Poemas sobre Alma

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Estações da Alma
Em mim, viste apenas cores,
deleitou-te em minha
beleza,
pois era primavera…


Chegando o verão,
meus raios te encantaram;
aqueceste-te com meu
calor.
Enfim, não era amor.


O outono chegou…
As folhas murcharam,
as flores caíram.
Minhas raízes te
assustaram;
o vazio do meu caule
te fez frio…


Mas o outono é tempo
de renascer,
tempo de renovar.
Tempo de deixar de lado
as aparências
e mostrar a firmeza
das raízes.


O outono é tempo
de mostrar a essência…
A minha, você não
quis ver.
Mas foi no outono que
a sua pior metade
eu pude conhecer.


Sei exatamente como
está a podridão das
suas raízes, e quando
a primavera, outra vez,
chegar,
suas flores, suas
cores
não irão mais me
encantar.


A alma é feita de estações,
e é necessário que haja
acolhida em cada uma delas…
para nos reencontrarmos
prontos na primavera.


Aline dos Santos

O tempo não passa:
ele atravessa.
Rasga a alma em silêncios sucessivos,
leva nomes, vozes, gestos mínimos
que sustentavam os dias.

Há perdas que não gritam,
apenas permanecem.
Assentam-se no peito como pedra antiga,
ensinando o peso exato da ausência.

O tempo não pede licença.
Ele segue, mesmo quando o coração
preferiria ficar.
E nessa marcha desigual,
aprendemos a caminhar feridos,
não por escolha,
mas por necessidade.

Continuar não é esquecer.
É carregar com dignidade
aquilo que não volta.
É permitir que a dor exista
sem que ela nos governe.

Seguimos porque viver
não é negar as perdas,
é dar a elas um lugar —
não no centro,
mas na memória que fortalece.

E assim, mesmo dilacerados,
avançamos:
não intactos,
não ilesos,
mas humanos o suficiente
para transformar ausência
em permanência silenciosa
dentro de nós.

©2025 @domingosmassa

⁠Na velhice da alma

Eu não escolho sonhar; os sonhos que vêm sobre mim
Algum velho e estranho desejo por ações.
Quanto à mão sem força de algum velho guerreiro
O punho da espada ou o capacete usado desgastado pela guerra
Traz vida momentânea e astúcia longínqua,
Então para minha alma envelhecida -
Envelhecida com muitas justas, muitas incursões,
Envelhecida com nomear de um aqui-vindo e daqui-indo -
Até agora eles lhe enviam sonhos e não mais deveres;
Assim ele se incendeia novamente com poder para a ação,
Esquecido do conselho dos anciãos,
Esquecido de que aquele que governa não mais batalha,
Esquecido de que tal poder não mais se apega a ele
Assim ele se incendeia novamente em direção ao fazer valente.

Ezra Pound

Nota: Tradução do poema In The Old Age Of The Soul.

os olhos mantêm a alma esperançosa
estes fazem-na enxergar motivos na Terra
para se contentar
e não querer fugir do plano físico

muito mais que ser apenas um sopro vagante pelo mundo,
é melhor ter um corpo
para tocar, sentir e ser

Apagão.
O apagão da alma se inicia quando o sentimento sobrepõe o racional.
É aquilo que se sente e não se pode explicar, que fica no âmago do ser humano.
Como a embriaguez, a raiva, o ciúme, o amor, que não se pode tocar nem entender e nem se deve.
É a sensação da madrugada, do vento frio, das promessas e lembranças.
É aquilo que não se pode fugir nem se refugiar.
O apagão da alma é se deixar levar pela falta da razão e pela sensação em si, não necessariamente o toque ou o físico. São flashes que trazem à vida o íntimo do indivíduo.
É como o amor, êxtase. Inexplicável e indivisível, individual. É o sorrir na madrugada com o "pensamento nas nuvens", o sussurrar silencioso das memórias e a saudade que bate no peito sem hora prevista ou explicação.
Se caracteriza como aquilo que não se controla, que é bom e mortal, uma vez que machuca no silêncio e na mesma intensidade que alivia.
É você.
É seu jeito, seu rosto, sua voz,. É sua melodia e seu falar. É o que me tira a sede e me falta o ar, é encanto.

