Poemas sobre quem Realmente eu sou

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Quando eu paro de esperar grandeza de mim,
eu viro humana.
Eu viro falha.
Eu viro carne.

Eu te amo, mas…


Eu te amo.
E não é pouco, não é confuso, não é carência inventada numa madrugada qualquer.
É amor mesmo. Desses que escolhem. Desses que permanecem.


Eu te amo, mas me doeu não ter vivido você no mundo real.
Me doeu não ter tido a chance de descobrir teu cheiro, teu jeito andando na rua, teu silêncio ao meu lado.


Eu te amo, mas cansei de promessas que não viraram encontro.
Cansei de esperar o dia em que a coragem seria maior que o medo.


Eu te amo, mas eu também queria ser escolhida sem hesitação.
Queria firmeza. Queria presença. Queria verdade sem sombra.


Eu te amo, e por isso eu perdoei.
E talvez perdoasse de novo.
Mas, no fundo, eu só queria não precisar perdoar sempre.


Eu te amo com pele, com desejo, com vontade de acordar do teu lado todos os dias.
Mas também te amo com sonho de futuro, de casa, de vida concreta .. não só tela iluminada.


Eu te amo…
mas amar sozinha cansa.
E mesmo assim, eu amo.

Eu desejo.
Eu sinto.
Mas não toco.
Não é falta de coragem.
É consciência.
Nem tudo que acende em mim
eu preciso alcançar.
Tem coisas que eu quero
mas não quero o preço.
Tem presenças que me atravessam
mas eu escolho não atravessar de volta.
Eu aprendi que sentir
não me obriga a agir.
E às vezes o controle
é mais intenso que o toque.

Eu me apaixono todo dia.


Eu me apaixono pelo ar,
pelo cheiro de cada dia,
pela forma como a vida chega sem avisar.
Eu me apaixono por uma ideia,
por um lugar,
por uma pessoa.
Mas tem uma coisa que pouca gente entende:
eu também desencano muito rápido.
Eu deixo ir quando tem que ir.
Eu dou espaço sem ninguém precisar pedir.
Porque, no fundo, eu entendo.
Entendo que nem tudo é pra ficar.
E talvez seja justamente por isso
que eu também me apaixono por mim
todos os dias.
E às vezes eu paro, me olho por dentro
e digo, sem cerimônia nenhuma:
Que mulher foda. ✨

Não me viu, não quis chegar,
e eu aqui, aprendendo a não esperar.
O coração insiste em ficar,
mas minha vida… precisa andar.

Na mesma rua


Eu passo
e o chão lembra.
Não é você..
É o eco do que doeu.
As paredes sabem,
o ar pesa,
e meu peito responde
como se fosse agora.
Mas não é.
Você ficou
no que eu sobrevivi.
Eu sigo
no que eu me tornei.
E por mais que doa
te cruzar no mundo,
já não existe
lugar em mim
onde você mora.

“Quase”


Eu quase te liguei
quase fui atrás
quase disse tudo
que guardei em paz
quase fui fraca
quase voltei
quase me perdi
em quem eu já deixei
mas aprendi com o tempo,
sem drama, sem julgamento:
nem tudo que não foi…
foi perda.


o quase também
é livramento.

Não insista


Tem lugar
que te aceita…
desde que você se diminua.
E eu tentei.


Tentei caber,
tentei calar,
tentei ficar.


Mas ficar, às vezes,
é só uma forma lenta
de ir se perdendo.
Então eu fui.
Não por falta de amor,
mas por falta de espaço
pra ser quem eu sou.

Eu te deixei ir
no mesmo dia em que entendi
que me perder era o preço de te ter.

“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”

Eu não estou perdida

Não é falta de direção,
é excesso de mundo dentro.

Minha mente não se cala,
ela transborda.

São pensamentos, memórias, medos,
tudo ao mesmo tempo,
como se o silêncio não tivesse vez.

Eu não estou perdida.
Eu estou cheia.

Cheia de coisas que ainda não viraram forma,
cheia de sentimentos sem nome,
cheia de histórias que insistem em existir
mesmo sem saber por onde começar.

E no meio disso tudo,
existe uma parte minha
que pede paz…

mas existe outra
que entende:

é desse caos
que eu crio.

Então que seja.

Se minha mente é um turbilhão,
eu escrevo dentro dele.

Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.

Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.

Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.

Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.

E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.

Sem Colete

Quando eu parei de me proteger,
vieram com mira certeira.
Não foi o erro que doeu.
Foi acreditar
que comigo
seria diferente.
O tiro nunca vem
quando você tá armado.
Ele vem
quando você acredita
que finalmente pode descansar.

Eu me perco todo dia.


Às vezes nas lembranças,
às vezes no mercado tentando lembrar por que entrei ali.


Tem dia que me perco em gente errada,
em conversa inútil,
em saudade reciclada igual pote de sorvete virando tupperware.


