Poemas sobre Dias
Nos dias em que a dor tomou a voz, foi a fé, em silêncio, que me deu bússola. Nesse silêncio aprendi a seguir.
O amor amadurece quando a presença vence a promessa, ser todos os dias vale mais que palavra vazia, o compromisso diário constrói confiança, presença é prova que o amor permanece.
O tempo cicatriza o que o orgulho segura, a teimosia solta com o passar dos dias, deixar o tempo agir foi escolha sábia, cicatrizar veio com humildade e espera.
Em dias de exaustão profunda, a presença d'Ele é mais do que conforto: é o ímpeto inesgotável que me levanta.
Há dias em que a única terapia é um banho quente, dissolvendo o peso que o dia insiste em deixar na pele.
Há uma fome que não passa com pão: é a fome de sentido. Comemos afazeres, mastigamos dias, e nada nos alimenta. O sentido chega como um peixe exausto na margem do corpo. É preciso mãos firmes para pegá-lo sem esfarelar. Quando o seguramos, aprendemos a mastigar vida com calma.
Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.
A alma não se revela nos dias de glória, mas nos instantes em que nenhum aplauso existe para sustentá-la. É no silêncio onde a verdade surge sem maquiagem, expondo as rachaduras que insistimos em esconder. Só na nudez da vulnerabilidade percebemos o tamanho do peso que carregamos. E às vezes, o maior milagre é continuar caminhando mesmo sem saber para onde ir.
Há dias em que a alma parece uma casa sem teto: tudo entra, tudo molha, tudo desaba. Mas mesmo nas ruínas, algo dentro pede reconstrução. E esse pedido é prova de que a esperança, embora pequena, ainda respira. Respira fraco, mas respira.
Há dias em que a esperança veste roupas velhas e disfarça o medo. Ela caminha pela sala, tropeça, ri, insiste em ficar. Não é heroica, é teimosa e essa teimosia me sustenta, um ato minúsculo que repele a avalanche de desistências.
O corpo tem memória de batalhas que a mente quer esquecer. Há dias em que ele se recusa a colaborar, cobra presença no presente. Quando obedece, eu celebro em silêncio, quando nega, aprendo a negociar, ofereço chá, música, paciência, pequenos tratados de trégua.
Os dias me ensinaram a carregar o mínimo necessário. Até o excesso de lembrança vira carga insuportável. Por isso guardo poucos objetos e muitas memórias escolhidas. Elas me aquecem como um fogo que não reclama. E me permitem caminhar sem tropeçar nas coisas velhas.
Há dias que parecem rascunhos mal colados. As frases saem tortas e os gestos, imprecisos. Reviro-os até que encontrem forma e razão. Algumas colagens funcionam, outras viram poesia de esquina. E a vida segue, improvisando imagens que valem.
“Cada dia um desafio. Devemos seguir sem medo de malograr, embora todos os dias a gente perca o controle da situação. Admitir estes tropeços, só nos faz mais sábios e fortalecidos para os novos embates. Importante mesmo é se preservar inteiro. Assim é a jornada.”