O corpo físico é apenas uma expressão temporária da alma. A conexão entre um ser encarnado e um espírito desencarnado é absolutamente possível e real, como experiência concreta no campo da consciência. Trata-se de uma união sagrada e transformadora. Ela transcende o corpo físico e se manifesta como vibração pura, energia viva e fusão de essências.

Contudo, essa vivência não está ao alcance de todos. Exige preparação espiritual, sensibilidade energética e abertura consciente para os planos sutis. É necessário cultivar práticas que elevem a frequência vibracional, como meditação, respiração consciente, purificação emocional e intenção elevada. Quando há alinhamento entre alma, propósito e amor, o canal entre dimensões se abre naturalmente.

Quando duas almas estão ligadas por missão, amor e propósito, a distância entre planos não representa obstáculo. A verdadeira união ocorre no campo sutil, onde o desejo é energia e o amor é consciência.

A experiência de fusão entre um ser encarnado e um espírito desencarnado gera sensações intensas no corpo físico, vibrações, calor, êxtase, mas o estado é consciencial. Não é imaginação, nem projeção. É real. É sagrado. É energético.

É uma vivência elevada de união espiritual. A kundalini, força vital que ascende pelos centros energéticos, abre portais entre dimensões. O espírito não precisa de corpo físico para tocar, amar ou se unir. Sua presença vibra, envolve, penetra o campo energético do encarnado, e ambos se tornam um só fluxo de consciência.

Essa união não depende da carne, mas da frequência. E quando há amor verdadeiro, missão compartilhada e entrega espiritual, o encontro entre planos se torna inevitável, e profundamente transformador.

Essa é uma verdade que vibra além do véu. Uma experiência que não se explica, se vive. E só quem se prepara para sentir entre mundos pode confirmá-la.

Do nada


O riso é repentino
Nada mais é...
do que a memória fazendo cócegas na alma⁠.

“A motivação não nasce do grito, mas do instante em que o cansaço e o desejo se olham e a alma decide continuar viva.”

M. Arawak

“A alma não desperta no barulho da fé, mas na serenidade da compreensão.”

M. Arawak

Ser humano…

é sentir a dor do outro como quem escuta a própria alma.

A empatia… é o idioma que une os mundos, a tradução silenciosa entre o que somos… e o que poderíamos ser.

Nenhuma palavra cura mais… do que a escuta.

Porque ouvir… é tocar o invisível com o coração desperto.

A verdadeira humanidade começa… quando o eu se curva diante do nós, reconhecendo… que não existe plenitude sem partilha.

A compaixão é o gesto que transforma o sofrimento em elo, o abismo em ponte, a dor… em comunhão.

Quem se comove diante do outro… já está em oração.

Porque, nesse instante, a alma recorda… que toda vida…

é uma só respiração.

⁠Boa noite!
Descanse a mente, a alma, o corpo e o coração. Que sua noite seja repleta de bons sonhos e bons sentimentos.
Que Deus lhe guarde, lhe cuide e lhe ilumine.
Uma noite serena pra você!

AMOR DE ALMA


Amar alguém com a alma é carregar um peso invisível que não se mede em palavras, nem em tempo, nem em presença física.


É sentir que, mesmo quando os dias se transformam em semanas, as semanas em meses e os meses em anos, algo dentro de você permanece intacto: A certeza de que aquela pessoa ainda habita o seu coração.


O tempo pode passar cinco, dez, vinte anos e ainda assim, a lembrança, o sentimento e a intensidade continuam vivos, como se cada batida do coração fosse um sussurro dizendo o nome dela.


Amar com a alma não é um simples querer, é uma marca profunda que se eterniza dentro de nós, mesmo quando a vida insiste em separar caminhos.


A dor está em saber que nem sempre será possível estar ao lado da pessoa que o coração escolheu.


O destino às vezes impõe barreiras, circunstâncias mudam, e a presença física se desfaz.


Mas o amor verdadeiro não se apaga com a distância, ele permanece como uma chama silenciosa, que aquece e ao mesmo tempo pesa, porque revela a grandeza e a fragilidade de amar além da lógica.


O peso de amar com a alma não está em prender-se, mas em sentir intensamente, mesmo quando não há retorno, mesmo quando não há reciprocidade.


