37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias
Convite ao Agora
Não te condeno ao esquecimento,
apenas escolho, enfim, recomeçar.
O tempo não apaga o que sinto,
meu amor ainda teima em aqui morar.
Pelas horas que passam, entre frestas e saudades,
vejo um tempo que não ousa retornar,
mas avisto um futuro que urge,
uma alegria pronta para nos contagiar.
É um novo instante, um pulso firme,
a vontade acesa de outra vez tentar.
Que seja amor, que seja brasa,
ou apenas o riso que vem nos resgatar.
O que importa é a vida em movimento,
é o fôlego novo de quem sabe recomeçar.
Hoje o destino tem o teu nome,
e o amor, enfim, se faz presente.
Vem! Despoja-te do medo de ser feliz,
deixa que o agora nos oriente.
Posso ser o teu melhor reflexo,
posso ser o teu mais profundo prazer.
Posso ser apenas o que sou,
ou o que em ti eu vier a colher.
Podemos ser o "nós" que o tempo adia...
Vamos habitar o presente?
A vida acontece agora,
e o resto é apenas travessia.
Poesia de Islene Souza
"Cuidado!
Pois quando o tempo provar que você está errado, ele também pode provar que você não tem mais
tempo"
Nós, a folha e o Tempo.
Tão implacável é o tempo, não para, não perdoa.
Sem culpa alguma ele simplesmente vai passando.
Ele é apenas o tempo.
Ele em si é "atemporal".
Já em nós, e em tudo o que vida tem, ele age de maneira implacável, vai passando sem olhar para trás.
Ele é simplesmente o tempo, o Deus da horas
sempre correndo na direção do futuro.
Sem tempo para esperas, ele precisa passar...
O tempo vem sem movimento
Relativo em seu tormento
Um momento? Uma vida.
Transcrita de forma sucinta.
Ressuscita aquele aonde habita. Palpita.
Amanhã, será manhã, a hora perdida nos ponteiros, sempre talvez.
Dos números escavados, o risco sem medo.
Do dito avisado, o perfeito que não é feito
O delirante dizendo que o ótimo se fez.
Não imaginávamos que seria!
Assim, a resposta levada,
as palavras trocadas e a alma sendo despida aos poucos.
Afinidade percebida na etapa miúda de uma justa insensatez.
Percebia a conversa na rua?
Madrugada nua, palavras cruas.
No hospital, na tv, na sala de estar, Luar
Ouvir, falar, sorrir. Lançar
Brisar, partir, fugir. Ficar
Olhar atento, corpo calado
Como quem ouve uma sinfonia.
Um peixe pescado… nada explicado..
Vontade de ter ficado..
Com suas ondas traga os pincéis,
solte os gracejos inocentes e pinte uma casa
Pintar o mundo com contornos místicos,
Colorir a noite com pontilhados brilhantes.
A cidade está longe, mas nós estamos aqui.
O tempo pode parar, mas se parasse não seria tão bom.
Tudo fica pequeno perto do som
Das ondas desse caminhar
Não importa onde estávamos até agora,
Nossa memória trouxe até aqui.
A intuição rasgou a razão e a fez sorrir
Fez da sua premonição um recuo épico,
na entrega de um doce enlace noturno. Entregar o beijo e sair de fininho.
A porta se fecha, o abraço refresca e o beijo liberta.
No silêncio, o som da nota compôs sua melodia,
Tempestade feita com sereno da noite que fluía.
Foi-se ao céu, com suas asas.
Ela descobriu que descobria-se,
Inesperado ele surgia..
Sendo sempre eles… ficariam.
Meu jardim..
Em tempo de guerra, planto as minhas flores.
Decoro a estrada da vida com as flores mais belas existentes.
Gira sois ficam voltados para o leste.
As flores do campo, marcam os limites da estrada.
Orquídeas, ornamentam os quatro cantos da casa.
Um caminho de lírios conduzem ao meu interior.
Venha por ele, caminhe suave, tenha cuidado para não machucar e não se machucar.
Cheguemos juntos ao paraíso e desfrutemos deste viver em flores e odores.
Delicadeza e paz.
Saboreando a calmaria do amar, do amor.
Inteiramente Inteira
Essa sou eu:
uma confusão o tempo todo
dentro de mim mesma!
Certezas? Quase nenhuma.
Às vezes sã,
às vezes insana.
Essa sou eu: menina, mulher!
Aquela que cala,
aquela que canta,
aquela que grita,
mas que ninguém ouve.
