Poemas sobre a Temporalidade da Vida
A Carta
É hora de relatar a minha verdade, tudo junto e embolado.
Sei lá a quem possa interessar, mas é assim, a minha verdade é sempre uma mentira para mim.
Sempre digo o que sinto verdadeiramente para os outros, mas para mim mesma, sempre minto.
Escondo de mim as coisas boas da vida, tudo o que possa me levar ao êxtase.
Tenho medo da verdade, ainda que pareço uma pessoa forte, sou mais fraca do que alguém possa imaginar.
São tantos os meus medos que não tenho como expor.
Não faço o mal, não desejo o mal. Se não posso ter uma opinião para o bem, me calo.
Entrego-me as causas de pacificação, mas minto para mim.
Minto para mim mesma sem misericórdia, sem paz interior.
Tudo que é mais para fora é menos para dentro.
Eu fujo de mim e doo tudo de melhor que na presença de mim mesma não consigo me dar.
Não aprendi a conviver comigo, não sei quem sou, não me conheço.
Meu cérebro é tão confuso que borbulha.
Sou um espectro de mim mesma.
Descaminho
Quando decidi estar com você
Aprendi além daquilo que imaginei um dia aprender
Aprendi o que é a mentira, o que é o errado
o olhar e o sorriso, falsos
e que não existe intervalo entre o amor e o ódio
entre o bem e o mal
Aprendi quando devo ceder para obter
Aprendi que sou capaz de aprender
o que é a mentira , o que é o errado, o que é o ódio e o que é o mal
autoflagelo para suportar o inóspito
Aprendi com a retórica do sofista
Aprendi que um desatinado pode me ensinar
contudo, aprendi a perder o juízo para surpreender
aprendi tantas banalidades
tresloucada, olho-me ao espelho e o reflexo é você.
Felicidade insana
Qualquer coisa pode trazer felicidade
aquele sonho que foi mal realizado
justifica-se na intriga armada
que na pessoa mal amada
no ato que deveria ser volúpia
não passa de fúria no pensamento
necessita mostrar ao mundo
a sua performance fria, desenhada
É a estupidez que reina
quando a solidão desatina
diante do caos nos sentimentos
esta felicidade é uma penicilina.
Mesmo com a alma ferida
imagina-se fortalecida
seduzindo-se pelas tentações
alimentando o ego e vaidade
fingindo a própria vida
iludindo-se com o reconhecimento
mentindo à sociedade
Na morte também é assim
o apodrecimento
é sempre de dentro para fora
e não de fora para dentro.
Retaliação
Foi de uma insistência de proeza épica
ocasionando a minha cedência impensada
ao encontro virtual
resultou em uma paixão que me cegava
em um amor incondicional
tudo em mim se alterava, palpitava
da carência para despropositados atos
abandonei o holograma
converti tudo para o real
deparei-me com um corpo delicado
revestido com alma fétida
com sorriso falso e o beijo esmolado
não chorei, não protestei
apenas aprendi a imitar com o ser camuflado
habituado a ludibriar
quebrador de corações
destroçador de ternurinhas
sem nunca se importar
joguei o jogo dos fracos
minha artimanha
fazer com que sentisse em sua pele falsa
a dor que toda gente sente quando menosprezado
com um belo sorriso nos lábios
sentei-me à mesa
e degustei o melhor do cardápio.
Nirvana
Sou meio abestada às artes manuais
Engenho melhor as máquinas
Introspectiva fico diante delas, fico imbecil
e o silêncio enche o meu mundo, meio estúpido
Vivo sossegada, descompromissada
Diante de mim, uma parede acinzentada
um varal com peças de roupas penduradas
alguns sons que veem de fora, inidentificáveis
Desenredo o meu silêncio em palavras
turvas, mudas, inexatas
Desprezo os clichês e as suas cópias desordenadas
que quebram o fascínio poético
daqueles que bem escrevem os seus nadas
Assim, passo as minhas horas, encantada
entre turbilhões de ideias
vou afugentando as ditas realidades
dessa sociedade cheia de crendices
Desculpai. Mas não nasci para os afazeres banais
para costurar as roupas rotas
e almoçar ao meio dia e meia
a minha didática de vida é outra
Sei, desiludo, não sou de bom trato
boa companhia
Vou, conforme vai o vento
lamento por causar desapontamento
sou obtusa diante do compreensível.
