Poemas sobre quem Realmente eu sou
Quando me detenho sob o vasto e silencioso palco do universo, a paisagem se dissolve e sou forçado a reconhecer uma caligrafia divina em cada detalhe fugaz, desde a intrincada geometria de um floco de neve até o ritmo imutável das marés oceânicas, o firmamento, em seu silêncio estelar, não é mudo, mas um arauto de uma inteligência que transcende a minha compreensão, e essa sinfonia cósmica, tecida em leis físicas inquebráveis, ressoa como um testemunho inegável da Tua soberania absoluta. Não é apenas grandeza, mas uma perfeição tão avassaladora que anula qualquer dúvida sobre a fonte de toda a existência.
Não sou feito de calmaria, sou feito de vulcões adormecidos e mares inquietos, mas aprendi a domar minhas próprias marés, e hoje navego sem medo do que existe dentro de mim, autodomínio é minha maior conquista.
Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.
Sou incapaz de navegar no raso. Se amo, desmorono, se sofro, submerjo, se escrevo, transbordo o que a carne não suporta.
Sou o único sobrevivente das minhas próprias emboscadas mentais, e o cansaço dessa vigília é o que me define.
Sou um mosaico de tentativas imperfeitas. Nenhuma foi o bastante, mas todas foram entregues com a honestidade de quem tentou.
Sou confidente da madrugada, ela é a única que aceita minhas versões sem filtros, meus colapsos e minhas confissões inconfessáveis.
Não sou um objeto quebrado, sou uma obra em reforma perpétua, tentando alinhar as peças enquanto o chão ainda treme.
Sou um colecionador de perguntas sem respostas. Continuo indagando porque o silêncio total seria o início da minha rendição.
Sou um pedido de socorro que se transmutou em literatura para não ser um fardo e, assim, garantir sua própria sobrevivência.
A folha de papel é o único tribunal onde sou inocente, onde posso desabar sem julgamentos e ser fraco sem ser corrigido.
Sou o adulto que tenta ser o abrigo para o menino que ainda chora em mim, esperando por uma justiça que o tempo não traz.
Sou vítima de cenários hipotéticos, sofro por tragédias que minha mente cria com a perfeição de quem já viveu o pior.
Sou a exaustão com verniz de eloquência. Posso falar bonito, mas o cansaço continua sendo a base de cada palavra.
Sou o somatório de insônias, esperanças remendadas e a vontade absurda de continuar, apesar de todos os prognósticos.
Sou feito de insônias e cafés frios, de orações sussurradas para um teto que nem sempre responde, mas que serve de anteparo para os meus medos. A fé é esse diálogo com o silêncio, onde a resposta não é uma voz, mas a força para aguentar mais um dia.
Sou feito de silêncios mal resolvidos. De palavras que nunca tiveram coragem de nascer. De sentimentos que aprenderam a se esconder para continuar existindo. E, mesmo assim, dentro desse caos contido, há algo em mim que insiste em não desistir.
Não sou inteiro. Sou feito de remendos, restos, reconstruções e adaptações. Mas talvez seja justamente essa imperfeição que me sustente. Quem já se quebrou aprende a voltar de outro modo. E seguir, às vezes, é isso: refazer-se com o que sobrou.
Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.
Sou feito de memórias que não passaram, de orações que ninguém ouviu e de batalhas que quase ninguém viu. Talvez por isso minhas palavras carreguem o peso sereno de quem aprendeu a transformar
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