul Beleza)

*Até Breve, Divarde*
(Xodó da Vó Ana)

Descansa em paz, meu primo, tio, irmão *Edward*
O nosso Divarde.

Foi bom esposo,
foi pai, foi avô,
foi tio, foi primo e irmão.
Foi tudo pra gente numa vida só.

A vida segue...
mas a tua saudade fica.
Fica na mesa vazia,
fica na história contada,
fica no nome que a gente repete com carinho.

Até breve, Divarde.
Que lá no céu você continue
espiando a gente com orgulho,
cuidando da família como sempre cuidou.
(Saul Beleza)

*"O tempo do perdão"*

Algumas traições vão tão fundo
que o perdão deixa de existir como opção.
Hoje.
Mas o tempo é rio, e rio não para.
Ele leva, ele lava, ele transforma pedra em areia.

Essa dor que agora pesa e sufoca
um dia vai ficar menor.
Não porque esqueceu.
Mas porque você ficou maior que ela.

E o perdão...
o perdão pode caber a qualquer momento.
Não por ele.
Por você.
Quando o peito cansar de carregar
e quiser espaço pra respirar de novo.
(Saul Beleza)

"Cegueira"*

Teu olhar vai buscar distante
o que tens aqui,
mas você não percebe.

Se esses teus olhos
prestassem atenção no meu olhar,
saberia o quanto
meus olhos te desejam.

Eles te chamam baixinho
em cada esquina do dia.
Eles guardam teu nome
no fundo da pupila.
Mas você procura em outro lugar
o que teima em ficar bem aqui.
Mesmo que de soslaio...e calado.
(Saul Beleza

*"Climas Diferentes"*

Já não bastava a distância que afasta,
quilômetro virando muro entre nós.
Agora esse silêncio que machuca,
peso de palavra que não veio e ficou.

O frio que te aquece aí,
coberto, seguro, sem saudade.
E o calor que me congela aqui,
suando por dentro, tremendo de verdade.

É ironia da vida, né?
Você quentinha no teu inverno,
e eu gelando no meu verão
só porque você não tá.
(Saul Beleza)

*"Minha Canção Entalada"*

Você é a minha canção preferida
que sempre está entalada em minha garganta
nas noites de total solidão.

A canção que embarga minha voz
que soluça nas rimas que são tuas...
cada verso um gole seco,
cada refrão um nó no peito.

Ninguém ouve.
Só eu, a madrugada,
e essa música que não sai
mas também não me deixa em paz.
(Saul Beleza)

*"FASE GOOGLE"*

Gente... eu cheguei na pior fase da vida.

É a fase que eu sei a resposta pra TUDO.
E ninguém pergunta.

Sabe aquela fase que você vira o Google da família?
Minha mãe: "Filho, como é que faz pra tirar mancha de café?"
Meu amigo: "Mano, tu acha que ela ainda gosta de mim?"
Meu chefe: "Explica esse relatório pra mim em 5 minutos."
O Google: "Precisamos da sua localização pra continuar."

CARACA. Até o Google me pergunta mais coisa do que as pessoas.

O Google pelo menos fala "obrigado por usar nossos serviços".
As pessoas só falam "ah, valeu" e somem.

Eu virei FAQ ambulante.
"Como supera término?" - 2 minutos de podcast de graça.
"Como faz arroz?" - Receita, modo de preparo e história do arroz.
"Tu tá bem?" - ...silêncio.

Eu sei de cor a solução pra crise mundial, pra ressaca, pra chifre.
Mas ninguém sabe a solução pra "cara, eu só queria um abraço hoje".

O pior é que eu respondi tanto que agora eu respondo até pra mim mesmo:
"Cérebro: e agora?"
"Eu: Pesquisa no Google."

Porque se nem eu me pergunto mais... quem vai?

Obrigado, gente! Se cuida. E se alguém quiser me perguntar como eu tô... eu aceito pix também. Brincadeira... ou não.
(Saul Beleza)