Frio de Outono
Está uma tarde fria
sinto pelos pés
termômetro infalível
Já é hora para um longo banho quente
repudiar os edredons e cobertores
que abrigam a cama
esquecer o pijama de flanela
e sem lamentos
o corpo agasalhar
calçar as botas e luvas
e sair pra labuta.
Às cinco, o verão despejou seu alívio breve
em fios de água densa, cortando o ar quente.
Um banho de frescor, um instante de sono
que a tarde cansada guardava em sua mente.
Às seis, o silêncio molhado se instalou.
O mar parou em tons de chumbo e de segredo,
como um pensamento pesado, refletindo
o céu que agora era doce, era rosa, era medo.
Que mistério é esse, que a chuva nos deixa?
O temporal passa rápido como um susto,
e no rastro da água, uma cor surpreende:
o horizonte pintado num tom quase injusto.
Rosa sobre o cinza, suavidade sobre peso,
a luz brinca com a sombra que a chuva trouxe.
É o contraste que ensina: após o aguaceiro,
o mundo respira diferente, mais largo, mais doce.
E nós, que testemunhamos a rápida mudança,
guardamos na memória este encontro de cores:
o mar grave e calmo, o céu tênue e terno,
unidos no crepúsculo, como dois amadores
da beleza passageira, que a chuva provoca
e que a luz do ocaso transforma em poesia.
É um momento só, um suspiro da natureza,
que fica na alma, mesmo quando o dia termina.
Nirvana dos escombros
Este nirvana é um abismo calmo,
um silêncio que abafou o grito.
É a raiz que sonda o vazio
na terra árida e tolhida.
Sob a lâmina das cobranças,
cresci em solo de desamparo,
e o colo que a noite pedia
virou pó dentro do peito amargo.
Na adulta que não conquista,
só resta o sabor letárgico
de tentar ser o que esperam
e ainda carregar o fardo.
É o nirvana da decepção,
da alma inquieta e torta,
um céu de nuvens pesadas,
um porto que não aporta.
É raiva que não se grita,
desamparo enraizado.
É buscar um pouco de abrigo
e achar o mundo trancado.
E se paz existe em algum lugar,
não é aqui, não é nesta dor.
É só o vestígio da ressaca
de um amor que não veio, doutor.
PERTENCER (05/1979)
Santo, peregrino faceiro
Peco e tu perdoais-me
Forma que tu, qualidade divina
Mostras o que és.
Brilhar na vida
Ser faceiro peregrino
É ser Santo?
Ou pertencer a satã?
Com crueldade e pertinência
Usando da nossa inocência
Faz com que sejamos pecaminosos
Talvez para fazer mostrar sua qualidade de Santo.
E nos coloca em uma roda viva
Envolvendo o mundo com justiça
Para ser Rei hoje e amanhã
E em cada manhã seguinte é Santo pelas idiotices.
Como há séculos
Peregrino e Santo faceiro,
Pertenço a Ti
Assim como a humanidade diz pertencer.
De um farsante
Peregrino
Que se diz Cristo
Em cada amanhecer.
TESTAMENTO DO AMOR DE UMA MULHER (02/2001)
Mulher não pode amar
na essência da palavra
Somente pode ser amada
na fadiga doutrinária.
Por isso compreendo agora
o meu grande erro na vida
Erro ou experiência?
Erro, experiência é
a degradante escusa do desacerto.
Amei, então errei
na essência da palavra
No desacerto perdi
o amor da pessoa amada.
Quando a mulher ama
verdadeiramente
Torna-se cúmplice de
um amor decadente.
No âmago do ser amado
depois do alcance da conquista pleiteada
exaure da sua alma todo o amor , e logo depois
vulgariza sua amada.
Quer ele ser o caçador perpétuo
da pureza nunca conquistada
Que desatinado e exasperado é este ser
que jamais poderá ser amado?
Amei, então errei e sofro
na essência da palavra, mas
Sou feliz por ter amado
Mesmo sendo vulgarizada
por deixar-me ser conquistada.
Odisseia
Levantou
Alçou voo
Viu com encanto
Todos os recantos
As maravilhas dos campos
As luzes das metrópoles
Os índios, as florestas,
As acrópoles
Os oceanos.
Aterrissou.
Viu a guarda inimiga
O sangue e a falta de comida
A doença, a má sorte.
