Poemas sobre o Mundo

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Falar de amor virou ato de contrabando entre a dureza do mundo. Levo-o escondido no peito como quem leva pérolas em bolsos rasgados. Quando entrego, minhas mãos tremem, não por medo de perder, mas por saber que a dádiva pode curar lugares onde o sol não entrou.

No fim das tardes, o mundo baixa a cabeça como se rezasse. As sombras alongam os desejos que não viraram atos. Eu caminho com a sensação de ter esquecido algo essencial. Por vezes o essencial é apenas o nome de alguém. E chamar esse nome é como abrir uma porta sem saber o que vem depois.

Ele ficou, quando o mundo desabou em telas mortas e a música aprendeu a sangrar. Com a roupa rasgada pela história, olha anjos quebrados que esqueceram o céu, e corvos que sabem o nome do fim. Há almas passando por ele como neblina que não pede licença, e uma cachoeira distante tentando lembrar que ainda existe queda, e ainda existe som.

O vento traz nomes que o mundo esqueceu. Eles pousam na janela e demoram a sair. Eu os recolho como se fossem folhas importantes. Coloco-os no bolso e sigo caminho mais leve. Carregar nomes é forma de resistir ao esquecimento.

A solidão ensinou-me cedo que, o mundo assiste à sua queda com curiosidade ou pena, mas raramente com a intenção de estender a mão.

Sinto falta da ignorância de quando o mundo parecia gentil, antes de eu aprender a arte da desconfiança e o peso do silêncio.

A escrita não é para o mundo, é para mim. Se eu não colocar no papel, o que sinto acaba por me implodir.

Sentir-se desperto em um mundo de sonâmbulos é a punição de quem ousou olhar para o sol da verdade sem a proteção das mentiras sociais.

O mundo exige uma produtividade que minha dor desconhece, pois ela opera em um fuso horário onde o segundo é uma eternidade de esforço apenas para respirar. Sou um desertor dessa guerra pela felicidade compulsória, preferindo a paz de ser apenas um resto de esperança.

Carregar a própria alma é o trabalho mais pesado do mundo, especialmente quando ela insiste em se encher de pedras coletadas em caminhos que já deveriam ter sido esquecidos. Cada passo é uma negociação com a gravidade, um pedido de clemência ao chão que parece me puxar para baixo.

Sou o resultado de todas as vezes que eu disse "está tudo bem" enquanto meu mundo interno estava sendo devastado por um tsunami de incertezas. A resiliência é uma forma de exaustão que aprendeu a usar maquiagem, uma força que nasce da total falta de opção.

O mundo é um baile de máscaras onde eu cheguei com o rosto nu e agora todos se afastam, assustados com a honestidade da minha tristeza. Não nasci para o carnaval das aparências, prefiro a quarta-feira de cinzas, onde tudo é cinza, mas ao menos é real.

Há uma melodia nas coisas que se quebram, um som de fim de mundo que ecoa por dentro muito tempo depois do estrago físico. Eu coleciono esses estilhaços e tento montar um mosaico onde a beleza não venha da perfeição, mas da forma como a luz atravessa as rachaduras.

O mundo é um moinho que tritura nossos sonhos até que eles virem farinha para o pão de cada dia, uma massa insossa que comemos apenas para sobreviver. Eu tento temperar essa massa com um pouco de poesia amarga, para que o sabor da existência não seja totalmente esquecível.

Minhas palavras não buscam salvar o mundo, buscam apenas ser o espelho onde alguém possa se olhar e dizer: "pelo menos não sou o único que se sente assim". A validação da dor alheia é o maior ato de caridade que um escritor pode oferecer ao seu leitor cansado.

Vejo o mundo através de uma lente que só revela sombras e tons de cinza, onde a alegria parece luz de outro universo, inalcançável e distante.

Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.

⁠Você nunca foi uma tela em branco. Desde o primeiro conceito que compreendeu acerca do mundo, cada experiência inscreveu traços que não se apagam. Você é acúmulo — de memórias, padrões, cicatrizes, insights. É, ao mesmo tempo, uma obra feita e inacabada.

Mas o mundo não fala difícil. Ele se oferece em silêncio: no canto tímido de um pássaro, na claridade que atravessa a janela, no riso solto de uma criança que nada deve à razão. A vida é simples — somos nós que a cobrimos de véus, como quem teme enxergar o que é demasiado claro.

Conhecer você foi como reaprender a enxergar o mundo: cores que antes eram opacas voltaram a vibrar, um coração antes frio encontrou abrigo, e na delicadeza da sua presença, nessa quase inexplicável Basorexia descobri que o extraordinário existe, às vezes, em uma única pessoa.