Aquela que escuta, de vez em quando,
a voz do próprio coração,
e que encanta quase todo mundo,
ou não.
Essa sou eu:
meio século de histórias contadas e contidas,
de sonhos regados a vinho,
poesias, música,
arte de rua e de amores.
Fui podada, eu bem sei!
Impedida também fui,
mas hoje eu sou livre, livre, livre
feito galho saindo pelos lados da árvore
fincada no chão,
cujas raízes entraram no inferno adentro
só para poder alcançar o meu céu.
Essa sou eu,
razão batendo o tempo todo na minha cara
e palpitando um coração que ama sem medo.
Essa sou eu,
um baú de mil segredos,
com milhares de histórias para contar.
Histórias que nem lembro.
Vou escrevendo, escrevendo, escrevendo e,
de vez em quando,
eu canto, eu canto.
Essa sou eu:
uma mulher inteiramente inteira
e despida.
Nildinha Freitas
O Soneto da Hora
A hora passa,
A vida em massa,
O tempo voa,
A alma à toa.
O relógio bate,
O peito late,
No silêncio,
Do momento.
A sombra cresce,
O dia esquece,
De quem ficou.
Na escuridão,
Só o coração,
Que não parou.
O Soneto do Fim
A luz se apaga,
A sombra vaga,
O dia finda,
A alma ainda.
O tempo corre,
A vida morre,
No chão de pedra,
Onde o mal medra.
É o fim da lida,
Noite esquecida,
Sem mais alento.
Na escuridão,
O coração,
Vira só vento.
TANQUE DE BETESDA
Há tanto tempo espero minha bênção, quem se importará?
Todo mundo tem um motivo pra correr, resolver a própria vida, caminhar e viver… quem se importará?
Mas um dia alguém me olhou, e seu olhar em mim fitou, e enxergou em mim além daquilo que aparentemente sou.
Estendeu-me a sua mão, e me pôs de pé, e restaurou a minha vida: o homem de Nazaré.
Mas um dia alguém me olhou, e seu olhar em mim fitou, e enxergou em mim além daquilo que aparentemente sou.
Estendeu-me a sua mão, e me pôs de pé, e restaurou a minha vida: o homem de Nazaré.
CÍCERO MARCOS
Nunca perdemos tempo quando vivemos de verdade ,Sempre há
chance de reviver e recomeçar!
Lembre-se: existem dias ruins e dias bons. Sobreviver ao tempo é um luxo valioso.
Ela não voltou mais suave.
Voltou mais inteira.
O feminino nela não era doçura o tempo todo,
era verdade.
E a verdade, às vezes, corta.
Ela cansou de ser medida pelo quanto suportava,
pelo quanto compreendia,
pelo quanto se calava para manter algo de pé.
Isso nunca foi força.
Era ausência de si.
Quando voltou,
não foi para ser escolhida
foi para se escolher.
O corpo mudou de lugar.
A presença também.
Já não se esticava para caber,
já não diminuía para manter,
já não confundia intensidade com profundidade.
O feminino nela deixou de pedir.
Começou a discernir.
E nesse retorno
não houve anúncio,
não houve explicação,
não houve necessidade de ser entendida.
Houve um silêncio firme
de quem sabe onde pisa.
Se alguém ficasse,
seria porque sustenta.
Se alguém fosse,
ela não iria junto.
Porque o retorno dela
não é para o outro.
É para um lugar
onde ela não se abandona mais.
Algumas feridas não se resolvem com o tempo. Elas atravessam, permanecem, se manifestam em silêncio.
O que não é reconhecido não se dissolve. Se repete, se infiltra, se atualiza nas relações e nas escolhas.
A tentativa de esquecer não cura.
A negação só mantém a ferida em estado ativo.
Cicatrizar exige outra coisa.
Exige sustentar o contato com o que doeu, sem fugir, sem distorcer.
É nesse encontro que algo se desloca.
Não porque a ferida desaparece, mas porque deixa de comandar.
No fim, integrar é isso.
Não apagar a dor, mas não viver mais a partir dela.
Neste plano terreno, ninguém cruza nosso caminho por mero acaso.
Somos, ao mesmo tempo, aprendizes e mestres em uma escola sem paredes.
O outro é sempre um espelho ou uma lição, com uns, aprendemos a ser , com outros, aprendemos o que jamais nos tornaríamos.
Nossas digitais se misturam nas vidas que tocamos, e levamos um pouco do que os outros nos entregam
seja o perfume das boas ações ou a cicatriz dos aprendizados amargos.