É um amor que desafia o tempo, o espaço e a ausência. Um amor que prova que, quando o coração decide, nenhuma força é capaz de arrancar a raiz desse sentimento.


E é justamente nesse peso que se encontra a beleza.


Amar alguém com a alma é descobrir que alguns sentimentos são eternos, ainda que as pessoas não permaneçam.


Autor desconhecido.

Carta à minha alma gêmea


Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.


Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.


Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.


E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.


Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.

Vestes da Alma


Na seda que cobre o rosto, não há disfarce — há revelação. A vestimenta não oculta, ela molda o espaço onde o olhar respira.


Os olhos, espelhos do invisível, falam com o ar, sem som, sem pressa. São letras desenhadas no vento, caligrafias da alma em movimento.


Em árabe, dançam como poeira dourada: العيون مرآة الروح — os olhos são espelho do espírito. Em hebraico, gravam luz no silêncio: העיניים מראה לנשמה — o olhar revela a essência. Em sânscrito, flutuam como mantras: नेत्राणां प्रधानं मानं — os olhos medem o coração.


E assim, entre véus e vozes, a alma se veste de mistério, mas nunca se esconde. Ela se mostra — nos olhos que sabem falar com o ar.

opera
fria
sem sentimento,
horizonte frio,
terror...
esquecimento,
tremor
para gelo da alma
copo d´água fria noite
sede sem fim
as horas são obras
na solidão
dois quais uma sombra
nas sobras do sentimento.

De longe minha alma faminta
gloriosamente perdida...

como sempre o terror
entre um mundo outro
a luz folgaz entre o ardi o

celebre ar frio
de cada fagulha perdida
em cantos no maior primor...


de uma dança sentida...
selada em pontos de silencio
em vetores estranhos...

purpura como uma canção
que vem com vento
em sonhos terás a alegrias

no manto de muitas luas
entre trevas dos quais sonhos
caminham em todos lugares

nunca se acaba pois
centelha boa como água
que flui do rio

mesmo sujo turvo
um dia foi alegre
cheio de vida

ALMA DE LUA

Hoje é lua cheia
E minh’alma
Ainda mais vazia
Hoje é lua crescente
Como a dor
Que minh’alma sente
Hoje é lua minguante
E em minh’alma
Mingua a alegria restante
Hoje é lua nova
E em minh’alma
A tristeza se renova.

Que os anos que chegam sejam meus,
não apenas contados, mas vividos.
Com a alma aberta ao vento,
e o coração repousando tranquilo.

Cada erro que me feriu,
cada acerto que me ergueu,
são degraus que me trouxeram
até este instante verdadeiro.

Quero o tempo como companheiro,
não como dono ou carcereiro.
Quero a vida inteira em versos,
mesmo nos dias mais dispersos.

E se o futuro me chamar,
que seja para dançar com ele,
com paz nos olhos,
e esperança nas mãos.

No final de tarde


Navego no silêncio
Fascinante instante que abastece a alma
Leveza do meu contemplar
Pássaros despedido da tarde
Enquanto renovo diante da beleza
Busco a conexão que o por do sol pode oferecer.

O verdadeiro presente


De que vale um belo laço
Se a alma não vem no gesto?
Presente sem sentimento
Vira um pacote indigesto
Sem presença, perde o brilho
É como um trem que sai do trilho
Não aquece o coração honesto.


Presente bom é um mimo
Que nasce do querer bem
Não pesa, não é obrigação
Não se compra por ninguém
Se vem sem gosto ou carinho
É apenas um ato mesquinho
Valor de verdade não tem.


Mais vale um abraço amigo
Um sorriso que se repete
Que um pacote frio e caro
Que nem afeto remete
O que toca é a companhia
Companheirismo no dia a dia
Com isso, nada compete.


Que no seu aniversário
Haja afeto e bem-querer
Não pese o preço ou a pressa
Mas o gosto de oferecer
Presente que é de amizade
Há verdadeira felicidade
Faz a vida florescer.


Que se divida cada instante
A tristeza e a alegria
Compartilhe de coração
Com ternura e harmonia
Assim o presente é festa
Mesmo de forma modesta
É vida em plena poesia.


Presente medido em cifra
Perde todo o seu valor
Mas aquele dado com alma
Se enche de brilho e cor
Pois quem oferta de coração
Recebe em troca, a gratidão
Recheada com muito amor.