Poemas sobre a Temporalidade da Vida

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O Retrato do Ingrato
Existem laços que, em vez de sustentar, sufocam. É o mistério doloroso daquela mãe que, em nome de um amor incondicional, permite que o próprio filho transforme seu lar em arena e sua alma em banquete. Ele chega como se o mundo lhe devesse tudo, portando o título de "filho" apenas para exercer uma tirania mesquinha. Com o nariz empinado e o coração seco, ele não entra na casa da mãe; ele a invade.
O narrador da vida observa: enquanto ela oferece o pão e o afeto, ele devolve o palavrão, a piada de mau gosto e a encenação barata que visa humilhar quem mais o apoia. Ele sente inveja da felicidade dela, como se cada sorriso da mãe fosse um roubo ao seu próprio ego. Ele tenta mandar nos irmãos, ditar as regras de um teto que não é seu e sugar a energia de um ambiente que deveria ser sagrado.
É o filho que se acha "dono do mundo", mas não consegue sequer dominar a própria má educação. E a mãe? Ela assiste a tudo com os olhos marejados de quem vê um tesouro onde só existe cascalho. Ela silencia, não por falta de voz, mas porque o amor a faz acreditar que, em algum lugar debaixo daquela armadura de arrogância e desrespeito, ainda existe a criança que ela nalgum dia embalou. É o sacrifício silencioso de quem aceita ser ferida para não ter que ferir o fruto do próprio ventre.
Nota do Narrador: "Há filhos que são âncoras, que nos prendem ao chão pelo peso do amor; e há filhos que são tempestades, que nos destroem por dentro enquanto juramos que o céu ainda está azul.

Epigrama

Bom é ser árvore, vento:
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.

Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranqüilo
diante da vida ou da morte.

- Marly de Oliveira

*Minha Casinha*

🎶✍🏼 Pezão da Timba

Nóis juntemo uns amigo
Pra arrumar umas madeira
Pra subir o meu barraco
Vai ser uma casinha simples
Um quintal, uma cozinha
Um banheiro e um quarto
Comecemos levantar
As madeiras no lugar
Quando alguém alto falou
É melhor parar seu moço
Pois a lei aqui é osso
Nesse triste mundo cão
Terra onde ninguém é dono
Mas se não se tiver dinheiro
Vem os homi e põe no chão
Tudo o que é de
Deus
É o homem que destrói
Com tanto desamor
O peito dói
E quem assim lutou
Por uma casa
Triste se iludiu
Sonho criou asa

"A arte da cultura, nos versos que o tempo não apaga,
vivem Mestres e Mestras raízes,
mãos que moldam a arte da palavra, da dança e dos saberes,
guardiões da cultura popular, tradição espelho de um povo feliz,
donos desses países.
Entre os ritos e os cânticos, tece saberes que os livros não trazem,
é oralidade pura desse chão."
— (Mestre Malaquias da Viola)

EXALTAÇÃO À BOA MALANDRAGEM


Autor: Pezão da Timba


Naquela época de roda de terreiro
Quando o samba era só coração
Boemia andando de braço dado
Com a última condução
Malandro engomado na beca
Chapéu jogado de lado
Flor na lapela
Sorriso aberto
Respeito na cara
Passado pesado


[Chorus]
Exaltavam a boa malandragem
Que apanhou
Mas não caiu
Que fez do botequim sua passagem
E da esquina
Seu Brasil
Exaltavam a boa malandragem
Que driblou tanta repressão
Transformando cada dor em coragem
Cada lágrima em canção


[Verso 2]
Vinham dizendo que era vadiagem
Querendo calar o salão
Mas na calçada
Na porta do bar
Nascia outro refrão
Mesmo cercado pela intolerância
O povo afinava a voz
E o pandeiro marcando a distância
Entre o que era deles e o que era de nós


[Chorus]
Exaltavam a boa malandragem
Que apanhou
Mas não caiu
Que fez do botequim sua passagem
E da esquina
Seu Brasil
Exaltavam a boa malandragem