A verdade é que viver é isso:
um grande “cadê meu equilíbrio emocional?”
enquanto a gente procura o celular
com o celular na mão.


Mas sigo.
Porque até GPS recalcula rota,
e eu não vou perder a chance
de me achar mais gostosa, mais forte
e um pouquinho mais surtada amanhã.

O menino dos limões


Eu estava voltando pra casa de bicicleta
carregando cansaço, dívidas emocionais
e uma vontade silenciosa de desaparecer do mundo por algumas horas.
Então ele me chamou.
“Tia… você tem alguma moeda?
Eu tô com fome.”
Era só um menino.
Magrinho.
Pele morena.
Olhos verdes que ainda não tinham desistido da vida.
Um pitózinho torto no cabelo
e uma dignidade dolorosa na voz.
Dei as moedas e fui embora.
Mas alguma coisa me atravessou no meio do caminho.
Quando voltei
ele estava em cima de um muro
tentando pegar limão pra comer.
E naquele instante
o mundo inteiro ficou pequeno.
Pequeno feito gente egoísta.
Pequeno feito orgulho.
Pequeno feito discussão inútil.
Pequeno feito pessoas que machucam outras por vaidade
enquanto uma criança tenta enganar a fome com fruta azeda.
Levei ele na padaria.
E o que mais me destruiu
não foi a fome dele.
Foi o cuidado.
“Se ficar caro, tia…
pode deixar o refrigerante.”
Criança nenhuma deveria saber o peso de um refrigerante no bolso dos outros.
Mas ele sabia.
E eu ali
sem dinheiro
sem rumo
emocionalmente quebrada
percebendo que talvez eu tenha gastado demais tentando salvar adultos
quando poderia ter alimentado mais crianças.
Ele foi embora sem saber meu nome.
E eu fiquei ali
vendo um pedaço da humanidade indo embora a pé
com pão nas mãos
e fome no mundo.


Ass: Lucci Santz

Hoje eu observo antes de abrir.
A última vez que confiei sem filtro,
quase me perdi de mim.

Um dia, quando eu voltar...

Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.

As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.

Mas algumas coisas permanecem.

Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.

Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.

Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.

E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.

Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.

Lucci Santz ✍️

Os desejos são por mim, e eu me alegro.

Não pela inveja que desperto,
mas porque aprendi a reconhecer meu próprio valor.

Quem deseja ocupar meu lugar
talvez não saiba dos caminhos que percorri,
das noites que atravessei
e das marcas que carrego em silêncio.

Eu me alegro,
porque finalmente entendi:
não é sobre ser melhor que alguém,
é sobre ter me tornado alguém
que nem eu mesma imaginava ser.

Muitas vezes me olharam e disseram que eu mudei.
Mudou mesmo.
Mas poucos perguntaram quantas dores foram necessárias para essa transformação.
Há versões de nós que não nascem de desejos, mas de sobrevivência. São armaduras forjadas em noites difíceis, em despedidas inesperadas e em batalhas que ninguém viu.
Eu tive que me tornar algo que nunca fui.
Mas, no fundo, ainda guardo a memória daquela pessoa que existia antes das tempestades.
Não para voltar a ser quem fui. Porque certas travessias não permitem retorno.
Mas para lembrar que, por trás de toda dureza que a vida me ensinou, ainda existe um coração que um dia acreditou que o mundo podia ser mais gentil.
E talvez essa seja a maior vitória:
não deixar que a necessidade de sobreviver apague completamente quem um dia fomos.

Eu Queria Não Ter Te Conhecido

Existe uma frase que quase ninguém tem coragem de dizer em voz alta:

"Eu queria nunca ter te conhecido."

Não porque todos os momentos foram ruins.
Pelo contrário.
Porque alguns foram tão bons que fizeram a despedida doer muito mais.

Ninguém entra em uma história imaginando que um dia desejará apagar o primeiro encontro, a primeira conversa ou o primeiro sorriso.

Mas há dores que nos fazem querer voltar no tempo.
Não para mudar quem somos.
Apenas para evitar a cicatriz.

O curioso é que o coração não esquece na mesma velocidade em que descobre a verdade.

Às vezes, a razão já foi embora há muito tempo.
Já entendeu tudo.
Já aceitou os fatos.

Mas o coração continua sentado no mesmo lugar, esperando alguém que nunca mais voltará do jeito que um dia existiu.

E então nasce o conflito mais silencioso de todos:
amar alguém que já não faz bem.

Não é fraqueza.
Não é loucura.
É apenas o tempo que os sentimentos levam para alcançar aquilo que a mente já compreendeu.

Talvez um dia a gente deixe de desejar não ter conhecido certas pessoas.

Talvez a gente apenas aprenda que algumas histórias não vieram para durar.

Vieram para ensinar.

E, por mais dolorosa que tenha sido a lição, nenhuma ferida merece nos convencer de que deixamos de ser dignos de um amor tranquilo, verdadeiro e recíproco.