Menino criado com vó
Que a despedida seja nosso derradeiro anseio. Que dedicatórias e saudades não sejam nunca ensaiadas. Que os olhares não mirem lembranças ou lugares lembrando de alguém, e que a minha robusta linguagem seja tímida se um dia precisar falar de adeus com você.
Não tenho poemas tristes sobre você. A minha vida e a vida dos outros são todas vidas de dentro de você. Tu sabes que eu sei dizer e arrumar em palavras as mais consoladoras e convincentes. Só as nego e negarei dizer a todos qualquer coisa que explique um dia a tua ausência, porque “até logo” ou “até um dia” eu até diria, porém adeus jamais lhe daria.
E num verso em que foge a rima e o português rebuscado, digo-te até um pouco bravo, não com a braveza de um desorientado, mas falo da bravura de um filho de nordestino, cabra arretado, te proibindo que desta vida se retires antes que eu veja em vida os filhos dos meus filhos, para terem também a sorte, assim como eu tive, de ser menino criado com vó.
Quiçá todo mundo pudesse ter sido, como eu fui na infância, querido; hora outra chamado de neto preferido; comigo sempre repartindo os doces recebidos. Sorte na tua casa ter vivido, e da tua vida me foi feito abrigo, como até hoje e ainda em breve será.
Pois com pressa só tratamos a saúde. O que não for saudade pode esperar!
Nós não o perdemos
Nós não o perdemos, ninguém o perdeu.
Nós ganhamos o privilégio de viver 31 anos com uma pessoa maravilhosa. Ganhamos da vida a oportunidade de conhecer uma pessoa especial, e dizer que fomos felizes é pouco para descrever.
Se eu pudesse voltar no tempo para tê-lo de volta, voltaria.
Se fosse preciso renunciar a todos os títulos acadêmicos para tê-lo de volta, sem dúvida eu faria. Qualquer um de nós faria.
E, se tivesse essa alternativa, eu escolheria viver mais 31 anos de novo com ele, sem mudar nada do que foi. Tudo do mesmo jeito: os mesmos momentos bons e ruins, todos os momentos e a vida exatamente como foi. Perfeito como foi, porque não teria sido perfeito de nenhuma outra forma, se não fosse ele exatamente do jeito que é.
Hoje, esse ciclo não se encerra. Continuaremos vivendo, não apenas com tristeza, mas com o orgulho de quem o teve.
Cada lembrança, cada sorriso, cada risada, cada instante. Seu jeito, seus trejeitos, sua luta e suas vitórias não esqueceremos.
Procuro sempre olhar o lado bom das coisas e, após essa constatação do quão dolorida é a sua ausência, fica claro que viver com ele foi viver um paraíso na terra.
E o melhor de tudo é que um dia o encontraremos de novo. Ele estará feliz e ansioso para nos ver. Mas, enquanto esse dia não chega, tenho certeza de que o seu desejo é que vivêssemos bem, com a alegria que ele nos mostrou.
Espero que essas palavras encontrem paridade com o sorriso dele, mas sei que as palavras nunca serão suficientes para substituí-lo. Por isso, a melhor forma de viver neste momento é entender que a sua vida foi uma dádiva e que as nossas, por causa dele, foram privilegiadas.
Sobre este texto: não é o melhor que já escrevi, até porque nunca pensei em escrever sobre a sua despedida. Nunca pensei, porque só o amor nos faz acreditar que certas pessoas são imortais.
Eu não vou te levar no coração, eu vou te levar na alma.
Vou te levar no olhar, vou te levar naquela roupa bonita que você tanto gostava de olhar.
Mas eu vou te levar, porque o coração é um órgão simples sem você lá.
Então eu vou te levar e te lembrar em cada poesia de rosas que eu recitar e escutar.
Eu vou te levar, te esperando ansiosamente lá, lá onde eu me apaixonei por você pela primeira vez.
Lá, quando retornarmos para casa, eu vou poder me expressar,
e assim você me verá sem a maldade e as limitações do mundo.
E assim, assim eu estarei lá, no nosso primeiro altar, te esperando entrar,
para então poder me derramar
e compensar uma vida inteira de ansiedade
só para te amar de verdade de onde viemos, lá
na eternidade.
Que o importante vai acontecer
De qualquer jeito é eu e você
Difícil mesmo vai ser explicar pra alguém
Que ficaremos bem
✨O Brilho que não se Rouba✨
Ela quis o seu sorriso, sem saber o que ele custa,
Buscou no espelho a forma, mas encontrou a alma injusta.