*EXALTAÇÃO À BOA MALANDRAGGEM


Autir: Pezão da Timba



*Naquela época de roda de terreiro/*
*Quando o samba era só coração/*
*Boemia andando de braço dado/*
*Com a última condução/*
*Malandro engomado na beca/*
*Chapéu jogado de lado/*
*Flor na lapela, sorriso aberto/*
*Respeito na cara, passado pesado/*


*[Refrão]*
*Exaltavam a boa malandragem/*
*Que apanhou, mas não caiu/*
*Que fez do botequim sua passagem/*
*E da esquina, seu Brasil/*
*Exaltavam a boa malandragem/*
*Que driblou tanta repressão/*
*Transformando cada dor em coragem/*
*Cada lágrima em canção/*


*Vinham dizendo que era vadiagem/*
*Querendo calar o salão/*
*Mas na calçada/*
*Na porta do bar, nascia outro refrão/*
*Mesmo cercado pela intolerância/*
*O povo afinava a voz/*
*E o pandeiro marcando a distância/*
*Entre o que era deles e o que era de nós/*


*[Refrão]*
*Exaltavam a boa malandragem/*
*Que apanhou, mas não caiu...*
*Que fez do botequim sua passagem/*
*E da esquina, seu Brasil/*
*Exaltavam a boa malandragem/*
*Que driblou tanta repressão/*
*Transformando cada dor em coragem/*
*Cada lágrima em canção/*


*Hoje eu balanço nesse mesmo passo/*
*Carrego o legado na palma da mão/*
*Cada virada é um velho abraço/*
*De quem lutou pra existir esse chão/*
*Se hoje o samba desfila na avenida/*
*É porque muita gente ficou pra trás/*
*Deixando escrita na própria vida/*
*Essa nobre malandragem que a história refaz/*


*[Refrão]*
*Exaltavam a boa malandragem/*
*Que apanhou, mas não caiu/*
*Que fez do botequim sua passagem/*
*E da esquina seu Brasil/*
*Exaltavam a boa malandragem/*
*Que driblou tanta repressão/*
*Transformando cada dor em coragem_*
*Cada lágrima em canção/*

REFLEXÃO
“O amor não termina no grito, mas na ausência, no tratamento raso, no descaso e na falta de cuidado. Não se desfaz na discussão, e sim na falta de compreensão, empatia e respeito, mas na indiferença. Quando dois corações já não se procuram no silêncio, não sentem mais saudades e não se declaram em palavras sentimentos de AMOR, é porque a desconexão chegou antes da despedida.
O triste é que, em alguns casos, não existiu tempo de dizer ADEUS.”
(Mestre Malaquias da Viola)

"Tem gente que só vai acreditar no mundo espiritual ou levá-lo a sério depois que morrer."


- Anderson Silva

“Você se lembra
de quando pedia
por tudo o que tem hoje?
Reconheça.
Agradeça.
Gratidão sempre.”

Encontre tempo para as coisas que te fazem lembrar o quanto é bom estar vivo.
Eu estou aprendendo isso.
A desacelerar.
A agradecer mais.
A valorizar o simples.
Porque no fim… são esses pequenos momentos que salvam o dia...

Oxalá se pudesse provocar em mim mesmo, uma suave alegria que me levasse a apossar de uma parresia contundente, para poder imitar o grande apóstolo em seu texto idiomático dirigido aos Coríntios em sua primeira carta, no remate do capítulo e versículo 9,16.


Ai de mim, digo eu, em pobre ortodoxia que se transforma em triste desejo de meu quietismo estimulado neste epílogo, por sentimentos de difícil compreensão humana...

Tanta gente confundindo José Maria com Maria José que, se elas encontrarem a Paz de Espírito na rua, é capaz de pedir desculpas e dizer que estão esperando o Espírito da Paz...