Ei Nada é estático, nada é em vão. Evoluir é entender que cada conexão, por mais breve ou intensa que seja, é um fio essencial na tapeçaria do nosso destino. 😪
Necessário...
Evans Araújo
ELE É IMPLACÁVEL
Se o tempo soubesse
que sou seu amigo
e que conto sempre com ele,
talvez não passasse tão rápido,
nem demorasse.
Se, quando quero algo,
ele corresse apenas para realizar,
e, quando pudesse, estivesse pronto a voltar...
Eu sou amigo do tempo,
mas ele não é meu,
pois está sempre disposto
a me matar.
Se a chuva fosse sempre de verão,
o frio sempre presente no inverno,
e a primavera fosse perfumada
como a mais bela dama...
Se eu pudesse superar o tempo,
sendo forte para não me abalar
e rígido para não permitir o que
não seja bom para mim...
Seria eu escravo do tempo
ou mestre dele?
Seria eu feliz,
ou tudo se tornaria desespero
por tudo que se vai?
Tempo, seja você idêntico,
e eu jamais me curvarei.
A vida é observar o mundo,
por mais ou menos tempo...
É igual executar uma quantidade
maior ou menor de ações e acontecimentos...
O des-fecho é o mesmo...
Tua dissolução: cádaver e fumaça...
Adeus Deus...
O Tempo de Agora
Não olhes para trás com pesar ou saudade,
o que passou já escreveu sua história.
Guarda no peito apenas a verdade,
o amor que ficou e a tua memória.
O que foi dor, serve como aprendizado,
mas não deixes que te prenda ou te impeça.
Liberta o que já não está ao teu lado,
o mal se desfaz, o bem permaneça.
Quem partiu deixou sua marca e lição,
seja doce ou amarga, ficou lá atrás.
Hojo tu segues com fé no coração,
fazendo do presente a tua paz.
Tens em tuas mãos o poder da mudança,
a força que vence qualquer batalha.
Crê em Deus, crê em ti, mantém a esperança,
que o futuro se tece com o que hoje trabalha.
Vive intensamente esse momento,
sorrir, amar e florescer.
O mundo responde ao teu sentimento,
e a felicidade... já está em você.
O Infinito em Teu Olhar
De tudo, em ti, meu ser se fez atento,
Com um zelo que o tempo não desfaz.
Em cada gesto, um novo encantamento,
Que a alma busca e o coração refaz.
Fui mar sem porto, estrela sem cometa,
Um eco errante em busca de canção.
Até que em ti, a vida se completa,
E o antes, sem ti, perde a dimensão.
És a rara melodia que me invade,
O segredo que o futuro me revela.
Em cada toque, a mais pura verdade,
Uma promessa que o amanhã sela.Não busco o fim, nem temo a despedida,
Pois em teu ser, o eterno se faz lar.
Que seja intenso, a cada batida,
Infinito, enquanto Deus me permitir te amar.
Neste amor, a urgência do presente,
A certeza de um laço sem igual.
Minha alma em tua alma, transparente,
Um elo forte, um bem que não tem par.
Algoz Invisível
O tempo não é amigo.
É algoz disfarçado de continuidade.
Não caminha comigo — me arrasta, me despedaça, me consome em silêncio.
Se ele soubesse que o desafio, talvez hesitasse…
Mas não hesita.
O tempo não pensa, não sente, não negocia.
Ele apenas avança — indiferente, brutal, absoluto.
Eu não conto com ele. Eu o confronto.
Mas ainda assim ele me atravessa todos os dias como lâmina invisível.
Se eu quero algo, ele me responde com demora.
Se eu espero, ele me pune com pressa.
Se eu imploro, ele ri na forma do atraso.
Sou seu inimigo sem poder vencê-lo.
Ele é meu juiz sem ter sido eleito.
E ainda assim ouso perguntar:
Se eu pudesse dobrá-lo, seria liberdade ou tirania?
Se eu o dominasse, eu ainda seria humano — ou apenas outro tempo, frio e sem culpa?
Talvez o verdadeiro desespero não seja o tempo passar…
Mas perceber que nada nele precisa de nós para continuar.
Se as estações fossem justas, eu desconfiaria.
Se a primavera fosse perfeita, eu temeria seu veneno escondido.
Se o inverno tivesse piedade, eu chamaria isso de mentira.
Porque nada que é absoluto pode ser inocente.
Tempo, você não é idêntico.
Você é guerra constante contra tudo que insiste em existir.
E eu não me curvo — não porque sou forte,
Mas porque já estou sendo quebrado.
Izaias Afons
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