Cobiçou o fio do cabelo, o tecido da vestimenta,
Mas a paz que em ti transborda, nela apenas vira tormenta.
Agrediu por impotência, pois no fundo ela sentia:
Não se compra o amor de casa, nem se herda a alegria.
Quis a posse, quis o luxo, ser rainha em pedestal,
Esqueceu que a luz do peito é o que vence qualquer mal.
Ela ostenta o que é de fora, mas habita o deserto,
Invejando o teu abraço e o teu destino tão certo.
Enquanto ela grita e fere, em sua pobre imaturidade,
Tu segues sendo riqueza... ela, apenas vaidade.
Elfo Maia
Soberana Rainha:
Ela é o prumo da casa, a sabedoria que não falha,
Uma alma de ferro que venceu cada batalha.
Saiu do interior para mostrar sua grandeza,
Com a força de quem não se curva à incerteza.
Sua inteligência é um farol que ilumina e guia,
Transformando o trabalho duro em pura maestria.
Seu olhar é um livro aberto, cheio de lição e verdade,
Uma mulher que comanda a própria realidade.
Não se perde em lamentos, ela prefere o movimento,
Cuidando dos seus com o vigor do próprio alento.
Se o coração dela é um reino, o filho é o seu tesouro,
E sua lealdade vale muito mais do que o ouro.
Eu sou a guarda dela, o batimento que não cansa,
Aquela que retribui cada gota de esperança.
Enquanto as irmãs criam asas, eu escolhi ser o cais,
Protegendo a rainha que me ensinou a ser mais.
O amarelo não combina com quem já brilha por si só,
Ela é laço apertado que nunca se torna nó.
Minha mãe é o exemplo da vida que se faz vitória,
Uma guerreira admirável que honra a própria história.
Sua sabedoria é lei, seu amor é o meu chão,
A mulher mais incrível que já pulsou no meu coração.
O Nosso Laço: Apoio e Oxigênio
Meu irmãozinho é especial e eu sou o seu apoio, mas ele é o nosso oxigênio. Não consigo imaginar a minha vida sem a companhia dele. Quando ele não está bem, eu também me sinto mal; sinto-me fraca.
Mesmo quando ele está agitado, pedindo socorro ou procurando o meu apoio, eu continuo amando-o intensamente. Ele é o meu porto seguro, assim como eu sou o dele. Nos meus momentos difíceis, é ele quem me dá o ombro; ele cuida da nossa família ao máximo, do jeito dele.
Eu me sinto bem ao lado dele. Quando ele está bem, é como um sol radiante: o brilho dele ilumina o nosso dia. Ele brinca, dança e conversamos em Libras, celebrando a vida. Sou profundamente grata por tê-lo ao meu lado.
Manifesto: O Fim do Sufoco
É impossível aceitar ver uma mulher sofrendo e se humilhando por um homem 'pequeno'. Alguém que não merece ser chamado de homem e nem comparado aos animais, pois até um cachorro pode ser mais ético e afetuoso do que um ser que só pensa no próprio ego e vive de soberba.
É ridículo ver um homem que ridiculariza a companheira — seja ela esposa, noiva, namorada, mãe ou amiga. Homens que tentam rebaixar a mulher, controlando a roupa que ela usa ou exigindo que ela se troque, achando que, só por terem dinheiro, podem comprá-lo.
Mulher não é objeto, não é brinquedo. Mulher é preciosa.
Aquele que menospreza a dona de casa, dizendo que ela 'não faz nada', deveria tentar fazer o serviço sozinho para sentir o peso da rotina. É covardia fingir que não ouve quando ela fala, ou agir com indiferença. Nenhuma mulher deveria carregar o peso de um sobrenome ou o medo de ser livre. Ninguém merece ser humilhada ou desprezada justamente quando está doente ou vulnerável.
Se o homem está mal, que procure terapia, mas que não desconte suas frustrações em quem está ao seu lado. Mulher não nasceu para bancar vício de 'otário' nem para aceitar monstro camuflado de 'homenzinho'. Respeito não é opcional, é o mínimo.
"Peço desculpas aos homens de verdade, pais de família honestos e companheiros leais que lerem isso; sei que vocês existem e honram quem amam. Minha fala não é um ataque a todos, mas um desabafo necessário contra aqueles que usam uma máscara de decência para esconder o desrespeito"