--- Risomar Sírley da Silva ---

Nihil Obstat

É preciso que a música aparente
no vaso harmonizado pelo oleiro
seja perfeitamente consistente
com o gesto interior, seu companheiro
e fazedor: o vaso encerra o cheiro
e os ritmos da terra e da semente,
porque antes de ser forma foi primeiro
humildade de barro paciente.
Deus, que concebe o cântaro e o separa
da argila lentamente, foi fazendo
do meu aprendizado o Seu compêndio
de opacidades cada vez mais claras,
e com silêncios sempre mais esplêndidos
foi limando, aguçando o que escutara.

Bruno tolentino

O céu e a chama

Havia um céu claro, inteiro,
um azul de infância, sem mágoa,
um tempo certo, verdadeiro,
que a chuva vinha quando era água.

Surgiu uma espessa fumaça,
nascida do metal e da pressa,
que tingiu o azul de desgraça,
e a chuva em ácido desce em praga.

Corrói a folha, a colheita,
ferve os rios, apaga o orvalho,
um verão que nunca aceita
o outono, nem seu trabalho.

E quando a última nuvem se esvai,
nem o azul nem a água voltarão...
Esse céu é o pacto que fizemos.
Aquela fumaça, a nossa ambição.

Aos pés da jaqueira pedi perdão.
Naquele momento senti a magia; a ancestralidade ali surgia,
diante de uma lágrima que na minha face escorria.
Olhei para o céu e uma voz sombria dizia:
— Levanta a cabeça, meu filho, chegará o grande dia.
Fiz a minha saudação, três nomes na mente surgiam:
Mepere, Bokolo e Iyá Bambá.
Inocentemente, foram louvadas nesse dia.
Novamente a voz sombria surgia:
— Siga em frente e acredite, chegará o seu grande dia.

Última Esperança

— "Por que tanta tristeza e tanta dor?"
Ao coração eu perguntei um dia.
E êle, em resposta: — "Já morreu o
amor."

Ao coração eu perguntei um dia:
— "Por que esperar se já morreu o amor?"
E êle: — "Sem esperança eu morreria."

- Stecchetti

Teu Nome

Teu nome foi um sonho do passado;
Foi um murmurio eterno em meus ouvidos;
Foi som de uma harpa que embalou-me a vida;
Foi um sorriso d’alma entre gemidos!

Teu nome foi um echo de soluços,
Entre as minhas canções, entre os meus prantos;
Foi tudo que eu amei, que eu resumia—
Dores—prazer—ventura—amor—encantos!

Escrevi-o nos troncos do arvoredo,
Nas alvas praias onde bate o mar;
Das estrellas fiz lettras—soletreio-o
Por noute bella ao morbido luar!

Escrevi-o nos prados verdejantes
Com as folhas da rosa ou da açucena!
Oh quantas vezes na aza perfumada
Correu das brisas em manhan serena! ?

Mas na estrella morreu, cahiu nos troncos,
Nas praias se—apagou, murchou nas flores;
Só guardado ficou-me aqui no peito
—Saudade ou maldição dos teus amores.

- José Bonifácio, o moço

UMA CANÇÃO DE AMOR

Vais me dizer, querida, se é verdade Que ontem à noite, cheia de saudade,

A sós contigo tu disseste assim:
"Como saudoso êle há de estar de mim!"

Muito te enganas, meu amor, sòmente Se tem saudades de quem anda ausente,

E por fôrça do muito imaginar
Chego a te ver, e chego a te escutar,

Tal e qual se estivesses ao meu lado, Eis por que, muito embora apaixonado,

Não tive ontem saudades, companheira:
- Estiveste comigo a noite inteira.

Friedrich Ruckert

ELEGIA 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

- Carlos Drummond de Andrade

"Na sombra de ninguém devemos viver;
Na própria sombra não devemos ficar;
Faça-se a luz;
Que ilumine a escuridão;
Caminhemos agora;
Rumo a liberdade;
Fugindo da solidão!"